quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Universidade do Minho: uma dupla liderança no ranking Elsevier–Stanford de 2026

 

https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/10/o-voto-de-louvor-da-camara-municipal-de.html

No post anterior, acessível no link supra, ficou por assinalar que a Universidade do Minho, além de apresentar, entre as universidades mais competitivas, o maior rácio Top 0,5%/Top 2% no ranking Elsevier–Stanford, também lidera esse grupo no indicador relativo às auto-citações. Com efeito, no ficheiro referente ao impacto ao longo da carreira, a UMinho regista a menor proporção de investigadores com taxas de auto-citações superiores a 25%, com um valor de apenas 10%, que contrasta favoravelmente com as percentagens das outras universidades, em especial com os elevados 20% observados na Universidade de Lisboa. 

A UMinho encontra-se, assim, numa posição comparativamente mais favorável, consideravelmente mais próxima dos baixos níveis registados nas melhores universidades do mundo, apresentadas na lista infra, onde o referido indicador varia entre 0,8% e 4,3%, do que a ULisboa, cujos seus elevados 20% representam o dobro do valor observado na UMinho e evidenciam um afastamento substancialmente maior face a essas conhecidas e prestigiadas referências internacionais. A UMinho consegue inclusive um resultado melhor do que a universidade francesa com a menor percentagem que é a Paris-Saclay com 13%.

Tenha-se presente que o supramencionado limiar de 25% foi expressamente referido pelo professor catedrático da Universidade de Stanford e principal impulsionador do estudo que esteve na génese do ranking Elsevier–Stanford, num artigo que assinalou a existência de uma maior prevalência de auto-citações em países cientificamente menos avançados, com taxas medianas próximas de 40% nos casos mais extremos, valores que sugerem um evidente desespero na procura a todo o custo de uma visibilidade científica que o reconhecimento por terceiros não terá proporcionado, com suficiente expressão internacional, pelo que os tais 25% podem ser lidos, como sendo o limiar do desespero.

No presente contexto importa recordar que a Clarivate Analytics, cuja lista de cientistas apresenta infelizmente diversas limitações metodológicas, que denunciei há vários anos e assinalei em diversos posts anteriores, como por exemplo um de Novembro de 2020, ou no artigo que posteriormente submeti para a revista Research Evaluation, de título "Assessing Methodological Distortions in the Clarivate Highly Cited Researchers List: International Comparisons and a Reform Framework", e que por conta dessas limitações volta e meia altera os seus critérios, decidiu, há poucos anos, adotar a medida radical de excluir da mesma todos os investigadores com níveis de auto-citação considerados excessivos, não divulgou, contudo, o limiar percentual a partir do qual essa exclusão foi aplicada.

PS - Na lista de carreira do ranking Stanford/Elsevier (2026), a minha taxa de auto-citações é de apenas 5,7%, que fica bastante abaixo da mediana nacional (15,4%). Na U.Minho há apenas dois investigadores com percentagens de auto-citação inferiores, a investigadora de Medicina Marian Anderson (5,4%) e o catedrático de Física Nuno Peres (4,2%), coautor, com os dois vencedores do Nobel da Física de 2010, de um importante artigo sobre o grafeno, que foi citado na documentação científica que acompanhou a atribuição do referido prémio.

Lista das 18 universidades melhor classificadas no ranking Shanghai ordenadas pela percentagem de investigadores do ranking Elsevier-Stanford com auto-citações superiores ao referido limiar de 25%:

1Harvard0,8%
2Yale1,0%
3Stanford1,1%
4U. Washington1,3%
5U. Pennsylvania1,3%
6Columbia1,5%
7U. Chicago1,6%
8Cornell1,9%
9UC San Diego2,0%
10UC Berkeley2,2%
11MIT2,6%
12Tsinghua3,1%
13Cambridge3,5%
14UCLA3,5%
15Oxford3,5%
16UCL3,7%
17Princeton3,7%
18ETH Zurich4,3%

domingo, 25 de outubro de 2026

The Days of a Certain Academic Hypocrisy Seems to Be Entering Its Death Throes

 

Still following my previous post, “The European Commission Highlights an Uncomfortable Truth: Science Depends on Essential Labour Academia Fails to Reward”, an article published in Nature on 20 October exposes a further institutional failure, universities depend on peer review to certify scientific credibility, yet frequently neglect to teach researchers how to perform it. The article advocates making peer review a core research skill through supervised discussions of preprints, confronting an academic culture that systematically trains researchers to pursue publication while neglecting to prepare them for the scrutiny that gives publication its credibility. Universities cannot credibly claim to cultivate independent scientific minds while leaving the disciplined exercise of scientific judgement to chance and informal apprenticeship.

My experience reviewing manuscripts and making editorial decisions has repeatedly exposed the complacent assumption that an extensive publication record qualifies someone to judge the work of others. Publishing prolifically offers no immunity against superficial reading, methodological ignorance or the temptation to turn peer review into an instrument of academic gatekeeping. Rigorous assessment requires distinguishing a fatal methodological flaw from a correctable limitation, a necessary revision from an unreasonable demand, and an original contribution from familiar ideas repackaged in fashionable terminology. It demands the courage to scrutinise prestigious authors as critically as unknown researchers and the intellectual honesty to acknowledge evidence that challenges one’s own publications. Doctoral programmes should explicitly cultivate these abilities, because scientific independence means little if researchers learn to question evidence only when doing so carries no professional risk. 

Yet training more reviewers while continuing to disregard their contribution in career assessments would merely replenish the unpaid workforce of a system that treats scientific judgement as an inexhaustible resource and professional recognition as somebody else’s responsibility. The scale of this imbalance was documented by Hanson et al. (2024): annual indexed article output rose from approximately 1.92 million in 2016 to 2.82 million in 2022, a 47% increase in six years, outpacing growth in the research workforce and intensifying the demands of writing, reviewing and editing. The human consequences were illustrated in my earlier post, “The serious case of papers that remained unassigned to editors for more than a year”, which discussed a manuscript that spent 380 days awaiting an editor before peer review had even begun. 

Such cases expose the human cost of editorial paralysis and sharpen the question of why institutions encourage ever more submissions while offering so little professional recognition to those responsible for assessing them. Universities and funding agencies cannot absolve themselves by blaming reviewer shortages while maintaining assessment criteria that help manufacture those shortages. They must explain why producing a paper counts towards career advancement, whereas undertaking the intellectual work required to determine whether it deserves publication so often merits little beyond a thank-you email, a remarkably cheap substitute for recognition from institutions whose claims to scientific quality depend on the very labour they decline to reward while congratulating themselves on excellence.

sábado, 24 de outubro de 2026

O voto de louvor da Câmara Municipal de Braga e a rebelião organizada contra a ignorância, a doença, o sofrimento e o medo

 

A propósito do recente voto de louvor referido nos emails abaixo, importa recordar que foi precisamente sobre o significado público do reconhecimento que escrevi, no passado dia 18 de agosto, num post que se tornou o segundo mais visualizado dos últimos três meses. Aí escrevi que aquilo que uma sociedade escolhe admirar educa as novas gerações e define a dimensão das suas ambições. Uma sociedade que proclama apostar no conhecimento tem de dar reconhecimento público efectivo a quem o faz avançar e mostrar aos mais jovens que a ciência é muito mais do que uma profissão, é, como defendi num post anterior, acerca de cinco verdades incómodas, dirigido aos jovens que iniciam uma carreira científica, uma  rebelião organizada da humanidade contra a ignorância, a doença, o sofrimento e o medo, e a recusa de aceitar como destino aquilo que podemos compreender, combater e superar.




De: F. Pacheco Torgal 
Enviado: 24 de outubro de 2026 07:12
Para: presidentecm-braga
Assunto: FW: Voto de Louvor à Universidade do Minho | CM/2026/19
 
Exmo Sr. Presidente da Câmara Municipal de Braga,
Relativamente ao voto de louvor aprovado por unanimidade pela Câmara Municipal de Braga aos 72 investigadores da Universidade do Minho que integram o ranking mundial de cientistas Elsevier–Stanford, baseado nas citações registadas na maior plataforma de literatura científica mundial, Scopus, e do qual tive ontem conhecimento oficial, agradeço, enquanto um dos investigadores distinguidos, este reconhecimento.
Merece igualmente louvor o facto de a Universidade do Minho ocupar a primeira posição nacional, entre as seis universidades mais competitivas, no indicador de densidade de excelência científica, aferido pelo rácio entre os investigadores incluídos no Top 0,5% e no Top 2% do mesmo ranking, à frente da Universidade de Lisboa e da Universidade do Porto. Infelizmente, a UMinho não divulgou publicamente este resultado, pelo que o mesmo não chegou ao conhecimento da Câmara Municipal de Braga.
É também merecedora de reconhecimento a recente classificação da Engenharia Civil, área científica a que pertenço, que obteve o melhor resultado entre todas as áreas científicas da Universidade do Minho no prestigiado ranking de Shanghai de 2026. Ao posicionar-se entre as 75 melhores do mundo, a Engenharia Civil da UMinho superou a universidade francesa mais bem classificada nesta área e ficou no mesmo escalão da universidade alemã mais bem posicionada. Recordo que se trata do único ranking de universidades a nível mundial que a Comissão Europeia associa à excelência científica.
A este propósito, importa recordar que, nesse ranking, a Engenharia Civil da Universidade do Porto nunca conseguiu ultrapassar a da Universidade do Minho. Este resultado torna-se ainda mais expressivo à luz da vantagem histórica da Universidade do Porto, cujo curso de Engenharia Civil remonta a 1915, quase sete décadas antes da criação da licenciatura na Universidade do Minho. Apesar desse avanço de partida, a instituição centenária tem sido sistematicamente ultrapassada pela sua congénere mais jovem, em todas as edições daquele ranking, como documentei aqui  https://pachecotorgal.com/2026/09/17/engenharia-civil-da-univ-do-porto-10-anos-de-comprovada-incapacidade-competitiva/
Com os melhores cumprimentos
Fernando Pacheco Torgal


De: Gabinete do Reitor 
Enviado: 23 de outubro de 2026 14:52
Cc: Ana Catarina Ramos Lopes Silva 
Assunto: FW: Voto de Louvor à Universidade do Minho | CM/2026/19
 

Caros Investigadores,

Boa tarde,

 

A pedido do Senhor Reitor, partilho o voto de louvor aprovado por unanimidade pela Câmara Municipal de Braga, na sua reunião de 20 de outubro de 2026, dirigido à Universidade do Minho e aos seus investigadores incluídos na lista World’s Top 2% Scientists 2026.

 

Em nome do Senhor Reitor, apresentamos as mais sinceras felicitações a todos por este reconhecimento.

Com os melhores cumprimentos,

 

 

 

 

 

Helena Julieta Silva

Gabinete do Reitor | Rector’s Office