segunda-feira, 27 de novembro de 2023

A santa universidade que acaba de conhecer a dura verdade que agora a liberta de um céu imerecido para o inferno da realidade


Em 12 de Setembro de 2019, assim que tomei conhecimento, do conteúdo de um artigo assinado pelo jornalista Samuel Silva, no jornal Público, que dava conta de um ranking (Times Higher Education) que colocava a Universidade Católica, como a melhor universidade Portuguesa, por conta de um gigantesco nível de citações, tratei de imediato de explicar aos crédulos que engoliram essa pseudonotícia, que se tratava apenas de uma patranha e nada mais do que uma patranha. Esse email, que na altura enviei a vários milhares de Colegas, e onde o referido jornalista, foi muito merecidamente tratado, de forma bastante critica, foi posteriormente reproduzido no post acessível no link https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/03/o-expresso-ao-servico-de-um-ranking-fake.html

Eis porém que agora, o mesmo jornal Público, acaba de publicar (certamente muito a contragosto) um patético artigo onde informa, que os responsáveis do referido ranking vieram agora, admitir publicamente que estavam profundamente errados, sobre os tais famigerados critérios, que tinham levado a Universidade Católica aos píncaros das citações e da fama em Portugal, e agora após a correcção da anomalia, aquela universidade, de uma assentada, acaba de dar um trambolhão gigantesco de algumas centenas de lugares,  mais de 600 https://www.publico.pt/2023/11/19/sociedade/noticia/alteracao-criterios-fez-catolica-deixar-melhor-universidade-2070506

Nesse artigo agora publicado, o mesmo jornalista Samuel Silva, admite (tardiamente) que "Houve quem estranhasse, por isso, o resultado final, que colocava a Católica como a “melhor universidade” do país. Foi o caso do então presidente da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior". Esqueceu-se porém de dizer que o Presidente da A3ES, Alberto Amaral, só se pronunciou sobre a estapafúrdia classificação da universidade Católica no dia 23 de Setembro de 2019, mais de 10 (dez) dias depois de eu ter denunciado essa patranha e esqueceu-se também, de forma cobarde, de pedir evidentes e necessárias desculpas, pelo facto do jornal Público, ter continuado desde 2019, a fazer publicidade (enganosa) a um ranking baseado em critérios, que sabia estarem profundamente errados. 

Diz a noticia, que agora que esses critérios foram corrigidos, a Universidade de Coimbra é a (nova) melhor universidade Portuguesa. Trata-se porém de outra patranha, porque o referido ranking pode até ter corrigido os critérios das citações, mas o facto é que ainda continua a usar outros critérios que valem nada e que não por acaso já denunciei anteriormente. Desde logo, um ranking que não utiliza como um dos critérios de seriação o número de prémios Nobel, permitindo assim que uma universidade que nunca teve um cientista que algum dia tenha ganho um prémio Nobel, possa aparecer à frente de uma universidade que ganhou vários desses prestigiados prémios é apenas e tão somente um ranking da treta, que serve apenas para ajudar universidades muito pouco competitivas. Veja-se a este respeito, o conteúdo do post de Junho de 2020, sobre as universidades do país do Sr. Putin "A sua universidade não consegue subir em rankings internacionais decentes? Fale connosco temos a solução" https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/06/a-sua-universidade-nao-consegue-subir.html

O jornalista Samuel Silva, parece que não sabe que há apenas um único ranking a nível mundial, cujos critérios não contabilizam inquéritos (que são apenas lixo) mas valorizam os prémios Nobel, (o único ranking que a Comissão Europeia associa à excelência científica) que é o ranking Shanghai. Nesse ranking, cuja lista geral, foi este ano tornada pública no dia 15 de Agosto, a universidade de Coimbra, aparece abaixo das universidades de Lisboa e do Porto e com a mesma classificação das universidades do Minho e de Aveiro https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/08/onde-param-as-desaparecidas-explicacoes.html

Mas aquilo que realmente interessa aos futuros alunos do ensino superior, não é tanto saber qual a melhor universidade Portuguesa, mas saber qual é aquela, que relativamente ao curso que desejam frequentar, possui aquele com mais prestigio internacional. De pouco vale a qualquer aluno, dizer que vai estudar na universidade do Porto (ou na universidade de Lisboa), se o curso que for frequentar nessa universidade, for um curso cientificamente muito pouco competitivo. E convém ter presente que a universidade do Porto (e também a universidade de Lisboa), ao contrário do que possa parecer, tem infelizmente vários cursos nessas lamentáveis condições. Porque é que continuam abertos é que é um mistério !

Para se saber quais são os cursos cientificamente mais competitivos nas várias instituições de ensino superior em Portugal, basta consultar as mais de 50 áreas que aparecem listadas no ranking Shanghai por áreas, que foi divulgado no passado dia 27 de Outubro, onde se fica desde logo a saber que, há uma dezena de cursos em Portugal que estão entre os 100 melhores do mundo, o que significa que pelo menos relativamente a esses cursos, a sua frequência permite poupar uma elevada quantidade de dinheiro, recebendo em troca uma formação com uma qualidade científica similar á de algumas das melhores universidades europeias https://pacheco-torgal.blogspot.com/2023/10/as-areas-cientificas-que-mais.html 

PS - É evidente que eu ficava bastante satisfeito, se a universidade de Coimbra, fosse de facto a melhor universidade de Portugal, até porque foi nessa universidade onde estive matriculado durante 5 anos (1987-1992) para concluir a minha licenciatura em Engenharia Civil, numa altura, em que a duração média desse curso era de quase (15) quinze anos https://www.docdroid.net/wogtBF8/eng-civil-univ-coimbra-1990-pdf O rigor dos factos é porém muitíssimo mais importante do que as satisfações pessoais, de quem quer que seja. 

domingo, 26 de novembro de 2023

A supina tacanhice do Magnífico Reitor

 

https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/11/troca-de-correspondencia-com-os.html

No dia 14 de Novembro, revelei no post acessível no link supra, o conteúdo de vários emails, incluindo a parte inicial de um email de 2018, onde critiquei o Reitor da universidade de Lisboa, e o seu sonho tacanho de pretender destruir a carreira de investigação, "exercício" no qual fui na altura (inesperadamente) acompanhado pelo próprio Reitor da Universidade Nova. Mas a melhor parte é trazida agora, cinco anos depois, pela revista The Economist, edição de 18-24 Novembro, "The World ahead 2024",  com um artigo nas págs 75-77. 

O artigo em causa compara diversos modelos de financiamento da ciência, de onde destaco um que passa por financiar investigadores durante sete ou mais anos (ao invés de financiar projectos de curta duração) modelo esse que é utililizado no Howard Hughes Medical Institute fundado em 1953 e que produz quase o dobro dos artigos altamente citados, face ao modelo de financiamento clássico e que até já gerou mais de 30 prémios Nobel. O artigo informa que esse sucesso levou a que em 2021, na famosa universidade de Stanford tivesse sido criado um novo instituto de investigação (ARC) que funciona em moldes similares.

E a ciência Portuguesa, já há muito que se sabe, precisa desesperadamente de ganhar um prémio Nobel (o último foi há 74 anos, o que significa, goste-se ou não, que é um símbolo da ditadura Salazarista), e para atingir esse objectivo precisa de cientistas com muitos artigos altamente citados, pois foi à conta desses que a metodologia da firma Clarivate Analytics já conseguiu a proeza de acertar no nome de setenta vencedores de prémios Nobel https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/03/o-desesperadamente-almejado-novo-nobel.html

The Economist "The World Ahead 2024"__What constitutes the most efficient method for financing scientific endeavors?


Continuing from the earlier discussion (referenced in the link above) advocating for European innovators to prioritize value creation over the traditional emphasis on patents, and delving into the inquiry of scientific fields that deliver "sufficient value for taxpayers' money," it's pertinent to highlight a compelling article featured in a recent The Economist's edition “The World Ahead 2024”.

The article commences by addressing the substantial time investment scientists dedicate to grant applications—revealing, for instance, that Australian researchers collectively spent an astonishing 614 years in a single year pursuing grants. It then proceeds to scrutinize different models of science funding. Notably, the Howard Hughes Medical Institute, established in 1953, stands out, with a model funding researchers rather than projects (generously funded for 7 years or more).

This model produced nearly twice as many highly cited articles compared to the standard funding model and boasts a track record that includes over 30 Nobel prizes. The article underscores the transformative success of this approach, leading to the establishment of a new research institute (ARC) at Stanford University in 2021, which adopts similar principles. 

PS - In the aforementioned context check also the post "New study suggest that prestigious European grants might be biased