sexta-feira, 14 de julho de 2023

Universidade de Harvard acaba de proibir a "alimentação" do ChatGPT


Num post anterior, acessível no link acima, foi feita referência ao facto de uma conhecida empresa de telecomunicações Norte-Americana ter proibido os seus funcionários de utilizar o ChaGPT, para  assim evitar que a "alimentação" dessa ferramenta de IA generativa, possa colocar em risco a privacidade das informações dos clientes. Curiosamente, ontem a universidade de Harvard tornou público um conjunto de  instruções, quanto à utilização de modelos de IA generativa https://huit.harvard.edu/news/ai-guidelines onde consta a proibição de inserção nos referidos modelos de dados confidenciais ou dados de pesquisas não públicas. 

Sobre o ChatGPT é igualmente interessante constatar que também ontem a conhecida revista Nature divulgou um estudo que mostra que o ChatGPT não fornece grandes vantagens aqueles que possuem elevadas capacidades de escrita, mas que irá reduzir grandemente a desigualdade existente entre esses e aqueles que possuem fracas capacidades de escrita, contribuindo não só para a democratização dessa capacidade mas também para a desvalorização da mesma https://www.nature.com/articles/d41586-023-02270-9

Perguntado sobre as áreas em que a IA generativa não irá substituir os humanos o ChatGPT devolve a resposta que abaixo se reproduz. Tendo porém em conta que a nanotecnologia já opera a uma escala muitíssimo inferior às capacidades da motricidade fina mencionadas na alínea 4 (já se produzem chips com poucos nanómetros, milhares de vezes mais pequenos do que a espessura de um cabelo) isso significa que essa vantagem humana, não terá uma vida longa, sobram assim na contabilização (no médio prazo) das vantagens humanas face à máquina, a criatividade, as emoções e a ética. Nesse contexto vale a pena revisitar o conteúdo de um post de 2019, sobre o significado da liderança mundial dos estudantes Chineses no teste PISA e onde se escreveu que o futuro da educação (para enfrentar os gravíssimos desafios com que se confronta a Humanidade) terá de passar por formar humanos inovadores, com elevados padrões éticos e morais.  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/12/pisa-best-students-in-world.html

Embora a IA generativa tenha feito avanços significativos e possua a capacidade de realizar tarefas complexas, existem áreas em que os humanos ainda desempenham papéis essenciais e não serão facilmente substituídos. Aqui estão algumas dessas áreas:

  1. Criatividade e Arte: Embora a IA generativa possa gerar conteúdo criativo, como música, pinturas e textos, ela geralmente se baseia em padrões e dados existentes. A originalidade, a expressão emocional e a capacidade de transcender as convenções são aspectos em que os humanos ainda têm uma vantagem.

  2. Empatia e Interação Humana: A IA generativa pode simular conversas e interações humanas até certo ponto, mas a verdadeira empatia e compreensão emocional ainda são habilidades exclusivas dos seres humanos. As interações humanas requerem uma compreensão profunda das emoções, contexto social e nuances que a IA ainda está longe de igualar.

  3. Tomada de Decisão Ética: A IA generativa opera com base em algoritmos e dados fornecidos a ela, mas não possui a capacidade de discernir valores éticos complexos ou de considerar os aspectos morais e filosóficos envolvidos em decisões importantes. Questões éticas exigem julgamento humano, ponderação de valores e considerações contextuais.

  4. Habilidades Motoras e Manipulação Física: Embora a IA generativa possa gerar imagens, vídeos e simulações de movimento, ela não possui a capacidade de manipular objetos físicos no mundo real com a mesma destreza e precisão dos seres humanos. Tarefas que exigem habilidades motoras finas, como cirurgia ou montagem de componentes complexos, ainda são dominadas pelos humanos.

  5. Criar Conexões Emocionais Profundas: A IA generativa pode oferecer assistência e interação, mas ainda não pode replicar as conexões emocionais profundas que os seres humanos desenvolvem entre si. Relacionamentos pessoais, empatia genuína e apoio emocional são aspectos da interação humana que não podem ser completamente substituídos pela IA.

quarta-feira, 12 de julho de 2023

The Economist - ChatGPT advice for solving a serious problem in the UK (and US)


In a recent article published in The Economist, link below, it was learned not only that taxpayers in the United Kingdom pay more than 4000 euros per month for each prisoner, but also that the criminal justice of that country is going through a very problematic phase because since the 90s, the country's prison population has grown by 200% to more than 80,000 inmates (142 per 100,000 people compared to the EU average of 109), although paradoxically the number of crimes has been constantly decreasing, now being 400% lower than the value recorded in the 90s. https://www.economist.com/britain/2023/06/26/why-short-prison-sentences-in-england-and-wales-are-a-disaster

Still, since the USA incarceration rate is 530 people for every 100,000 in its population (almost 400% higher than UK) it means that the UK jail problem is almost like Heaven on Earth, at least when compared to the unbelievable American nightmare https://scholarship.law.wm.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1606&context=popular_media

When asked to provide a solution to the aforementioned issue, ChatGPT advised the following:

"Reducing high incarceration rates is a complex issue that requires a comprehensive approach. Here are some advisable solutions that can help address this problem:

  1. Sentencing Reform: Review and reform sentencing policies to ensure they are fair, proportionate, and focused on rehabilitation rather than just punishment. Implement alternatives to incarceration such as community service, probation, or restorative justice programs for non-violent offenders.

  2. Focus on Rehabilitation: Shift the emphasis from punishment to rehabilitation within the criminal justice system. Provide access to education, vocational training, mental health services, and substance abuse treatment to address the underlying causes of criminal behavior and reduce recidivism rates.

  3. Pretrial Reforms: Implement measures to reduce the use of pretrial detention. This can include using risk assessment tools to determine the likelihood of flight or danger to the community, promoting alternatives to cash bail, and ensuring access to legal representation for individuals awaiting trial.

  4. Address Socioeconomic Factors: Address the root causes of crime by tackling socioeconomic disparities and promoting economic opportunities. Invest in education, job training, affordable housing, and community development initiatives, particularly in disadvantaged areas.

  5. Diversion Programs: Expand the use of diversion programs that redirect individuals away from the criminal justice system, especially for non-violent offenses. These programs can involve counseling, treatment programs, or community-based interventions as alternatives to formal prosecution.

  6. Drug Policy Reform: Reevaluate drug policies, particularly for non-violent drug offenses. Focus on treating drug addiction as a public health issue rather than a criminal one, with an emphasis on prevention, harm reduction strategies, and access to treatment.

  7. Collaboration and Coordination: Foster collaboration between criminal justice agencies, social services, and community organizations to develop holistic approaches to crime prevention and rehabilitation. Encourage partnerships that promote information sharing, evidence-based practices, and support networks for individuals reentering society after incarceration.

  8. Community Policing: Promote community-oriented policing models that prioritize building trust, positive relationships, and cooperation between law enforcement agencies and the communities they serve. This can help prevent crime, address underlying issues, and reduce the need for incarceration.

  9. Address Racial Disparities: Address racial and ethnic disparities within the criminal justice system. Implement measures to reduce biases at all stages of the criminal justice process, including policing, arrests, charging, sentencing, and parole decisions.

  10. Data-Driven Approach: Use data and research to inform policy decisions and evaluate the effectiveness of different interventions. Regularly assess the impact of reforms and make adjustments as necessary.

It is important to note that these solutions should be tailored to the specific context and needs of each jurisdiction. There is no one-size-fits-all approach, and a combination of strategies is often required to effectively reduce high incarceration rates while maintaining public safety."

terça-feira, 11 de julho de 2023

Qual a maneira mais eficaz de punir a criminalidade sem que os contribuintes tenham de pagar 4600 euros por mês por cada recluso ?



No recente artigo publicado na revista The Economist, link acima, ficou-se não só a saber que os contribuintes do Reino Unido pagam mais de 4000 euros por mês por cada recluso, mas também que a justiça criminal daquele país atravessa uma fase péssima, porque desde a década de 90 a população prisional daquele país cresceu 200% para mais de 80.000 reclusos, muito embora paradoxalmente, o número de crimes tenha vindo sempre a cair, sendo agora 400% inferior ao valor registado na década de 90. 

Em Portugal o custo unitário correspondente a cada recluso, de 40 euros por dia, aplicado à totalidade da população prisional significa que os contribuintes gastam actualmente 15 milhões de euros por mês com os estabelecimentos prisionais. E a ser verdade que o custo diário de uma pulseira eletrónica (exemplo na imagem acima) é 400% inferior ao custo da estadia em estabelecimento prisional, dificilmente se pode discordar da medida legislativa que visa favorecer a aplicação desta medida em substituição da pena de prisão, para as sentenças não superiores a 2 anos https://www.noticiasaominuto.com/pais/796763/diretor-de-servicos-prisionais-aplaude-extincao-da-prisao-por-dias-livres

Mas talvez ficasse bastante mais barato se os condenados fossem incentivados (através de uma redução da duração da pena) a aceitar em alternativa executar serviços comunitários que se debatam com graves carências de mão de obra, pois não se alcança qual será o beneficio social ou ressocializador de alguém estar em prisão domiciliária, sem ocupação útil, durante 1 ou 2 anos. 

PS - Será que os mais de 40.000 euros que custaram aos contribuintes a estadia na prisão daquela bolseira, que foi condenada a uma pena de cadeia de três anos por difamação, no âmbito de um concurso cheio de irregularidades, tem qualquer justificação ? https://www.publico.pt/2018/09/13/sociedade/noticia/tribunal-rejeita-liberdade-condicional-a-investigadora-maria-de-lurdes-lopes-rodrigues-1843945 Não teria sido muitíssimo mais útil, para os contribuintes e até para ela própria, se tivesse antes passado 1 ou 2 anos a prestar serviços comunitários ?