terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Teletrabalho, cronótipos e o caso Fundão: Um ensaio geral para o futuro de Portugal ?

 

Na sequência do estudo que divulguei no passado mês de dezembro, acessível no post supra, o qual concluiu que o teletrabalho contribui para a redução de problemas de saúde mental, com benefícios particularmente acentuados nas mulheres, aproveito para dar a conhecer um artigo interessante publicado no caderno de Economia da última edição do Expresso. O referido artigo aborda a crescente tendência de adequação dos horários de trabalho aos diferentes picos de produtividade dos trabalhadores.

Este modelo baseia-se na adaptação do horário laboral aos quatro cronótipos identificados pelo psicólogo clínico Michael Breus, sustentados por estudos desenvolvidos ao longo de várias décadas. De acordo com o artigo do Expresso, diversos especialistas em gestão de recursos humanos salientam que a adoção desta abordagem poderá traduzir-se em ganhos significativos de eficiência e produtividade, particularmente no contexto do teletrabalho. Curiosamente uma pesquisa expedita revela que há aproximadamente um ano atrás foi defendida uma dissertação numa universidade Portuguesa que sintetizou os estudos levados a cabo nesta área nos últimos 20 anos https://repositorio.upt.pt/entities/publication/5d6ff38b-913d-4a1c-9dc4-9d801f6a2c56

Não certamente por coincidência, também na última edição do caderno de economia do Expresso, havia um artigo sobre o aumento do número de profissionais (nacionais e estrangeiros) que aproveitando as vantagens do teletrabalho, estão a trocar as cidades Portuguesas pelos meios rurais, artigo esse no qual é mencionado o caso da pequena cidade do Fundão (que tem muito menos gente do que várias freguesias de Lisboa), na qual já há mais de 1000 (mil) programadores informáticos, por conta da estratégia de atracçáo daquela autarquia potenciada também pelo programa do Governo "Trabalhar no Interior". 

Aquilo que esse artigo não refere, porém, é que a corrida mundial à IA em curso, altamente competitiva, e que em Portugal passou recentemente a dispor de um enquadramento estratégico através da Agenda Nacional de Inteligência Artificial, aprovada na passada Quinta-feira, pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 2/2026, documento onde se pode ler que a rápida adoção da IA possa acrescentar entre 18 e 22 mil milhões de euros ao PIB nacional, pode fazer muito mais pela deslocação de pessoas para o Interior do que qualquer estratégia autárquica isolada ou o existente programa governamental de incentivo territorial. 

Ao libertar o talento das amarras geográficas dos grandes centros urbanos, a IA irá permitir abrir caminho a um novo paradigma de escolha: viver no Interior de Portugal poderá deixar de ser sinónimo de limitação, isolamento e irrelevância e poderá passar a afirmar-se como uma decisão ambiciosa e sustentável que junta qualidade de vida e inovação. A que se soma ainda a vantagem divulgada há um ano atrás por um conhecido catedrático de economia de uma famosa universidade, que afirmou que as evidências científicas indicam que o teletrabalho é uma das formas mais eficazes de inverter a quebra da natalidade, uma vez que esta aumenta significativamente entre os casais em regime de teletrabalho. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/01/alcancar-um-circulo-virtuoso-para.html

PS - Ainda sobre IA, é positivo saber que de acordo com o EUROSTAT, os Portugueses estão à frente da média europeia e inclusive à frente de países como a França e a Alemanha, em termos da percentagem de pessoas que mais usaram IA em 2025, sendo porém evidente que só nos conseguiremos aproximar das elevadas percentagens da Noruega e da Suíça, quando mais Portugueses conseguirem perceber as muitas vantagens da sua utilização. Ainda por cima num país, onde mais de um milhão e meio de Portugueses não tem (nem vai ter) médico de família, seria perfeitamente natural que esses recorressem ao ChatGPT, para esclarecimento de dúvidas de saúde. Aliás, eu próprio tenho médico de família e já recorri inúmeras vezes aquele modelo de IA generativa para esse efeito.