segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Top 10 dos investigadores Portugueses melhor classificados no ranking Elsevier-Stanford na área da Engenharia Civil

Reproduzo abaixo os nomes dos dez investigadores melhor classificados na área científica da Engenharia Civil, de acordo com a lista de impacto científico ao longo da carreira recentemente divulgada pela Elsevier. 

A UMinho destaca-se por reunir três investigadores entre os dez melhor classificados, seguindo-se a UPorto, com dois. As universidades de Lisboa, Coimbra e Aveiro, a Univ. Politécnica de Lisboa e o LNEC estão representados apenas por um investigador cada. 

 

Investigador

Instituição

Ranking europeu (Engenharia Civil)

Ranking mundial (todas as áreas)

1

Lourenço, P. B.

UMinho

10

13 310

2

Brito, J. de

ULisboa

15

19 623

3

Pacheco-Torgal, F.

UMinho

18

21 611

4

Barros, J. A. O.

UMinho

179

109 973

5

Silva, L. S. da

UCoimbra

236

137 501

6

Veiga, M. R.

LNEC

302

170 257

7

Cachim, P. B.

UAveiro

353

190 789

8

Cunha, A.

UPorto

355

190 994

9

Caetano, E. 

UPorto

486

256 099

10

Evangelista, L.

UPLisboa

545

278 520


domingo, 11 de outubro de 2026

A presidência da FCT ao serviço da servidão académica e da felicidade dos lordes feudais

 

Num post anterior, critiquei uma política muito pouco inteligente que privilegia a formação de milhares de novos doutorados enquanto comprime e chega mesmo a estrangular as oportunidades de investigadores cujos currículos foram considerados excelentes por painéis internacionais. Mas esta inversão de prioridades admite uma leitura ainda mais incómoda, a sua extraordinária conveniência para muitos catedráticos (leia-se lordes feudais) que tratam a pobre academia nacional como uma coutada onde a subserviência é a lei. Quem precisa de braços para executar trabalho e de artigos para engrossar o próprio currículo tem muito a ganhar com a abertura massiva de bolsas de doutoramento. Financiar a autonomia de quem já demonstrou mérito científico pode, pelo contrário, ameaçar esses feudos académicos. Para quem há muito se habituou a viver dos frutos do trabalho alheio, o financiamento de investigadores que não fazem "favores à casta" é uma ameaça ao seu domínio feudal.

Como tive ocasião de denunciar há vários anos atrás, no meu primeiro blogue, um conhecido catedrático da Universidade de Stanford expôs este problema com uma frontalidade que contrasta com a linguagem cobarde das instituições. Num contundente artigo publicado em 2016 no Journal of Clinical Epidemiology, questionou se certos currículos volumosos de muitos catedráticos traduzem realmente trabalho árduo e orientações brilhantes por parte daqueles ou antes, apenas o resultado da escravatura de jovens investigadores. A expressão que então utilizou não deixa margem para eufemismos foi slave trade of younger researchers.  A denúncia expõe uma perversão fundamental da hierarquia académica, quem ocupa o topo da pirâmide alimentar pode comportar-se como um tubarão, apropriando-se do valor produzido por quem trabalha abaixo. O jovem doutorando executa todo o trabalho e o lorde feudal arrecada o prestígio. Uma lógica que encontra eco num corajoso artigo de um catedrático da Universidade de Coimbra, sobre catedráticos-tubarões e investigadores-rémoras, que se alimentam de restos. 

Convém não esquecer que foi o próprio catedrático jubilado José Ferreira Gomes, agora reitor da Universidade da Maia, quem reconheceu publicamente, em junho de 2018, que a progressão académica favorece quem faz favores "aos mais velhos" (leia-se aos catedráticos). Essa grave declaração tem o valor de um testemunho vindo do interior da hierarquia, quando o favor integra a receita da ascensão, a meritocracia degrada-se em retórica de legitimação e a carreira académica passa a premiar a "arte" da subserviência perante os poderes instalados. Quanto à metáfora dos lordes feudais, vale a pena revisitar este outro post, no qual divulguei um artigo de um catedrático português que também conhece por dentro os costumes feudais da casa e que os descreveu num artigo publicado numa revista internacional 

É verdade que também há investigadores nada jovens contratados pela "quota da endogamia" que continuam e continuarão a prestar favores aos "mais velhos", na expectativa de um dia ascenderem à posição de quem os recebe. A ambição limita-se, nesse caso, a trocar a condição de vassalo pela de senhor feudal, perpetuando o sistema que recompensa a subserviência. Mas, como escrevi no dia 7 de agosto, construir uma carreira científica, sobretudo na era da inteligência artificial, exige coragem intelectual. Quem renuncia a essa coragem para granjear o favor dos seus "superiores" pode até conseguir ascender na hierarquia; mas, de pensamento escravizado e dignidade hipotecada, por mais alto que suba, nunca será merecedor de respeito apenas de pena. A ciência não precisa dessa cobardia moral promovida a prudência e transformada em abjecta estratégia de carreira. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/08/five-uncomfortable-truths-about.html  

PS - A presidência da FCT prepara-se para abrir, daqui a poucos meses, uma segunda edição do malfadado concurso FCT Tenure. Critiquei a primeira edição deste inqualificável concurso por uma concentração de vagas que dificilmente poderia passar despercebida, a UNova, instituição a que pertencia a sua mentora, a genial cabecinha pensadora da catedrática Elvira Fortunato, recebeu mais vagas do que as universidades de Coimbra, Minho e Aveiro juntas. Este concurso concentra o pior dos vícios académicos: põe recursos públicos ao serviço de lugares atribuídos por júris caseiros, favorece a reprodução das hierarquias instaladas e alimenta a endogamia com uma complacência política escandalosa. A mesma presidência que estrangulou o financiamento do concurso CEEC, avaliado por painéis internacionais, prepara-se agora para, hipocritamente, abrir os cordões à bolsa num concurso entregue a júris caseiros. A explicação é evidente, a prioridade da FCT é perpetuar os feudos académicos a qualquer custo e assegurar a felicidade dos lordes feudais.

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

The European Commission Highlights an Uncomfortable Truth: Science Depends on Essential Labour Academia Fails to Reward

 

The European Commission has just highlighted a report whose recommendations include “Recognising and rewarding the labour involved in peer review, editorial work and research curation”, while acknowledging that much of the reviewing process depends on unpaid and frequently invisible labour. This recommendation deserves the close attention of every funding agency and evaluation panel entrusted with judging scientific merit, because an assessment system that celebrates published articles while overlooking the intellectual effort required to scrutinise them adopts a conveniently selective understanding of scientific contribution, in which the visible product attracts recognition while those who help safeguard its credibility are expected to remain satisfied with occasional expressions of gratitude.

The consequences of this contradiction were illustrated in my earlier post, “The serious case of papers that remained unassigned to editors for more than a year”, which discussed the reported experience of Noemi Felisi, whose manuscript remained unassigned to an editor for 380 days before peer review had even begun, exposing how an editorial bottleneck can obstruct the dissemination of research and jeopardise opportunities for researchers whose careers depend on timely publications. I also examined this broader problem in a previous post published in 2025, questioning the wisdom of German researchers’ recommendation to increase the number of reviewers per manuscript without first tackling reviewer fatigue and the persistent failure to recognise and reward this essential scientific service. Asking an already strained community to undertake additional reviewing while leaving its professional incentives unchanged amounts to demanding greater generosity from those whose generosity the system already takes for granted, while allowing the benefits of publication and the burden of evaluation to remain unequally distributed.

The Commission’s recommendation should therefore prompt funding agencies and universities to explain how reviewing, editorial responsibility and research curation actually influence their assessments. Scientists who publish hundreds of papers while contributing only a handful of peer reviews should likewise be expected to explain that discrepancy, because systematically relying on the scrutiny of others while scarcely reciprocating raises serious questions about their ethical standards and commitment to scientific citizenship. Recognition must also protect the intellectual independence required to challenge weak research, particularly when its authors occupy positions of academic influence, because rewarding servile deference while expecting rigorous criticism merely reproduces entrenched academic hierarchies under the seductive language of scientific excellence. A system that rewards publication, demands ever more reviewing and then marginalises those who perform it is actively manufacturing the very crisis it subsequently claims to deplore.

PS - As I argued in my January 2024 post, “AI has radically changed the core university business, shifting focus from teaching and publications to ‘assessment, curation, and mentoring’”, generative AI makes this contradiction increasingly indefensible, because the easier academic content becomes to produce, the greater the value of the intellectual judgement required to assess its reliability, distinguish meaningful contributions from plausible prose and guide researchers towards questions worth pursuing. That post also recalled Stanford Professor John Ioannidis’s call to reward scientific citizenship, including peer review, replication and data sharing, rather than allowing publication and grant records to monopolise the definition of scientific merit, an argument that becomes increasingly urgent as the ease of generating superficially plausible academic prose threatens to outstrip the rigorous scrutiny required to establish whether its claims deserve scientific credibility.