terça-feira, 30 de julho de 2024

Porque é que algumas (!) universidades não são capazes de explicar aos seus alunos o que é uma publicação científica, incluindo a alunos de doutoramento?


Há alguns anos atrás gerou bastante polémica o facto de um deputado do PSD afirmar que era Visiting Scholar na universidade da Califórnia, embora essa descrição não batesse certo com a realidade dos factos. Na altura, partilhei com muitos Colegas, a minha enorme surpresa pelo facto desse deputado ter várias centenas de artigos no seu currículo De Góis, que eram na verdade apenas artigos de opinião publicados em jornais como o Público e outros do mesmo género. 

Curiosamente constatei recentemente que um doutorado pela universidade do Porto (membro de uma unidade de investigação daquela universidade), muito solicitado pela imprensa generalista, para escrever artigos de opinião, achou boa ideia colocá-los no seu currículo na plataforma Ciência Vitae, que tem como objectivo gerir os currículos científicos dos investigadores do SCTN, onde aquele possui quase 300 artigos. Porém uma pesquisa na Scopus mostra que ele só tem uma única publicação indexada naquela plataforma. 

Resta assim concluir que as universidades deste país não tem sido muito eficazes a explicar aos seus alunos o que é uma publicação científica, incluindo a alunos de doutoramento. Faz por isso todo o sentido reproduzir abaixo a definição de publicação científica segundo o ChatGPT, para dessa forma expedita ajudar a colmatar essa grave falha. 

PS - Agora que está em curso a avaliação de unidades de investigação (que não cumpre o requisito essencial denunciado pelo conhecido catedrático jubilado Ferreira Gomes) será interessante imaginar o que pensarão os avaliadores estrangeiros, que forem avaliar a unidade a que pertence o referido doutorado e constatarem que (ao contrário dos seus colegas dessa unidade) ele consegue produzir tantos "artigos" em tão pouco tempo.

Uma publicação científica é um documento que apresenta resultados de pesquisas originais, revisões de literatura, ou discussões teóricas em uma determinada área do conhecimento. Essas publicações são destinadas a compartilhar novos conhecimentos, promover a troca de ideias e fomentar o progresso científico. As características principais de uma publicação científica incluem:

  1. Originalidade: Apresenta pesquisas ou análises inéditas e contribui com novas descobertas ou interpretações no campo de estudo.

  2. Revisão por pares: Antes de ser publicada, a maioria das publicações científicas passa por um processo de revisão por pares, onde outros especialistas da área avaliam a qualidade, validade e originalidade do trabalho.

  3. Estrutura formal: Geralmente segue uma estrutura padrão que inclui título, resumo (abstract), introdução, metodologia, resultados, discussão, conclusões e referências bibliográficas.

  4. Referenciamento rigoroso: Todas as fontes e dados utilizados são citados de forma detalhada para permitir a verificação e a replicação dos resultados por outros pesquisadores.

  5. Publicação em periódicos científicos: São frequentemente publicadas em revistas ou periódicos científicos especializados, que podem ser de acesso livre ou restrito a assinantes.

  6. Contribuição para a comunidade científica: O principal objetivo é contribuir para o avanço do conhecimento científico e tecnológico, fornecendo informações que possam ser utilizadas por outros pesquisadores, educadores e profissionais da área.

segunda-feira, 29 de julho de 2024

New Study Challenges the Accuracy of Clarivate's Highly Cited Researchers List


Following up on the poignant story of a distinguished scientist's aspiration to become a European champion, I recommend reading a recent and insightful paper published in the journal Scientometrics. Authored by a renowned Stanford professor, the paper is titled "Evolving Patterns of Extreme Publishing Behavior Across Science." 

This study analyzed extreme publishing behavior, defined as having over 60 articles indexed in Scopus in a single year. It identified 3,191 authors with such behavior in various sciences (excluding Physics) and 12,624 in Physics.  China has consistently held the highest number of hyperprolific, nearly hyperprolific, and extremely prolific publishing authors for many years. Additionally, there have been significant increases in such authors in Thailand, Saudi Arabia, Spain, India, and other countries. https://link.springer.com/article/10.1007/s11192-024-05117-w#Sec10

The study concludes that "counting citations without adjusting for co-authorship patterns may be highly problematic." This finding corroborates previous studies by Koltun and others, providing compelling evidence that Clarivate's Highly Cited Researchers list is flawed. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/evaluating-researchers-in-fast-and.html

In this context, several crucial questions must be asked: Why do those responsible at Clarivate refuse to correct their flawed Highly Cited Researchers List? Is it because doing so would most significantly impact Chinese researchers, leading to a substantial drop of Chinese universities in the Shanghai Ranking, which relies on that flawed list? But why would China require such condescending favor from Clarivate Analytics when they have already demonstrated the capability to ascend to the top of the innovation race through their own merit?  

Declaration of Competing Interests: I declare that my scientific field, civil engineering, is being discriminated against by Clarivate's Highly Cited Researchers List. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/11/why-is-clarivate-analytics-favouring.html

PS - There is only one global scientist ranking that fulfills three key criteria: precise name disambiguation, exclusion of self-citations, and the use of fractional counting. Furthermore, it remains unbiased across all scientific disciplines. 

domingo, 28 de julho de 2024

Ciência confirma a elevada perigosidade de uma decisão do Governo Português

No passado dia 23 de Janeiro, elogiei um artigo publicado na revista da Ordem dos Engenheiros, de um nada modesto (e corajoso) catedrático de engenharia da universidade do Porto (que simultaneamente consegue honrar a Academia e a Engenharia), o qual entre outras coisas, classificou como medíocre a decisão do primeiro Governo de António Costa, de querer esburacar o Interior de Portugal na extração mineira do lítio, pois é mais que evidente que se houvesse elevadas reservas de lítio na Comporta ou na Quinta da Marinha, jamais algum Governo deste país se atreveria a tentar explorá-las. Vide post acessível no link https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/01/catedratico-nada-modesto-classifica-de.html

Pois bem, muito recentemente a prestigiada revista Science publicou um artigo onde se pode ler, que os habitantes das zonas próximas de resíduos das minas, respiram ar carregado de poeiras tóxicas e também que a verdadeira extensão dos nefastos efeitos para saúde daqueles só agora se começa a perceber. https://www.science.org/doi/10.1126/science.adr9387

Nele se pode ler que as partículas tóxicas podem ser transportadas pelo vento até a uma distância de quase 70 quilómetros. Trata-se de um valor que é mais do dobro daquele mencionado num outro estudo de investigadores Norte-Americanos, que eu divulguei há quatro anos atrás https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/07/mina-provoca-contaminacao-com-metais.html

E antes disso, já tinha divulgado um outro estudo, realizado por investigadores Portugueses, que concluiu que uma certa localidade do concelho da Covilhã, apresenta níveis de contaminação que excedem em 2000% os limites legais https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/11/contaminacao-de-mina-excede-em-2000.html

Declaração de interesses - Declaro que entre 2019 e 2021 publiquei 18 posts no meu primeiro blogue, onde critiquei as medíocres decisões sobre a exploração mineira do lítio do Governo hipócrita do Alfacinha António Costa. Reproduzo abaixo os links dos três posts que obtiveram mais visualizações. 

PS - Espero para ver se o actual Governo, consegue ter a coragem suficiente para fazer aquilo que o anterior manifestamente não teve, de obrigar uma certa e arrogante casta (cujas mordomias os Portugueses são obrigados a sustentar) a ter de sair de Lisboa, ou se pelo contrário e à semelhança do cobarde anterior, também vai agir como se o Interior do país só servisse para ser esburacado e para suportar a toxicidade de resíduos de minas.