domingo, 18 de outubro de 2026

Os livros mais citados de sempre, a área da Engª Civil e a gravíssima crise habitacional

 

https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/12/universidades-e-politecnicos-conseguem.html

Na sequência do post anterior, acessível no link supra, em que comparei a produção de livros indexados na Scopus do conjunto das instituições de ensino superior portuguesas com a da pequena Universidade de Oxford e mostrei que, entre 2010 e 2024, a Universidade do Minho ocupou o terceiro lugar nacional em número de livros publicados, à frente da Universidade do Porto, reproduzo abaixo a lista dos 20 livros mais citados de sempre da Universidade do Minho

A distribuição temática deste top 20 é elucidativa do peso das engenharias, que representam mais de metade dos livros e entre as quais sobressai a área científica da engenharia civil, cuja liderança se afirma tanto em número de títulos como em impacto científico, ao conquistar o primeiro lugar absoluto com o Handbook of Alkali-Activated Cements, Mortars and Concretes, e também a maior média anual de citações nos últimos três anos, demonstrando que o seu impacto científico internacional continua a renovar-se, muito para além do impacto acumulado no passado.

PS - O destaque da engenharia civil na produção científica da Universidade do Minho merece também ser lido à luz da recuperação da procura deste curso e das necessidades crescentes de um país confrontado com uma gravíssima crise habitacional, o envelhecimento das infraestruturas e a urgência da adaptação climática, questões que analisei num post no final do mês de Agosto de título, Ensino superior: projeções de procura até 2029 num curso fundamental e uma área emergente entre os imperativos do futuro https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/08/ensino-superior-projecoes-de-procura.html

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Na universidade que paga mais de 300 mil euros aos catedráticos, integrar o ranking Elsevier–Stanford é quase uma exigência

 

A propósito da deplorável política da presidência da FCT, que critiquei por perpetuar a servidão académica e assegurar a felicidade dos "lordes feudais", privilegiando o financiamento de bolsas de doutoramento selecionadas por júris caseiros em detrimento da abertura de mais vagas para investigadores cujo mérito foi considerado excelente por júris de peritos estrangeiros, reproduzo na imagem supra uma comparação demolidora entre duas instituições de referência mundial e seis das universidades portuguesas mais competitivas, no rácio investigador altamente citado (Top 0.5%) por centena de docentes. 

O rácio do ETH Zurich é 22 vezes superior ao da universidade portuguesa mais competitiva neste indicador, a Universidade do Porto. Quando porém a simulação abrange todos os investigadores do referido ranking correspondente ao top 2%, o contraste torna-se ainda mais devastador e intelectualmente embaraçoso, mesmo a instituição portuguesa mais bem posicionada apresenta um rácio 86 vezes inferior ao do ETH Zurich, que atinge 99,8 investigadores por cada 100 docentes, o que significa que naquela universidade é praticamente impossível ter um lugar docente sem ser um investigador altamente citado.

Tendo em conta que, em 2020, divulguei um estudo da Nature Communications que associava a colaboração precoce de jovens investigadores com cientistas de topo a uma vantagem persistente ao longo da carreira, e que, em 2024, retomei esta questão, a propósito de uma investigação do Journal of the Royal Society Interface, envolvendo mais de 300 mil académicos de 22 áreas científicas, que identificou uma associação crescente entre o impacto científico dos orientadores e o dos investigadores que formaram, a supracitada política da presidência da FCT revela-se assim triplamente prejudicial: Começa por estrangular o financiamento dos jovens investigadores, expande a formação doutoral para níveis irrazoáveis em absoluto contraciclo com países mais ricos do que o nosso e, mais grave ainda, não consegue assegurar aos doutorandos orientadores com currículos internacionalmente competitivos, transformando as limitações científicas de quem os orienta numa pesada herança que que os próprios terão de carregar ao longo de toda a carreira.

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

The Deeply Uncomfortable Question Behind ETH Zurich’s 99.8 Scientific Benchmark

In 2020, I drew attention on my first blog to a study in Nature Communications showing that early coauthorship with leading scientists predicts a competitive advantage extending throughout a researcher’s subsequent career, with the uncomfortable implication that the scientific standing of those with whom young researchers work can shape their prospects long after their initial training. In 2024, I returned to this issue, discussing research published in the Journal of the Royal Society Interface across 22 scientific disciplines, which identified an increasing association between the scientific impact of mentors and that of their protégés.

My current analysis of several leading universities places ETH Zurich at 99.8 researchers listed in the Elsevier–Stanford scientists ranking per 100 faculty members, a benchmark that confronts universities with a conspicuously low representation of highly cited researchers with a question their promotional rhetoric cannot honestly answer: Should they be required to disclose prospective supervisors’ scientific records and explicitly warn doctoral applicants that a supervisor’s weak scientific standing may seriusly compromise their career prospects, restrict their international visibility and curtail their access to influential scientific networks?

Universities that demand years of intellectual labour while publicly proclaiming their excellence should substantiate that promise with their supervisors’ scientific records, enabling applicants to distinguish genuine research achievement from academic titles that too often shelter entrenched scientific mediocrity. Doctoral candidates inherit more than a dissertation topic: they inherit their supervisors’ networks, reputations and sense of what is intellectually possible. They deserve to know whether they are receiving an inheritance worth building on or a crippling debt they may spend their entire careers trying to escape.