Ainda na sequência do post anterior, acessível no link supra, onde afirmei que não era verdadeira a declaração da Universidade de Lisboa, que de forma pouco rigorosa, se vangloriou de ser "a universidade mais empreendedora de Portugal", já que na verdade está apenas em 8º lugar no indicador relativo ao investimento médio captado por startup, ainda por cima com um valor apenas ligeiramente superior ao do Politécnico de Leiria, faz sentido revisitar um post mais antigo com o sugestivo título "Quanto é que Portugal perde com um sistema (comunista a todos os títulos) que premeia a inércia e incentiva a preguiça ?"
No referido post divulguei aquilo que me foi transmitido por um quase aposentado professor catedrático de uma reputada universidade da Suécia, cujas investigações estiveram na origem da ChromoGenics, e com o qual ao longo de quase uma década e meia editei mais de uma dezena de livros, Claes Goran-Granqvist, que naquele país um professor universitário pode dedicar um dia por semana a actividades remuneradas fora da universidade, sem ser prejudicado no seu vencimento. Em Portugal, pelo contrário, se um professor universitário fizer o mesmo, mesmo que o faça fora do horário de serviço, é castigado com um corte substancial de nada menos de 33% do seu salário mensal ilíquido.
Este regime força, na prática, os professores universitários a evitarem colaborações remuneradas com a indústria ou a criação das suas próprias empresas, impedindo-os de beneficiar da valorização económica das suas investigações. Mas mais grave ainda, priva o nosso país do valor económico associado à transformação desse conhecimento em atividade empresarial, emprego qualificado e crescimento económico nacional competitivo e sustentável, que é absolutamente indispensável para reter o talento que diariamente abandona Portugal de forma continuada, progressiva, sistemática e irreversível.
Estamos perante uma prática profundamente anacrónica, frontalmente oposta às melhores práticas internacionais, cujo efeito concreto é premiar a inércia e a estagnação, penalizar e perseguir o esforço e sufocar o mérito. O contraste com a rica universidade suíça ETH Zurich, onde os professores-auxiliares auferem entre 10.000-15.000 euros/mês, que não por acaso é a segunda universidade melhor classificada na Europa no ranking de geração das startups mais valiosas (cf. relatório Deep Tech 2025) não podia ser mais elucidativo, pois aquela instituição concede licenças sabáticas de um ano aos seus docentes e investigadores para que possam criar startups.
Resumindo e concluindo, enquanto que nas universidades portuguesas a criação de valor é tratada como uma infração merecedora de elevada penalização salarial, nas universidades suíças é reconhecida como parte integrante da missão académica, sendo valorizada e incentivada como um instrumento estratégico de prosperidade económica e social. https://entrepreneurship.ethz.ch/startup-stories/explore-startup-portraits-and-success-stories/uebersicht-eth-spin-offs.html