terça-feira, 29 de setembro de 2026

A Ghent University Study of 3,164 European Academic Spin-Offs Exposes a Question Universities Would Rather Avoid

When a university spin-off becomes an international success, the institution wastes precious little time claiming its share of the glory. The founders appear in speeches, promotional videos and annual reports; their company is presented as proof that the university turns research into wealth. Yet the publicity establishes only where the company began. It does not show how much the university actually contributed to what the founders built or whether they succeeded because of its support, despite its limitations, or largely beyond its reach.

A Ghent University-led study published in the Strategic Management Journal examined the performance of 3,164 academic spin-offs founded over a decade, originating from 212 universities in 99 European regions. Regional differences accounted for approximately 27% of the variation in return on assets and 16% of the variation in sales in the authors’ models. The effect attributable to the individual university was negligible. 

That finding raises a question larger than whether universities exaggerate their contribution to individual companies. Are they claiming institutional credit for advantages supplied by an entire region? Investors, skilled workers, prospective customers and other firms all shape the environment in which a spin-off grows. The study does not tell us which of those factors drove any particular company’s success. It does show that performance varied substantially more across regions than across parent universities.  As I argued in Europe’s Humiliating Exodus, Europe too often mistakes regional advantage for institutional excellence. A university that presents a successful spin-off as proof of its own exceptional capacity must therefore explain why the credit belongs chiefly to the institution, rather than to the wider ecosystem in which the company developed.

This does not make universities irrelevant. They may have produced the original research, trained the founders and helped the company get off the ground. But they did not, by virtue of that connection alone, hire every employee, secure every investment, win every customer or conquer every market. The temptation to claim the whole success is hardly mysterious: a study in the Journal of Management Studies found that spin-offs can cast a reputational “halo” over their parent universities and even benefit their research income. The company’s success becomes a university asset, whether or not the university can show how much it contributed to achieving it. Celebrate the founders, by all means. But if an institution wants credit for the company they built, it should provide evidence of its own contribution.

PS - I previously wrote about Sword Health’s acquisition of a German rival. It is the kind of international triumph that universities love to associate with their names. But who built the company, persuaded investors, won customers and made that acquisition possible? What, specifically, did the Portuguese university (U.Aveiro) contribute to those achievements? The European study cannot apportion credit for Sword Health. It does give us a reason to demand evidence before allowing any institution to claim an entrepreneur’s success as its own.

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Oportuna petição para colocar o vencimento dos deputados ao mesmo nível da Suíça

https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/09/quatro-indicadores-quatro-ultimos.html

Na sequência daquilo que escrevi na parte final do post acessível no link supra, sobre os salários dos professores do ETH Zurich, reproduzo abaixo uma proposta de petição: 

Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República,

  1. Considerando que, na Suíça, a remuneração inicial de um professor catedrático da ETH Zürich corresponde a cerca de três vezes a remuneração parlamentar média de um deputado federal;

  2. Considerando que Portugal não dispõe, de dinheiro para triplicar os vencimentos dos professores universitários e investigadores;

  3. Considerando no entanto que existe uma solução muitíssimo mais económica para o Estado e inteiramente dependente apenas da vontade dos deputados;

As cidadãs e os cidadãos abaixo assinados requerem, em coerência com o elevado apreço que Portugal afirma dedicar à ciência, a revisão do estatuto remuneratório dos titulares de cargos políticos, sem que a redução seja neutralizada pela atribuição de outros abonos ou suplementos, fixando o vencimento dos deputados em 1700 euros brutos por mês.

As senhoras e os senhores deputados têm agora uma oportunidade histórica de dar o exemplo, se o país não pode aumentar os salários dos professores universitários e investigadores, podem aquelas e aqueles reduzir os seus até reproduzirem a proporção salarial observada na Suíça entre os deputados federais e os professores da ETH Zürich. Portugal poupará cerca de 8 milhões de euros por ano e ainda poderá proclamar ao mundo que alcançou o padrão suíço de valorização da ciência. Será uma proeza política ímpar, por elevar o estatuto relativo de quem produz ciência sem lhe pagar mais um cêntimo.

domingo, 27 de setembro de 2026

Quatro indicadores, quatro últimos lugares: a putativa excelência científica portuguesa de uma certa área posta à prova

https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/09/a-excelencia-cientifica-portuguesa.html

Na sequência do post anterior, dedicado ao desempenho dececionante dos investigadores portugueses mais destacados nas áreas científicas contempladas pelos prémios Nobel, faz todo o sentido avaliar, em cada uma dessas áreas, a distância que separa Portugal de outros países. Comecemos pela área da Economia. Uma pesquisa efectuada hoje na Scopus aos 20 artigos mais citados associados a Portugal e a cada um de dez outros países coloca Portugal em último lugar nos quatro indicadores apresentados na tabela supra.

O contraste com Espanha é particularmente embaraçoso e até mesmo humilhante, dos seus 20 artigos mais citados na área da Economia, 18 ultrapassam as mil citações; em Portugal, apenas seis o conseguem. Significa isso que a investigação das "excelentes" unidades de investigação da economia em Portugal anda a escolher questões com pouca relevância internacional ou haverá outra explicação mais miserável para aquele subdesempenho ?

Na verdade, Portugal nem sequer pode reclamar como seus os tais seis artigos com mais de mil citações, pois dois deles são da autoria de investigadores portugueses que trabalham no estrangeiro, pelo que eles pertencem aos países onde aqueles trabalham. O artigo mais citado, com mais de 4000 citações, tem como primeiro autor João M. C. Santos Silva, catedrático cujo trabalho contribui para o prestígio da ciência britânica. Por que haveria ele de querer permanecer num país onde um catedrático cujos trabalhos receberam milhares de citações recebe exatamente o mesmo que outro cuja produção científica soma umas poucas dezenas de citações? Porque haveria ele de querer permanecer num país que, escandalosamente, paga mais à classe política do que aos seus investigadores de topo?

Sobre esta vergonha faço notar que há vários anos critico o facto dos vencimentos dos cargos políticos e também dos muitos cargos que aqueles distribuem de forma generosa por familiares e amigos, ser superior aquilo que as universidades pagam a investigadores de topo, exatamente ao contrário do que acontece nos países do Norte da Europa. A comparação com a Suíça é bastante elucidativa, um deputado federal recebe cerca de 78 mil euros anuais, enquanto a ETH Zürich paga salários anuais entre 206 mil e 282 mil euros aos prof. associados e entre 241 mil e 317 mil euros aos catedráticos. Ou seja, mesmo no início da escala, um catedrático daquela universidade recebe mais do triplo de um deputado. Assim se Portugal quiser respeitar a mesma proporção e assim deixar de desvalorizar os seus professores universitários e investigadores, tem duas opções, ou triplica o seu vencimento ou corta o vencimento dos deputados para cerca de 1700 euros por mês. 

PS - Recordo que em dezembro de 2023, divulguei neste blogue um estudo de um prestigiado catedrático holandês de Economia, publicado no Journal of Informetrics, que dava algumas pistas sobre os fatores associados a uma maior probabilidade de ganhar o Nobel da Economia.