F. Pacheco-Torgal
domingo, 9 de agosto de 2026
O catedrático "incapaz" e o catedrático que viu o invisível, num concurso que o tribunal não teve outro remédio senão mandar anular
sexta-feira, 7 de agosto de 2026
Five uncomfortable truths about building a career as a young researcher and why, in the age of AI, courage matters more than ever
Portugal tem Engenharia para enriquecer mas desgraçadamente está refém de instituições que preferem empobrecê-lo
Os resultados da imagem supra mostram que Portugal apresenta um perfil de excelência científica profundamente distinto, não apenas do modelo norte-americano, mas também do padrão mundial. Importa notar que os EUA praticamente coincidem com esse padrão, 56% dos seus cientistas no top 0,5% pertencem às Ciências Médicas e da Saúde, contra 51% no conjunto mundial. Os EUA não são, portanto, a exceção; são a norma. A verdadeira exceção é Portugal. Entre os investigadores portugueses, as Ciências Naturais e Exatas representam 31% e as Engenharias 30%, enquanto a Saúde se fica pelos 22%, menos de metade do peso que assume mundialmente. Portugal aproxima-se, assim, mais do perfil científico-tecnológico da China do que do modelo biomédico norte-americano, as Ciências Naturais e Exatas e as Engenharias concentram conjuntamente 61% da elite científica portuguesa e 82% da chinesa, mas apenas 32% da norte-americana. Contudo, é sobretudo nas Engenharias que a singularidade portuguesa se torna mais evidente, não só o seu peso entre os cientistas de elite é duas vezes e meia superior à média mundial, mas casos como o da famosa Feedzai e da Sword Health, a tal empresa que que dá emprego a mais de um milhar de pessoas, com salários médios mensais de 3400 euros, mostram que a especialização portuguesa nas Engenharias pode, quando encontra capital e acesso aos mercados internacionais, dar origem a empresas tecnológicas de alcance mundial.
O paradoxo português talvez esteja precisamente aqui, o nosso país possui uma concentração excecional de talento em áreas decisivas para a indústria, a energia, os materiais, e a transição climática, mas continua incapaz de transformar essa excelência científica em atividades económicas de elevado valor acrescentado. Vide post anterior de 8 de Fevereiro de título, "Universidades Portuguesas: Premiar a inércia e a estagnação, castigar o mérito e condenar o país ao empobrecimento" https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/02/universidades-portuguesas-um-modelo-que.html