https://www.publico.pt/2026/06/24/opiniao/opiniao/campus-europeu-reinvencao-universidades-2179190
Sobre o
artigo artigo acessível no link supra, do Engenheiro Pedro Arezes, Reitor da Universidade do Minho, faz sentido perguntar:
Se o grave problema na academia europeia é haver menos jovens na Europa, como é que pôr os mesmos jovens a circular entre universidades europeias resolve a grave escassez demográfica que o artigo diagnostica?
Será que o artigo propõe realmente uma solução para o sistema universitário europeu ou na verdade propõe apenas uma vantagem competitiva para as universidades do Norte da Europa ?
Não é
plausível que a mobilidade europeia, em vez de reforçar a coesão territorial,
possa pelo contrário acelerar a concentração de estudantes nas universidades europeias mais
competitivas como
foi referido aqui para
o caso concreto dos investigadores?
Afinal, quando leões convidam ovelhas para uma “aliança estratégica”, convém tratar a palavra “estratégica” com prudência, quase sempre a estratégia pertence aos leões e ás ovelhas fica reservado um mero papel sacrificial.
Se a própria crise resulta da falta de jovens europeus, que sentido faz colocar no centro da solução a circulação interna dos mesmos jovens, e não a atração dos estudantes talentosos que a Europa ainda não consegue captar?
Ou será
que a Europa já deitou a toalha ao chão e já assumiu que é absolutamente
incapaz de competir com os EUA na atracção de talento a nível mundial e já nem
sequer consegue impedir o seu próprio talento de fugir para os EUA como
foi referido aqui ?
E isto precisamente num momento em que o errático, destrutivo e racista mandato de Trump ofereceu à Europa a melhor oportunidade de uma geração para disputar aos EUA os estudantes mais talentosos do planeta. Uma oportunidade que nem sequer exige uma Europa genial, basta uma Europa menos resignada, menos burocrática e com um mínimo de ambição estratégica.
Recordo que ontem mesmo se ficou a saber que as bolsas milionárias ERC Advanced Grants mais do que
duplicaram a atração de cientistas de topo de fora da Europa: nove vêm dos EUA,
dois do Canadá e dois da Austrália. https://www.timeshighereducation.com/news/sharp-rise-erc-advanced-grant-applications-outside-europe
A lição é
por isso fácil de perceber, quando a Europa põe dinheiro a sério, prestígio
científico e condições reais em cima da mesa, o talento vem. Quando porém
oferece apenas discursos sobre mobilidade interna, limita-se a pôr a escassez a
circular. O problema, portanto, não é apenas fazer circular os mesmos jovens
europeus entre as muitas universidades europeias. É atrair os jovens talentosos que ainda
cá não estão. E essa diferença entre redistribuir a escassez europeia, sem criar um único estudante e conseguir captar talento a nível mundial é a omissão mais evidente do
artigo do Reitor da UMinho.