sábado, 9 de novembro de 2024

Artigo - O futuro das publicações científicas

 

Na sequência dos dois emails infra, de 27 de Fevereiro e de 5 de Março, o último do qual se refere à importante actividade de revisão de artigos científicos, que como referem alguns editores se encontra em crise, pois a nível mundial há cada vez mais artigos que necessitam de revisão, atente-se no conteúdo do artigo ontem publicado na revista Cortex sob o titulo "The future of science publishing", no qual os editores daquela revista identificam vários desafios, sendo que o primeiro é precisamente sobre a revisão de artigos.



De: F. Pacheco Torgal 
Enviado: 5 de março de 2024 19:02
Assunto: A proposta de um ilustre catedrático da U.Stanford e os investigadores que merecem ver os seus artigos rejeitados de forma automática
 
No email abaixo, constato agora que nem sequer mencionei o facto do regulamento de avaliação de desempenho da EEUM, não atribuir qualquer valor à actividade de revisão de artigos. Ou seja publicar em revistas do tipo A vale muito porém a revisão desses artigos vale zero. Algo que não é fácil de entender pois há 10 anos atrás já um conhecido catedrático de medicina da universidade de Stanford, defendia a alteração da avaliação de desempenho para uma outra bastante diferente onde entre outras coisas deveria haver valorização da revisão de artigos  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/02/scientific-misconduct-kuhnian.html 

Uma alternativa possível passaria por penalizar os investigadores que tivessem muito menos revisões do que publicações, pois isso significa que estão a infringir um dever que sugerem alguns deveria levar inclusive à rejeição automática dos artigos daqueles  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/a-radical-solution-to-solve-crisis-in.html
 
É verdade que antigamente quando o historial de revisão não era público, também não era possível fazer a sua confirmação para dessa forma se poder valorizar essa actividade, mas isso mudou quando apareceu a plataforma Publons e mudou ainda mais quando aquela foi adquirida pela Clarivate Analytics e depois no dia 3 de Outubro de 2021 a informação detida pela mesma foi integrada nos perfis de todos os quase 30 milhões de investigadores registados na Web of Science. Por uma estranha coincidência a noticia dando conta dessa mudança utilizou um perfil de um investigador da EEUM, que dessa forma se tornou conhecido entre dezenas de milhões de investigadores https://publons.com/wos-op/announcement/#your-review-contributions-in-web-of-science

Cumprimentos
Pacheco Torgal  



De: F. Pacheco Torgal 
Enviado: 27 de fevereiro de 2024 07:12
Assunto: Será que a EEUM terá coragem para fazer aquilo que ainda não foi feito ?
 
Conforme dá conta o email infra vai iniciar-se avaliação de investigadores no período referente ao biénio 2022-2023.

Infelizmente, a mesma ainda se irá fazer com regras pouco consensuais, como por exemplo o facto de 1 artigo em revista do tipo A valer 4 vezes mais do que uma publicação do tipo D, ou como o facto de 1 artigo em revista do tipo A valer quase 6 vezes mais do que ser coordenador de um projecto de investigação nacional, valer quase 6 vezes mais do que a submissão de um projecto à FCT, valer 10 vezes mais do que a participação num projecto de investigação internacional, valer 10 vezes mais do que ser avaliador de projectos de investigação nacionais ou valer 20 vezes mais do que ser arguente de doutoramento numa universidade estrangeira. 

E isto quando se sabe que foi a obsessão com as publicações que está na origem de um dilúvio de publicações irrelevantes que ironica e tragicamente até prejudicam a própria ciência  

E isto quando se sabe que cientistas prestigiados como por exemplo o Vladen Koltun (Scopus h-index=76) dizem que deve combater-se o referido dilúvio e ainda que o local de publicação nunca devia ser utilizado para avaliar investigadores https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/evaluating-researchers-in-fast-and.html 

E isto quando se sabe há muito que as revistas tem os dias contados pois em 2018 já o antigo Editor-Chefe da revista Bristish Medical journal escrevia que  "the leaders of Elsevier have now decided that the epoch of journals will soon be over" 

E ainda por cima agora em que a IA até já consegue projectar, planear e executar experiências complexas sem qualquer intervenção humana (o que permite antecipar o que virá a seguir quando a mesma IA se tornar muito mais robusta) e em que teve inicio uma nova realidade que revaloriza a validação e a integridade dos processos https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/01/the-economistai-generated-content-is.html

Será que a EEUM terá coragem para conseguir antecipar o futuro e rever o regulamento de avaliação de desempenho, por forma a que a avaliação a levar a cabo em 2026 referente ao biénio 2024-2025, já seja feita com um regulamento que não ache que os artigos em revista do tipo A (mesmo quando são irrelevantes) são o alfa e o ómega da ciência ?

Cumprimentos
Pacheco Torgal

PS - Em 2021, depois de ler num certo semanário uma entrevista ao Presidente do Técnico, onde aquele se vangloriava que a sua instituição publicava artigos em revistas com "mais reputação" fui à base Scopus confirmar que "os investigadores do Técnico publicaram 54 artigos em revistas da Nature (Nature, Nature Phsycs, Nature Materials, Nature Microbiology, Nature Astronomy, Nature Biomedical Engineering, Nature Communications) porém a maioria desses artigos (60%) nem sequer receberam 50 citações e até há vários desses artigos que não receberam sequer a desgraçada miséria de 10 citações. Já sobre os artigos do Técnico publicados na conhecida revista Science, 50% desses não receberam sequer 50 citações. E note-se que nos valores acima não foi sequer descontada a inflação por conta de auto-citações (rubrica onde o Técnico tem um desempenho recorde)". E muito melhor teria sido, se nessa altura eu soubesse quanto dinheiro público foi gasto para produzir esses artigos, pois nesse caso teria aproveitado para divulgar o anormalmente elevado valor de cada uma dessas citações, que é uma métrica fundamental para avaliar a eficiência do impacto da ciência, pois é muito diferente o desempenho de uma unidade cujas publicações receberam 1000 citações com um financiamento de 100.000 euros ou uma outra unidade que recebeu 10.000 citações mas com um orçamento de 5 milhões de euros.  Recordo que foi o conhecido investigador Alemão Lutz Bornmann, vencedor da Medalha Solla Price da bibliometria,  quem há poucos anos sugeriu como medida da eficiência da investigação apurar o valor gasto para produzir 1 artigo altamente citado (Top1%)

quinta-feira, 7 de novembro de 2024

The Election of an Immigrant-Hating Leader as a Harbinger of the Decadence of the U.S.

More than 70 million Americans have just voted to elect a man widely recognized as a liar and fraudster to the highest office in the nation. For some, this decision reflects a deep-seated resentment, with accusations that ‘America hates women’, while others attribute the support to widespread economic struggles. Regardless of the underlying reasons, one undeniable fact remains: in many other countries, someone with a legal and ethical record as controversial as his would be disqualified from even running for office, let alone winning it. The fact that such a disgraceful figure could not only run but actually win in the United States is a gift to dictators worldwide, providing potent evidence to dismiss democracy as weak and deeply flawed.

In my opinion, the election of Donald Trump raises several troubling and pressing questions:

1- Since the majority of U.S. voters elected a liar, a fraudster, and a rapist as president, does that mean they have no minimum standard of decency?

2 - With Trump widely condemned as an enemy of science, are U.S. government scientists not merely complicit but active enablers in advancing his anti-science agenda?

3 - And as the global race for top talent accelerates—illustrated by France’s recent loss of a Nobel laureate to Chinahow many of the world’s leading scientists would still consider squandering their efforts to advance such a notorious agenda, all while upholding the facade of a decaying empire now led by a shameless fraud and unapologetic xenophobe?


PS - A few highlights from Trump’s “remarkable” resume include:

  1. Trump University was accused of fraud for misleading students about the value of its courses. In 2016, Trump settled this civil case for $25 million, admitting no wrongdoing.

  2. In 2018, the Trump Foundation was dissolved after the New York Attorney General’s office found that it had engaged in a “shocking pattern of illegality,”. Trump was ordered to pay $2 million in damages.

  3. In a civil fraud trial in New York (2023), a judge ruled that Trump repeatedly committed fraud by inflating property values on financial statements. 

  4. Journalist E. Jean Carroll sued Trump for defamation after he denied her claims of sexual assault, calling her a liar. In 2023, a jury found Trump liable for sexual abuse and defamation

  5. Trump was indicted for mishandling classified documents. Federal prosecutors alleged that he took classified materials from the White House to his Mar-a-Lago residence, then obstructed efforts by the government to recover them. 

  6. Trump faces federal charges for his role in the events leading up to the January 6, 2021, attack on the U.S. Capitol, where he was accused of conspiring to obstruct the electoral vote certification and inciting violence among his supporters.

  7. In Georgia, Trump was indicted for allegedly attempting to overturn the state’s 2020 election results. This case includes the infamous phone call where he asked Georgia’s Secretary of State to “find” enough votes to change the outcome. He faces racketeering (RICO) charges and other related accusations.

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Faz algum sentido que os contribuintes Portugueses tenham que financiar as universidades do país do Sr. Trump ?



Acaba de saber-se que este Governo decidiu que entre as suas prioridades não se inclui a de reduzir o subfinanciamento crónico da ciência, aliás, por incrível que pareça, pretende até mesmo agravar esse subfinanciamento, cortando quase 70 milhões de euros no orçamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Vide noticia acessível no link supra. 

O Ministro Fernando Alexandre, veio depois tentar "explicar" o referido corte, alegando mudanças na aplicação dos fundos europeus, mas na noticia onde se deu conta dessa fraca "explicação" há algo que a mim me parece que não tem qualquer explicação. Nela se pode ler que este Governo pretende "manter as parcerias com universidades norte-americanas e até a vontade de as reforçar" https://www.publico.pt/2024/11/05/ciencia/noticia/ministro-ciencia-explica-corte-fct-mudanca-aplicacao-fundos-europeus-2110599

Ou seja no contexto de um inesperado e impensável corte de verbas no financiamento da ciência Portuguesa, a principal preocupação do Governo Português é a de manter o financiamento a Universidades do país do Sr. Trump ! Será que isso faz algum sentido? 

Declaração de interesses - Declaro que há quase uma década que tenho consistentemente criticado a decisão de gastar centenas de milhões de euros com parcerias com universidades Norte Americanas, pois que a meu ver os benefícios que daí resultaram são muito escassos face a esse elevado montante. Aproveito aliás para recordar aquilo que há vários anos atrás me foi confessado por um catedrático, da Universidade Nova de Lisboa: "as universidades daquele país só aceitaram as colaborações propostas pelo Ministro Heitor porque viram nelas uma maneira de ganharem dinheiro fácil"   https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/03/tres-singelas-perguntas-ao-ministro.html

PS - Incompreensivelmente (ou talvez não!), o Ministério dos policias teve um aumento bastante significativo, de quase 20%, atingindo agora mais de 3000 milhões de euros, o que mostra bem quais são as verdadeiras prioridades deste Governo https://www.jn.pt/7711471417/seguranca-interna-com-mais-de-3-mil-milhoes-euros-maior-fatia-vai-para-o-pessoal/