quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Uma nova ambição transformadora para a investigação na área da engenharia civil que confronta os limites biofísicos do Planeta

 


O CEBE - Civil Engineering and the Green Transition in the Built Environment,  é um programa de investigação, dirigido pelo professor Per Heiselberg (Scopus h-index=50), com uma duração de dez anos e financiado pela Villum Foundation com mil milhões de coroas dinamarquesas. Vide ficheiro com 16 páginas.  

O programa CEBE reúne quatro universidades dinamarquesas, Aalborg, Aarhus, Technical University of Denmark e University of Southern Denmark e também a prestigiada ETH Zürich. O objetivo é transformar a construção, criando um ambiente edificado circular, com capacidade de sequestro de carbono, resiliente e compatível com os limites planetários.

O programa organiza-se em sete áreas interligadas, a avaliação absoluta da sustentabilidade; a conceção regenerativa, circular e durável; materiais de construção robustos e de baixo carbono; digitalização e automação; infraestruturas resilientes às alterações climáticas; suficiência, bem-estar e eficiência energética; e prolongamento da vida útil de edifícios e infraestruturas.

A sua maior inovação não reside, contudo, na mera justaposição de materiais avançados, IA, robótica, gémeos digitais, monitorização estrutural, reutilização e soluções baseadas na natureza, mas na arquitetura intelectual que subordina todas essas ferramentas a um mesmo imperativo biofísico. Enquanto muitos programas se limitam a celebrar melhorias incrementais, menos 20% de emissões ou menos 30% de energia, o CEBE transcende o paradigma convencional da mitigação relativa. A questão deixa de ser quanto se conseguiu reduzir em relação ao presente e passa a ser incomparavelmente mais exigente: podem os edifícios e as infraestruturas existir sem ultrapassar os limites biofísicos do planeta?

Declaração de interesses - Faço parte do comité responsável pela avaliação das candidaturas a financiamento de projetos de investigação de doutoramento e pós-doutoramento, cujo prazo de submissão termina a 30 de setembro.

Como a ganância do Estado Português fabricou vulnerabilidades que o mundo do crime converteu em avultados lucros

 

Há poucos anos, publiquei no meu primeiro blogue três textos sobre uma das mais vergonhosas formas de parasitismo do Estado português, financiar-se à custa da pobreza, do desespero e da ilusão daqueles que menos têm. No primeiro texto, comentei um artigo contundente do catedrático Aguiar-Conraria sobre a criação de um novo imposto sobre os portugueses mais pobres. Duas semanas depois, escrevi sobre o facto de se ter ficado a saber que havia luxos políticos que eram pagos pelos portugueses mais desesperados. E num outro post, posterior, comentei o facto do vício das raspadinhas andar a ser utilizado para pagar generosos salários a familiares de políticosNa altura, o conteúdo desses posts poderá ter parecido excessivo aos defensores do Governo de então; hoje, porém, revela-se quase benevolente. Cinco anos depois, os números expõem a verdade, o Estado não se limitou a falhar no combate a esta exploração, escolheu alimentá-la, legitimá-la e transformá-la numa fonte permanente de receita, à custa da ruína de milhares de portugueses.

Os quase 100 milhões de euros movimentados diariamente no jogo não correspondem integralmente a dinheiro perdido, porque incluem prémios que voltam a ser apostados. Mas esta distinção não pode servir para anestesiar o verdadeiro escândalo, a cada ano os jogadores portugueses perdem cerca de 2,6 mil milhões de euros, um valor equivalente a aproximadamente 1% do PIB nacional. A comparação europeia destrói, sem margem para dúvidas, qualquer tentativa de normalização. Estas perdas representam cerca de 0,49% do PIB em França e apenas 0,34% na Alemanha. Proporcionalmente à riqueza produzida, Portugal sacrifica o dobro de França e quase três vezes mais do que a Alemanha.

Perante estes números, o Estado já não pode continuar a representar o papel hipócrita de regulador imparcial. Não está do lado de fora deste sistema pois é um dos seus beneficiários. Financia despesas públicas com o dinheiro retirado aos jogadores e procura conferir respeitabilidade moral ao processo invocando as chamadas “boas causas”. Mas nenhuma causa se torna boa por ser financiada através da dependência, do endividamento e da destruição de famílias. A expressão funciona apenas como lavagem moral de um sistema que transforma a fragilidade humana em receita pública e lucro privado. Também o discurso do “jogo responsável” constitui uma extraordinária operação de desresponsabilização política. A culpa é cuidadosamente colocada sobre o indivíduo, acusado de não saber controlar-se, enquanto o Estado autoriza a publicidade, tolera os estímulos permanentes, arrecada os impostos e assiste ao crescimento das perdas. 

Um país que permite que quase 1% de toda a riqueza produzida num ano seja absorvida desta forma não enfrenta apenas um problema económico, social e de saúde pública, enfrenta uma falência moral do próprio poder político. Portugal precisa de limites obrigatórios às perdas e aos depósitos, restrições severas à publicidade, autoexclusão centralizada e divulgação das perdas por idade, rendimento e jogador. Cada dia de adiamento deixa de ser negligência e passa a constituir uma decisão consciente de proteger as receitas em vez dos cidadãos mais vulneráveis e indefesos. Continuar a esconder esta devastação atrás de jackpots, patrocínios e “boas causas” é uma escolha política deliberada e moralmente indefensável.  Um Estado que arrecada milhões de euros com a ruína que tinha o dever de prevenir já não é regulador nem simples cúmplice, tornou-se sócio do negócio da desgraça.

PS - A publicidade ao tabaco foi proibida porque o poder político acabou por reconhecer que um produto viciante e destrutivo não pode ser promovido publicamente. Com o jogo, o Estado escolheu fazer exatamente o contrário: permite que a dependência seja vendida como diversão, sucesso e enriquecimento fácil, deixa a publicidade invadir televisões, transmissões desportivas, redes sociais e telemóveis e, no final, arrecada a sua parte das perdas. Um recente programa da CMTV denunciou mesmo um esquema de influenciadores com encenação de ganhos, destinado a atrair seguidores através da imagem fraudulenta de dinheiro fácil. É verdade que o Estado não arrecada impostos sobre estas plataformas ilegais, mas a normalização do jogo legal ofereceu-lhes a camuflagem perfeita: quando apostar se torna banal, o ilegal só precisa de imitar o autorizado. O Estado não lhes deu licença, mas criou-lhes o mercado e entregou-lhes, de bandeja, as vítimas mais vulneráveis.

domingo, 20 de setembro de 2026

Existir ou não existir? Eis o veredicto da IA !

Como já não sabia se, durante o passado mês de agosto, tinha verdadeiramente existido, isto é, se tinha feito algo útil, pois "só existimos nos dias em que fazemos", pedi a um modelo de IA que vasculhasse a minha caixa de correio eletrónico em busca de provas de vida científica. O veredicto dessa pequena "investigação forense" apresenta-se abaixo.

PS - Se tivesse, porém, adotado a conceção de existência proposta pelo físico Carlo Rovelli, a dita investigação forense teria que ser muito mais exigente. Não bastaria apurar o que fiz em agosto; seria necessário descobrir se esse trabalho gerou, de facto, novas interações, influenciou alguém ou alterou, ainda que minimamente, alguma coisa no mundo.

03/08/2026  Submissão do relatório de avaliação de tese de doutoramento (Sujitha A).
03/08/2026  Projeto — MSCA-PF 2026 (A. Gaddafi): preparação de submissão.
04/08/2026  Journal of Informetrics: decisão de rejeição da Letter submetida.
04/08/2026  Revisão submetida — Sustainability — sustainability-4495768
05/08/2026  eProofs dos capítulos 15, 16 e 17, ISBN 9780443509926.
05/08/2026  Convite de cap, “Advances in Materials for Mitigating Building Cooling Needs”.
05/08/2026  Editorial — CivilEng — civileng-4506242: pedido de Pre Peer-Review Approval.
06/08/2026  Revisão submetidaScientific Reports — “Raw Pyrite Tailings as....”
06/08/2026  Introdução de “Advances in Alkali-Activated Concrete” (ISBN 9780443542077).
06/08/2026  TeseAceitação de avaliação de tese de doutoramento.
06/08/2026  Revisão submetida — TECE-2026-1031.
08/08/2026  Tese — convite para Foreign Examiner da tese de S. Omran.
09/08/2026  Decisão editorialEng — eng-4441176 (2.ª).
10/08/2026  Comentários ao cap15, “Advances in Materials for Mitigating Building Cooling Needs”.
11/08/2026  Decisão editorialMaterials — materials-4500126.
11/08/2026  1.º lote de provas e queries CH015/MC, ISBN 9780443509926.
11/08/2026  Tese — aceitação da avaliação da tese de Mr. Joni M (Civil Engineering).
12/08/2026  Convite aceiteJournal of the American Ceramic Society — 1651216.
12/08/2026  Convite aceiteSustainability — sustainability-4520513.
12/08/2026  Revisão submetidaJournal of the American Ceramic Society — 1651216 
12/08/2026  2.º lote de provas, ISBN 9780443509926.
12/08/2026  Revisão submetida — Sustainability — sustainability-4495768 (versão revista).
13/08/2026  Pedido para examinador externo de tese de doutoramento.
13/08/2026  Projeto — GEOSHIELD: acesso à proposta como participante e registo
14/08/2026  Contagem e validação de figuras a cor, ISBN 9780443509926.
16/08/2026  Revisão submetidaSustainability — sustainability-4520513 (1.ª ronda).
17/08/2026  Seguimento dos ficheiros de autorização, ISBN 9780443509926.
18/08/2026  Conferência — CIVIL2027 (Florença): convite para participação.
19/08/2026  Artigo próprioResubmissão R2 a Accountability in Research (269682025).
19/08/2026  Convite aceite — Technologies — technologies-4514423.
19/08/2026  Editorial — JBDE (Journal of Building Design and Environment)
20/08/2026  Convite aceiteConstruction Materials (Proceedings of the ICE) —2026-107.
20/08/2026  Decisão editorialMaterials — materials-4500126 (2.ª).
23/08/2026  Decisão editorialMaterials — materials-4524017.
23/08/2026  Revisão submetida — Technologies — technologies-4514423 (1.ª ronda).
24/08/2026  constrmater-4429318 aceite para publicação.
24/08/2026  Convite aceite — Sustainability — sustainability-4544698.
24/08/2026  Projeto — MSCA-PF 2026: revisão da parte B1 da proposta.
25/08/2026  Leitura final de provas, constrmater-4429318.
26/08/2026  Pedido de autorização de reprodução (Luisa F. Cabeza)
26/08/2026  Segunda leitura de provas, constrmater-4429318.
26/08/2026  Livro — envio do capítulo 10 para apreciação.
27/08/2026  Inserção na ELSA de “Advances in Materials for Mitigating Building Cooling Needs”.
27/08/2026  constrmater-4429318 publicado (doi 10.3390/constrmater6050056).
27/08/2026  Revisão submetida — Sustainability — sustainability-4544698.
28/08/2026  Orientação — plano de trabalho do Bahador
29/08/2026  Submissão da proposta GEOSHIELD ao portal Funding & Tenders.
29/08/2026  submissão de JCLEPRO-D-26-30070
31/08/2026  Decisão editorialMaterials — materials-4484132.
31/08/2026  JCLEPRO-D-26-30070: editor atribuído.
31/08/2026  Editorial — JBDE: convite para submissão.