terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

In Defense of High Salaries: Paying for Talent Is Not Betraying Responsible Science

 

In a recent Nature article titled “Why Sky-High Pay for AI Researchers Is Bad for the Future of Science,” N.E. Sanders and B.Schneier, affiliated with Harvard University, argue that soaring salaries for elite AI researchers threaten the long-term health of scientific research. They contend that massive industry compensation packages—sometimes reaching hundreds of millions of dollars—are accelerating a brain drain from academia and reinforcing a misleading “lone genius” narrative. According to the authors, transformative breakthroughs arise primarily from large, collaborative teams embedded within strong institutions, not from isolated star performers. 

However, this critique rests on several questionable assumptions and adopts an overly moralistic tone toward market dynamics. It treats high pay as inherently corrosive, without seriously engaging the possibility that compensation reflects scarcity, leverage, and the enormous economic stakes of frontier AI. In industries where a single breakthrough can redirect multibillion-dollar infrastructure investments, outsized salaries may therefore be rational rather than pathological. Ulrich A.K.Betz (2018) contends that there is no defensible reason to celebrate star scientists any less than superstar football players. If societies fill stadiums, mobilize media empires, and justify extraordinary salaries to honor athletic excellence, then intellectual achievements that expand the frontiers of knowledge, transform industries, and shape humanity’s future deserve no lesser admiration or material recognition.

Seen in a longer historical perspective, moreover, the present controversy over AI salaries reflects structural trends that predate the current technological moment. More fundamentally, the argument overlooks the long-term structural erosion of academic compensation. McDonald and Sorensen (2017) show that academic salary compression has intensified across disciplines over time, with faculty pay systematically failing to keep pace with external labor markets. The relative earnings position of professors has weakened for decades, well before the recent escalation of AI salaries. Current industry migration thus represents not an unprecedented distortion, but an acceleration of a long-standing divergence between academic and private-sector pay.

This line of reasoning also underestimates the historical and structural role of exceptional individuals in scientific progress. Collaboration is indispensable in modern research, but it does not eliminate the catalytic influence of intellectual leadership. Even within large teams, transformative advances are frequently initiated by individuals who articulate new frameworks, redefine problems, or synthesize disparate insights in ways that redirect entire disciplines. The modern scientific ecosystem itself acknowledges this tension through its highest honor: the Nobel Prize. Although research is increasingly collaborative, Nobel Prizes are awarded to no more than three individuals per category, implicitly affirming that paradigm shifts often hinge on distinctive contributions from particular minds. 

The article romanticizes academia as uniquely collaborative, disinterested, and ethically elevated—a sanctuary insulated from the distortions of the market. Yet universities are not monasteries of pure inquiry. They are arenas of intense status competition, grant-dependent survival, entrenched hierarchies, and structural inequalities that shape careers and research agendas as powerfully as shareholder expectations shape corporate strategy, all sustained by deeply entrenched patronage networks and pervasive institutional self-interest, reinforced through chronic resource scarcity. As Professor Diamandis observed in a 2017 Clinical Biochemistry paper, there are no saints in competitive science. The incentive structures differ in form, but not in force. Once this reality is fully acknowledged, the article’s moral dichotomy between virtuous universities and profit-driven firms dissolves, revealing not a battle between purity and profit, but two institutions navigating distinct versions of the same enduring human and organizational constraints shaped by incentives, ambition, power, and prestige dynamics.

Declaration of Competing Interests - In 2019, I publicly expressed views similar to those of Ulrich A.K. Betz (pictured above) Senior Vice President of Innovation at Merck, who asserted that there exists no justifiable reason for celebrating superstar scientists any less than their counterparts in the realm of football. I reiterated a related perspective in a 2024 email titled “In the Society of Tomorrow, Researchers Will Stand Atop the Food Chain,” https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/02/compulsory-psychological-assessments.html

PS - Ulrich A.K. Betz is also noteworthy for articulating a broader inspirational vision, namely, "to combine science/technology and innovation with the eternal principles of truth, love, courage, liberty and spirituality to solve the challenges of today and to enable the dreams of a better tomorrow." https://ulrichbetz.de/

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Mais uma prova do evidente desrespeito do Governo pela ciência e pelos cientistas

 

https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/11/os-inimigos-declarados-da-ciencia.html

No texto acessível no link supra, intitulado O trio de inimigos declarados da Ciência: PSD, CDS e Chega, expressei a minha opinião pessoal sobre o muito pouco ou quase nenhum respeito público que o atual Governo tem demonstrado pela ciência e pelos cientistas.

Posteriormente, quando se esperava que o Governo aumentasse a duração dos contratos dos investigadores, pois um artigo publicado há poucos anos, no final de 2023, na prestigiada revista The Economist, informou que uma das formas mais eficazes de financiar a ciência, com vista à maximização do seu impacto, consiste muito menos no financiamento de projectos mas muito mais na atribuição de contratos de longa duração aos investigadores, com a duração de pelo menos 7 (sete) anos, eis que o Governo, de forma incompreensível, decidiu fazer exactamente o contrário, reduzindo a duração dos contratos CEEC, o único concurso de investigadores verdadeiramente competitivo da Academia, onde a endogamia e o nepotismo mandam zeroonde 90% dos candidatos são rejeitados.  

E como se isso já não fosse suficiente, ainda assim, bastava o facto do Governo ter criado, há poucos dias, um pequeno grupo de trabalho (onde se inclui o CEO da bilionária Feedzai) para “proceder à análise do ecossistema nacional de investigação e inovação”, com o objetivo de produzir um retrato “fiel e atualizado” da realidade nacional, contemplando capacidades instaladas, dinâmicas do sistema, distribuição territorial, colaboração com empresas e administração pública, participação internacional e impacto socioeconómico dos apoios, estruturado em quatro dimensões: (a) capacidade científica instalada (recursos humanos, unidades de I&D e infraestruturas); (b) capacidade tecnológica, de inovação e de interface (transferência de conhecimento e empresas com I&D); (c) resultados científicos e tecnológicos e mecanismos de valorização; (d) posicionamento internacional. E o facto de tudo isso ter de ficar pronto em apenas sete dias, para ser apresentado publicamente amanhã, constitui, para mim, uma claríssima evidência da referida falta de respeito. https://www.publico.pt/2026/02/23/opiniao/opiniao/ai-diagnosticos-solidos-velocidade-luz-2165615

Se o Governo assim se contenta com análises tão expeditas, quase feitas em cima do joelho, pois pelos vistos entende que o seu tempo mediático não é compatível com o tempo necessário a uma análise robusta do ecossistema nacional de investigação e inovação, então mais valia que se se limitasse a copiar o que já fazem na Suécia e na Suíça, países onde a política científica assenta numa estabilidade contratual, que liberta os investigadores da precariedade crónica e lhes permite assumir riscos, numa avaliação rigorosa que distingue o mérito da mediocridade e a excelência da complacência, (ao contrário de Portugal onde 75% das unidades foram classificadas com Excelente ou Muito Bom !!!) e num planeamento estratégico de longo prazo, sustentado por metas claras, financiamento previsível e compromissos institucionais duradouros, (e não numa reiterada desvalorização política do conhecimento científico), que são precisamente os pilares que, entre nós, continuam a ser sistematicamente corroídos pela lógica do improviso, pela volatilidade das decisões e pela submissão da política científica ao calendário político mediáticohttps://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/02/universidades-portuguesas-um-modelo-que.html

Aditamento em 24 de Fevereiro - Hoje, dia da apresentação pública do relatório supracitado, alguém no Governo terá finalmente percebido o quão insustentável era admitir publicamente que esse documento era fruto de apenas 7 dias de trabalho. Para evitar o descrédito, foi hoje transmitido ao jornal Público que os membros do grupo de trabalho terão começado a preparar o relatório muito antes da data do tal Despacho que formalmente criou o referido grupo de trabalho, alegadamente desde o início de janeiro. Assim, e para afastar a ideia de amadorismo, improvisação e ligeireza, o Governo veio "esclarecer" que afinal esse trabalho foi desenvolvido muito antes da existência formal do próprio grupo de trabalho. Ou seja, para corrigir um problema de credibilidade, assume outro, potencialmente mais grave ao admitir a violação do principio da legalidade, nada menos do que um dos pilares do Estado de Direito.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Cientista feroz exige que se sentem no banco dos réus todos os responsáveis pelo facto de Alcácer do Sal ter ficado submersa

 

O conhecido cientista Miguel Bastos Araújo que recebeu o Prémio Pessoa em 2018, que integra o tal júri do prémio de 1 milhão de euros da Fundação Gulbenkian e, que no ano passado aparecia no segundo lugar de uma lista de 100 cientistas, dá hoje uma entrevista pouco doce ao jornal Público, acessível no link supra, na qual defende a criminalização de todos os políticos que andaram a aprovar construções onde não o podiam nunca ter feito. O que por coincidência eu já tinha defendido no passado dia 28 de Janeiro, quando escrevi: "há muito que este país deveria ter criminalizado qualquer licenciamento autárquico de novas edificações em zonas de risco, nomeadamente em zonas propicias a deslizamentos de terras, em zonas inundáveis, em zonas costeiras ou áreas diretamente expostas à subida do nível do mar, relativamente às quais faz sentido revisitar a frase: "os contribuintes deste país serão obrigados a pagar milhões para evitar que o mar engula "apartamentos a preços milionários, construídos quase em cima do mar." https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/01/o-governo-de-portugal-prepara-se-para.html

Seja como for devo dizer que me causou alguma perplexidade que, nessa entrevista o  referido cientista tenha dito que os engenheiros vão ficar contentes, pois há muitas obras para fazer. Tal observação, para além de manifestamente infeliz, pois não acredito que os engenheiros fiquem felizes com um aumento substancial do número de obras por conta de uma tragédia inesperada, mostra, também que ele parece desconhecer a realidade do sector em causa, pois não só não há empresas de construção em número suficiente, como também há um défice de engenheiros civis neste país que, por negligência ou incompetência, não foi acautelado em devido tempo, e que se irá agravar nos próximos anos,  https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/02/engenharia-civil-em-portugal-azar-dos.html

PS - Recordo, a propósito, que não é de hoje a tendência do cientista Miguel Bastos Araújo para utilizar palavras pouco doces, pois há alguns anos atrás ele já tinha criticado de forma particularmente contundente a Academia Portuguesa, por conta de uma "burocracia cuidadosamente arquitetada para defender os interesses da mediocridade instalada"  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/11/premio-nobel-excluido-de-concurso-para.html