Rodríguez-Navarro (2026) argues that Europe's limited production of scientific breakthroughs stems primarily from research inefficiency, measured by the conversion of highly cited papers (top 10%) into exceptionally cited papers (top 1%). This comment examines that proposition using Portugal as a boundary case. Applying the same indicators, estimator and CWTS Leiden Ranking data to the country's six largest universities (2020–2025 editions), I find no evidence of an efficiency deficit. https://zenodo.org/records/21429760
F. Pacheco-Torgal
segunda-feira, 20 de julho de 2026
domingo, 19 de julho de 2026
Afinal, quem é que se enganou nas contas? O Expresso ou o Presidente do Conselho Consultivo da ERSAR?
Contudo, as contas não batem certo. Para que o tempo de substituição ultrapassasse os mil anos, a taxa anual de renovação teria de rondar apenas 0,09%, e não 0,3%. Com uma taxa de 0,3%, a renovação integral da rede ocorreria em cerca de 333 anos, um prazo já de si inaceitavelmente longo, mas três vezes inferior ao valor apresentado. Não se trata de uma mera imprecisão, é um erro aritmético grosseiro que amplifica artificialmente a gravidade do problema e compromete a credibilidade de quem o divulga.
Mais grave do que o erro aritmético é o seu impacto no debate público. Quando um jornal de referência ou o responsável de uma entidade reguladora divulga um número manifestamente incompatível com a realidade, distorce a perceção da dimensão do problema. A renovação das redes de abastecimento de água é, de facto, demasiado lenta e insuficiente, mas um diagnóstico credível exige rigor quantitativo. Sem esse rigor, a evidência cede lugar à retórica numa área onde estão em causa investimentos de centenas de milhões de euros.
Quanto às referidas perdas de água, recordo que, há sete anos, divulguei no meu primeiro blogue que Portugal desperdiçava anualmente cerca de 180 milhões de metros cúbicos. Se compararmos esse valor com os atuais 170 milhões, verifica-se uma redução de apenas 10 milhões de metros cúbicos em sete anos. A manter-se este ritmo, serão necessários mais de 30 anos para que as perdas anuais desçam abaixo dos 100 milhões de metros cúbicos.
A redução das perdas poderia ser muito mais rápida se Portugal deixasse de distribuir os investimentos de forma indiscriminada e passasse a recorrer a tecnologias de deteção inteligente de fugas, monitorização permanente, gestão otimizada da pressão e modelos digitais das redes de abastecimento. Em muitos casos, estas soluções permitem reduzir significativamente as perdas com investimentos muito inferiores aos necessários para a substituição generalizada das condutas. Renovar as redes é indispensável, mas tão importante como renovar é saber quais as condutas que devem ser substituídas primeiro, de modo a maximizar o retorno de cada euro investido. O problema é que as boas decisões raramente acontecem por acaso. Exigem competência técnica e conhecimento especializado. Mas como poderá Portugal adotar uma gestão inteligente das redes de água quando, como sucedeu em Almada, o Conselho de Administração dos SMAS reunia representantes de várias áreas profissionais, mas não incluía um único engenheiro civil?
sábado, 18 de julho de 2026
O inesperado trambolhão da U.Lisboa e a queda persistente da U.Aveiro na métrica da eficiência do impacto científico
Na sequência de um recente e interessante artigo de um catedrático jubilado da universidade Politécnica de Madrid e principalmente de um parâmetro de eficiência na investigação lá mencionado, relativamente à capacidade de um sistema de investigação produzir publicações altamente citadas, artigo esse que recordo citei no post scritum do texto publicado aqui https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/07/the-battle-for-worlds-brightest-minds.html apresentam-se na imagem supra os valores da eficiência da investigação das seis universidades portuguesas mais competitivas, calculados a partir dos resultados das seis ultimas edições do conhecido ranking da universidade Leiden.
Os resultados mostram que a UMinho lidera com folga em 2025, acima inclusive do valor de referência dos EUA, que foi mencionado no artigo supracitado. A UNova tem a subida mais consistente da série. A UPorto recupera de uma fase com oscilações, a UCoimbra evidencia uma recuperação sustentada desde 2022, e a ULisboa depois de subir ao longo de quatro edições sofre um tombo na última. Já a UAveiro protagoniza um declínio bastante notório, era a universidade mais eficiente do país em 2020 e é a última em 2025, numa descida quase contínua de seis edições, que não pode deixar de merecer atenção institucional urgente.