quarta-feira, 1 de abril de 2026

Cracking the AI Mirror: Discovering the Unimaginable Boundaries of Science

What if the next major scientific breakthrough comes not from a human researcher pushing the limits of their field, but from a machine that doesn’t even know where those limits are supposed to be?

That is the provocative question at the heart of the recent publication.  The researchers behind "Alien Science" started from a simple but powerful observation. When you ask a language model like ChatGPT to brainstorm research ideas, it tends to give you things that already feel familiar — polished-sounding variations on what everyone is already working on. They are trained on human-produced text, so they reflect human patterns of thinking back at us. They are, in a sense, a very expensive mirror. https://arxiv.org/abs/2603.01092

The team decided to break that mirror deliberately. They fed around 7,500 recent machine learning papers into their system and broke each one down into small conceptual building blocks they call idea atoms — things like a specific technique, a training trick, or a particular way of evaluating a model. Then they trained two separate models: one that learns which combinations of these atoms actually make sense together, and one that learns which combinations a typical researcher would think of. The trick is in what comes next. The system searches specifically for combinations that are coherent but that no one would naturally propose. Ideas that work on paper but live in the gap between research communities. Ideas, in other words, that are alien to the current scientific conversation. When they tested it, the system produced research directions that were significantly more varied and unexpected than anything a standard AI assistant would suggest — while still being technically sound. 

P.S - Before getting too carried away with what AI might one day discover, it is worth pausing on a warning from two Google researchers, including Turing Award winner David Patterson. The real crisis in AI right now is not about building smarter models it is about running them. Every time someone uses one of these systems, the computational cost is determined by inference, the moment-to-moment work of generating a response in real time, and that process is straining under the weight of everything we are asking it to do. The AI infrastructure is being asked to perform beyond its capacity, risking catastrophic slowdowns, skyrocketing energy costs, and a technological bottleneck that could stall progress itself. The urgent question is: how much can we really make AI do before the system collapses under its own weight? https://arxiv.org/abs/2601.05047

segunda-feira, 30 de março de 2026

Directora para a área da inteligência artificial na UCatólica apela ao uso de caneta e papel



Na sequência dos emails reproduzidos abaixo aproveito para divulgar um interessante artigo, que foi publicado hoje, de uma catedrática da Univ. Católica, acessível no link supra.  Infelizmente esse artigo não aborda uma previsão muito preocupante recentemente divulgada pela União Europeia, a qual divulguei no post acessível através do link infra. A inclusão dessa previsão poderia, na minha opinião, reforçar bastante o seu argumento. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/12/the-ai-web-rising-human-writing-faces.html

PS - Para tentar superar o problema das alucinações constantes de que padecem os actuais modelos de IA, o prestigiado cientista Francês Yann LeCun, cujas publicações indexadas já receberam mais de 200.000 citações e é titular de um Scopus h-index de 100, que defende serem essas limitações intrínsecas ao paradigma atual fundou recentemente a AMI Labs. Essa empresa conseguiu angariar um investimento recorde superior a mil milhões de dólares, para desenvolver modelos de IA baseados uma abordagem inovadora: os “world models”, capazes de compreender o mundo físico, prever eventos e raciocinar causalmente. A nova arquitetura faz um corte radical com os modelos actuais pois inspira-se na forma como humanos constroem modelos internos da realidade. Ainda assim, por se tratar de investigação fundamental, é muito provável que leve vários anos até se traduzir em produtos comerciais. Resta assim até que esses novos modelos de IA se tornem realidade continuar a utilizar os modelos atuais compreendendo as suas limitações e tentando mitigá-las ao máximo.


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De: F. Pacheco Torgal 
Enviado: 16 de março de 2026 10:27
Assunto: A importância do RAG para reduzir os riscos da Inteligência Artificial poder prejudicar os alunos
 
Tendo em conta que um dos calcanhares de Aquiles da IA são as chamadas alucinações, isto é, a produção de respostas incorretas ou inventadas, é fundamental, tal como foi feito na experiência pedagógica referida no email infra, que o modelo de IA seja alimentado com informação relevante através de Retrieval-Augmented Generation (RAG). Só assim se garante que as respostas não dependem exclusivamente dos dados com que o modelo foi treinado, mas também de fontes específicas, atualizadas e fiáveis, reduzindo significativamente o risco de alucinações. 

Cumprimentos
Pacheco Torgal

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De: F. Pacheco Torgal 
Enviado: 13 de março de 2026 15:33
Assunto: O prof. catedrático da Univ. Nova e as aulas invertidas com Inteligência Artificial
 
Ainda na sequência do email infra aproveito para partilhar um estudo em anexo que me foi enviado pelo catedrático Marco Painho da Universidade Nova, o qual analisou a utilização combinada de IA generativa e do modelo de sala de aula invertida numa unidade curricular de mestrado.

Nesse modelo pedagógico, os estudantes assumiram um papel ativo, preparando e apresentando conteúdos aos colegas com o apoio de IA generativa ChatGPT que foi previamente treinada com materiais académicos selecionados. Para cada subtema, foram indicados dois artigos ou capítulos de livros considerados fundamentais, sendo exigido que os estudantes ampliassem a pesquisa com literatura adicional. Paralelamente, durante o período semanal de sala de aula invertida, foi desenvolvida uma aplicação de IA generativa personalizada, alimentada exclusivamente pela bibliografia selecionada pelos docentes e pelos artigos escolhidos pelos estudantes.

Trata-se de uma experiência pedagógica interessante mas que tem riscos porque um estudo recente de investigadores da universidade de Cornell mostra que a IA generativa apresenta dificuldades significativas na interpretaçáo de dados apresentados através de figuras, vide artigo no link  https://www.pnas.org/doi/10.1073/pnas.2533676123 o que reforça as preocupações mencionadas na parte final do meu email ddo passado dia 7 de Março, onde mencionei um estudo importante de investigadores de vários países 

Cumprimentos
Pacheco Torgal

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De: F. Pacheco Torgal 
Enviado: 7 de março de 2026 12:47
Assunto: João Ribeiro Mendes e um esclarecimento
 
Tendo em conta o interesse demonstrado por Colegas da área das Humanidades sobre uma proposta de um Colega da UAveiro, novamente em anexo, sobre o futuro das universidades de investigação em 2030, que partilhei há dois dias, aproveito para divulgar, email infra, um esclarecimento que enviei a um Colega da área de Filosofia que hoje me contactou a propósito dessa partilha.

Cumprimentos
Pacheco Torgal

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De: F. Pacheco Torgal 
Enviado: 7 de março de 2026 10:11
Para: João Carlos Ribeiro Cardoso Mendes
Assunto: RE: A universidade de investigação em 2030
 
Caro Professor João Ribeiro Mendes,

obrigado pelo seu email. Aproveito para esclarecer que no meu email evitei pronunciar-me sobre a proposta da "Verified University" porque achei que isso poderia não direi condicionar, porque as minhas opiniões não são capazes de tal feito mas de contaminar negativamente a discussão que o assunto merece.

Ainda assim e a título particular devo adiantar o seguinte. A proposta do Colega da universidade Aveiro parece-me que assenta numa premissa fundamental, que em 2030 o estado tecnológico da IA, seja bastante mais avançado do que o actual. Porque o problema é que hoje mesmo no jornal público, um famoso advogado denuncia casos de advogados que andaram a entregar nos tribunais acções preparadas com a ajuda da IA, onde constam Acordãos que não existem https://www.publico.pt/2026/03/07/opiniao/opiniao/cenas-advogados-2167067

E também no mesmo jornal Público um matemático Português que trabalha na Sorbonne esclarece que o ChatGPT ainda tem muito caminho a fazer para poder realmente ajudar os investigadores ao nível da matemática avançada. https://www.publico.pt/2026/03/07/ciencia/opiniao/nova-ode-triunfal-eia-eia-eia-2166925

Acresce que se a proposta de uma "Verified University" poderá ter alguma "validade" para áreas "técnicas" como as engenharias terá porém menos para outras áreas . Faço notar que no meu email de 2024, nunca disse que a universidade como a conhecemos se devia tornar uma universidade cuja missão principal seria auditoria de processos (como aparece referido na proposta do Colega da UAveiro), disse apenas que essa era uma nova missão que iria surgir por conta do avanço galopante da IA.

Aliás sobre o tema acho que faz todo o sentido recordar o que escrevi num post mais recente sobre a adopção da IA no ensino superior: "....Tendo em conta a sólida reputação da Finlândia na área educativa, onde a carreira de professor tem um elevado prestigio social e o modelo educativo não muda sempre que muda o Governo, como infelizmente acontece em Portugal, pesquisei na plataforma Scopus a publicação científica mais citada, dos últimos 12 meses, com autoria de investigadores daquele país, na área da inteligência artificial e educação, tendo descoberto um estudo, que também envolve investigadores de outros países, onde se alerta para o perigo da adoção prematura de ferramentas de IA generativa em contextos educativos, quando esta ocorre sem uma ponderação aprofundada da eficácia, das implicações sistémicas, das dimensões éticas e da robustez pedagógica dessas práticas" https://pachecotorgal.com/2026/01/24/o-contra-ataque-algo-coxo-de-tres-valentes-e-previsiveis-mosqueteiros-catedraticos/

Com as melhores saudações académicas
Pacheco Torgal

domingo, 29 de março de 2026

O que os japoneses sabem há muito tempo, mas que Portugal insiste em ignorar, assim perdendo milhares de milhões de euros

Este blogue tem vindo a construir, ao longo dos últimos anos, um argumento consistente sobre a relação extremamente positiva entre natureza, saúde e políticas públicas, argumento esse que na verdade já tinha sido iniciado num outro blogue em 2020, quando divulguei um artigo de investigadores ingleses sobre um conceito que tem quase 2400 anos. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/11/relationship-between-nature.html

Em Fevereiro de 2022, divulguei um estudo que apontava para a existência de uma componente genética na ligação à natureza e em Abril desse mesmo ano recordei o conceito de transtorno do défice de ligação à natureza. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/04/uma-vida-com-significado-e-uma-nova.html

Em Dezembro de 2023, divulguei um estudo com quase 8.000 participantes que demonstrou que viver perto da natureza está associado a telómeros mais longos, ou seja, a um envelhecimento biológico mais lento, esse post tornou-se um dos 10 mais vistos de sempre deste blogue https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/12/telomeros-estudo-recente-mostra-como.html

No inicio de 2025, escrevi sobre as limitações do ChatGPT na pesquisa de literatura científica indexada sobre a prática Japonesa Shinrin-Yoku, os chamados banhos de floresta, cuja evidência científica documenta a redução do cortisol e o reforço do sistema imunitário e que faz parte das politicas públicas de saúde do Japão há mais de 40 anos  https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/02/shinrin-yoku-limitacoes-cientificas-do.html

E também no inicio de 2025, num post onde critiquei um conhecido catedrático, propus a receita tripla TNN, defendendo que o teletrabalho possui vantagens várias para o nosso país, já que contribui para aumentar a natalidade, ajuda a inverter a desertificação do Interior e aproxima as pessoas da natureza, aliviando simultaneamente a pressão sobre o sistema de saúde. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/01/alcancar-um-circulo-virtuoso-para.html

Por uma feliz coincidência, o jornal Público de hoje traz nas páginas 14 e 15, uma notícia e uma entrevista que vêm confirmar, com o peso da academia, aquilo que este blogue tem vindo a defender. O Laboratório Associado Terra, estruturado em cinco unidades de investigação, que reúne mais de 400 investigadores das Universidades de Lisboa e de Coimbra, apresentou esta semana o Programa Nacional de Prescrição de Natureza até 2030. O objetivo é claro: integrar atividades em ambientes naturais no quotidiano clínico.

Como explica nesse artigo Ana Abreu, cardiologista e investigadora ligada ao referido projecto, não se trata simplesmente de recomendar ao doente que vá passear. Trata-se, sim, de uma prescrição estruturada, com dose, frequência, intensidade e tipo de ambiente ajustados à condição clínica de cada pessoa, tão rigorosa quanto a prescrição de um medicamento. Os banhos de floresta que referi há um ano atrás, a propósito da prática Japonesa Shinrin-Yoku, surgem aqui como uma das modalidades prioritárias de intervenção.

O que fica porém a faltar e que o artigo do Público não aborda, mas que os meus posts têm sublinhado de forma consistente é reconhecer que nenhum programa de prescrição de natureza terá um impacto verdadeiramente transformador enquanto a esmagadora maioria da população deste país continuar concentrada no Litoral. E é aqui que o teletrabalho assume um papel decisivo, pois continua a ser o instrumento mais poderoso e simultaneamente mais subaproveitado que poderá permitir a milhões de portugueses uma vida mais próxima da natureza. E se é um facto que a potenciação da inteligência artificial, no âmbito da recentemente aprovada Agenda Nacional de Inteligência Artificial, pode efectivamente contribuir muito mais para inverter a desertificação do Interior de Portugal do que muitas estratégias autárquicas isoladas ou programas governamentais existentes, não é menos factual que a atual e grave crise energética originada pelo bloqueio no Estreito de Ormuz vem reforçar ainda mais a centralidade do teletrabalho, como sublinha aliás o professor catedrático da Universidade do Minho, Luís Aguiar-Conraria, no seu artigo publicado no último numero do caderno principal do semanário Expresso. https://expresso.pt/opiniao/2026-03-26-a-maior-crise-energetica-de-sempre-5d880f0f