Este blogue tem vindo a construir, ao longo dos últimos anos, um argumento consistente sobre a relação extremamente positiva entre natureza, saúde e políticas públicas, argumento esse que na verdade já tinha sido iniciado num outro blogue em 2020, quando divulguei um artigo de investigadores ingleses sobre um conceito que tem quase 2400 anos. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/11/relationship-between-nature.html
Em Fevereiro de 2022, divulguei um estudo que apontava para a existência de uma componente genética na ligação à natureza e em Abril desse mesmo ano recordei o conceito de transtorno do défice de ligação à natureza. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/04/uma-vida-com-significado-e-uma-nova.html
Em Dezembro de 2023, divulguei um estudo com quase 8.000 participantes que demonstrou que viver perto da natureza está associado a telómeros mais longos, ou seja, a um envelhecimento biológico mais lento, esse post tornou-se um dos 10 mais vistos de sempre deste blogue https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/12/telomeros-estudo-recente-mostra-como.html
No inicio de 2025, escrevi sobre as limitações do ChatGPT na pesquisa de literatura científica indexada sobre a prática Japonesa Shinrin-Yoku, os chamados banhos de floresta, cuja evidência científica documenta a redução do cortisol e o reforço do sistema imunitário e que faz parte das politicas públicas de saúde do Japão há mais de 40 anos https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/02/shinrin-yoku-limitacoes-cientificas-do.html
E também no inicio de 2025, num post onde critiquei um conhecido catedrático, propus a receita tripla TNN, defendendo que o teletrabalho possui vantagens várias para o nosso país, já que contribui para aumentar a natalidade, ajuda a inverter a desertificação do Interior e aproxima as pessoas da natureza, aliviando simultaneamente a pressão sobre o sistema de saúde. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/01/alcancar-um-circulo-virtuoso-para.html
Por uma feliz coincidência, o jornal Público de hoje traz nas páginas 14 e 15, uma notícia e uma entrevista que vêm confirmar, com o peso da academia, aquilo que este blogue tem vindo a defender. O Laboratório Associado Terra, estruturado em cinco unidades de investigação, que reúne mais de 400 investigadores das Universidades de Lisboa e de Coimbra, apresentou esta semana o Programa Nacional de Prescrição de Natureza até 2030. O objetivo é claro: integrar atividades em ambientes naturais no quotidiano clínico.
Como explica nesse artigo Ana Abreu, cardiologista e investigadora ligada ao projecto, não se trata simplesmente de recomendar ao doente que vá passear. Trata-se, sim, de uma prescrição estruturada, com dose, frequência, intensidade e tipo de ambiente ajustados à condição clínica de cada pessoa, tão rigorosa quanto a prescrição de um medicamento. Os banhos de floresta que referi há um ano atrás, a propósito da prática Japonesa Shinrin-Yoku, surgem aqui como uma das modalidades prioritárias de intervenção.
O que fica porém a faltar e que o artigo do Público não aborda, mas que os meus posts têm sublinhado de forma consistente é reconhecer que nenhum programa de prescrição de natureza terá um impacto verdadeiramente transformador enquanto a esmagadora maioria da população deste país continuar concentrada no Litoral. E é aqui que o teletrabalho assume um papel decisivo, pois continua a ser o instrumento mais poderoso e simultaneamente mais subaproveitado que poderá permitir a milhões de portugueses uma vida mais próxima da natureza. E se é um facto que a potenciação da inteligência artificial, no âmbito da recentemente aprovada Agenda Nacional de Inteligência Artificial, pode efectivamente contribuir muito mais para inverter a desertificação do Interior de Portugal do que muitas estratégias autárquicas isoladas ou programas governamentais existentes, não é menos factual que a atual e grave crise energética originada pelo bloqueio no Estreito de Ormuz vem reforçar ainda mais a centralidade do teletrabalho, como sublinha aliás o professor catedrático da Universidade do Minho, Luís Aguiar-Conraria, no seu artigo publicado no último numero do caderno principal do semanário Expresso. https://expresso.pt/opiniao/2026-03-26-a-maior-crise-energetica-de-sempre-5d880f0f