quarta-feira, 8 de abril de 2026

Two Love Letters to a Science Struggling to Remember What Really Matters and the Unexpected Gift of the 2026 Hormuz Crisis


The first letter responds to Park and Suh’s article in Technological Forecasting and Social Change, which overlooks the role of serendipity in scientific discovery. It relies heavily on patent counts as indicators of technological contribution, ignoring their limitations. Of the roughly 50 million patents granted worldwide, most are, as The Economist puts it, an “intellectual junkyard” — ideas that never materialized, failed concepts, or filings with no real intent to succeed. Even high-profile failures illustrate this flaw: Theranos, one of Silicon Valley’s most notorious frauds, held over 100 patents and reached a $10 billion valuation. Empirical evidence reinforces the point: a large-scale study of 4,460 real-world innovations found that most were never patented, with patents capturing only about 15% of actual innovation.  https://zenodo.org/records/18951538

The second letter responds to Haunschild and Bornmann’s article in the Journal of Informetrics, which proposes a bibliometric method to identify “bright young scientists” based largely on publication counts in high-impact journals. This approach is not only flawed but likely to exacerbate existing distortions in science. Journal impact factors are aggregate metrics that cannot capture the quality, originality, or intellectual risk of individual work; using them as proxies for talent is a textbook ecological fallacy. More importantly, institutionalizing such criteria would intensify perverse incentives already at play. This proposal would accelerate hyperauthorship, strategic publishing, and superficial output. Far from identifying genuine talent, the proposed method risks systematically amplifying the very behaviors that undermine it. https://zenodo.org/records/19001905 

PS - The 2026 Strait of Hormuz energy crisis did what years of sustainability advocacy could not: it made Europe's dependence on fossil-based construction materials impossible to ignore. The paradox is almost elegant: it took a fossil fuel crisis to make the case for leaving fossil fuels behind, and in its wake, bio-based construction materials finally emerged from niche experiments to serious contenders, offering a tangible path toward a more resilient and low-carbon built environmenthttps://www.preprints.org/manuscript/202604.0356

terça-feira, 7 de abril de 2026

AI and the Forecasting of Scientific Futures

 

https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/04/can-ai-discover-what-humans-cannot.html

Building on a previous post (linked above) I disclose yet another interesting paper by researchers from the University of Illinois Urbana-Champaign. If the previous post asked whether AI can discover what humans cannot, this paper asks something equally audacious: can AI predict where science is going before it gets there?

The authors make a deceptively simple but radical move: they reframe research proposal generation as a forecasting problem. Given a question and a body of literature available before a fixed cutoff date, the model generates a structured proposal — evaluated not by how sophisticated it sounds, but by how accurately it anticipates research directions that actually materialise in papers published afterwards. Trained on 17,771 papers, the system learns to spot overlooked gaps and draw inspiration across disciplinary boundaries — precisely where the most consequential ideas tend to hide. The implications reach well beyond academia. This could become the instrument through which funding agencies, science policymakers and research evaluators make higher-stakes decisions: not which proposals sound compelling in committee, but which ones the arc of science is already bending towards.  https://arxiv.org/abs/2603.27146

Yet the promise comes with a shadow. If funding decisions and research agendas start leaning on AI forecasts, there is a risk of reinforcing existing patterns rather than fostering genuine innovation. By privileging areas the model predicts will succeed, we could inadvertently narrow the scope of exploration, crowding out high-risk, unconventional ideas that fall outside the AI’s learned trajectories. Over time, this might entrench a “predictable science,” where AI-guided choices favor incremental advances and safe bets, undermining the serendipitous leaps that often drive paradigm shifts.

P.S. — The above-mentioned paper cites a compelling companion work: PreScience: A Benchmark for Forecasting Scientific Contributions, which approaches the same ambition from a different angle — benchmarking how well AI can anticipate the actual future impact of not-yet-published research. Taken together, these two papers signal something significant: a new subfield is quietly assembling itself, one that treats scientific forecasting not as speculation, but as a rigorous and measurable discipline.  https://arxiv.org/abs/2602.20459

domingo, 5 de abril de 2026

Uma "brilhante" estratégia Portuguesa - Empobrecer orgulhosamente ao mesmo tempo que ajuda ricos a ficarem mais ricos


O jornal Público divulga hoje um caso que, não sendo surpreendente para quem acompanha há anos a degradação sistémica da ciência no nosso país, não deixa ainda assim de ser escandaloso. O mesmo diz respeito a três investigadores Portugueses, Cristiana Pires, Fábio Rosa e Filipe Pereira (foto supra), que trocaram Coimbra pela Universidade de Lund na Suécia, onde fundaram uma empresa, Asgard Therapeutics, que desenvolve uma imunoterapia inovadora no combate ao cancro, avaliada em dezenas de milhões de euros.  https://www.publico.pt/2024/04/27/ciencia/noticia/cavalo-troia-cancro-vale-30-milhoes-euros-equipa-portuguesa-2088206

Recordo a propósito, que por uma estranha coincidência, há cinco anos, no meu primeiro blogue, divulguei o caso também escandaloso de uma jovem investigadora doutorada de Coimbra que, apesar de pretender continuar a trabalhar em Portugal e de o merecer, tendo em conta o seu elevado desempenho científico (ao contrário de muitos académicos efectivos, inclusive catedráticos, que possuem métricas vergonhosas), não teve outro remédio senão emigrar para ir contribuir para o enriquecimento da mesma Suécia https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/03/quando-estar-desempregado-e-uma-medalha.html

Resumindo e concluindo, porque a conclusão é tão óbvia que só a sua repetição cíclica impede que se torne banal, Portugal financiou a formação destes cientistas, e depois entregou-os de mão beijada a um país já de si extraordinariamente rico, que fica assim com a inovação, os empregos de alto valor acrescentado, e toda a riqueza daí resultante. Mas afinal que estratégia miserável é esta, que se repete ciclicamente há décadas, que exporta talento científico Português para países ricos para que aqueles fiquem ainda mais ricos ?

Era essa a pergunta que o jornalista Tiago Ramalho autor da peça jornalística em questão deveria ter feito ao ministro da tutela, mas que estranha e infelizmente não fez. Talvez porque se tenha esquecido que a principal missão do jornalismo não é divulgar peças como esta, que quase parece um elogio ao Governo que está, mas pelo contrário confrontá-lo com perguntas incómodas, cuja resposta muito interessa a milhões de portugueses, cujo destino parece ser cada vez mais o de uma escolha forçada entre emigrar ou empobrecer. 

Este estado de coisas obriga-me a reconhecer, o que faço sem qualquer satisfação, que quem teve inteira razão muito antes do tempo foi um conhecido de reputado investigador que aparece no topo desta lista de investigadores, que teve a frontalidade de acusar a existência na academia Portuguesa de uma "burocracia cuidadosamente arquitetada para defender os interesses da mediocridade instalada". Essa acusação, que poderá ter parecido excessiva a alguns espíritos mais sensíveis (leia-se, aos interessados na manutenção do status quo), revela-se, afinal, até bastante comedida. Como estes casos demonstram, a realidade é ainda mais grave do que a descrição que deles foi feita. 

Sobre a Suécia, devo recordar mais uma vez, porque o contraste é demasiado gritante para ser ignorado, e porque ele expõe com uma clareza impiedosa a raiz do problema, a enorme importância que a Suécia país atribui à criação de empresas por académicos, o país onde os direitos económicos das patentes pertencem por direito próprio aos académicos, ao contrário daquilo que se passa na Academia Portuguesa, onde os direitos das patentes pertencem ao Estado e onde essas iniciativas são penalizadas com um corte de 33% no salário https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/02/universidades-portuguesas-um-modelo-que.html

PS - Ontem o jornal Público noticiou que a FCT voltou a atrasar a contratação de cientistas através do programa FCT tenure. Contudo e ao contrário do que possa parecer, se há más noticias no financiamento da ciência em Portugal esta não é uma delas. Este famigerado programa que já tive oportunidade de criticar no passado, foi criado por uma Ministra que era simultaneamente catedrática da UNova e que, por uma daquelas coincidências que desafiam qualquer teoria probabilística minimamente séria, logo na sua primeira edição entregou à UNova mais vagas do que a soma das vagas atribuídas às universidades de Coimbra, Minho e Aveiro em conjunto. Mas muito pior do que isso, porque depois a atribuição dessas vagas é feita através de concursos com jurados caseiros, que como é tradição favorecem os candidatos da casa, reforçando a endogamia existente, que é exactamente a última coisa de que necessita a Academia Portuguesa. Este programa deveria por isso ser "abatido" o mais depressa possível, sendo as suas verbas redirecionadas para os concursos CEEC, aumentando o número de vagas e também a duração dos contratos para um mínimo de 7 anos, em linha com as melhores práticas mundiais https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/11/the-economist-world-ahead-2024what-is.html