sábado, 7 de março de 2026

A Scenario-Based Foresight Analysis of the Future Research University in 2030

https://immersiveweek.web.app/viewer.html?file=session_2030_verified_university/04_slides/Verified_University_2030_120min_jyL4MAXw.pdf

The presentation available in the link above was recently shared with me by a colleague at the University of Aveiro and is divided into four parts:

1 – The Shock: When Intelligence Becomes Infrastructure;
2 – The Constraint: A Country That Cannot Afford to Wait;
3 – The System: Four Functions Under Simultaneous Stress;
4 – Three Futures: Denial, Adaptation, Redesign.
The proposed concept of a “Verified University” reminds me of a post I wrote in January 2024 titled:“AI has radically changed the core university business, shifting focus from teaching and publications to ‘assessment, curation, and mentoring.’” https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/01/the-economistai-generated-content-is.html 
However, the Verified University concept can be strengthened by moving beyond a narrow focus on verification toward a broader model of knowledge governance in the AI era. Universities should continue to combine knowledge production, critical interpretation, and socialization within academic communities, while using verification as a supporting infrastructure rather than the central function. Trust in science depends not only on technical verification but also on reputation, disciplinary communities, and institutional legitimacy. In this improved model, scholars would not become mere auditors of processes but would evolve into curators, interpreters, and integrators of human–AI knowledge, helping ensure both the credibility and meaningful use of increasingly abundant AI-generated knowledge.

quarta-feira, 4 de março de 2026

A refinada hipocrisia de um professor catedrático da Universidade de Coimbra


Depois das várias e fracassadas tentativas do reitor da universidade mais endogâmica de Portugal para atacar, sem sucesso, a legislação que se prevê venha a integrar o RJIES com o objetivo de combater a endogamia académica, vide post acessível no link supra, sabe-se agora que parece ter "passado" essa incumbência ao professor catedrático de Medicina, Robalo Cordeiro, cuja faculdade recorde-se apresenta uma taxa de endogamia de 99%, e que surge hoje na página 19 do jornal Público a protagonizar um exercício de refinada hipocrisia.

O seu lamentável artigo é um exercício de corporativismo travestido de preocupação pública. A proposta do RJIES não proíbe a contratação de doutorados “da casa”; limita-se a exigir um requisito mínimo de 40% de docentes formados noutra instituição. Transformar esse limiar modesto numa ameaça à continuidade dos cuidados de saúde constitui uma dramatização oportunista. Trata-se de uma tentativa de ocultar o óbvio embaraçoso: instituições que, no passado, favoreceram sistematicamente candidatos internos, prejudicando outros apenas por não pertencerem “à casa”, pretendem agora continuar a fazê-lo ao abrigo de uma exceção oportunista

Invocar “graves disfunções” hospitalares para defender a manutenção das contratações endogâmicas é uma manobra retórica que tem tanto de lamentável como de desesperada: desloca-se o debate sobre o mérito da proposta em discussão para o medo do colapso do sistema. Como se a qualidade da Medicina dependesse da absorção automática dos seus próprios doutorados e não da competição aberta e do mérito, precisamente os mecanismos que fortalecem instituições de qualidade.

A alegação de que as faculdades de Medicina são um “caso particular” não passa de um pobre argumento de exceção para preservar privilégios. Todas as áreas científicas poderiam invocar especificidades; mas fazê-lo aqui serve apenas para proteger interesses instalados. Quando quem beneficia de um modelo fechado exige isenção das regras destinadas a abrir esse modelo, não está a defender o interesse público está apenas a proteger privilégios. A hipocrisia é evidente: rebatiza-se a manutenção do fechamento como “estabilidade”, apresenta-se a defesa de interesses instalados como “continuidade” e invoca-se o bem comum para bloquear regras mínimas destinadas a travar a viciação concursal sistemática.

Porém, aquilo que está realmente em causa e sobre o qual eu escrevi numa carta que enviei ao Editor-Chefe de uma revista cientifica é que diversos catedráticos íntegros e corajosos, não se coibiram de denunciar o problema central, tendo associado a endogamia académica a riscos profundos para a integridade do ensino superior. O catedrático Michael Athans que esteve alguns anos na Universidade de Lisboa, afirmou que certos “ditadores académicos” forçam a contratação dos seus alunos medíocres, utilizando a endogamia como mecanismo para ocultar a sua própria incompetência e também que a contratação sistemática desses alunos pode perpetuar a mediocridade geral. Já o catedrático Gines-Mora foi mais longe, interpretando a endogamia como uma expressão de corrupção sistémica, em que as lealdades pessoais substituem o mérito, corroendo a transparência e a ética. No conjunto, estas análises descrevem a endogamia como um mecanismo de reprodução de poder e de proteção de interesses instalados que compromete seriamente o mérito e a integridade do ensino superior.

PS - O que teria sido verdadeiramente digno é que o supracitado catedrático Robalo Cordeiro, que agora assim escreve de forma tão descarada, antes não se tivesse refugiado num silêncio cobarde perante um processo nebuloso, noticiado pela revista Sábado. Um episódio pouco digno, que nunca foi cabalmente esclarecido, que lançou uma sombra sobre a Universidade de Coimbra e envergonhou este país, ao alimentar a percepção de que, naquela instituição, os interesses das “dinastias” familiares, expressão usada pela referida revista, podem sobrepor-se ao interesse público, aos princípios constitucionais da igualdade e do mérito e aos valores de transparência e de ética republicana que devem reger todas as instituições do ensino superior, sejam elas públicas ou privadas.  https://www.sabado.pt/portugal/detalhe/insinuacao-de-plagio-em-doutoramento-abre-caca-as-bruxas-em-coimbra?

segunda-feira, 2 de março de 2026

Sobre o negócio imensamente lucrativo das revistas científicas e sobre a perversidade da avaliação de desempenho à Portuguesa

https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/03/the-monopoly-of-scientific-journals-has.html

Há alguns anos atrás saudei, no post acessível no link supra, uma iniciativa da Comissão Europeia, para ajudar a arruinar os lucros imensos das revistas científicas internacionais. Trata-se de uma plataforma de publicação em acesso aberto, destinada principalmente a investigadores financiados por programas-quadro da União Europeia (como o Horizon 2020 e o Horizon Europe). A referida plataforma adota um modelo de revisão por pares aberta pós-publicação e não cobra taxas aos autores.

Para além desse repositório científico, é importante referir que existe um outro, mantido pelo conhecido CERN e o qual já contém quase 3 milhões de registos científicos, (Artigos científicos, preprints, relatórios, teses, dados, software, apresentações etcque é muito mais abrangente e no qual há poucos dias coloquei algumas cartas que foram enviadas a Editores de conhecidas revistas científicas internacionais, criticando artigos que foram publicados nessas revistas https://pachecotorgal.com/2026/02/28/two-letters-and-a-critique-about-a-recent-nature-article-by-scientists-affiliated-with-harvard-university/

Infelizmente, o atual modelo de avaliação de desempenho de professores e investigadores em Portugal acaba por contribuir, de forma perversa, para os lucros dessas revistas, ao privilegiar publicações em revistas com maior fator de impacto. Ao fazê-lo, ignora as críticas amplamente fundamentadas que diversos cientistas têm dirigido a esse indicador, como aquela que destaquei num post que obteve vários milhares de visualizações. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/evaluating-researchers-in-fast-and.html

PS - Constitui uma violação grosseira do princípio do mérito, sendo além disso eticamente inaceitável e também intelectualmente desonesto, que se atribua uma avaliação de desempenho superior a um professor ou investigador que publicou artigos em revistas do quartil Q1 em detrimento de quem publicou em revistas Q2, se, na realidade os artigos dos primeiros foram olimpicamente ignorados pela comunidade científica, tendo recebido um número irrisório de citações, ao passo que os dos segundos tiveram um elevado impacto na mesma comunidade tendo recebido milhares de citações, inclusive por parte de cientistas de topo.