quarta-feira, 14 de outubro de 2026

The Deeply Uncomfortable Question Behind ETH Zurich’s 99.8 Scientific Benchmark

In 2020, I drew attention on my first blog to a study in Nature Communications showing that early coauthorship with leading scientists predicts a competitive advantage extending throughout a researcher’s subsequent career, with the uncomfortable implication that the scientific standing of those with whom young researchers work can shape their prospects long after their initial training. In 2024, I returned to this issue, discussing research published in the Journal of the Royal Society Interface across 22 scientific disciplines, which identified an increasing association between the scientific impact of mentors and that of their protégés.

My current analysis of several leading universities places ETH Zurich at 99.8 researchers listed in the Elsevier–Stanford scientists ranking per 100 faculty members, a benchmark that confronts universities with a conspicuously low representation of highly cited researchers with a question their promotional rhetoric cannot honestly answer: Should they be required to disclose prospective supervisors’ scientific records and explicitly warn doctoral applicants that a supervisor’s weak scientific standing may seriusly compromise their career prospects, restrict their international visibility and curtail their access to influential scientific networks?

Universities that demand years of intellectual labour while proclaiming their excellence should substantiate those claims through supervisors’ scientific records, allowing applicants to distinguish research achievement from academic titles sheltering scientific mediocrity. Doctoral candidates deserve to know whether they are choosing a mentor whose achievements warrant their trust or a professor whose mediocrity may become their ceiling. 

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Top 10 dos investigadores Portugueses melhor classificados no ranking Elsevier-Stanford na área da Engenharia Civil

Reproduzo abaixo os nomes dos dez investigadores melhor classificados na área científica da Engenharia Civil, de acordo com a lista de impacto científico ao longo da carreira recentemente divulgada pela Elsevier. 

A UMinho destaca-se por reunir três investigadores entre os dez melhor classificados, seguindo-se a UPorto, com dois. As universidades de Lisboa, Coimbra e Aveiro, a Univ. Politécnica de Lisboa e o LNEC estão representados apenas por um investigador cada. 

 

Investigador

Instituição

Ranking europeu (Engenharia Civil)

Ranking mundial (todas as áreas)

1

Lourenço, P. B.

UMinho

10

13 310

2

Brito, J. de

ULisboa

15

19 624

3

Pacheco-Torgal, F.

UMinho

18

21 612

4

Barros, J. A. O.

UMinho

179

109 339

5

Silva, L. S. da

UCoimbra

236

131 994

6

Veiga, M. R.

LNEC

302

153 909

7

Cachim, P. B.

UAveiro

353

166 184

8

Cunha, A.

UPorto

355

166 308

9

Caetano, E. 

UPorto

486

197 600

10

Evangelista, L.

UPLisboa

545

205 834


domingo, 11 de outubro de 2026

A presidência da FCT ao serviço da servidão académica e da felicidade dos lordes feudais

 

Num post anterior, critiquei uma política muito pouco inteligente que privilegia a formação de milhares de novos doutorados enquanto comprime e chega mesmo a estrangular as oportunidades de investigadores cujos currículos foram considerados excelentes por painéis internacionais. Mas esta inversão de prioridades admite uma leitura ainda mais incómoda, a sua extraordinária conveniência para muitos catedráticos (leia-se lordes feudais) que tratam a pobre academia nacional como uma coutada onde a subserviência é a lei. Quem precisa de braços para executar trabalho e de artigos para engrossar o próprio currículo tem muito a ganhar com a abertura massiva de bolsas de doutoramento. Financiar a autonomia de quem já demonstrou mérito científico pode, pelo contrário, ameaçar esses feudos académicos. Para quem há muito se habituou a viver dos frutos do trabalho alheio, o financiamento de investigadores que não fazem "favores à casta" é uma ameaça ao seu domínio feudal.

Como tive ocasião de denunciar há vários anos atrás, no meu primeiro blogue, um conhecido catedrático da Universidade de Stanford expôs este problema com uma frontalidade que contrasta com a linguagem cobarde das instituições. Num contundente artigo publicado em 2016 no Journal of Clinical Epidemiology, questionou se certos currículos volumosos de muitos catedráticos traduzem realmente trabalho árduo e orientações brilhantes por parte daqueles ou antes, apenas o resultado da escravatura de jovens investigadores. A expressão que então utilizou não deixa margem para eufemismos foi slave trade of younger researchers.  A denúncia expõe uma perversão fundamental da hierarquia académica, quem ocupa o topo da pirâmide alimentar pode comportar-se como um tubarão, apropriando-se do valor produzido por quem trabalha abaixo. O jovem doutorando executa todo o trabalho e o lorde feudal arrecada o prestígio. Uma lógica que encontra eco num corajoso artigo de um catedrático da Universidade de Coimbra, sobre catedráticos-tubarões e investigadores-rémoras, que se alimentam de restos. 

Convém não esquecer que foi o próprio catedrático jubilado José Ferreira Gomes, agora reitor da Universidade da Maia, quem reconheceu publicamente, em junho de 2018, que a progressão académica favorece quem faz favores "aos mais velhos" (leia-se aos catedráticos). Essa grave declaração tem o valor de um testemunho vindo do interior da hierarquia, quando o favor integra a receita da ascensão, a meritocracia degrada-se em retórica de legitimação e a carreira académica passa a premiar a "arte" da subserviência perante os poderes instalados. Quanto à metáfora dos lordes feudais, vale a pena revisitar este outro post, no qual divulguei um artigo de um catedrático português que também conhece por dentro os costumes feudais da casa e que os descreveu num artigo publicado numa revista internacional 

É verdade que também há investigadores nada jovens contratados pela "quota da endogamia" que continuam e continuarão a prestar favores aos "mais velhos", na expectativa de um dia ascenderem à posição de quem os recebe. A ambição limita-se, nesse caso, a trocar a condição de vassalo pela de senhor feudal, perpetuando o sistema que recompensa a subserviência. Mas, como escrevi no dia 7 de agosto, construir uma carreira científica, sobretudo na era da inteligência artificial, exige coragem intelectual. Quem renuncia a essa coragem para granjear o favor dos seus "superiores" pode até conseguir ascender na hierarquia; mas, de pensamento escravizado e dignidade hipotecada, por mais alto que suba, nunca será merecedor de respeito apenas de pena. A ciência não precisa dessa cobardia moral promovida a prudência e transformada em abjecta estratégia de carreira. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/08/five-uncomfortable-truths-about.html  

PS - A presidência da FCT prepara-se para abrir, daqui a poucos meses, uma segunda edição do malfadado concurso FCT Tenure. Critiquei a primeira edição deste inqualificável concurso por uma concentração de vagas que dificilmente poderia passar despercebida, a UNova, instituição a que pertencia a sua mentora, a genial cabecinha pensadora da catedrática Elvira Fortunato, recebeu mais vagas do que as universidades de Coimbra, Minho e Aveiro juntas. Este concurso concentra o pior dos vícios académicos: põe recursos públicos ao serviço de lugares atribuídos por júris caseiros, favorece a reprodução das hierarquias instaladas e alimenta a endogamia com uma complacência política escandalosa. A mesma presidência que estrangulou o financiamento do concurso CEEC, avaliado por painéis internacionais, prepara-se agora para, hipocritamente, abrir os cordões à bolsa num concurso entregue a júris caseiros. A explicação é evidente, a prioridade da FCT é perpetuar os feudos académicos a qualquer custo e assegurar a felicidade dos lordes feudais.