Há poucos meses, várias universidades públicas portuguesas, como a Universidade do Porto, a Universidade de Coimbra e a Universidade NOVA de Lisboa, congratularam-se com o aumento do número de investigadores incluídos no conhecido ranking Elsevier-Stanford relativamente à edição do ano anterior. Contudo, aquilo que ficou por fazer, porque ninguém o fez, foi uma análise global que permitisse avaliar o desempenho de Portugal em comparação com outros países. E, nesse segmento específico, as notícias estão longe de ser animadoras; muito antes pelo contrário.
Em 2022 já tinha feito esse exercício para uma amostra de 25 países, calculando não o desempenho para a amostra do Top 2%, mas somente o rácio muito mais selectivo associado ao subgrupo de investigadores do
Top 0.5% por milhão de habitantes, que se traduziu numa lista cujo primeiro lugar aparecia ocupado pela notável potência científica que é a Suíça e onde
Portugal aparecia em último lugar, abaixo da Grécia e do Chipre. Há um ano atrás voltei a fazê-lo, para constatar que infelizmente, o nosso país muito embora tenha crescido ligeiramente não conseguiu ultrapassar nenhum daqueles dois países que obviamente também cresceram
https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/09/nobel-para-ciencia-portuguesa-clarivate.html E quando agora, um ano depois, se repete o mesmo exercício verifica-se que Portugal, apesar de um novo e ligeiramente aumento do número de investigadores, ainda continua desgraçadamente abaixo dos referidos dois países, pois eles também aumentaram o seu número de investigadores altamente citados no Top 0.5%. Uma análise das taxas de crescimento médio entre 2022 e 2025, da Grécia (3%/ano) e de Portugal (1.7%/ano) mostra que a esse ritmo de tartaruga o nosso país nunca conseguirá ultrapassar a Grécia.
E se, ano após ano, o impacto da ciência portuguesa continuar sistematicamente abaixo do da Grécia e do Chipre e muito longe do da Suíça, qual a probabilidade de uma ciência com tão fraco impacto produzir benefícios reais para o nosso país? Num século em que o crescimento económico depende cada vez mais de valor acrescentado, inovação e investigação, é minimamente credível que uma ciência com menos impacto do que a da Grécia e do Chipre nos permite convergir com o nível de riqueza da Suíça? E até quando vamos ignorar que uma ciência persistentemente pouco relevante internacionalmente condena o nosso país à estagnação económica e à fuga permanente de talento?
Neste contexto, importa recordar um artigo publicado há um ano atrás na prestigiada revista
The Economist, evidenciava que uma das formas mais eficazes de financiar a ciência, com vista à maximização do seu impacto, consiste muito menos no financiamento de projectos
mas mais na atribuição de contratos de longa duração aos investigadores com a duração de pelo menos 7 (sete) anos. Não é, por isso surpreendente que o Conselho Europeu de Investigação (ERC) tenha agora decidido financiar contratos com essa duração. Ironicamente, em Portugal, alguém, cuja decisão dificilmente se pode atribuir a uma avaliação informada ou a uma reflexão estratégica sólida, ou sequer a um módico de inteligência, entendeu que
reduzir para metade a duração dos contratos dos investigadores é aquilo que melhor serve os interesses da ciência Portuguesa e o futuro de Portugal !
PS - Em Portugal a U.Aveiro e a U.Minho lideram o grupo das universidades públicas em termos de densidade de investigadores no Top 0.5% do ranking Elsevier-Stanford por docente ETI, o que significa que são as duas universidades que mais tem contribuído para que Portugal não esteja ainda mais longe do desempenho da Grécia e do Chipre https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/09/uaveiro-uminho-e-uporto-no-podio-do-top.html