terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Como os milionários devoraram o mundo

 

A revista The Economist já não é o que costumava ser, uma defensora feroz do liberalismo. Em vez disso em 2020, foi possível ver o punho socialista da capa de uma das edições. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/05/the-economist-surrenders-to.html

E na edição da semana passada até foi possível ler sobre como os bilionários estão arruinando a nossa civilização, contribuindo para um mundo com muito mais ressentimento e ódio. Uma das partes mais bizarras (mas mais esclarecedoras) do artigo é aquela em que se reproduz um pequeno diálogo com um habitante do Norte da Inglaterra, que descreveu o Brexit com as seguintes cruas palavras:

"Nós apenas sabíamos que as pessoas em Londres há muito tempo que nos andavam a foder...Foi a nossa oportunidades de os fodermos a eles” 

PS – Na edição de há duas semanas atrás da mesma The Economist os bombos da festa foram os Venture Capitalists, que foram designados como filhos do diabo, violadores desajeitados, gananciosos, cobardes etc etc etc. Porém aquilo que achei mais interessante nessa edição (que também ajuda a provar que a referida revista sofreu uma revolução de 180 graus), e que facilmente se percebe tendo em conta este post aqui, foi o artigo "The art of fasting", um tributo à frugalidade (e a um quase ascetismo que teria agradado ao recentemente falecido monge budista Thich Nhat Hanh, irónicamente homenageado na revista The Economist) artigo esse que não se esperaria encontrar numa tal revista e cuja conclusão é de certa forma bastante inspiradora: 

"Fasting is not just a mortification or denial; it is a reminder of the value and joy of food"

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Um bom currículo académico é como o azeite, acaba sempre por vir ao de cima


A mim não me surpreenderam as famosas declarações da senhora ex-vice-presidente do PSD, Isabel Meirelles, que curiosamente achou boa ideia atribuir culpas ao povo pela maioria absoluta do partido socialista, porque em Janeiro de 2019, já tinha dedicado alguns minutos ao seu curioso currículo, vide email abaixo.  Também acho curioso que ela, com o seu portentoso currículo académico, tenha andado a avaliar candidatos a juízes, mas nessa parte convém lembrar que as exigências quanto aos avaliadores nunca foram muito elevadas, muito antes pelo contrário, como se percebe pela aceitação até mesmo de avaliadores com cadastro inclusive por crimes de sangue, como já se tinha comentado aqui. 




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De: F. Pacheco Torgal
Enviado: 12 de Janeiro de 2019 7:15
Assunto: É possivel prestar actividade docente no canal do Dr. Balsemão ?


pesquisando no Google o nome da senhora Vice-Presidente do PSD, de que se fala no artigo acima apuram-se dois interessantes ficheiros

O segundo ficheiro da Universidade Lusófona diz que ela é autora de 13 artigos na revista Front Line, revista que se afirma de "Lifestyle and Business". Nenhum deles aparece porém no Google académico. É verdade que ela afirma ser autora de vários livros, embora não diga quem os publicou nem sequer quantas páginas tem cada um deles. Note-se que também nenhum deles aparece no Google académico. Já a Base Nacional de Dados Bibliográficos credita-lhe um DVD e um livro de titulo "Senhora Europa". Mas a parte realmente interessante é a rubrica "Actividade Docente" com os items que abaixo reproduzo. E daí as perguntas:

- É possivel prestar actividade docente na SIC e depois colocar isso nessa condição num currículo académico ?
- Afinal quantos políticos em Portugal andam por aí orgulhosos por terem no currículo serviço docente efectuado num canal de televisão ?

Vogal no júri dos exames de acesso ao CEJ- Centro de Estudos Judiciários;
Docente no curso de Estágio da Ordem dos Advogados;
Professora convidada da Disciplina de Sistemas Europeus de Direito Comparado, na Universidade Lusófona;
Professora auxiliar da Disciplina de Direito Comunitário na UAL – Universidade Autónoma de Lisboa;
Docente do M.B.A. em Gestão Internacional de Negócios da Disciplina de Direito Europeu das Sociedades, na UAL – Universidade Autónoma;
Professora auxiliar da disciplina de Teorias e Modelos de Integração, na Universidade Moderna; 
Professora convidada no Mestrado de Economia, na Disciplina de Direito Económico Europeu, na Universidade Lusíada;
Professora de Políticas Comuns Europeias na Pós-Graduação em Jornalismo no ISCTE;
Professora de Integração Europeia na Escola Superior de Comunicação Social;
Professora Convidada na Universidade Atlântica nas disciplinas de Direito Europeu e Internacional, Direito da Comunicação e Introdução ao Direito;
Professora de Questões Europeias na SIC, SIC Notícias e SIC on-line

domingo, 6 de fevereiro de 2022

Porque é que a falta de água é menos importante do que o conforto dos veraneantes?



Ainda na sequência do irónico post acima e como o jornal Público volta ao tema, tanto na capa como logo a abrir com 6 páginas dedicadas ao tema, onde na primeira página há umas imagens esclarecedoras que mostram bem a gravidade do problema, entendo importante recordar dois emails, que abaixo reproduzo e que há 4 anos atrás enviei para a comunidade científica. Nos mesmos é bem patente a incompetência do poder politico cuja preocupação era produzir satélites. Mas se de facto o problema da falta de água no nosso país é assim tão grave porque é que os Governos deste país preferiram antes gastar centenas de milhões de euros a despejar areia em praias (que critiquei repetidamente porque no contexto da subida do nível do mar é o mesmo que deitar dinheiro para o lixo) em vez de utilizar esse dinheiro a consertar a rede nacional de abastecimento de água, onde todos os anos se perde 30% da água captada, que assim não chega aos consumidores o que representa, centenas de milhões de metros cúbicos de água perdidos? 



De: F. Pacheco Torgal
Enviado: 24 de Fevereiro de 2018 7:10
Assunto: O programa MIT-Portugal não se preocupou com a seca e a falta de água porque em Portugal não existe tal problema

É evidente que o programa MIT-Portugal não incluiu nas suas linhas de acção o problema da seca e da falta de água porque esse problema como se escreveu no email abaixo há muito que se encontra resolvido e muito bem resolvido no nosso país. E porém como se constata pelo interessante artigo em anexo e no link https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0038012110000303 andava o MIT a colaborar com a Universidade de Cambridge no desenvolvimento de sensores para condutas de água, onde se aponta para poupanças de 23,7 mil milhões de dólares até ao ano 2056 e as colaborações entre Portugal e o MIT ficavam-se por outras temáticas muitíssimo mais importantes para o futuro do nosso país, pois felizmente que nós por cá não precisamos de nos preocupar com tal problema, já que em Portugal (e ao contrário do que sucede no Reino Unido) água é coisa que não falta.

 


De: F. Pacheco Torgal
Enviado: 22 de Fevereiro de 2018 6:15
Assunto: A incompetente estratégia Portuguesa para lidar com a seca e a falta de água

Corria o ano de 2007 e assumia Portugal a presidência do conselho da união europeia quando foi produzido documento onde se podia ler "The Portuguese Presidency of the European Union Council has placed “Water Scarcity and Drought” as one of its main priorities".http://ftp.infoeuropa.eurocid.pt/files/database/000042001-000043000/000042875.pdf

 Em virtude dessa brilhante capacidade de antevisão, da estratégia que se lhe seguiu e das muitas e eficazes medidas (!!!!) que foram tomadas a esse respeito podemos hoje estar gratos por esse já não ser um problema prioritário do nosso país. É verdade que uma pesquisa Scopus relativamente ao número de artigos com os termos “water scarcity” ou “drougth” (em anexo) revela que a partir de 2007 não houve grandes mudanças que traduzissem a referida prioridade mas isso talvez se deva ao facto do problema ter sido resolvido com importação de tecnologia sem que tivesse sido necessário solicitar a comunidade científica com o referido problema. Nos anos de 2014 e 2015 foram produzidos um total de 3 artigos

Prioritário é agora o desenvolvimento de uma agência espacial e a produção de satélites recentemente noticiada na semana passada http://expresso.sapo.pt/sociedade/2018-02-15-Governo-vai-criarAgencia-Espacial-Portuguesa-e-apoiar-construcao-de-satelites-de-nova-geracao

Bizarra porém é a noticia de Novembro de 2017, acessível no link abaixo, que dá conta que todos os anos se perdem centenas de milhões de metros cúbicos de água devido a roturas nas redes de abastecimento e que só pode entender-se num conceito de fake news, pois esse problema de certeza que não ocorre no nosso país, porque já foi resolvido pelos nossos competentes politicos https://www.dn.pt/sociedade/interior/mais-consciencia-e-crise-levam-portugueses-a-gastar-menos-agua-8929018.html