sábado, 24 de dezembro de 2022

Ódios e amores no ensino superior ou a outra face da mexicanização em curso


Ainda na sequência do post acima, sobre um artigo de um catedrático da universidade do Minho, onde aquele se queixa que este Governo anda de forma descarada a prejudicar as universidades mais dinâmicas (leia-se aquelas que mais se tem esforçado a valorizar o dinheiro dos contribuintes), o que significa assim que anda a beneficiar aquelas que o são menos, acaba de saber-se, por via de um recente relatório da OCDE, que analisou o financiamento das instituições do ensino superior público Português, que a universidade da Beira Interior, foi uma das instituições mais prejudicadas.  

Por uma estranha coincidência, a apenas meia-hora de distância da cidade da Covilhã, onde se localiza a universidade da Beira Interior, temos a cidade de Castelo Branco, que nos últimos anos se tornou famosa por maus motivos, como o prova esta miséria aqui ou uma outra aqui ou principalmente os muitos artigos daquele jornalista que deixa os políticos daquelas bandas com os cabelos em pé, cidade essa onde existe uma outra instituição de ensino superior público (IPCB), que recebe muitíssimo mais (por cada aluno) do que recebe a universidade da Beira Interior. 

Uma explicação possível, para essa diferença de financiamento, é que este Governo odeia a UBI e nutre um amor profundo pelo IPCB. Uma outra explicação teoricamente possível, seria admitir que a segunda instituição ao contrário da primeira anda a fazer um excelente trabalho, em termos de valorizar o dinheiro dos contribuintes. Porém essa é uma hipótese manifestamente absurda sem qualquer aderência à realidade dos factos, pois na última década, a primeira produziu quase 700% mais publicações científicas indexadas do que a segunda, e muito mais importante do que isso é o facto de uma recente análise na conhecida base Scopus, ao período que decorreu entre 2012 e 2020, permitiu descobrir que a UBI, não só produziu muito mais como além produziu um número relevante de outputs com relevância científica, ao contrário do Politécnico de Castelo Branco, que foi manifestamente incapaz de produzir um único artigo científico que tivesse recebido um mínimo de 300 citações  https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/08/quais-sao-as-universidades-e.html 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

Missão__Garantir que qualquer ser humano disponha de forma permanente do acesso ao conselho de dezenas de especialistas


Na página 58 da penúltima edição da revista The Economist, no contexto de um artigo sobre Inteligência Artificial, refere-se que o patrão da Microsoft terá dito que quer contribuir para criar um mundo novo, onde qualquer pessoa, independentemente da sua profissão,  possa ter acesso de forma permanente ao conselho de dezenas de especialistas.

Trata-se porém e na verdade de um cenário, que nada tem de extraordinário, pois num post anterior de Janeiro de 2020, sobre o futuro das universidades, já era referido o conteúdo de um artigo publicado nesse mesmo mês na Science Business, onde se afirmava que a Inteligência Artificial, iria dar a qualquer pessoa o acesso imediato ao equivalente a uma centena de especialistas humanoshttps://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/01/the-university-of-future.html facto esse que então se apontou como forçosamente indutor de uma inesperada disrupção do modelo universitário clássico, dedicado à formação de especialistas. E disrupção essa, que logo no ano seguinte, ainda mais evidente se tornou por conta de uma afirmação, por parte de um professor Britânico jubilado, bastante polémica na altura, em face daquilo que era o "cânone" da realidade académica, mas que agora se entende como até sendo sensata no contexto da supracitada nova missão da Microsoft.

Quanto a saber-se quais são as especialidades nas quais as universidades devem desde já deixar de perder o seu tempo, há pelo menos uma que é absolutamente evidente, a especialidade de radiologia, pois já existe um algoritmo infalível, que foi testado contra os melhores especialistas mundiais e ao contrário daqueles nunca errou um único diagnóstico, facto esse que desde logo irá permitir evitar situações humilhantes como esta aqui https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/01/para-evitar-esta-humilhacao-e.html

PS - Sobre o tema supracitado revisite-se o post "A Academia às portas da irrelevância tecnológica ?"

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

H-index mínimo como condição de acesso a concurso para lugar de catedrático



Afinal já não é só nos EUA que o h-index é utilizado na promoção de professores universitários, vide post anterior acessível no link acima, ou por exemplo o post mais recente de 19 de Setembro https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/09/male-stem-researchers-are-paid-266-more.html, pois na verdade também o é num recente concurso para um lugar de catedrático no departamento de engenharia civil da universidade de Lisboa, que foi publicado num Edital de 6 de Dezembro, onde é exigido um h-índex mínimo de 15 na base Scopus.

Curiosamente, há oito anos atrás analisei o desempenho, em várias métricas, dos professores com tenure (Associados e catedráticos) do referido curso de engenharia civil, nas seis universidades mais competitivas (UA, UC, UM, UNL, UP e UL) e constatei que o h-índex médio (após remoção das auto-citações), correspondente aos Professores (associados e catedráticos) com melhor desempenho (Top5%) tinha o valor de 15. O referido artigo também mostrou que para os catedráticos com o melhor desempenho (Top5%) no Imperial College e no MIT, o h-index, era respectivamente de 18 e de 30. https://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/30767

PS - Recordo que em 10 de Janeiro de 2020, sugeri uma medida radical, para poupar vários milhões de euros, que seriam utilizados para contratar jovens investigadores de elevado potencial (desempregados, que sem dúvida irão trabalhar para enriquecer outros países que não o nosso), e que passaria pelo despedimento dos Associados e Catedráticos com um h-índex inferior a 10 (e também de todos os professores-coordenadores com um h-index inferior a 5por violação grave do dever de investigar, consagrado no ECDU e no ECDESP, leia-se produzir um mínimo de outputs cientificamente relevantes no contexto internacional.