quinta-feira, 26 de setembro de 2024

The Dark Side of ERC: How Stratification is Undermining European Science


Continuing from my previous post regarding the Draghi report (linked above), I believe it is essential to critically examine the report’s overly enthusiastic praise of the European Research Grants program. While the program is undoubtedly impactful, I would argue that its current structure, which heavily concentrates resources on a limited number of recipients, has some notable shortcomings. This perspective is supported by an insightful study published in the Elsevier journal Research Policy, which highlights significant challenges associated with highly stratified programs (see the extracted section below). Why not reduce the value of individual ERC grants by half, allowing the program to support twice as many grantees?

"stratification creates higher levels of inequality which eventually induce disadvantaged participants to exit the market. Relatively high exit rates are common in highly competitive fields. Science, for example, has been described as a “a primitive village with maximum fecundity and horrible mortality” (Desolla Price, 1965). Back in the 1960s, the scientific population grew by 7% each year, with a 17% “birth rate” and a 10% “death rate.” However, now up to 84% of new PhD recipients in biology are expected to exit academia due to the lack of tenure track positions (Larson et al., 2014). Furthermore, “quitting” among those who succeed to stay in academia can come in the form of reduced willingness to compete for funding opportunities (Bol et al., 2018), fueling rich-get-richer dynamics. Given this high exit rate, we should take opportunities to explore new mechanisms to reduce—but by no means eliminate—competitive pressure: the objective is rebalancing the current high levels of reward stratification towards a more sustainable equilibrium" https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0048733321000160?via%3Dihub#sec0022

PS - The aforementioned paper is co-authored by Christoph Riedl, who is affiliated with both Northeastern University and Harvard University. I previously mentioned Riedl in a post discussing creativity in research https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/09/aarhus-university-creativity-in-research.html

Uma análise fina e contextualizada sobre um intrigante desempenho universitário


Ao contrário do que parecia sugerir o post acessível no link supra, onde mencionei (sem contexto) uma queda de 44%, da universidade do Minho, no ranking Shanghai por áreas, convém porém proceder a uma análise desse desempenho num período temporal maior e comparar o mesmo com o desempenho de ouras universidades Portuguesas. Entre essas merece destaque, pela negativa, a Universidade Nova de Lisboa, que caiu mais de 60% e a Universidade de Coimbra que caiu quase 60%, vide imagem infra. 

O comportamento decrescente da UMinho, pode ser parcialmente explicado, por aquela ser uma das universidades a quem os Governos PS todos os anos mais subfinanciaram, pois esse é um facto incontraditável, essa condição não explica porém o comportamento da universidade Nova de Lisboa, que é uma universidade que recebe do Orçamento de Estado muito mais dinheiro que recebe a Universidade do Minho. A universidade Nova é tão rica ou tão pouco, que o seu Reitor até recebe dois salários e uma das suas unidades orgânicas até planeia contratar professores estrangeiros, com salários de quase 30.000 euros/mês https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/04/a-universidade-portuguesa-que-pretende.html


PS - Porque será que a (rica) Universidade Nova, a campeã das descidas no ranking Shanghai por áreas, foi a universidade que mais lugares arrecadou no programa FCT tenure, mais até (!!!) do que receberam no conjunto as universidades de Coimbra, Minho e Aveiro ?  https://www.publico.pt/2024/08/29/ciencia/noticia/cinco-universidades-90-vagas-docentes-novo-fcttenure-2101918 

quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Impacto, citações e o prémio da Escola de Engenharia da UMinho baseado no h-index


Reproduzo abaixo um email que ontem enviei aos professores e investigadores da UMinho:

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De: F. Pacheco Torgal 
Enviado: 24 de setembro de 2024 07:01
Assunto: UMinho lançou livro que compila produção científica - Um comentário sobre a Tabela 19

Num email (infra) de 13 de Dezembro de 2023, produzi alguns comentários sobre o tal livro da UMinho que analisou a produção científica da mesma UMinho ao longo de 46 anos, na parte onde se ficou a saber que a partir de 2016, houve vários anos em que as publicações da UMinho receberam menos citações do que a média nacional, inclusive em 2022, o último ano do levantamento efectuado. 

No mundo da ciência estar abaixo da média nunca é bom, no mínimo significa uma de duas coisas, incompetência ou falta de vocação, contudo estar abaixo da média num país como a Suiça, extremamente competitivo em termos científicos, campeão mundial do rácio prémios Nobel por milhões de habitante não é demérito, desgraçadamente porém Portugal não é (e nem nunca será) a Suiça, Portugal não consegue sequer superar a Grécia nem o Chipre, como recentemente foi possível constatar aqui https://pachecotorgal.com/2024/09/23/nobel-para-a-ciencia-portuguesa-clarivate-analytics-revela-que-nao-sera-tao-cedo/

Neste contexto relembro que no ranking Shanghai por áreas de 2021 a UMinho tinha 18 áreas no Top 500 mas em 2023 a UMinho já só lá tinha apenas 10 áreas, tendo perdido quase metade em apenas dois anos https://www.docdroid.net/KfZvpEt/2023-shanghai-ranking-tabela-top-500-pdf#page=2  

Mesmo quando se olha para o ranking de investigadores, altamente citados, da Elsevier/Stanford, no período entre 2019 e 2024 constata-se que na UMinho houve apenas 5 (cinco) áreas, https://www.uminho.pt/PT/siga-a-uminho/Paginas/Detalhe-do-evento.aspx?Codigo=64460  de onde saíram aqueles que chegaram a uma das três posições do pódio anual, sendo a esmagadora maioria de Engenharia. Vide tabela infra. 

Sobre as ponderosas razões que permitirão explicar o padrão de citações das publicações da UMinho que nos últimos anos tem sido inferior à média nacional, uma coisa é certa porém, como explicou há muito tempo um conhecido investigador Norte-Americano, num livro (que recolheu até hoje quase 40.000 citações), ninguém se esforça por tentar alcançar aquilo que não é valorizado, e se as citações valem rigorosamente zero nos regulamentos de avaliação de desempenho da UMinho, isso significa que esta instituição, não pode admirar-se muito de não conseguir obter aquilo que não valoriza minimamente. Sendo certo que nesse capítulo, pelo menos a Presidência da EEUM, há poucos anos até, criou um prémio que valoriza as citações através do h-index. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/07/o-h-index-e-os-premios-de.html