sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Tempos de catástrofe: A importância de revisitar as culpas da imprensa no fomento da irrelevância e da superficialidade


É curioso, embora nada surpreendente, ler na imprensa internacional, como aqui ou aqui, que Portugal precisa de se adaptar à emergência climática, quase como se fossemos um país de indigentes. Não por acaso, há poucos anos editei, em conjunto com um idoso catedrático de uma reputada universidade da Suécia, um livro dedicado precisamente a esse tema, que, também sem qualquer surpresa passou despercebido no espaço mediático. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/07/o-contributo-da-investigacao-na-area-da.html 

Tal invisibilidade não resultou certamente de falta de relevância científica ou social do tema, como agora desgraçadamente se percebe, mas antes de prioridades editoriais que continuam a privilegiar irrelevâncias. Afinal, é muito mais mediático saber qual foi o mais recente automóvel adquirido pelo Ronaldo (o tal que Montenegro em má hora disse que os Portugueses deviam copiar) ou qual a nova joia ostentada pela sua companheira Georgina, do que noticiar livros sobre estratégias de adaptação climática. A espuma mediática vende, o conhecimento exige atenção, e atenção é um recurso escasso quando a superficialidade domina a agenda. Porém aqueles que andaram a vender as tais banalidades deveriam agora ir perguntar ao Ronaldo, o que se lhe oferece dizer sobre a tragédia associada ás tempestades sucessivas que desgraçaram a vida a muitos milhares dos seus compatriotas. 

PS - Recordo que, há alguns dias, mencionei o referido catedrático Sueco num post pouco suave, de titulo "Universidades Portuguesas: Premiar a inércia e a estagnação, castigar o mérito e condenar o país ao empobrecimento" https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/02/universidades-portuguesas-um-modelo-que.html

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Nuno Loureiro: "In praise of failure"

 "if you´re not failing all the time, you´re aiming too low"

These words come from an exceptionally concise, just 9:35 minutesyet stirring lecture titled On Failure, by Portuguese-born MIT professor Nuno Loureiro, who was assassinated in December 2025 by another Portuguese scientist. Loureiro himself suggested a better title might have been In Praise of Failure, because at its core was a daring proposition: failure is not a mark of shame, but the very engine of creation.

Yet if failure truly is the lifeblood of discovery, why does the scientific establishment still punish it like a crime, rewarding caution, conformity, and incrementalism while quietly suffocating intellectual risk-taking? And how many transformative breakthroughs might have been delayed, subtly distorted, or effectively buried altogether because scientists, fearing ridicule, professional rejection, or even intellectual exile, deliberately chose safe and defensible hypotheses over high-stakes explanatory possibilities?

These thoughts echo reflections I shared two years ago in a post titled The Recipe of a Capitalist (Revered by Russian Academics) and the Lack of Courses on the Skill of Overcoming Failure,” where I highlighted a remarkable German book that dares to honor stories of failure as much as, if not more than, stories of triumph: Gegen die Diktatur der Gewinner (Against the Dictatorship of the Winners).

PS - Against this backdrop of reflection on failure and intellectual risk-taking, the empirical record speaks with unusual clarity. Back in 2020 I commented on an article in The Economist reporting that migrants in Germany were more likely than native Germans to start businesses. Two years later, an MIT-led study found that immigrants in the United States are about 80% more likely to found firms than native-born citizens. The latest edition of The Economist demonstrates that the current surge in U.S. startup creation is being driven disproportionately by ethnic minorities and immigrant entrepreneurs. Seen through this lens, the societies that flourish most fully are those courageous enough to embrace people shaped by risk and sharpened by adversity, and thus capable of turning uncertainty into possibilities.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Universidades Portuguesas: Premiar a inércia e a estagnação, castigar o mérito e condenar o país ao empobrecimento

 

Ainda na sequência do post anterior, acessível no link supra, onde afirmei que não era verdadeira a declaração da Universidade de Lisboa, que de forma pouco rigorosa, se vangloriou de ser "a universidade mais empreendedora de Portugal", já que na verdade está apenas em 8º lugar no indicador relativo ao investimento médio captado por startup, ainda por cima com um valor apenas ligeiramente superior ao do Politécnico de Leiria, faz sentido revisitar um post mais antigo com o sugestivo título "Quanto é que Portugal perde com um sistema (comunista a todos os títulos) que premeia a inércia e incentiva a preguiça ?" 

No referido post divulguei aquilo que me foi transmitido por um quase aposentado professor catedrático de uma reputada universidade da Suécia, Claes Goran-Granqvistcujas investigações estiveram na origem da ChromoGenics, e com o qual ao longo de quase uma década e meia editei mais de uma dezena de livros (por uma feliz coincidência, um desses livros constitui a sua última publicação indexada). Segundo ele me transmitiu, naquele país um professor universitário pode dedicar um dia por semana a actividades remuneradas fora da universidade, sem ser prejudicado no seu vencimento. Em Portugal, pelo contrário, se um professor universitário fizer o mesmo, mesmo que o faça fora do horário de serviço, é castigado com um corte substancial de nada menos de 33% do seu salário mensal ilíquido. 

Este regime força, na prática, os professores universitários a evitarem colaborações remuneradas com a indústria ou a criação das suas próprias empresas, impedindo-os de beneficiar da valorização económica das suas investigações. Mas mais grave ainda, priva o nosso país do valor económico associado à transformação desse conhecimento em atividade empresarial, emprego qualificado e crescimento económico nacional competitivo e sustentável, que é absolutamente indispensável para se conseguir reter o talento que diariamente abandona Portugal de forma continuada, progressiva, sistemática e irreversível.

Estamos perante uma prática profundamente anacrónica, frontalmente oposta às melhores práticas internacionais, cujo efeito concreto é premiar a inércia e a estagnação, penalizar e perseguir o esforço e sufocar o mérito. O contraste com a rica universidade suíça ETH Zurich, onde há alguns anos atrás os professores-auxiliares auferiam entre 10.000 e 15.000 euros/mês e agora ganham entre 13.000 e 19.000 euros/mês enquanto os catedráticos podem ganhar quase 30.000 euros/mês, que não por acaso é a segunda universidade melhor classificada na Europa no ranking de geração das startups mais valiosas (cf. relatório Deep Tech 2025) não podia ser mais elucidativo, pois aquela instituição concede licenças sabáticas de um ano aos seus docentes e investigadores para que possam criar startups. 

Resumindo e concluindo, enquanto que nas universidades portuguesas a criação de valor é, na maior parte das vezes, tratada como uma grave infração, passível até de uma elevada penalização salarial, já nas universidades suíças é reconhecida como uma componente essencial da missão académica, sendo, por esse motivo, não só valorizada mas amplamente incentivada enquanto pilar  estratégico de prosperidade económica e social. https://entrepreneurship.ethz.ch/startup-stories/explore-startup-portraits-and-success-stories/uebersicht-eth-spin-offs.html