segunda-feira, 27 de junho de 2022

Os catedráticos endogâmicos que em Portugal se comportam como lordes feudais

 


Ainda na sequência do estudo, mencionado no post acima, sobre a endogamia envolvendo milhares de académicos em 140 países, é pertinente divulgar o recente e interessante artigo, de que abaixo se reproduz um pequeno extracto: 

"The process by which academic inbreeding enables the formation and perpetuation of an academic oligarchy is explained in this paper, but it is perhaps surprising to observe how much it resembles the social and political organization and structures of the Middle Ages. Full professors assume the role of “feudal lords,” guiding others and shaping strategy at various levels. Their domain is established based on particular characteristics, such as seniority, and given institutional knowledge control, granting them respect and power akin to those of real feudal lords. Their domain power is based on the number of other academics who are part of their network, similar to subjects in the feudal lord–subject relationship; and they pass their power to someone in the “hereditary” line when they retire, and in some extreme cases to others with whom they share consanguinity bonds..." https://link.springer.com/article/10.1007/s11024-022-09469-6#Sec3

PS - O autor do artigo, o investigador Hugo Horta, deveria ter dito que os laços de consanguinidade com catedráticos, podem ser raros nas universidades de alguns países mas não o são, de todo, nas universidades Portuguesas  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/03/em-portugal-ser-filho-de-alguem.html

Full professors as feudal lords


Still following the post above about a study on academic inbreeding that involved thousands of academics in 140 countries check below an extract of a recent paper:

"The process by which academic inbreeding enables the formation and perpetuation of an academic oligarchy is explained in this paper, but it is perhaps surprising to observe how much it resembles the social and political organization and structures of the Middle Ages. Full professors assume the role of “feudal lords,” guiding others and shaping strategy at various levels. Their domain is established based on particular characteristics, such as seniority, and given institutional knowledge control, granting them respect and power akin to those of real feudal lords. Their domain power is based on the number of other academics who are part of their network, similar to subjects in the feudal lord–subject relationship; and they pass their power to someone in the “hereditary” line when they retire, and in some extreme cases to others with whom they share consanguinity bonds..." https://link.springer.com/article/10.1007/s11024-022-09469-6#Sec3

domingo, 26 de junho de 2022

O Engenheiro mais esperto de Portugal ensina os Portugueses burros

 

O tal jornal mencionado na parte final do post acima, não continha somente o tal artigo hipócrita de um não menos hipócrita Ex-Ministro do PS, trazia também um interessante artigo sobre aquele que é sem dúvida o Engenheiro mais esperto de Portugal. Não contente em ter pago uma ninharia em termos de IRS por conta  dos vários milhões de euros que recebeu da FPF, com a alegação de ser um empresário, ainda acaba também por pagar zero, rigorosamente zero, de IRC por conta de uma venda de 30 milhões de euros. 

Ou seja já não bastavam os ricos estrangeiros que andam neste país a pagar impostos reduzidos e agora ainda temos engenheiros/treinadores/empresários que mostram como é que se ganham milhões e se pagam ninharias. Faz por isso todo o sentido relembrar uma proposta do catedrático e economista Ricardo Cabral, no sentido de reduzir o nível de impostos que existem em Portugal, redução essa que seria depois equilibrada com três medidas, com um aumento do IVA, com um imposto sobre o carbono e principalmente com  "uma melhoria do sistema de cobrança de impostos "especialmente ao nível dos mais ricos, que têm formas (mais ou menos legais) de evitar o Fisco". https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/09/uma-proposta-radical-para-acabar-com-o.html

PS - Hoje o JN traz uma capa "linda" onde se pode ler que na última década, os magistrados e deputados (que recorde-se ganham mais do que os deputados da França e do Reino Unido), foram as profissões que tiveram os maiores aumentos da função pública, respectivamente 31% e 23%, já aqueles que mais perderam no mesmo período foram os médicos (1.8%) e os investigadores (13%). https://www.jn.pt/nacional/magistrados-e-deputados-com-mais-aumentos-medicos-ganham-menos-14968666.html Porém enquanto que os médicos podem fazer horas extraordinárias para compensar essa perda, o mesmo já não sucede com os investigadores.  Não sei por isso o que é que os investigadores ainda estão à espera para fazer uma greve (de zelo) às candidaturas de projectos europeus, por conta das quais o Governo espera arrecadar centenas de milhões de euros. No mínimo dos mínimos, os investigadores deviam exigir o pagamento de um prémio de produtividade por cada projecto internacional ganho, no valor de 5% do valor projecto, que é a mesma percentagem que também é paga aos trabalhadores do fisco. https://observador.pt/2022/06/22/financas-mantem-premio-de-produtividade-maximo-aos-funcionarios-do-fisco/