sábado, 27 de junho de 2026

Uma ferramenta de autoavaliação científica que muitos investigadores ainda não usam

 

Agora que vários concursos para lugares de professor catedrático começaram a exigir valores mínimos de h-index na plataforma Scopus, como há tempos dei conta aqui https://pachecotorgal.com/2023/08/05/mais-um-concurso-para-um-lugar-de-professor-catedratico-que-exige-um-h-index-minimo-igual-ou-superior-a-15-2/ aproveito agora para divulgar uma forma simples de estimar a previsão de crescimento do h-index Scopus.

Depois de aceder ao perfil do investigador na plataforma Scopus:

1.º Clique em “Search results format”.

2.º Clique em “Citation overview”.

3.º Não selecione a opção predefinida “All documents on this page”; escolha a segunda opção.

4.º Clique no ícone “Export” para gerar um ficheiro em formato CSV.

5.º Faça o upload do referido ficheiro para um modelo de IA e solicite uma análise da evolução anual das citações dos seus artigos, identificando quais os trabalhos que continuam a ganhar impacto, quais os que parecem ter estabilizado e de que forma essa dinâmica poderá influenciar a previsão futura de crescimento do h-index Scopus.

Esta estimativa não deve ser vista apenas como um exercício prospetivo, mas também como uma ferramenta útil de autoavaliação científica. Ao analisar a evolução das citações dos seus artigos, cada investigador pode perceber se a sua produção científica se encontra numa trajetória sustentada de crescimento em termos de impacto, ou se, pelo contrário, começou a revelar sinais de estagnação. Essa informação pode ajudar a ajustar estratégias de publicação, colaboração e até a selecionar temas de investigação mais competitivos.

PS - Para o meu caso concreto, a previsão estimou um h-index de 68 em 2030 num cenário otimista e de 65 num cenário conservador. Por uma questão de prudência, decidi registar no meu perfil ORCID uma estimativa inferior: 63.  https://orcid.org/0000-0001-7767-6787

sexta-feira, 26 de junho de 2026

On Europe’s catastrophic collapse, managed with excellence all the way to disaster

https://19-paheco-torgal-19.blogspot.com/2026/06/europes-cooling-emergency-preventing.html

On 6 June, in the post linked above, I wrote that Europe was beginning to draw a cruel new shadow line across its cities: between those who can buy their way into cooled interiors and those forced to endure the street, the workplace, the bus stop, the school, the hospital corridor and the overheated flat. Less than three weeks later, that warning already looks almost too mild.

What Europe is now experiencing is not simply another heatwave. It is the exposure of a profound political failure. Governments have spent years producing adaptation strategies, resilience plans, climate-neutral slogans and urban-transition documents, while millions still live, work and study in buildings dangerously unprepared for extreme heat. This is not an accident. It is the predictable result of treating overheating as a secondary problem until it becomes a public-health emergency.

The new heatwave sweeping across Europe has broken records, closed schools, disrupted transport, strained hospitals and pushed vulnerable people into danger. But the most damning sign is now even clearer: extreme heat is shutting down power plants. Nuclear reactors that rely on river water for cooling have had to reduce output because rivers are becoming too warm. Electricity demand rises precisely when the power system becomes more fragile. https://www.technologyreview.com/2026/06/24/1139676/europe-heat-power-plants/

Nor is this only an energy problem. Across England, hospitals have declared critical incidents as radiotherapy machines, MRI scanners, IT systems and entire cooling units failed under extreme heat. Treatments were delayed, diagnostics stalled, and the machinery on which modern medicine depends was defeated by conditions that policymakers knew were coming. This is not an unfortunate technical malfunction. It is the consequence of running essential public infrastructure with too little resilience, too little investment and too much political complacency.  https://www.theguardian.com/society/2026/jun/25/hospitals-nhs-england-critical-incidents-machines-it-fail-extreme-heat

Europe is discovering, in real time, that it cannot simply air-condition its way out of climate failure. The hotter it gets, the more cooling people need; the more cooling people need, the more pressure falls on energy and hospital systems already destabilised by heat. This is the vicious circle now becoming visible: extreme heat increases the demand for protection while weakening the very systems meant to provide it. Europe’s climate failure is no longer only environmental or social. It is becoming systemic and increasingly politically explosive.

PS - I had already warned in March 2022 about new physiological evidence published in the Journal of Applied Physiology that weakened one of the last comforting assumptions about human survival under extreme heat: the humid-heat limit may be closer to 31 ºC wet-bulb, not 35 ºC, even for healthy young people. For the elderly, the sick and the poor, the margin is smaller still. No wonder Professor Raymond Pierrehumbert had already written in 2019: “With regard to the climate crisis, yes, it’s time to panic.” https://pachecotorgal.com/2022/03/27/a-climatic-hell-in-the-making-and-a-study-that-reduces-the-chances-of-survival-of-a-healthy-human-being/ 

quinta-feira, 25 de junho de 2026

U.Minho: 5 dúvidas e uma omissão reitoral

https://www.publico.pt/2026/06/24/opiniao/opiniao/campus-europeu-reinvencao-universidades-2179190 

Sobre o artigo artigo acessível no link supra, do Engenheiro Pedro Arezes, Reitor da Universidade do Minho, faz sentido perguntar:

Se o grave problema na academia europeia é haver menos jovens na Europa, como é que pôr os mesmos jovens a circular entre universidades europeias resolve a grave escassez demográfica que o artigo diagnostica?

Será que o artigo propõe realmente uma solução para o sistema universitário europeu ou na verdade propõe apenas uma vantagem competitiva para as universidades do Norte da Europa ?

Não é plausível que a mobilidade europeia, em vez de reforçar a coesão territorial, possa pelo contrário acelerar a concentração de estudantes nas universidades europeias mais competitivas como foi referido aqui para o caso concreto dos investigadores?

Afinal, quando leões convidam ovelhas para uma “aliança estratégica”, convém tratar a palavra “estratégica” com prudência, quase sempre a estratégia pertence aos leões e ás ovelhas fica reservado um mero papel sacrificial.

Se a própria crise resulta da falta de jovens europeus, que sentido faz colocar no centro da solução a circulação interna dos mesmos jovens, e não a atração dos estudantes talentosos que a Europa ainda não consegue captar?

Ou será que a Europa já deitou a toalha ao chão e já assumiu que é absolutamente incapaz de competir com os EUA na atracção de talento a nível mundial e já nem sequer consegue impedir o seu próprio talento de fugir para os EUA como foi referido aqui

E isto precisamente num momento em que o errático, destrutivo e racista mandato de Trump ofereceu à Europa a melhor oportunidade de uma geração para disputar aos EUA os estudantes mais talentosos do planeta. Uma oportunidade que nem sequer exige uma Europa genial, basta uma Europa menos resignada, menos burocrática e com um mínimo de ambição estratégica.

Recordo que ontem mesmo se ficou a saber que as bolsas milionárias ERC Advanced Grants mais do que duplicaram a atração de cientistas de topo de fora da Europa: nove vêm dos EUA, dois do Canadá e dois da Austrália. https://www.timeshighereducation.com/news/sharp-rise-erc-advanced-grant-applications-outside-europe 

A lição é por isso fácil de perceber, quando a Europa põe dinheiro a sério, prestígio científico e condições reais em cima da mesa, o talento vem. Quando porém oferece apenas discursos sobre mobilidade interna, limita-se a pôr a escassez a circular. O problema, portanto, não é apenas fazer circular os mesmos jovens europeus entre as muitas universidades europeias. É atrair os jovens talentosos que ainda cá não estão.  E essa diferença entre redistribuir a escassez europeia, sem criar um único estudante e conseguir captar talento a nível mundial é a omissão mais evidente do artigo do Reitor da UMinho.