quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

O sismo na Turquia e o perigo eminente dos pilares dos edifícios Portugueses


Agora que no rescaldo da tragédia que se abateu na Turquia, em que infelizmente alguns órgãos de informação Portugueses, parecem muito menos preocupados com a situação daquele país e mais com a necessidade de cavalgarem o mediatismo da referida tragédia e assim aumentarem o seu share televisivo e os seus lucros, é absolutamente lamentável que hoje na parte da manhã, no programa "Casa Feliz", a SIC tenha permitido que um médico de nome Viriato Ferreira, cuja especialidade é a saúde mental e não a Engenharia Civil, pudesse ter afirmado, para aquelas várias centenas de milhares de Portugueses, que usualmente assistem a esse programa, que eles deviam estar muito preocupados no contexto de um futuro sismo de elevada intensidade que venha a ocorrer em Portugal, já que ele terá ouvido dizer que, em Portugal há muitos edifícios, cujos pilares tem entulho em vez de cimento.

Trata-se de uma afirmação absolutamente especulativa, gratuitamente alarmista, rotundamente falsa (leia-se, violadora do dever do rigor a que está obrigado aquele órgão de informação), e até mesmo difamatória, não só da industria da construção, mas principalmente do profissionalismo daqueles milhares de engenheiros civis, que neste país, projetaram e ou fiscalizaram estruturas de edifícios de betão armado. As afirmações do referido médico são ainda particularmente graves, porque podem comprometer as metas de reciclagem de resíduos, a que está obrigada a indústria da construção, já que forma leviana (leia-se ignorante) fazem passar a imagem errónea que a reciclagem de resíduos em estruturas de betão, não obedece a elevados padrões de segurança regulamentar (leia-se da necessária resistência mecânica e durabilidade) e constituem por conseguinte um perigo eminente.  Porém e em bom rigor, a probabilidade de alguém morrer em Portugal, durante a ocorrência de um sismo futuro, por conta de viver num edifício construído com os tais putativos pilares, onde utilizaram entulho em vez de cimento, é muitíssimo inferior à probabilidade dessa pessoa morrer vitima de negligência médica. 

PS - Por uma estranha e lamentável coincidência, o Expresso, que pertence à mesma empresa a que também pertence a SIC, convidou recentemente alguém da área da engenharia mecânica (e não como seria suposto da área da Engenharia Civil) para falar do futuro do cimento. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/01/uma-descoberta-merecedora-de-um-nobel.html

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

A scientometric support tool to help grant reviewers



Still following a previous post (link above) about a presentation by Vladlen Koltun, Distinguished Scientist at Apple, (formerly Chief scientist at Intel and prior to that was Professor at Stanford University) check the paper recently published in Plos One, which analyzes a scientometric support tool used in Hungary since 2020, to help grant reviewers:
"Comparing the scientific output of different researchers applying for a grant is a tedious work. In Hungary, to help reviewers to rapidly rank the scientific productivity of a researcher, a grant decision support tool was established and is available at www.scientometrics.org. In the present study, our goal was to assess the impact of this decision support tool on grant review procedures" 

Uma importante e valiosa ferramenta de apoio à decisão para ajudar os avaliadores de projectos de investigação



Ainda na sequência do post anterior, acessível no link acima, onde se comentou a inusitada tentativa Portuguesa (leia-se uma experiência falhada) de tentar avaliar unidades de investigação, sem recurso a métricas, e que muito ironicamente acabou por resultar numa avaliação, em que os avaliadores, desprezando o que dizia o regulamento, se socorreram das métricas que eram mencionadas nos relatórios de auto-avaliação, é pertinente divulgar o facto de há poucas semanas atrás ter sido publicado um artigo na revista Plos One, o qual analisa uma ferramenta de apoio à decisão, baseada em métricas, que desde 2020, é utilizada na Hungria, para ajudar os avaliadores de projectos de investigação:  https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0280480

Sobre métricas também é importante recordar a posição de uma catedrática da universidade de Oxford, posição essa que eu já tinha divulgado num post anterior, o qual terminava com uma questão que novamente reproduzo: 
"Será que é do melhor interesse da ciência Portuguesa e de Portugal, arriscar perder esses jovens investigadores, gastando importantes verbas públicas, somente para que os avaliadores internacionais, possam corroborar in loco, uma irrelevância científica, que as métricas já demonstram de forma bastante clara ?"