sexta-feira, 14 de agosto de 2026

The Most Ironic Scientific Result of the Year: Europe Disrupts America’s Disruption Study

  

In 2023, Nature published an spectacularly ambitious study of American researchers based on 45 million papers and 3.9 million patents claiming that science and technology had become steadily less disruptive. The paper itself became something of a scientific blockbuster, attracting more than 400,000 accesses on Nature’s website and already accumulating almost 800 Scopus citations. The conclusion travelled rapidly through academia and the media because it fitted an irresistible narrative, modern science had supposedly become bloated, cautious and increasingly incapable of producing genuine intellectual revolutions. 

At the time, I expressed several reservations about such a sweeping conclusion. Among other things, I wondered whether changes in research-team size could partly explain the result and whether the conclusion would survive the use of alternative metrics designed specifically to identify revolutionary discoveries. Two years later, that confidence already looked premature. A 2025 study in Nature Computational Science that i mentioned on this blog introduced the concept of persistent disruption and showed that papers capable not merely of disrupting previous work, but of imposing a lasting new intellectual trajectory, had become more prominent in recent decades. The supposedly simple story of scientific decline was already beginning to fracture. 

Now the original claim faces a much more damaging challenge. A new Nature analysis by researchers at Vrije Universiteit Amsterdam and KU Leuven, highlighted by The Economist, argues that a substantial share of the celebrated decline may have been generated not by any historical collapse in scientific creativity, but by artefacts in the bibliographic data themselves. Older papers are disproportionately affected by missing reference information, and those deficiencies can artificially inflate disruption scores, making early science look more revolutionary and contemporary science more pedestrian than it really is. Once those distortions are corrected, the alleged decline is dramatically reduced and, in some datasets, almost disappears. If that result survives scrutiny, then the problem is no longer merely that the original interpretation may have been exaggerated. It is that an extraordinarily influential claim about the supposed intellectual exhaustion of modern science may have been built, to a remarkable extent, on imperfections in the very machinery used to measure it.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Anatomia de um Negligente Declínio Científico Anunciado — Durante Quanto Mais Tempo Conseguirá a Universidade do Minho Manter Portugal Acima da Bulgária?

https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/07/uminho-lidera-destacada-no-indicador-da.html

Relativamente ao indicador de excelência científica, mencionado no post acessível através do link supra e no qual a Universidade do Minho ocupa destacada e inequívoca posição cimeira a nível nacional, apresento abaixo uma lista com comparação do desempenho de várias dezenas de países relativamente a esse indicador. Portugal surge desgraçadamente apenas na 33.ª posição, embaraçosamente muito próximo do pobre país que é a Bulgária.

Há, porém, um dado particularmente revelador. Se a Universidade do Minho apresentasse um desempenho meramente coincidente com a média nacional isto é, se apenas 14,5% dos seus investigadores incluídos no ranking Stanford–Elsevier conseguissem integrar o Top 0,5% nessa altura o rácio português desceria para cerca de 13,9%, colocando Portugal abaixo da Bulgária. É, portanto, em boa medida graças ao desempenho excecional da Universidade do Minho que Portugal ainda conserva a posição que ocupa neste indicador.

O problema é que esta situação dificilmente será sustentável e nos próximos anos, Portugal acabará  inevitavelmente por ser ultrapassado pela Bulgária, pela simples razão de que uma parte muito substancial dos investigadores portugueses atualmente integrados no Top 0,5%, tanto na Universidade do Minho como noutras universidade, já ultrapassou os 60 anos ou já está muito próxima dessa idade. E, como demonstrei na tabela apresentada no final de um post anterior, o número de investigadores com possibilidade minimamente plausível de ingressar nesse restritíssimo grupo até 2029 é alarmantemente muito reduzido. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/07/o-improvavel-investigador-que-vai.html

Não se trata, porém, de uma fatalidade demográfica mas do resultado previsível de uma política científica, míope, cobarde e gravemente lesiva do interesse nacional, que praticamente destruiu a capacidade de Portugal competir internacionalmente pela atração de investigadores de topo. Por um lado, e como é da praxe, os concursos para professor catedrático continuam como sempre, blindados à concorrência internacional (por conta das "provas" da Vassalagregação) que até excluem prémios Nobel e por outro, o Governo suprimiu dos concursos anuais de investigação, precisamente as categorias superiores, que poderiam tornar Portugal minimamente competitivo na captação de cientistas séniores. 

A razão é simples de perceber, a academia portuguesa continua assente numa cultura de obediência, vassalagem e proteção das hierarquias instaladas (há muitos catedráticos que garantem isso mesmo), mas os investigadores séniores, com currículos internacionalmente muito competitivos e de verdadeira autonomia científica, não se prestam aos tradicionais exercícios de subserviência, deferência e lambe-botismo de que essas hierarquias deploráveis se alimentam. Incompreensível e politicamente vergonhoso é que o Governo se tenha prestado a fazer um frete a essas hierarquias, sacrificando deliberadamente o interesse nacional para proteger privilégios corporativos, feudos académicos e conveniências mesquinhas e paroquiais à custa dos superiores interesses do nosso país.

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País

Rácio

1

EUA

31.8%

2

Suíça

29.4%

3

Reino Unido

28.7%

4

Canadá

27.3%

5

Países Baixos

26.7%

6

Alemanha

25.8%

7

Austrália

25.0%

8

Dinamarca

24.6%

9

Singapura

24.1%

10

Suécia

23.2%

11

Israel

23.1%

12

Finlândia

22.8%

13

Áustria

21.9%

14

França

21.1%

15

Bélgica

21.0%

16

Nova Zelândia

20.5%

17

Lituânia

20.0%

18

Irlanda

19.5%

19

Vietname

19.1%

20

Hungria

18.6%

21

Espanha

18.6%

22

Noruega

18.6%

23

Islândia

17.9%

24

Líbano

17.4%

25

África do Sul

17.2%

26

Itália

17.0%

27

Japão

16.5%

28

Emirados Árabes Unidos

15.7%

29

Quénia

15.7%

30

Estónia

15.3%

31

Catar

15.3%

32

Chéquia

15.0%

33

Portugal

14.5%

34

Bulgária

14.3%