quinta-feira, 26 de setembro de 2024

Uma análise fina e contextualizada sobre um intrigante desempenho universitário


Ao contrário do que parecia sugerir o post acessível no link supra, onde mencionei (sem contexto) uma queda de 44%, da universidade do Minho, no ranking Shanghai por áreas, convém porém proceder a uma análise desse desempenho num período temporal maior e comparar o mesmo com o desempenho de ouras universidades Portuguesas. Entre essas merece destaque, pela negativa, a Universidade Nova de Lisboa, que caiu mais de 60% e a Universidade de Coimbra que caiu quase 60%, vide imagem infra. 

O comportamento decrescente da UMinho, pode ser parcialmente explicado, por aquela ser uma das universidades a quem os Governos PS todos os anos mais subfinanciaram, pois esse é um facto incontraditável, essa condição não explica porém o comportamento da universidade Nova de Lisboa, que é uma universidade que recebe do Orçamento de Estado muito mais dinheiro que recebe a Universidade do Minho. A universidade Nova é tão rica ou tão pouco, que o seu Reitor até recebe dois salários e uma das suas unidades orgânicas até planeia contratar professores estrangeiros, com salários de quase 30.000 euros/mês https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/04/a-universidade-portuguesa-que-pretende.html


PS - Porque será que a (rica) Universidade Nova, a campeã das descidas no ranking Shanghai por áreas, foi a universidade que mais lugares arrecadou no programa FCT tenure, mais até (!!!) do que receberam no conjunto as universidades de Coimbra, Minho e Aveiro ?  https://www.publico.pt/2024/08/29/ciencia/noticia/cinco-universidades-90-vagas-docentes-novo-fcttenure-2101918 

quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Impacto, citações e o prémio da Escola de Engenharia da UMinho baseado no h-index


Reproduzo abaixo um email que ontem enviei aos professores e investigadores da UMinho:

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De: F. Pacheco Torgal 
Enviado: 24 de setembro de 2024 07:01
Assunto: UMinho lançou livro que compila produção científica - Um comentário sobre a Tabela 19

Num email (infra) de 13 de Dezembro de 2023, produzi alguns comentários sobre o tal livro da UMinho que analisou a produção científica da mesma UMinho ao longo de 46 anos, na parte onde se ficou a saber que a partir de 2016, houve vários anos em que as publicações da UMinho receberam menos citações do que a média nacional, inclusive em 2022, o último ano do levantamento efectuado. 

No mundo da ciência estar abaixo da média nunca é bom, no mínimo significa uma de duas coisas, incompetência ou falta de vocação, contudo estar abaixo da média num país como a Suiça, extremamente competitivo em termos científicos, campeão mundial do rácio prémios Nobel por milhões de habitante não é demérito, desgraçadamente porém Portugal não é (e nem nunca será) a Suiça, Portugal não consegue sequer superar a Grécia nem o Chipre, como recentemente foi possível constatar aqui https://pachecotorgal.com/2024/09/23/nobel-para-a-ciencia-portuguesa-clarivate-analytics-revela-que-nao-sera-tao-cedo/

Neste contexto relembro que no ranking Shanghai por áreas de 2021 a UMinho tinha 18 áreas no Top 500 mas em 2023 a UMinho já só lá tinha apenas 10 áreas, tendo perdido quase metade em apenas dois anos https://www.docdroid.net/KfZvpEt/2023-shanghai-ranking-tabela-top-500-pdf#page=2  

Mesmo quando se olha para o ranking de investigadores, altamente citados, da Elsevier/Stanford, no período entre 2019 e 2024 constata-se que na UMinho houve apenas 5 (cinco) áreas, https://www.uminho.pt/PT/siga-a-uminho/Paginas/Detalhe-do-evento.aspx?Codigo=64460  de onde saíram aqueles que chegaram a uma das três posições do pódio anual, sendo a esmagadora maioria de Engenharia. Vide tabela infra. 

Sobre as ponderosas razões que permitirão explicar o padrão de citações das publicações da UMinho que nos últimos anos tem sido inferior à média nacional, uma coisa é certa porém, como explicou há muito tempo um conhecido investigador Norte-Americano, num livro (que recolheu até hoje quase 40.000 citações), ninguém se esforça por tentar alcançar aquilo que não é valorizado, e se as citações valem rigorosamente zero nos regulamentos de avaliação de desempenho da UMinho, isso significa que esta instituição, não pode admirar-se muito de não conseguir obter aquilo que não valoriza minimamente. Sendo certo que nesse capítulo, pelo menos a Presidência da EEUM, há poucos anos até, criou um prémio que valoriza as citações através do h-index. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/07/o-h-index-e-os-premios-de.html

segunda-feira, 23 de setembro de 2024

Nobel para a ciência Portuguesa ? Clarivate Analytics revela que não será tão cedo !

 


No passado dia 1 de Setembro, expressei a minha desilusão (que estou certo será também a de milhões de Portugueses) pelo facto dos 50 anos de democracia não terem conseguido, aquilo que conseguiu a ditadura de Salazar, ganhar um Nobel por conta de importantes descobertas científicas. Vide post acassível no link supra.

Neste mesmo post, escrevi também, que no dia 19 de Setembro a conhecida firma Clarivate Analytics iria revelar os nomes dos cientistas, altamente citados, que este ano se irão juntar ao prestigiado clube, dos potenciais vencedores de um prémio Nobel, clube esse onde existem 75 galardoados com esse prémio.  Infelizmente, ficou-se a saber nesse dia, que entre os novos nomeados este ano, há cientistas do Canada, da Croácia, da Espanha, da Africa do Sul, do Quénia, da India, da Itália, de Israel, do Japão, do Reino Unido e dos EUA, já de Portugal não há nenhum, zero virgula zero. Mais uma desilusãohttps://clarivate.com/citation-laureates/winners/

PS - E como não há prémios Nobel sem cientistas altamente citados, e como esta semana também se ficou a conhecer a actualização do ranking mundial de investigadores Elsevier/Stanford,  reproduzo abaixo uma lista de 25 países ordenados pelo rácio do número de cientistas constantes do referido ranking por milhão de habitantes, mas apenas para o grupo dos 0.5% mais citados. Os resultados constituem uma autêntica desilusão. 
  1. Switzerland.........108 cientistas no grupo Top 0.5% por milhão de habitantes
  2. Denmark............. 84
  3. UK........................77
  4. USA......................75
  5. Sweden................70
  6. Australia...............65
  7. Netherlands..........63
  8. Canada.................60
  9. Finland..................53
  10. Israel.....................45
  11. Norway..................41
  12. New Zealand.........41
  13. Singapore.............39
  14. Belgium.................35
  15. Germany...............33
  16. Ireland...................32
  17. Austria...................31
  18. Iceland..................27
  19. France...................19
  20. Italy........................15
  21. Luxembourg..........13
  22. Greece..................12
  23. Slovenia.................9
  24. Cyprus....................9
  25. Portugal..................8