sexta-feira, 9 de outubro de 2026

The European Commission Highlights an Uncomfortable Truth: Science Depends on Essential Labour Academia Fails to Reward

 

The European Commission has just highlighted a report whose recommendations include “Recognising and rewarding the labour involved in peer review, editorial work and research curation”, while acknowledging that much of the reviewing process depends on unpaid and frequently invisible labour. This recommendation deserves the close attention of every funding agency and evaluation panel entrusted with judging scientific merit, because an assessment system that celebrates published articles while overlooking the intellectual effort required to scrutinise them adopts a conveniently selective understanding of scientific contribution, in which the visible product attracts recognition while those who help safeguard its credibility are expected to remain satisfied with occasional expressions of gratitude.

The consequences of this contradiction were illustrated in my earlier post, “The serious case of papers that remained unassigned to editors for more than a year”, which discussed the reported experience of Noemi Felisi, whose manuscript remained unassigned to an editor for 380 days before peer review had even begun, exposing how an editorial bottleneck can obstruct the dissemination of research and jeopardise opportunities for researchers whose careers depend on timely publications. I also examined this broader problem in a previous post published in 2025, questioning the wisdom of German researchers’ recommendation to increase the number of reviewers per manuscript without first tackling reviewer fatigue and the persistent failure to recognise and reward this essential scientific service. Asking an already strained community to undertake additional reviewing while leaving its professional incentives unchanged amounts to demanding greater generosity from those whose generosity the system already takes for granted, while allowing the benefits of publication and the burden of evaluation to remain unequally distributed.

The Commission’s recommendation should therefore prompt funding agencies and universities to explain how reviewing, editorial responsibility and research curation actually influence their assessments. Scientists who publish hundreds of papers while contributing only a handful of peer reviews should likewise be expected to explain that discrepancy, because systematically relying on the scrutiny of others while scarcely reciprocating raises serious questions about their ethical standards and commitment to scientific citizenship. Recognition must also protect the intellectual independence required to challenge weak research, particularly when its authors occupy positions of academic influence, because rewarding servile deference while expecting rigorous criticism merely reproduces entrenched academic hierarchies under the seductive language of scientific excellence. A system that rewards publication, demands ever more reviewing and then marginalises those who perform it is actively manufacturing the very crisis it subsequently claims to deplore.

PS - As I argued in my January 2024 post, “AI has radically changed the core university business, shifting focus from teaching and publications to ‘assessment, curation, and mentoring’”, generative AI makes this contradiction increasingly indefensible, because the easier academic content becomes to produce, the greater the value of the intellectual judgement required to assess its reliability, distinguish meaningful contributions from plausible prose and guide researchers towards questions worth pursuing. That post also recalled Stanford Professor John Ioannidis’s call to reward scientific citizenship, including peer review, replication and data sharing, rather than allowing publication and grant records to monopolise the definition of scientific merit, an argument that becomes increasingly urgent as the ease of generating superficially plausible academic prose threatens to outstrip the rigorous scrutiny required to establish whether its claims deserve scientific credibility.

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Acaba de ser revelada a edição de 2026 do ranking de cientistas Elsevier-Stanford: Lisboa, Porto e Minho lideram no Top 0.5%

 

Reproduzo abaixo somente os nomes dos investigadores que trabalham em instituiçóes Portuguesas e que integram a parte superior da lista de impacto científico ao longo da carreira, correspondente ao Top 0.5%. https://elsevier.digitalcommonsdata.com/datasets/btchxktzyw/9

O pódio das universidades com maior número de investigadores no Top 0,5% é ocupado, pela Universidade de Lisboa, pela Universidade do Porto e pela Universidade do Minho.

É importante reafirmar que se trata do único ranking mundial de investigadores que consegue cumprir três requisitos fundamentais, ao contrário do outro ranking de cientistas da Clarivate,  que não consegue cumprir o terceiro requisito e que pior do que isso só inclui aproximadamente 10% dos prémios Nobel como divulguei aqui https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/01/whats-value-of-scientist-ranking-that.html

Primeiro - Ser baseado na Scopus ou na Web of Science, para assim permitir a desambiguação de publicações, pois existem milhares de perfis "contaminados" no Google Académico com publicações de outros autores e também para evitar o lixo "científico" de citações em publicações não revistas por pares, cujo número explodiu nos últimos anos.
Segundo ​- Ser capaz de remover o efeito da terrível praga das auto-citações, em que muitos cientistas infelizmente se tornaram verdadeiros especialistas​ ​
​Terceiro ​- Ser capaz de anular a vantagem artificial e perniciosa relativa às citações em publicações com centenas ou milhares de co-autores, utilizando para esse efeito a contagem fraccionada, sugerida pela primeira vez em 2008 pelo investigador Alemão Schreiber e mais recentemente por Koltun e outros. 

Top 0.5% do ranking Elsevier-Stanford – edição de 2026

Pereira, José Carlos Fernandes

Davim, J. P.

Guedes Soares, C.

Mano, João F.

Búchler, Markus Wolfgang

Barbas, Carlos F.

Liddle, Andrew R.

Neoptolemos, John P.

Ferro, José Manuel

Machado Tenreiro, J. A.

Jose M., Bioucas-Dias Manuel

Pereira Coutinho, João Araújo

Montemor, M. F.

Figueiredo, Mário A.T.

Barros, Carlos Pestana

Studart, André R.

Figueiredo, José Luís

Cunha, Rodrigo A.

Chaves, M. Manuela

Lourenço, Paulo B.

Peres, Nuno Miguel R.

Lobo, Francisco S.N.

Swash, M.

Reis, R. L.

Egídio Rodrigues, Alírio Egídio

Gama, João M.P.

Cardoso, Vitor

Brett, Christopher Michael Ashton

Catalão, João P.S.

Ferreira, António J.M.

Brito, Jorge De

Loureiro, Sandra María Correia

Pereira, Helena M.

Pacheco-Torgal, Fernando

Malcata, F. Xavier

Cardoso, Fatima

Rocha-Santos, Teresa A.P.

Moreira, Paula I.

Silveirinha, Mario G.

de Falcão, António F.O.

Pereira, Luis S.

Seabra, Miguel C.

Dorogóvtsev, Sergey N.

Prata, Joana Correia

Bertolami, Orfeu

Pombeiro, Armando J.l.

Rocha, João

Sarmento, Bruno Filipe Carmelino Cardoso

Oliveira, Rui Filipe

Derouane, Eric G.

Rodrigues, Ligia R.

Veldhoen, Marc

Ferreira, Mario G. S.

Miguel, Maria Graça Costa

Carvalho, Fernando Piedade

Simões, Manuel Vieira

Oliva-Teles, A.

Santos, Nuno C.

Martins, Rodrigo Ferrão Paiva

Cavaco-Paulo, Artur Manuel

Carmo-Fonseca, Maria

Pȩcas Lopes, Joao A.

Vasconcelos, Vítor Manuel Oliveira

Flores, Paulo

Dinis-Oliveira, R. J.

Barros, Lillian B.

Ferreira, Isabel C.F.R.

Lemos, José P.S.

Marques, Rui Cunha

Manaia, Celia

Phillips, Alan J.L.

Gash, John H.C.

Carlos, Luís D.

Schmitt, F. C.

Graça, Manuel Augusto Simões

Paterson, Russell Monteith

Kundu, Subhas C.

Patel, Ashok R.

De Carvalho, Mamede Alves

João Saraiva, Maria João Mascarenhas

Leitão, Paulo

McGregor, Peter Kenneth

Konotop, Vladimir V.

Semin, Gun Refik

Fernandes, Paulo M.

Costa, Paulo Cardoso

Zilha̧o, João

Sardinha, Luís B. Sardinha Bettencourt

da Silva, Lucas F.M.

Camarinha-Matos, Luis M.

Outeiro, Tiago F.

Fernández-Rossier, Joaquín

Vilar, Rui M.C.S.

Almeida, Ricardo

Flores, Maria Assunção

Carabineiro, Sónia A.C.

Fortunato, Elvira M.C.

de Carvalho, C. C. C. R.

De Melo Órfão, José J.

Bebianno, Maria João

Moreira, Francisco M.

Sobrinho-Simòes, Manuel A.

Haneke, Eckart G.

Trigo, Ricardo Machado

Cruz-Martins, Natália

Cardoso, Pedro

Silvestre, Nuno

Brinchmann, Jarle

Gouveia, Luísa

Branco, Gustavo C.

Cunha, Miguel Pina E.

Carneiro, Fátima M.H.

Pereira, Leonel

Carvalho, Felix Dias

Leite-Moreira, Adelino F.

Teixeira, José A.

Ferreira, J. M. F.

Lavoura, L.

Cohen, Scott A.

da Silva, J. A.P.

Neto, Félix

terça-feira, 6 de outubro de 2026

A brilhante estratégia da presidência da FCT: O suicídio assistido da investigação pública


Terminei o meu último post a questionar o discernimento de uma presidência da FCT que anuncia 145 milhões de euros para bolsas de doutoramento, mais do dobro dos cerca de 63 milhões destinados à oitava edição do concurso CEEC. Importa agora tornar explícita a dimensão desta escolha, estamos a falar de nada menos do que 1.600 novas bolsas de doutoramento, enquanto o CEEC disponibiliza apenas 400 contratos para investigadores já doutorados. Quatro novas bolsas por cada contrato neste concurso. Uma desproporção que denuncia uma "estratégia" intelectualmente indefensável, que resulta de uma alienação perante as necessidades da investigação nacional, ou subordina essas necessidades a interesses obscuros. 

A comparação europeia torna ainda mais flagrante esta inversão de prioridades. As bolsas de doutoramento do concurso FCT correspondem a um rácio de cerca de 149 bolsas por milhão de habitantes. Nos programas analisados, o Reino Unido apresenta 73 por milhão, a Bélgica 69 e Espanha apenas 41. O rácio português aproxima-se, portanto, do dobro dos valores britânico e belga e ultrapassa o triplo do espanhol. Talvez o problema seja dos outros. Talvez britânicos e belgas, com os seus centros de investigação de referência mundial, ainda não tenham alcançado a admirável "clarividência" da presidência da FCT, produzir doutorados em escala industrial enquanto se estrangulam as oportunidades de quem já demonstrou competência científica. Há aqui uma concepção de estratégia que merece o nome de idiotia institucional; parece, contudo, pouco plausível que sejam os britânicos e os belgas a precisar de lições de discernimento científico da presidência da FCT.

Depois da infâmia de reduzir de seis para três anos o financiamento dos contratos CEEC e de cortar para metade o orçamento destinado à contratação de investigadores, a mesma presidência dá prioridade às bolsas de doutoramento, poupadas a semelhante corte e reforçadas em número e orçamento. Financia a formação de novos doutorados enquanto estrangula as oportunidades de investigação daqueles que já formou, comprometendo a continuidade do trabalho, a consolidação das equipas e a preservação das competências científicas que tinha a obrigação de proteger. É uma política de descapitalização científica conduzida por quem tem o dever institucional de a impedir, numa flagrante inversão da missão que lhe cabe e que atraiçoa com total impunidade. A “estratégia” da presidência da FCT constitui, assim, uma forma insidiosa de suicídio assistido da investigação pública.