sábado, 10 de janeiro de 2026

O princípio do fim da arrogância médica

 


Há seis anos atrás a The Economist previu que a AI iria retirar os médicos do seu pedestal. Vide post acessível no link supra. À época essa previsão pode ter parecido excessiva, pois na altura ainda não havia nenhum ChatGPT, o modelo que passou a estar disponível ao público apenas dois anos depois. Contudo é precisamente esse modelo de IA generativa que hoje é utilizado diariamente por 40 milhões de pessoas unicamente para questões relacionadas com saúde, facto que levou a empresa proprietária do mesmo a lançar esta semana uma "ferramenta" dedicada somente a questões de saúde https://expresso.pt/newsletters/conversas-ao-ouvido/2026-01-08-40-milhoes-usam-o-chatgpt-todos-os-dias-por-motivos-de-saude.-esta-semana-fui-eu-6304a189

No contexto supra é pertinente recordar que no passado dia 18 de Setembro no post de titulo "O futuro bastante negro dos estudantes que agora ingressam num curso de medicina" divulguei um estudo que demonstrou que a IA consegue acertar em mais de 80% dos diagnósticos clínicos complexos, contra apenas 20% de médicos experientes, divulguei ainda um outro estudo da conhecida universidade Johns Hopkins, que desenvolveu um modelo de IA capaz de prever ataques cardíacos 
fatais com até 93% de precisão, e também o desempenho de um novo modelo de IA, desenvolvido por um consórcio europeu, que consegue prever o risco do aparecimento de mais de mil doenças com várias décadas de antecedência  https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/09/o-futuro-bastante-negro-dos-estudantes.html

Paradoxalmente, enquanto a IA aplicada à medicina evolui a um ritmo alucinante, as faculdades de medicina continuam a formar profissionais como o faziam há várias décadas décadas, preparando-os para competir com máquinas que já os superam de forma clara 
em diagnóstico, previsão e análise clínica. Se ao menos fosse possível dizer que, pelo menos, os médicos ainda conseguem superar as máquinas tratando os doentes de forma bastante empática. Mas nem aí esses profissionais conseguem um melhor desempenho do que a IA: pois como mostra a ciência, a IA é capaz de responder de forma significativamente mais empática do que os próprios médicos. Veja-se, por exemplo, o estudo publicado na revista científica Journal of General Internal Medicine, que envolveu mais de 1.400 participantes.  https://link.springer.com/article/10.1007/s11606-025-10068-w?

Acresce que a utilização da IA em Portugal é especialmente vantajosa por um motivo particular, a IA irá permitir poupar muitos milhões de euros, ao contrário de um elevado número de médicos Portugueses que possui uma estranha atracção pela fraude, que custa aos contribuintes deste país o valor astronómico de quase 800 milhões de euros por ano (um valor superior ao que Portugal gasta todos os anos a pagar o salário de milhares de investigadores), que é basicamente o mesmo que termos 2600 médicos todos os anos a cometerem fraudes de 300.000 euros cada um!  

PS - O presente post não constitui um ataque gratuito a toda a classe médica, mas uma critica contundente aos inúmeros maus profissionais que a integram, os quais escolheram o curso de Medicina apenas como um meio oportunista de enriquecer rapidamente. Como é óbvio, há muitos médicos que são profissionais extraordinários e também pessoas invulgares, e que eu próprio já louvei em posts anteriores, como por exemplo um de nome Domingos Machado, ou aquele médico que mencionei num post que se tornou um dos mais visualizados https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/01/muito-provavelmente-este-e-o-melhor.html

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Um catedrático feroz que não deixa pedra sobre pedra sobre uma "famosa" Escola

 

Na sequência do último texto publicado neste blogue, acessível no link supra, sobre o omnipresente — e tristemente magno — problema da endogamia académica, domínio em que o nosso país, consegue, de forma verdadeiramente miserável, figurar no topo do rankings europeu, aproveito para dar a conhecer um texto recente e bastante corrosivo de um jovem e muito feroz professor catedrático (CV resumido aqui). 

Nesse texto, o referido professor catedrático descreve uma endogamia doentia, entranhada numa escola da universidade de Lisboa, fica porém o aviso que esse texto, singular e bastante explosivo, tem um inicio muito pouco suave onde se pode ler: "É sempre perigoso criticar as instituições da academia portuguesa. Grande parte das pessoas que lá trabalham são mesquinhas e vingativas na proporção da sua incompetência....https://nunopgpalma.wordpress.com/2025/12/30/iseg-um-breve-testemunho-pessoal-vinte-anos-depois/

PS - Diga-se, em abono da verdade, que, consultada a informação mais recente sobre a endogamia das diferentes unidades orgânicas, aquela criticada pelo supracitado catedrático apresenta uma taxa de 47%. Trata-se, de facto, de um valor muito superior ao observado em universidades de países como a Alemanha e o Reino Unido, mas é todavia significativamente inferior ao de muitas unidades orgânicas de universidades nacionais, onde a percentagem de endogamia ultrapassa os 80% e, nalguns casos, mesmo os 90%. https://www.cnedu.pt/content/noticias/nacional/EndogamiaAcademica_2021_2022.pdf

sábado, 3 de janeiro de 2026

Dark Ages Thinking in Modern Science: Assigning blame without culpability

In the paper “Ranking-Based Sanctions for Retraction-Afflicted Elite Researchers,” published in Accountability in Research, the authors propose a framework aimed at holding prominent researchers accountable for retractions. While methodologically detailed, the approach is fundamentally flawed: it reflects a Dark Ages approach to accountability by assigning blame without establishing culpability, misapplying deterrence logic, and actively undermining the process of scientific self-correction. By treating all retractions as equivalent, the framework blurs the critical distinction between deliberate misconduct and honest error, undermining both fairness and scientific integrity, while fostering perverse incentives that discourage transparency, openness, and the responsible correction of the scientific record. https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/08989621.2025.2549008

A parallel structural problem exists in major databases such as Scopus and Web of Science, which apply a single, undifferentiated “retraction” label to all withdrawn publications, regardless of whether the underlying cause is fraud, negligence, or honest error. Given the central role these databases play in hiring, promotion, funding, and collaboration decisions, this practice foreseeably and systematically stigmatizes researchers who act in good faith by implicitly associating them with misconduct. Empirical evidence shows that retractions result in enduring harm to reputation and career mobility, often spilling over to an author’s non-retracted work, with early-career researchers being particularly vulnerable. It is therefore urgent that Scopus and Web of Science adopt at least a minimal retraction typology distinguishing intentional misconduct, negligence, and honest mistake. 

Such a reform would preserve accountability where warranted while mitigating unjust, foreseeable, and potentially actionable harm to researchers’ professional standing. Continued reliance on an undifferentiated retraction label risks rendering these databases complicit in the unfair stigmatization of researchers and morally, if not legally, responsible for the avoidable damage inflicted on scientific careers. Science already bears the tragic scars of researchers whose careers were shattered—and in some heartbreaking cases, who took their own lives—after papers were retracted, even when they were later found innocent of direct misconduct. What science must prevent now is another suicide—this time triggered by retractions stemming from honest errors.

Declaration of Competing Interests - I previously argued that retractions in academic publishing should adhere to the principles of justice exemplified in legal systems, with consequences carefully calibrated according to intent, magnitude of harm, and accountability, thereby ensuring that corrections serve the integrity of the scholarly record rather than functioning as arbitrary or punitive measures reminiscent of the Holy Inquisition https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/12/letter-to-editor-retraction-typologies.html

Update after 5 days — Statistics show that the top five foreign countries engaging with this post are the USA, Germany, Finland, Japan, and China.