segunda-feira, 28 de outubro de 2024

O novo artigo do catedrático (das lacunas cognitivas) e os conselhos de dois investigadores da U.Cambridge sobre o GPT



O tal catedrático que critiquei no post supra, por conta de um artigo pouco feliz, mas que apesar desse lapso merece consideração, pelo menos sobre temas da sua área científica, pois uma pesquisa na plataforma Scopus revela que ele possui seis artigos que receberam mais de 150 citações, o que o coloca muito à frente de muitas dezenas de catedráticos Portugueses, vide lista no link https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/05/ranking-de-investigadores.html escreve esta semana sobre a hipótese formulada pelo Luis Garicano (que foi catedrático de economia na U.Chicago e agora é catedrático na London School of Economics) da inteligência artificial poder ter um impacto na prosperidade "tão grande quanto o das máquinas na revolução industrial", e que ele designa por tecno-optimismo. 

Curiosamente, nesse artigo ele não faz qualquer referência aos benefícios potenciais da utilização da inteligência artificial para detectar esquemas fraudulentos associados às criptomoedas, como foi o recente escândalo FTX, que se estima que até hoje já tenham provocado prejuizos de aproximadamente 100.000 milhões de euros. A este respeito vale a pena ler o artigo que foi publicado na semana passada, precisamente sobre a referida utilização, com o esclarecedor título "ChatGPT: a Canary in the Coal Mine or a Parrot in the Echo Chamber? Detecting Fraud with LLM: the Case of FTX" https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1544612324013783#sec0006

PS - Ainda sobre o ChatGPT, faz sentido revisitar a conversa entre Vaughan Connolly e Steve Watson,  dois investigadores da Faculdade de Educação da prestigiada Universidade de Cambridge, que oferece uma visão detalhada sobre as oportunidades, desafios e possibilidades do ChatGPT. https://news.educ.cam.ac.uk/230403-chat-gpt-education  Nela se defende que o valor real do ChatGPT não está tanto na "criação" de conteúdos, mas na possibilidade do GPT ser utilizado como uma ferramenta que pode ajudar os alunos a apurar ideias e organizar argumentos, permitindo que o foco seja dirigido a questões mais profundas. Nela também se sugere que os professores devem incentivar os alunos a examinar criticamente os vieses que podem estar presentes nos conteúdos gerados por esse modelo de IA generativa, o que por sua vez pode promover uma compreensão mais rigorosa do GPT como uma ferramenta valiosa, mas imperfeita, necessitando de validação. 

domingo, 27 de outubro de 2024

The Humiliation of France’s Immense Pride: When a Nation Can’t Keep Its Best Minds

 

Following my October 11 email, below, specifically in the section addressing the challenges of “generating, retaining, or attracting talent,” it is essential to highlight a significant recent development: a Chinese university has successfully recruited a Nobel Prize-winning French physicist https://www.scmp.com/news/china/science/article/3283624/french-nobel-winning-laser-scientist-gerard-mourou-joins-chinas-top-university

This incident highlights a profound shift in global academic influence and reflects China's growing capacity to attract high-caliber talent from Europe, a point underscored in The Economist, which recently reported that: "China is now a leading scientific power. Its scientists produce some of the world’s best research...They contribute to more papers in prestigious journals than their colleagues from America and the European Union and they produce more work that is highly cited"

Such developments are cause for significant concern regarding Europe’s future. The recently published Draghi report of October 9 emphasizes the gravity of the situation, pointing to what it describes as an existential threat to European competitiveness and leadership. This latest instance—where a prosperous and historically influential nation like France is unable to retain one of its most distinguished scientists—serves as a stark reminder of this challenge.

PS – As former Italian Prime Minister Enrico Letta aptly observed on October 14, “If Europe does not act, we will simply end up debating whether we want to be a Chinese or an American colony.”



From: F. Pacheco Torgal
Sent: October 11, 2024, 07:06
To: eng; eng-researchers
Subject: The Definition of “Outstanding Achievement” According to the Largest Research Center in Materials Science and Engineering

Regarding the previous post on the top 100 researchers ranked in the Stanford listing (https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/09/portugal-os-100-investigadores-mais.html), two days ago, a colleague from a northern Portuguese university suggested a finer analysis by subfield, as per the email below (I have omitted his identity). 

In response, I explained that I couldn't take on this task due to lack of time, but I told him this analysis should ideally be conducted by the DGEEC or by each university, as a way to assess the international influence of their researchers, which is an efficient method to gauge these universities’ ability to generating, retaining, or attracting talent,” – something Portugal desperately needs. See, for instance, the August 5 news on the AICEP website titled “Brain Drain Undermines Development in Northern Portugal,” although every year our country passively watches talent exit to nations highly competitive in attracting talent, as illustrated by the Global Talent Competitiveness Index 2023.

In fact, a well-known research unit at the University of Aveiro, which describes itself as “the largest Portuguese research center in materials science and engineering,” did exactly this by tallying how many of its researchers ranked in the top five of each subfield, classifying this performance as an Outstanding Achievement.

A humilhação do imenso orgulho Francês e a antevisão de um futuro muito pouco brilhante para Portugal


Ainda sobre o email de 11 de Outubro, abaixo, na parte sobre "gerar, reter ou atrair talento", faz sentido divulgar o impressionante facto de uma universidade Chinesa ter acabado de contratar um cientista Francês que ganhou o Nobel da Física.  

Ou seja, já não bastava aquele país asiático, ter aparecido este ano, na capa da revista The Economist, num artigo que na altura divulguei e comentei onde foi possível ler que:
 "China is now a leading scientific power. Its scientists produce some of the world’s best research...They contribute to more papers in prestigious journals than their colleagues from America and the European Union and they produce more work that is highly cited"

E como se isso já não fosse suficientemente mau para o futuro da Europa, como o mostrou recentemente o relatório Draghi, divulgado no dia 9 de Outubro, onde até se fala de uma ameaça existencial agora fica-se a saber que a Europa, ou melhor, um país rico e orgulhoso como é a França, já nem sequer consegue reter os seus melhores cientistas. E se assim é na França, imagine-se então qual será no futuro a capacidade de Portugal conseguir reter os seus talentos ! 

PS - No passado dia 15 de Outubro, o catedrático jubilado Vital Moreira, reproduziu no seu blogue, uma frase de um ex-Primeiro Ministro Italiano, que resume o futuro da Europa da seguinte forma, ou a Europa acorda e faz pela vida ou então só lhe sobrará a "escolha" entre ser uma colónia, Americana ou Chinesa !



De: F. Pacheco Torgal
Enviado: 11 de outubro de 2024 07:06
Para: eng-todos; eng-investigadores
Assunto: A definição de "Outstanding Achievement" segundo o maior centro de investigação na área de ciência e engenharia dos materiais
 
Relativamente ao post anterior, sobre os 100 investigadores melhor classificados no ranking Stanford https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/09/portugal-os-100-investigadores-mais.html há 2 dias um Colega de uma universidade do Norte do país, que não é aquela onde exerço funções, sugeriu-me uma análise mais fina por sub-área, vide email abaixo, onde apaguei a sua identidade, porém na resposta expliquei-lhe que não o poderia fazer por falta de tempo, mas disse-lhe que esse deveria ser um trabalho a ser feito pela DGEEC ou por cada uma das universidades, como forma de avaliarem o grau de influência internacional dos seus investigadores, que é uma forma expedita de avaliar a capacidade dessas universidades serem capazes de gerar, reter ou atrair talento, que Portugal precisa desesperadamente, vide noticia de 5 de Agosto no site do AICEP "Fuga de talento mina desenvolvimento no Norte de Portugal", mas que todos os anos se limita passivamente a ver sair, com destino a países que são altamente competitivos a atrair talento, vide Global Talent Competitiveness Index 2023, https://www.insead.edu/system/files/2023-11/gtci-2023-report.pdf

E de facto uma conhecida unidade de investigação da universidade de Aveiro, que se descreve como sendo "o maior centro de investigação português na área de ciência e engenharia dos materiais" fez isso mesmo e contabilizou quantos dos seus investigadores apareciam nos 5 (cinco) primeiros lugares de cada sub-área, classificando esse desempenho como sendo um Outstanding Achievement https://www.ciceco.ua.pt/?tabela=geral_article&menu=255&language=eng&id_article=2281

PS - Pela parte que me diz respeito, desde 2019, que estive todos os anos, entre os 3 (três) primeiros lugares da minha área científica no ranking Stanford.


De: AAA
Enviado: 9 de outubro de 2024 10:01
Para: F. Pacheco Torgal 
Assunto: A propósito do Ranking Stanford/Scopus
 
Caro Fernando,
Olhando para os indicadores Stanford/Scopus pergunto-me se não seria interessante um post relativo à posição dos investigadores portugueses no ranking sub-field, uma vez que é talvez aquele que melhor mostra a relevância individual? 
Cumprimentos,