quarta-feira, 17 de agosto de 2022

Um jornalismo incompetente que trata os maus resultados de algumas universidades como se fossem boas notícias

Ainda sobre um post anterior, de Agosto do ano passado, onde se escreveu sobre a influência do Nobel Egas Moniz na classificação da universidade de Lisboa no conhecido ranking Shanghai, o único ranking a nível mundial, que convém realçar, contabiliza prémios Nobel (e também o único que um documento da União Europeia associa à excelência científica), apresenta-se na imagem abaixo, a evolução desde 2018, dos critérios do referido ranking para a universidade de Lisboa. O 1º critério (Alumni) não é apresentado porque o valor é nulo em todos os anos para aquela universidade.

A mencionada imagem síntese, mostra que a universidade de Lisboa têm melhorado ligeiramente a produção de artigos científicos, porém isso não tem sido suficiente para compensar a descida noutros critérios e é isso que explica que em 2021 a referida universidade tenha acabado por cair do grupo 151/200 para o grupo 201/300. Uma despromoção evidente a que a imprensa curiosamente evitou dar destaque, como era aliás seu dever, muito provavelmente porque este Governo não gosta de ler más noticias. Não só não gosta de ler sobre más noticias como por vezes até chega ao extremo vergonhoso de negar estatísticas oficiais.

Ainda sobre o referido ranking Shanghai, é impressionante a forma omissa e até mesmo bastante incompetente, como há dois dias atrás a imprensa noticiou a classificação das universidades Portuguesas naquele ranking. Em boa verdade porém a realidade é bastante diferente do lindo cenário cor de rosa que foi "noticiado" aqui  https://www.publico.pt/2022/08/15/sociedade/noticia/seis-universidades-portuguesas-mil-melhores-mundo-2017234

Interessa por isso muito pouco saber que há 6 universidades Portuguesas no top 1000 do ranking Shanghai deste ano, como deu conta a imprensa, pela simples razão que há países como o a Nigéria, o Paquistão ou a Etiópia, que também tem universidades no grupo das mil melhores e Portugal, que eu saiba, não ambiciona ter o mesmo nível de desenvolvimento (científico ou outro) daqueles pobres países. 

A única realidade que interessa é por isso somente aquela que faz uma avaliação temporal do desempenho das universidades Portuguesas no referido ranking, para se perceber se há aumento ou há diminuição da competitividade científica das nossas universidades, e assim se conseguir saber se estamos mais próximos ou mais longe do desempenho de universidades de países mais ricosrealidade essa através da qual se consegue perceber aquilo que imprensa não revelou:

- Que a universidade do Porto conseguiu ter melhor resultado de sempre, entrando no grupo 201-300
- Que a universidade do Minho conseguiu manter-se no Top 500. 
- Que a universidade de Aveiro conseguiu voltar a entrar no Top 500, onde tinha saído em 2019 
- Que a universidade de Lisboa não conseguiu voltar ao lugar que teve naquele ranking até 2020.  
- Que a universidade de Coimbra e a Universidade Nova (a Universidade da Ministra Elvira Fortunato) mais uma vez, não conseguiram, o objectivo de voltarem a entrar no Top 500
- Que a Alemanha tem três dezenas de universidades no Top 500 (já para nem falar das 4 no Top 100) e a própria Espanha (e também a Coreia do Sul) têm lá 11 universidades e Portugal têm apenas 4

Será que os Portugueses não merecem um jornalismo que não os trate como se fossem semi-analfabetos ? E porque é que os senhores jornalistas não foram perguntar aos Reitores das Universidades de Coimbra e da Nova, qual o motivo porque essas universidades não foram capazes de voltar a fazer parte do grupo das 500 melhores do mundo ? E porque é que a Coreia do Sul, que em 1974 era um país muito mais pobre do que Portugal, consegue ter uma universidade entre as 100 melhores do mundo e a melhor universidade Portuguesa nunca conseguiu entrar sequer no grupo das 150 melhores ? Será que é porque em Portugal, ao contrário da Coreia do Sul, e como afirmou um dos melhores cientistas Portugueses, existe uma "burocracia cuidadosamente arquitetada para defender os interesses da mediocridade instalada" ?


segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Processo de Irrelevância Científica Em Curso - PICEC


No Japão todos os anos o Ministério responsável pela ciência daquele país, avalia como é que o número de artigos científicos que receberam um elevado número de citações, se compara com o número de artigos mais citados dos 10 países, com o melhor desempenho a nível mundial. Em Portugal porém, o Ministério a quem cabe a supervisão da ciência, foge como o diabo da cruz, de fazer tais comparações, pela simples razão que não lhe convém que os contribuintes fiquem a conhecer verdades inconvenientes

Mas se o Ministério agora dirigido pela catedrática Elvira Fortunato não faz o que lhe compete, há quem o faça, mesmo em pleno mês de Agosto. A imagem acima mostra uma análise (efectuada hoje) da evolução do número de publicações científicas, indexadas na base Scopus (a maior base de literatura científica indexada a nível mundial, cujo acesso não é público), nos sete triénios que decorreram de 2012 até 2020 e onde se pode perceber que à medida que aumenta o número de publicações indexadas, aquelas publicações relevantes (que receberam no mínimo 300 citações) tem vindo a diminuir-se de forma acentuada. Ou seja, em Portugal produzem-se cada vez mais publicações, que interessam cada vez menos, à comunidade científica mundial ! 

Por outro lado uma comparação do valor do rácio das publicações Portuguesas, indexadas na base Scopus, que receberam pelo menos 300 citações em relação ao total de publicações no último triénio (2018-202), mostra que Portugal fica muito longe da Islândia (uma diferença superior a 400%) e também que fica bastante longe de países como Singapura e a Suiça (uma diferença próxima de 200%) pior porém é constatar que Portugal até consegue ficar abaixo da pobre Grécia, o que é uma prova da irrelevância científica nacional, que note-se não aconteceu porém por mero azar do destino, mas foi fruto dos esforços nocivos de responsáveis políticos, que contribuiram activamente para o malogrado PICEC, o qual se consubstanciou em três suportes fundamentais, a saber:

1º) A realização de uma pseudo-avaliação de unidades de investigação, onde foram proibidas as métricas que permitiriam estabelecer importantes comparações internacionais, sobrando assim aos avaliadores as duas piores que existem. O número de publicações e o factor de impacto, que até apareceram referidas centenas de vezes nos relatórios da avaliação favorecendo dessa forma unidades cujas fragilidades teriam ficado à vista caso tivessem sido utilizadas métricas relevantes, como a relativa ao número de artigos no grupo top 1% mais citados ou a relativa ao rácio euros/citação, que seria e é particularmente oportuna, num contexto de escassez de recursos financeiros. 

2º) A dispersão (leia-se desvio) de verbas da ciência, para inúmeros subprogramas, e inúmeras tipologias de programas de ciência e tecnologia (com taxas de financiamento anormalmente elevadas, que significam uma violação objectiva do principio do mérito, consignado na CRP), que fazem com que sobrem apenas migalhas para os projectos de investigação (resultando daí taxas de financiamento residuais) quase como se existisse um orçamento paralelo na ciência, vide denúncia pública efectuada em 13 de Novembro de 2020. 

3º) A criação de um quadro de subsídios a empresas (e até mesmo bancos) que alegadamente levam a cabo importantíssimas actividades de investigação, quadro esse que todos os anos faz desaparecer nas tais "actividades de investigação" várias centenas de milhões de euros. Recorde-se que a nível europeu, e de acordo com um documento da OCDE, Portugal é um dos países que atribui mais subsídios às empresas para as tais investigações, ao contrário de países como a Suiça, onde os subsídios do Governo daquele país para "actividades de investigação" são nulos.

PS - Se como recentemente se ficou a saber há largas dezenas de catedráticos em Portugal, que ao longo da sua (longa) carreira foram incapazes de produzir sequer um único artigo que tivesse recebido 150 citações imagine-se quantos mais haverá que foram incapazes de produzir um único artigo que recebesse 300 citações, facto esse que também constitui mais um sinal inequívoco do PICEC, o qual como é evidente é muito mais preponderante em certas áreas científicas do que noutras que combinam elevada dedicação e bastante mérito, as quais (nalguns casos até com poucos recursos) fazem o grande favor de impedir que a situação Portuguesa seja muito pior do que é actualmente.  https://www.docdroid.net/KCxBxFl/2022-portugal-no-ranking-shanghai-pdf

sexta-feira, 12 de agosto de 2022

Quem nasceu para ser sabujo nunca chegará a Rottweiler

Um conhecido Rottweiler Português a quem a democracia Portuguesa deve bastante, porque sempre cumpriu e ainda continua a cumprir, de forma invulgarmente corajosa um importante e imprescindível dever de cidadania, escrevendo coisas muito pouco santas, que costumam deixar corruptos, vigaristas e outros trastes com os cabelos em pé, como por exemplo num violento editorial de Julho de 2020 que foi mencionado aqui, ou por exemplo num outro editorial de Maio de 2021, onde escreveu sobre a insuportável impunidade de uma casta criminosa, volta hoje a repetir a dose, numa nota editorial nada meiga, sobre a indecorosa decisão do Ministro das Finanças, Fernando Medina, que achou boa ideia desperdiçar o dinheiro dos contribuintes,  no pagamento de um elevado salário a um individuo de nome Sérgio Figueiredo, que ele apelida não só de moço de recados mas também de sabujo.

Seja como for causa-me algum espanto, que agora haja tantos que tanto se espantam, que o actual Governo socialista tenha contratado alguém, conhecido por ser um sabujo de governantes socialistas, pois em 31 de Janeiro já tinha escrito que o resultado das eleições significaria ""quatro anos de festa socialista, sendo evidente que aqueles que tem o cartão desse partido e os seus familiares e amigos tem o futuro garantido". Não me espantando sequer que a própria Ministra da Agricultura, tenha dito recentemente que há muitos agricultores neste país que são culpados do terrível "crime" de não terem votado no partido socialista. Pelo contrário estou é bastante surpreendido pelo facto da Ministra da saúde ainda não ter mandado dizer que, quem votou no partido da mão fechada, deve ser favorecido no atendimento das urgências dos hospitais e aqueles que além disso, tiverem um cartão daquele maravilhoso partido devem ser atendidos sempre em primeiro lugar. 

Para se perceber até que ponto o Governo Português tem práticas que estão mais próximas do (des)Governo do Nicolas Maduro e menos das práticas que se levam a feito nos países do Norte da Europa, basta juntar aos casos acima mencionados, as palavras de um académico (e antigo Ministro do Governo de António Gueterres) que hoje mesmo, na secção de economia do Expresso, afirma preto no branco, que Portugal não é um Estado de Direito, com liberdade de opinião e de práticas comerciais dentro da lei e a prova disso mesmo é que apesar do Presidente da Endesa, Nuno Ribeiro da Silva se ter limitado a dizer a verdade sobre os brutais aumentos do preço da electricidade que os Portugueses terão de pagar em 2023, isso tenha sido suficiente para que o Primeiro-Ministro, António Costa, furioso com a divulgação dessa verdade inconveniente, tenha corrido a vingar-se dele e da empresa a que ele preside. 

PS - Convém não esquecer que o Primeiro-Ministro António Costa foi o mesmo que durante a anterior legislatura disse (como repetidamente também o faz Nicolas Maduro) que aqueles que então criticaram o Governo não eram patriotas e a aversão do Governo socialista às criticas é tanta que a Ministra da Saúde chegou mesmo ao extremo de qualificar como criminosos aqueles Portugueses que criticaram a acção do Governo