quinta-feira, 30 de novembro de 2023

IA generativa - Universidade do Minho é a nova campeã nacional das universidades com mais publicações indexadas na Scopus

 

No inicio do passado mês de Outubro, uma pesquisa efectuada na plataforma Scopus, pelas publicações com os termos "chatGPT" OR "chat GPT" OR "Generative Pre-Trained Transformer", mostrou que a universidade do Minho, era a segunda universidade Portuguesa com o maior rácio, publicações indexadas por cada 100 docentes doutorados, atrás somente da Universidade de Aveiro. https://pachecotorgal.com/2023/10/04/ia-generativa-a-lideranca-da-u-aveiro-e-da-u-minho-e-o-desempenho-decepcionante-da-u-porto/

Um mês depois, uma nova pesquisa, revelou que a universidade do Minho ainda se mantinha em segundo lugar a nível nacional e revelou também que a universidade do Porto continuava a decepcionar https://pacheco-torgal.blogspot.com/2023/10/ia-generativa-universidade-do-porto.html mas hoje passado que está um outro mês, uma pesquisa efectuada na Scopus, mostra que a universidade do Minho é agora a universidade com melhor rácio nacional, vide lista abaixo: 

Univ do Minho........1.2 publicações por centena de docentes doutorados
Univ. de Aveiro.......1.1
UBI.........................0.6
Univ. Nova..............0.5
Univ. do Porto.........0.4
Univ. de Lisboa.......0.4
Univ. de Coimbra....0.3
Univ. de Évora........0.2

Os resultados mostram que há várias universidades com uma produção científica anormalmente baixa, onde se incluem as universidades de Lisboa, do Porto e de Coimbra, cujo rácio é respectivamente 300% e 400% inferior ao da Universidade do Minho. 

Se as referidas três universidades, tivessem produzido o que produziu a universidade do Minho, então Portugal já poderia hoje, finalmente, ter mais publicações científicas, sobre inteligência artificial generativa, do que países pobres como o Paquistão ou o Camboja. 

Note-se, que por exemplo, a Suíça, produziu 300% mais publicações, nesta área particular do que Portugal e que a universidade de Cambridge, sozinha, possui mais publicações sobre inteligência artificial generativa, do que todas as instituições de ensino superior de Portugal juntas. 

E até possível saber, qual a área cientifica, em Portugal, que não anda a produzir aquilo que era suposto. A nível mundial a produção de publicações indexadas sobre inteligência artificial generativa, é liderada pela universidade de Stanford, e uma análise mais fina sobre essas publicações, revela que 44% pertencem à área da medicina. E isso não sucede por acaso pois um artigo hoje publicado na revista Nature, revela que a inteligência artificial permitirá poupar anualmente entre 200 biliões e 360 biliões de dólares https://www.nature.com/articles/d41586-023-03803-y

Se porém fizermos o mesmo exercício, para as publicações indexadas de Portugal, chega-se à lamentável conclusão que somente 22% pertencem à área da medicina. Ou seja o nosso país produz muito menos publicações científicas do que devia produzir, menos inclusive do que produzem os países pobres supra mencionados e ainda por cima, em áreas cientificas, que não são aquelas que possuem o maior potencial de poupanças económicas. 

PS - Ainda sobre a supracitada IA generativa, é pertinente divulgar um estudo recente, de investigadores da Dinamarca, que concluiu que o GPT-4 (a tal versão do ChatGPT que é paga mensalmente e que as universidades ricas disponibilizam aos seus alunos), consegue ser mais eficaz do que os humanos, a escrever introduções de estudos científicos https://assets.cureus.com/uploads/original_article/pdf/179463/20231118-13378-1265u1.pdf

A falta de visão da revista Visão e os economistas perturbados que se comportam quase como a famosa galinha sem cabeça



No dia 14 Março de 2023, tive de criticar a falta de rigor da revista Visão acerca das putativas "20 profissões mais suscetíveis de serem substituídas pelo ChatGPT", vide post acessível no link acima. Passados poucos meses, em 31 de Agosto, tive novamente que criticar a referida revista, por conta de um artigo pouco rigoroso e até alarmista, onde se afirmava que a inteligência artificial iria eliminar 75 milhões de postos de trabalho https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/08/os-engenheiros-que-cobram-quase-200.html

Pois bem, num recente artigo publicado na prestigiada revista The Economist, na edição "The Word Ahead 2024", (a mesma edição, que não por acaso, já tinha mencionado, num post sobre a supina tacanhice do Reitor da Universidade de Lisboa), pode ler-se nas páginas 71-72, no artigo de título "What does AI mean for your pay?", que os cenários dantescos sobre eliminação de elevadas percentagens de empregos eram afinal baseados em pressupostos pouco realistas. Curiosamente, num outro artigo da mesma revista, nas páginas 83-84, está escrito que os economistas andam de cabeça perdida, (leia-se, agem quase como se fossem a tal famosa galinha que contra todas as probabilidades, conseguiu viver 18 meses sem cabeça) porque afinal muitas empresas ao invés de despedir, tiveram ainda de contratar mais pessoal, porque conseguiram ganhar mais quota de mercado. 

Declaração de interesses - Declaro que nada de pessoal me move contra a revista Visão. Porque se é verdade que em 8 de Dezembro de 2019 escrevi sobre ela um post nada simpático de título "A máquina de estupidificar os Portugueses ataca novamente", também não é menos verdade que em 30 de Janeiro de 2020, escrevi um outro post, esse elogioso, de título "A máquina de estupidificar Portugueses no caminho da redenção ?", https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/01/a-maquina-de-estupidificar-portugueses.html e em 15 de Abril de 2020, também um outro post, igualmente elogioso, com o título "A máquina de estupidificar Portugueses redimiu-se ?"

quarta-feira, 29 de novembro de 2023

Porque serão os engenheiros tão avarentos e os economistas tão generosos ?

 


O doutorado Nuno Eduardo da Silva Ivo Gonçalves, conhecido docente do ensino superior, foi há poucos dias atrás autor de um "curioso" artigo, acessível no link supra, onde fala de um "processo de atribuição dos títulos profissionais de Economista Sénior e de Economista Conselheiro" e onde a certa altura se pode ler a surpreendente frase "Ou seja, António Mendonça não nos pedia que nos candidatássemos, enviava-nos um convite directo para membro conselheiro e pedia-nos uma nota curricular. Tratava-se portanto de uma passagem administrativa". 

Para quem não saiba, o supracitado Bastonário da Ordem dos Economistas, António Mendonça, é professor catedrático no ISEG e uma pesquisa na base Scopus, revela que possui 5 (cinco) publicações científicas indexadas, que foram produzidas ao longo dos últimos 16 (dezasseis) anos e que receberam até ao momento 17 (dezassete) citações (h-index=3). https://www.scopus.com/authid/detail.uri?authorId=36883916100

Intrigante é que, comparando o número total de membros da Ordem dos Economistas e das largas centenas de Economistas Conselheiros, com os valores equivalentes existentes na Ordem dos Engenheiros, chega-se à conclusão que o rácio de Engenheiros Conselheiros é aproximadamente 20 (vinte) vezes inferior ao de Economistas Conselheiros. Pelo que faz todo o sentido questionar, porque será que a Engenharia Portuguesa é assim tão avara ?

E será que afinal a famosa piada, segundo a qual, os economistas foram criados para dar credibilidade às previsões dos meteorologistas, irá ser substituída por uma nova versão, que dita que, os economistas foram criados para mostrar a avareza dos engenheiros ?

Ironias à parte, não posso em boa consciência, deixar de lamentar bastante que o catedrático, Francisco Louçã, cuja obra científica é muitíssimo mais citada do que a do Bastonário António Mendonça e que eu próprio admito que já citei em 2016 (leia-se o artigo "The elusive concept of innovation for Schumpeter, Marschak and the early econometricians") no capítulo introdutório deste livro https://shop.elsevier.com/books/start-up-creation/torgal/978-0-08-100546-0 não possua currículo mínimo, suficiente, para fazer parte da tal lista de largas centenas de ilustríssimos de Economistas Conselheiros, autores de análises e estudos económicos, verdadeiramente extraordinários, que muito ajudaram a alcançar o sobejamente conhecido milagre económico Português, que é o de exportar jovens Portugueses para os países do Norte da Europa. E o mais intrigante é que nem sequer lá aparece o nome daquele catedrático de economia, da universidade do Minho, Luís Aguiar-Conraria, cuja obra científica até já foi citada por vencedores do Nobel da Economia

No contexto supracitado e tendo em conta, que como escrevi no passado dia 24 de Novembro, reconheço "elevada sapiência e invulgar sensatez", https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/11/vital-moreira-versus-pacheco-torgal.html às opiniões do catedrático jubilado Vital Moreira, não resisto a reproduzir um excerto de um post que ele colocou no seu blogue, no dia 22 de Junho de 2022: "A mais ridícula ordem profissional é, a meu ver, a Ordem dos Economistas...visto ser evidente que não há nenhuma "falha de mercado" nesse setor de serviços...É um escandaloso caso de "desvio do poder" legislativo..."

Declaração de interesses - Declaro que esta foi a primeira vez que escrevi sobre a (inócua mas muitíssimo generosa) Ordem dos Economistas, pois como fazem prova, dezenas de posts anteriores, prefiro muitíssimo mais, dedicar o meu tempo, a denunciar aquilo que de de absolutamente inacreditável, se passa na Ordem dos Advogados e na Ordem dos Médicos https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/05/ordem-dos-engenheiros-novamente-na.html

PS - Ainda sobre engenharia e engenheiros, hoje na capa do jornal Público pode ler-se "O IPDJ contratou para prestar serviços de engenharia o filho de um antigo deputado do PS, que não era engenheiro"Porém em nome do rigor que deve pautar o comportamento de qualquer profissional, é bom que se diga toda a verdade, isto é que na página 12 do mesmo jornal se pode ler que, "mais de quatro anos passados, L. Junqueiro aparece inscrito na Ordem dos Engenheiros como engenheiro civil estagiário", o que faz prova bastante que o jornalista do Público foi maldoso e devia antes ter escrito "O IPDJ contratou para prestar serviços de engenharia o filho de um antigo deputado do PS, que não era engenheiro, mas que sabia, que estava escrito nas estrelas, que um dia iria ser engenheiro"