quinta-feira, 3 de setembro de 2026

AI breakthrough slashes the computational cost of drug discovery by up to 1,000-Fold

 

A study published on 1 September in Nature Biotechnology presents AdaptiveFlow, an artificial-intelligence system capable of searching molecular libraries containing up to 69 billion compounds while reducing computational costs by as much as 1,000-fold. This is not another incremental optimisation. AI is demolishing one of the great barriers to drug discovery and transforming billions of previously unreachable molecules into potential medicines waiting to be discovered. https://www.nature.com/articles/s41587-026-03217-x

This breakthrough gives concrete expression to the “Liberate” imperative set out in the manifesto, Five Normative Imperatives for a Science-Based Civilization. For most of human history, disease, inherited disorders and biological decline were endured as verdicts written by nature. They need not remain so. They are mechanisms that human intelligence can investigate, understand and ultimately overcome. By making the molecular universe radically more searchable, AI opens paths towards medicines that previous generations could not even imagine. What our ancestors were forced to accept as fate, our descendants may remember as suffering that humanity finally acquired the knowledge and courage to defeat.

Yet, as I warned in a previous post, technological power does not inevitably become human progress. A 1,000-fold reduction in computational costs could tear down the gates surrounding drug discovery, allowing universities, start-ups and researchers across the world to search for medicines once reserved for pharmaceutical empires. But if this power is captured by a handful of corporations, it could instead create an unprecedented monopoly over the molecules that determine who is cured, who continues to suffer and who can afford to live. Humanity must act to prevent this medical revolution from becoming yet another machine for reinforcing inequality creating a new generation of billionaires while leaving billions of people unable to afford the cures their suffering helped make so profitable.

P.S - This breakthrough makes the warning in What Is Happening with Germany? AI Research Output Tells a Troubling Story even more urgent. Germany’s weakness in AI research is no longer merely a national embarrassment it is a failure of responsibility towards Europe. The continent cannot achieve scientific sovereignty while its largest economy underperforms in the technology already transforming medicine, biotechnology and industry. By failing to lead, Germany is weakening Europe’s competitiveness and increasing its dependence on American and Asian discoveries, companies and medicines. Germany is not merely falling behind; it is dragging Europe down with it, and handing the United States and China a strategic victory they could scarcely have engineered more effectively themselves.

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

O reconhecimento de uma dívida de gratidão

 

Num momento em que o silêncio teria sido a escolha mais fácil e mais cómoda principalmente em pleno mês de Agosto, António Luís Duarte Costa e Francisco Portela Gama, ambos professores da universidade do Minho, escolheram porém a mais digna: agir de acordo com a sua consciência demonstrando independência de espírito e coragem moral. Há gestos que o tempo não apaga e dívidas que não se pagam, apenas se reconhecem publicamente, com o respeito, a admiração e a gratidão que merecem. Esta é uma delas.

domingo, 30 de agosto de 2026

As críticas de um catedrático e o roubo do futuro dos filhos das famílias mais pobres

Num excelente e contundente artigo hoje no jornal Público, o catedrático Luís M. Rocha parte de um dado que deveria envergonhar qualquer Governo, os estudantes provenientes das famílias mais pobres representam apenas 3% dos novos colocados no ensino superior, uma obscenidade social politicamente imperdoável, moralmente repugnante e civilizacionalmente indefensável (palavras minhas), para arrasar um sistema educativo que funciona, na prática, como "um mecanismo de autosselecção e preservação das classes dominantes, que têm melhores recursos para preparar os seus filhos". 

A formulação é rigorosa, mas poderia ser ainda mais acusatória. O sistema actual constitui um roubo descarado do futuro dos jovens das famílias mais pobres, praticado com a cumplicidade política de sucessivos governos. E foi precisamente esta vergonhosa fraude social que denunciei no texto “Aquecimento global provoca explosão de notas de 19 e 20 valores nos colégios privados em Portugal”. Um país que permite que a origem económica determine o acesso às melhores oportunidades não possui verdadeiramente um sistema meritocrático; possui apenas uma aristocracia hereditária disfarçada por médias viciadas.

Felizmente, porém que o ilustre catedrático Luís M. Rocha não se ficou "apenas" por esta denúncia. Atacou também o fracasso das universidades de Lisboa e do Porto, relegadas para uma posição humilhante nos escalões internacionais do prestigiado ranking de Shanghai de 2026. Este resultado representa um verdadeiro chumbo nas exigências de excelência com que os responsáveis daquelas duas universidades tanto gostam de encher a boca. Recordo que também escrevi sobre este fracasso, no dia 21 de Agosto, no post de título “Ranking Shanghai de 2026 — As universidades de Lisboa e Porto são as responsáveis por Portugal estar agora abaixo da Argentina”

As duas denúncias expõem as duas faces da mesma fraude. À entrada, o sistema esmaga os jovens pobres para reservar os melhores lugares aos herdeiros das classes dominantes; no topo, transforma a autonomia universitária num escudo destinado a proteger burocracias acomodadas, redes de interesses e estruturas incapazes de competir com a verdadeira excelência internacional. Aos pobres exige-se uma meritocracia implacável e adulterada; às elites académicas perdoam-se décadas de endogamia, mediocridade e fracasso. O resultado não é apenas um sistema injusto, é na verdade uma máquina de reprodução social que confisca o futuro dos mais desfavorecidos, distribui oportunidades segundo o berço e depois protege ferozmente os responsáveis pela irrelevância científica do país. Portugal não tem um elevador social nem um sistema universitário orientado para a excelência, tem uma fortaleza de privilégios, construída para manter os pobres do lado de fora e os medíocres confortavelmente instalados na Academia e protegidos pela impunidade institucional.