https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/10/o-voto-de-louvor-da-camara-municipal-de.html
No post anterior, acessível no link supra, ficou por assinalar que a Universidade do Minho, além de apresentar, entre as universidades mais competitivas, o maior rácio Top 0,5%/Top 2% no ranking Elsevier–Stanford, também lidera esse grupo no indicador relativo às auto-citações. Com efeito, no ficheiro referente ao impacto ao longo da carreira, a UMinho regista a menor proporção de investigadores com taxas de auto-citações superiores a 25%, com um valor de apenas 10%, que contrasta favoravelmente com as percentagens das outras universidades, em especial com os elevados 20% observados na Universidade de Lisboa.
A UMinho encontra-se, assim, numa posição comparativamente mais favorável, consideravelmente mais próxima dos baixos níveis registados nas melhores universidades do mundo, apresentadas na lista infra, onde o referido indicador varia entre 0,8% e 4,3%, do que a ULisboa, cujos seus elevados 20% representam o dobro do valor observado na UMinho e evidenciam um afastamento substancialmente maior face a essas conhecidas e prestigiadas referências internacionais. A UMinho consegue inclusive um resultado melhor do que a universidade francesa com a menor percentagem que é a Paris-Saclay com 13%.
Tenha-se presente que o supramencionado limiar de 25% foi expressamente referido pelo professor catedrático da Universidade de Stanford e principal impulsionador do estudo que esteve na génese do ranking Elsevier–Stanford, num artigo que assinalou a existência de uma maior prevalência de auto-citações em países cientificamente menos avançados, com taxas medianas próximas de 40% nos casos mais extremos, valores que sugerem um evidente desespero na procura a todo o custo de uma visibilidade científica que o reconhecimento por terceiros não terá proporcionado, com suficiente expressão internacional, pelo que os tais 25% podem ser lidos, como sendo o limiar do desespero.
No presente contexto importa recordar que a Clarivate Analytics, cuja lista de cientistas apresenta infelizmente diversas limitações metodológicas, que denunciei há vários anos e assinalei em diversos posts anteriores, como por exemplo um de Novembro de 2020, ou no artigo que posteriormente submeti para a revista Research Evaluation, de título "Assessing Methodological Distortions in the Clarivate Highly Cited Researchers List: International Comparisons and a Reform Framework", e que por conta dessas limitações volta e meia altera os seus critérios, decidiu, há poucos anos, adotar a medida radical de excluir da mesma todos os investigadores com níveis de auto-citação considerados excessivos, não divulgou, contudo, o limiar percentual a partir do qual essa exclusão foi aplicada.
PS - Na lista de carreira do ranking Stanford/Elsevier (2026), a minha taxa de auto-citações é de apenas 5,7%, que fica bastante abaixo da mediana nacional (15,4%). Na U.Minho há apenas dois investigadores com percentagens de auto-citação inferiores, a investigadora de Medicina Marian Anderson (5,4%) e o catedrático de Física Nuno Peres (4,2%), coautor, com os dois vencedores do Nobel da Física de 2010, de um importante artigo sobre o grafeno, que foi citado na documentação científica que acompanhou a atribuição do referido prémio.
Lista das 18 universidades melhor classificadas no ranking Shanghai ordenadas pela percentagem de investigadores do ranking Elsevier-Stanford com auto-citações superiores ao referido limiar de 25%:
| 1 | Harvard | 0,8% |
| 2 | Yale | 1,0% |
| 3 | Stanford | 1,1% |
| 4 | U. Washington | 1,3% |
| 5 | U. Pennsylvania | 1,3% |
| 6 | Columbia | 1,5% |
| 7 | U. Chicago | 1,6% |
| 8 | Cornell | 1,9% |
| 9 | UC San Diego | 2,0% |
| 10 | UC Berkeley | 2,2% |
| 11 | MIT | 2,6% |
| 12 | Tsinghua | 3,1% |
| 13 | Cambridge | 3,5% |
| 14 | UCLA | 3,5% |
| 15 | Oxford | 3,5% |
| 16 | UCL | 3,7% |
| 17 | Princeton | 3,7% |
| 18 | ETH Zurich | 4,3% |


