sábado, 8 de julho de 2023

A "estratégia" moralmente ordinária e intelectualmente reles


No Expresso ontem publicado, pode ler-se no Editorial, a propósito da Entidade que vai fiscalizar as declarações de rendimentos e património dos políticos, que "funciona sem luz, cadeiras nem internet. Podia ser uma piada, mas não é..."

Em resumo e aproveitando as cáusticas palavras de Guerra Junqueiro, coincidentemente mencionadas na revista do Expresso, uma "estratégia" moralmente ordinária e intelectualmente reles, com vista a impedir que os Portugueses possam conhecer em pormenor a riqueza da classe politica.  

Ou seja durante dezenas de anos a classe politica, evitou de todas as formas possíveis fazer o que fazem nos países civilizados e criar uma intuição que fiscalizasse as  declarações de rendimentos e património dos políticos. Isso só veio a acontecer em Setembro de 2019, 45 anos depois do 25 de Abril. Ou seja durante 45 anos os políticos puderam divertir-se à grande. No entanto ainda continuaram a divertir-se depois disso, porque mesmo depois de aprovada, a referida Entidade teve de esperar mais alguns anos até ter instalações para poder funcionar mas agora que finalmente já tem instalações falta-lhe tudo o resto, ou seja é quase como se não existisse !

Contactado pelo Expresso o Gabinete do Primeiro Ministro mandou dizer que está a tratar disso, mas recusa-se a dizer quando é que o problema ficará resolvido, porque já se sabe que arranjar luz, mobiliário e internet é coisa altamente complexa ! Uma coisa é certa se no próximo mês de Setembro, a referida Entidade ainda não tiver luz, cadeiras ou internet isso significa que terão decorrido 49 anos desde o 25 de Abril sem que haja neste país uma Entidade com condições efectivas para fiscalizar as declarações de rendimentos e património dos políticos

Felizmente porém que neste país há quem não se deixe vencer pelos inúmeros esquemas da classe politica para evitar ser fiscalizada na riqueza que vai acumulando e foi isso que fez há alguns meses atrás a revista Sábado, que destacou vários jornalistas para durante vários meses lerem as declarações (escritas à mão para obviamente dificultar a sua leitura) dos políticos entregues no Tribunal Constitucional. O resultado foi aquele vergonhoso que foi mencionado no link abaixo, onde se ficou a saber que os jornalistas da revista Sábado descobriram centenas de declarações com falhas e omissões e até declarações que nem sequer foram entregues, sem que daí resultasse qualquer consequência criminal, como acontece nos países civilizados  https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/01/as-cabras-e-os-cabroes.html

PS - Quem também não não tem deixado passar em claro a pouca vergonha da nossa classe politica é a blogosfesra, como é por exemplo o blog de um magistrado aposentado, que hoje escreve sobre a "indecência e o despudor" do Primeiro-Manhoso https://portadaloja.blogspot.com/2023/07/a-insustentavel-leveza-de-um-manhoso.html

The Economist__ Only 13% of the world´s coastlines would be worth defending


"two academics in Germany, used cost-benefit analyses to calculate that only 13% of the world’s coastlines would be worth defending under their most pessimistic scenario, mostly in wealthy and densely populated parts of Europe, East Asia and the eastern United States. Conversely, 65% of coastline was not worth protecting under any scenario. People will have to move out of flood zones. Some rich countries have property buy-out schemes to encourage this, but so far these have been modest in scale..." https://www.economist.com/interactive/briefing/2023/07/01/the-surprising-upside-of-climate-migration

The July1st-7th edition of The Economist has an interesting (but worrying) article about climate change adaptation from which i took the extract above. In this context, it makes sense to question why there are European countries that spend hundreds of million euros to pay for hundreds of millions of tons of sand in repeated beach nourishment operations? Why is this money not used to pay for property buy-outs?

PS - The 2023 report "Ocean sand: putting sand on the ocean sustainability agenda" mention that in the USA, more than 1.2 billion m3 of sand have been used for beach nourishment.  Should Europe continue to follow the same failed recipes used by a country that has a poor record of adapting to climate change?

sexta-feira, 7 de julho de 2023

Utilização do ChatGPT para produzir um artigo com base em dados públicos de saúde de mais de 250.000 pessoas



Um artigo publicado hoje na conhecida revista Nature, dá conta que dois investigadores Israelitas (do conhecido instituto tecnológico Technion, de onde já saíram alguns vencedores do prémio Nobel) descarregaram um conjunto de dados públicos do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco Comportamentais dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, o qual inclui informações  de mais de 250.000 pessoas sobre diabetes, consumo de frutas e vegetais e atividade física.

O artigo refere que os investigadores pediram ao ChatGPT para escrever o código que eles poderiam usar para descobrir padrões nos referidos dados. Inicialmente o ChatGPT gerou um código com erros mas numa etapa posterior, quando lhe foi solicitada a correção dos erros identificados, acabou por gerar um código válido.  https://www.nature.com/articles/d41586-023-02218-z

PS - No post anterior lamentei que Portugal tivesse apenas três publicações indexadas na Scopus sobre o ChatGPT e também que a única publicação nacional da área da medicina (a área mais activa a nível mundial) fosse um pequeno editorial https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/06/a-receita-para-portugal-mais-que.html porém constato hoje que Portugal já tem mais uma publicação indexada sobre o ChatGPT, e que ainda por cima pertence à área da medicina, tendo sido produzida por investigadores da universidade de Lisboa. Tenha-se presente que as publicações indexadas na Scopus, a nível mundial, sobre o ChatGPT totalizam hoje 794, valor que representa um crescimento de mais de 30%, relativamente a 10 de Junho https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/06/portugal-aparece-abaixo-do-camboja-do.html