O conhecido cientista Miguel Bastos Araújo que recebeu o Prémio Pessoa em 2018, que integra o tal júri do prémio de 1 milhão de euros da Fundação Gulbenkian e, que no ano passado aparecia no segundo lugar de uma lista de 100 cientistas, dá hoje uma entrevista pouco doce ao jornal Público, acessível no link supra, na qual defende a criminalização de todos os políticos que andaram a aprovar construções onde não o podiam nunca ter feito. O que por coincidência eu já tinha defendido no passado dia 28 de Janeiro, quando escrevi: "há muito que este país deveria ter criminalizado qualquer licenciamento autárquico de novas edificações em zonas de risco, nomeadamente em zonas propicias a deslizamentos de terras, em zonas inundáveis, em zonas costeiras ou áreas diretamente expostas à subida do nível do mar, relativamente às quais faz sentido revisitar a frase: "os contribuintes deste país serão obrigados a pagar milhões para evitar que o mar engula "apartamentos a preços milionários, construídos quase em cima do mar." https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/01/o-governo-de-portugal-prepara-se-para.html
Seja como for devo dizer que me causou alguma perplexidade que, nessa entrevista o referido cientista tenha dito que os engenheiros vão ficar contentes, pois há muitas obras para fazer. Tal observação, para além de manifestamente infeliz, pois não acredito que os engenheiros fiquem felizes com um aumento substancial do número de obras por conta de uma tragédia inesperada, mostra, também que ele parece desconhecer a realidade do sector em causa, pois não só não há empresas de construção em número suficiente, como também há um défice de engenheiros civis neste país que, por negligência ou incompetência, não foi acautelado em devido tempo, e que se irá agravar nos próximos anos, https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/02/engenharia-civil-em-portugal-azar-dos.html
PS - Recordo, a propósito, que não é de hoje a tendência do cientista Miguel Bastos Araújo para utilizar palavras pouco doces, pois há alguns anos atrás ele já tinha criticado de forma particularmente contundente a Academia Portuguesa, por conta de uma "burocracia cuidadosamente arquitetada para defender os interesses da mediocridade instalada" https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/11/premio-nobel-excluido-de-concurso-para.html