sábado, 3 de janeiro de 2026

Dark Ages Thinking in Modern Science: Assigning blame without culpability

In the paper “Ranking-Based Sanctions for Retraction-Afflicted Elite Researchers,” published in Accountability in Research, the authors propose a framework aimed at holding prominent researchers accountable for retractions. While methodologically detailed, the approach is fundamentally flawed: it reflects a Dark Ages approach to accountability by assigning blame without establishing culpability, misapplying deterrence logic, and actively undermining the process of scientific self-correction. By treating all retractions as equivalent, the framework blurs the critical distinction between deliberate misconduct and honest error, undermining both fairness and scientific integrity, while fostering perverse incentives that discourage transparency, openness, and the responsible correction of the scientific record. https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/08989621.2025.2549008

A parallel structural problem exists in major databases such as Scopus and Web of Science, which apply a single, undifferentiated “retraction” label to all withdrawn publications, regardless of whether the underlying cause is fraud, negligence, or honest error. Given the central role these databases play in hiring, promotion, funding, and collaboration decisions, this practice foreseeably and systematically stigmatizes researchers who act in good faith by implicitly associating them with misconduct. Empirical evidence shows that retractions result in enduring harm to reputation and career mobility, often spilling over to an author’s non-retracted work, with early-career researchers being particularly vulnerable. It is therefore urgent that Scopus and Web of Science adopt at least a minimal retraction typology distinguishing intentional misconduct, negligence, and honest mistake. 

Such a reform would preserve accountability where warranted while mitigating unjust, foreseeable, and potentially actionable harm to researchers’ professional standing. Continued reliance on an undifferentiated retraction label risks rendering these databases complicit in the unfair stigmatization of researchers and morally, if not legally, responsible for the avoidable damage inflicted on scientific careers. Science already bears the tragic scars of researchers whose careers were shattered—and in some heartbreaking cases, who took their own lives—after papers were retracted, even when they were later found innocent of direct misconduct. What science must prevent now is another suicide—this time triggered by retractions stemming from honest errors.

Declaration of Competing Interests - I previously argued that retractions in academic publishing should adhere to the principles of justice exemplified in legal systems, with consequences carefully calibrated according to intent, magnitude of harm, and accountability, thereby ensuring that corrections serve the integrity of the scholarly record rather than functioning as arbitrary or punitive measures akin to those of the Inquisition. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/12/letter-to-editor-retraction-typologies.html

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Um elogio que obviamente não mereço !


Obviamente não mereço o generoso elogio feito ontem pelo catedrático Óscar Afonso, Diretor da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, a meio de um longo e interessante artigo acessível no link infra, onde aquele responde à importante questão: 

"que tipo de inspiração é hoje verdadeiramente relevante para o país e a economia, que contribua para elevar as condições de vida dos portugueses?"   

PS - Excepto, talvez, pelo privilégio inestimável de ter tido a oportunidade singular de poder servir como fonte de "inspiração" para muitos investigadores estrangeiros. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/10/1-lugar-na-universidade-do-minho-pelo.html

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

O ingénuo prof. catedrático, o arguto prof. associado e o estudo que mostra que as empresas não querem contratar doutorados



Recentemente um catedrático da Universidade de Coimbra criticou num artigo no jornal Público, a politica científica deste Governo, por preferir apostar na ciência aplicada em detrimento da ciência fundamental. Vide link supra. Infelizmente logo no inicio do seu artigo, talvez por ingenuidade, aquele deu crédito à ilusão de que as empresas e bancos Portugueses andam viciados em actividades de investigação, na qual alegadamente gastam milhares de milhões de euros, quando na realidade o que acontece, é que esses milhares de milhões foram canalizados para fundos de capital de risco, em troca de benefícios fiscais. 

Aliás para se perceber que "a bota não batia com a perdigota", bastava atentar no facto de se ter ficado a saber que as mesmas empresas que alegadamente gastavam milhares de milhões em actividades de investigação, recusavam contratar doutorados, nem sequer mesmo que o Estado chegasse ao ponto de lhes conceder um subsidio fiscal no valor de 120% do valor do seu salário, vide estudo, que me foi enviado por um Colega da universidade de Aveiro e que dei a conhecer a um elevado número de colegas, através de um email que reproduzo no final do presente post. 

No respeitante a críticas à política científica deste Governo, esteve porém muito melhor um arguto professor associado do ISCTE, que há poucos dias, escreveu que:  "A ideia de orientar a investigação para as empresas assenta numa visão linear da inovação...Mas há décadas que os estudos de inovação mostram como esta imagem é errada. Mesmo quando há transferências, elas raramente são automáticas: exigem competências internas para compreender, interpretar e combinar conhecimento com activos específicos...Ainda mais importante, o maior contributo da ciência para a economia não está, na maioria dos casos, nos resultados imediatos da investigação, mas nas competências que ela forma e difunde"

Mas, pior do que privilegiar a investigação aplicada em detrimento da investigação fundamental, pior do que permitir que milhares de milhões de euros sejam canalizados directamente para fundos de capital de risco e pior do que confundir as fragilidades do tecido económico com um putativo desalinhamento entre ciência e economia, que justificou a fusão entre a FCT e a ANI, é aquilo que há alguns meses se podia ler no semanário Expresso: "a despesa pública em I&D caiu a pique no período da troika e nunca recuperou desde então, estando agora em níveis inferiores aos registados no ínicio dos anos 1990". Mas se a desculpa é uma alegada falta de dinheiro, que não pode ser, porque na década de 90 não havia mais dinheiro do que agora, então trate o Governo de copiar o que fazem na Suécia e na Alemanha, no que respeita a dar caça aos grandes evasores fiscais, que em Portugal são responsáveis por um buraco de astronómico de mais de 40.000 milhões de euros https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/02/o-que-falta-portugal-para-ser-como.html

PS - Mas, se de facto as empresas Portuguesas não querem contratar doutorados, nem mesmo recebendo subsídios, mais não resta aqueles do que irem trabalhar para empresas em países estrangeiros, que mereçam o seu esforço e o seu talento, ou em alternativa tentarem criar as suas próprias empresas, seguindo o caminho do insigne doutorado da universidade de Aveiro, que fundou uma startup extremamente valiosa e também daqueles cujas startups já recolheram financiamento de vários milhares de milhões de euros https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/11/univ-de-lisboa-uma-noticia-sobre-um-1.html 




De: F. Pacheco Torgal 
Enviado: 4 de julho de 2025 14:19
Assunto: Estudo mostra que as empresas Portuguesas não querem doutorados nem mesmo que lhes paguem muito para os contratar
 
Aproveito para reenviar abaixo link de artigo e também texto de email que há pouco recebi de um colega da U.Aveiro. Sobre o SIFIDE lá referido, declaro que critiquei essa aberração mais de uma dezena de vezes. A última vez que o fiz foi no passado mês de Maio https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/05/que-licoes-se-podem-extrair-do-livro.html

PS - Talvez isso ajude a explicar porque há milhares de doutorados desempregados https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/04/sera-que-aumentar-actual-inflaccao-de.html


Anexo link para paper interessante sobre o SIFIDE. Em resumo: 
Nem com 120% de bonificação as empresas "pegam" nos PhD holders.
Cumprimentos
Daniel