sábado, 25 de abril de 2026

Serão os Portugueses um povo inferior ?


A imprensa revelou que, nas instituições de ensino superior de Coimbra, há estudantes que não se coíbem de fazer apologia do nazismo, algo que é particularmente grave por ocorrer num espaço que se pretende associado à tolerância, ao debate e ao pensamento crítico.

A parte irónica é o que esse episódio revela em termos de ignorância histórica pois o nazismo assenta na ideia de supremacia da raça Alemã e na hierarquização dos povos, relegando a maioria incluindo os do sul da Europa, como os portugueses para posições de inferioridade. Ou seja, alguns estudantes portugueses acabam assim, paradoxalmente, por defender uma ideologia que os coloca num estatuto inferior face a outros povos.

Perante isto, faz sentido questionar, será que o acesso e a permanência no ensino superior público não deveria pressupor um patamar mínimo de conhecimentos históricos? Ou, em alternativa, deveriam as universidades ser obrigadas a colmatar essa lacuna, integrando desde o primeiro ano, em todos os cursos, unidades curriculares obrigatórias sobre história ?

No mínimo dos mínimos, alguém deveria fazer a caridade de explicar a esses estudantes de Coimbra com pretensões de superioridade que, nos EUA, ao longo do século passado, os emigrantes latinos, portugueses incluídos, eram oficialmente classificados como sendo inferiores. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/12/science-and-supremacy-of-white-race.html 

Ainda assim e sendo óbvio que não existem povos inferiores a outros, a dura e inegável realidade é que há países como Portugal cujas instituições e leis são manifestamente inferiores às de outros países. Se Portugal necessita de 50 anos para julgar o caso BES, como garantiu um reputado advogado especialista em Direito Penal; se já passaram 12 anos e o julgamento do caso Marquês apenas agora teve início, com José Sócrates a acumular tantos advogados que, a esse ritmo, é mais provável que todos os crimes de que está acusado prescrevam antes de o julgamento chegar ao fim; se Portugal não consegue meter na cadeia os políticos que distribuem empregos a familiares e amigos, como faz a justiça francesa; se Portugal não conseguiu identificar os envolvidos na corrupção do caso dos submarinos, quando a justiça alemã foi capaz de descobrir os corruptores, se em Portugal há quem tenha sido acusado de mais de centena de crimes de corrupção e depois todos eles acabaram por prescrever, e se a justiça portuguesa praticamente necessita de pedir autorização aos próprios criminosos para poder confiscar os produtos dos seus crimes então é evidente que, nesta área, Portugal é, lamentavelmente, inferior a muitos outros países.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Um feito invulgar que revela, acima de tudo, a mediocridade estrutural de Portugal

 

O caderno principal do semanário Expresso divulga uma entrevista a uma estudante de medicina da universidade do Porto, que se tornou na primeira Portuguesa a atingir o nível de Grande Mestre feminina. O feito que merece parabéns mostra porém o nosso grande atraso, pois a vizinha Espanha teve a primeira GM feminina há mais de 30 anos, o mesmo também tendo sucedido com a Islândia, esse colosso geográfico, sobre o qual há poucos anos produzi um post cujo conteúdo continua a ser humilhante para o orgulho nacional. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/04/o-misterio-dos-306-evaporados-grandes.html

Na referida entrevista o Presidente da Federação Portuguesa de Xadrez queixa-se da falta de apoios, pois segundo ele esta modalidade, não é levada tão a sério pelo Governo, como outras modalidades. Nada de surpreendente, já que o xadrez, ao contrário da indigente modalidade do pontapé e da cabeçada num esférico (desprezada por um escritor famoso), para onde os Governos canalizam avultados recursos públicos, não se limita ao esforço físico nem à catarse coletiva. Exige, isso sim, disciplina mental e pensamento crítico, qualidades que, neste país, infelizmente são vistas com desconforto e até com bastante desconfiança.

PS - O facto de a pequena Islândia apresentar um rácio de investigadores no Top 0,5% do ranking de Stanford por milhão de habitantes que é 300% superior ao de Portugal, ter um PIB per capita quase 300% superior ao rácio português e conseguir pagar salários médios superiores a 5000 euros mostra bem e até com alguma brutalidade, o elevadíssimo preço de no nosso país se ter andado durante tantos anos a promover a indigência e a mediocridade e a descriminar a disciplina mental e o pensamento crítico. 

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Annus Horribilis - Examining productivity gaps in American research universities

A recent large-scale study by three scholars from Hebrew University of Jerusalem, published in the journal Higher Education, analyzes fifteen years of longitudinal publication data for more than 310,000 faculty members across American research universities nationwide. One of its central findings is that between 32% and 47% of all career years include no recorded publications as they themselves define it, which the authors somewhat dramatically describe as an annus horribilis.”  https://link.springer.com/article/10.1007/s10734-026-01665-7

This conclusion, however, depends on a relatively narrow definition of research productivity. The study equates productivity with outputs indexed in specific bibliometric databases—namely journal articles listed in CrossRef and books catalogued by Baker & Taylor. Such a definition excludes a wide range of legitimate scholarly contributions. These include conference proceedings (which are often the primary dissemination channel in fields such as computer science and engineering), as well as working papers, preprints, policy reports, datasets, software, technical reports, book reviews, and other forms of scholarly and public engagement.

A similar limitation appears in the study’s treatment of research funding. Funding is measured exclusively through federal grants in which a faculty member is identified as Principal Investigator. This approach excludes other significant sources of research funding, including internal university funding, private foundation grants, industry-sponsored research, international funding agencies, and sub-awards in which a scholar participates as a co-investigator. Smaller-scale funding mechanisms, such as fellowships and travel grants, are also not considered, despite their importance in sustaining research activity.

Finally, the study does not adequately address differences in publication practices across disciplines. Patterns of scholarly production vary considerably between fields. In the humanities, for instance, the monograph often serves as the primary form of scholarly output and may require several years of sustained work. By contrast, fields such as the biomedical sciences typically involve large collaborative teams that produce multiple articles annually. 

Taken seriously, these limitations collapse the central claim. The “productivity crisis” reads less as a discovery than as a byproduct of poorly specified metrics. Before advancing any further conclusions, the three Israeli scholars need to show that their measurement strategy is not fundamentally miscalibrated. In this context, it may be worth revisiting my earlier letter, “The Illusion of Scientific Talent Identification Through Publication Counts.” 

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