A TVI noticiou recentemente a descoberta de mais dois médicos milionários, desta vez no Hospital de Castelo Branco (notícia no link supra). O mais curioso é que esses médicos, pai e filho, conseguiram a proeza de produzir mais durante as horas extraordinárias do que no horário normal — algo realmente surpreendente, considerando que o horário habitual ocupa a maior parte da jornada de trabalho. Trata-se de um fenómeno de produtividade tão raro que, quando chegar ao conhecimento do FMI, é certo e seguro que logo enviarão uma missão especial para estudá-lo, na esperança de extrair lições capazes de revolucionar a produtividade mundial, o que levará o nosso país à capa da revista The Economist.
Seja como for, a descoberta de médicos milionários num hospital do Interior constitui uma excelente notícia para a classe médica, pois, a partir de agora, os membros dessa classe já não precisam de continuar a pagar autênticas fortunas em habitação em Lisboa, onde se pensava ser o único sítio onde os médicos se podiam tornar milionários. Afinal, agora que se sabe que também é possível alcançar essa condição extravagante em hospitais do Interior, onde esses profissionais — que, se trabalhassem em Lisboa, teriam de desembolsar quantias astronômicas apenas para comprar um modesto apartamento de tamanho médio — podem construir uma moradia verdadeiramente colossal, â altura da sua milionária condição.
PS - Aquilo que TVI não divulgou na sua noticia, é que um dos referidos médicos, agora director naquele hospital, num lugar que já tinha sido ocupado pelo seu pai, fez no ano passado uma queixa à ERC, porque consta terá ficado muito indignado com uma notícia de título "Utente diz-se destratado por médico”, relacionada com um doente com cancro que terá recusado o tratamento que lhe terá sido proposto. Após a análise dos factos a ERC deliberou não dar razão ao médico milionário https://www.erc.pt/document.php?id=NDVhZDZiOTctYmFmNC00ODRjLWE5NzktYzc1Njk1MjFhZTg2