quinta-feira, 28 de maio de 2026

Depois das humilhações públicas chegam agora as ameaças de Israel contra Portugal


Primeiro, tivemos o ministro israelita Ben-Gvir, que publicou um vídeo a humilhar ativistas, incluindo dois médicos portugueses. Ver notícia no link supra. E ontem, tivemos o embaixador de Israel que, furioso, veio ameaçar politicamente o nosso país, insinuando que Portugal passará a ser considerado “extremista” se defender a suspensão do Acordo entre a União Europeia e Israel. https://www.rtp.pt/noticias/mundo/embaixador-israelita-diz-que-portugal-passara-a-ser-considerado-extremista-se-defender-suspensao-de-acordo-ue-com-israel_n1743765

A inversão moral é evidente e obscena. Extremista não é quem exige o cumprimento do direito internacional. Extremista não é quem defende que a União Europeia deixe de conceder privilégios políticos e económicos a um Estado acusado de crimes gravíssimos contra civis. Extremista é tentar pressionar Portugal um país soberano para que se mantenha quietinho e caladinho, como se fosse obrigado a aceitar o papel de país capacho.

Mas, se a suspensão do Acordo UE-Israel irrita tanto o Governo israelita, é porque esse acordo importa muito. Importa politicamente, importa economicamente e importa simbolicamente. E é precisamente por isso que deve ser suspenso de imediato. Importa, por isso, divulgar e apoiar a petição europeia que já reuniu mais de 1 milhão de subscritores por toda a Europa, entre os quais me incluo porque não sou nem nunca fui capacho de ninguém, e que defende a suspensão imediata do acordo de comércio entre a União Europeia e Israel.   https://citizens-initiative.europa.eu/initiatives/details/2025/000005_en

A petição europeia está acesssível aqui https://eci.ec.europa.eu/055/public/#/screen/home

PS - O Acordo UE–Israel movimenta dezenas de milhares de milhões de euros, injetando ano após ano recursos financeiros que sustentam, direta ou indiretamente, a máquina de guerra israelita. A suspensão deste acordo é uma importante alavanca económica e política, destinada a cortar o financiamento que permite a Israel continuar a matar civis com a cobertura de uma impunidade que dura há demasiado tempo e que a União Europeia, enquanto parceira comercial privilegiada, tem a responsabilidade de não ajudar a perpetuar.

segunda-feira, 25 de maio de 2026

A quem interessa fabricar uma Academia que ladra baixinho e nunca morde ?


"que probabilidade têm professores promovidos pela obediência de conseguir formar alunos livres, críticos e intelectualmente independentes? E quanto é que custa a Portugal, em inovação adiada e atraso estrutural, essa cultura de submissão?" https://pachecotorgal.com/2026/04/27/o-erro-do-presidente-da-dst/

Na sequência do meu post de abril passado, no qual deixei duas perguntas cruciais, que volto a reproduzir no início deste texto, e também na sequência de um post que publiquei há cerca de três anos, dedicado a académicos corajosos, bem como de vários outros posts ainda mais antigos, entre os quais um de especial actualidade, com o esclarecedor título Como pode a Universidade interpelar a sociedade se os professores universitários têm medo de falar?, aproveito esta oportunidade, tão oportuna quanto necessária, para reproduzir abaixo um recente artigo do Professor Associado Domingos Caeiro, publicado no Expresso, cujo título é, por si só, bastante elucidativo:

Fábrica de conformistas: como a universidade trocou o pensamento pelo mercado

Domingos Caeiro

A academia portuguesa sucumbiu à lógica da empresa e ao silêncio estratégico. Quando as universidades deixam de pensar e de contestar, a democracia perde a sua última reserva crítica

Este artigo não é sobre a recente aprovação do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES). Mas não pode ignorá-la. O novo diploma, ao generalizar sob uma mesma fórmula tudo o que é superior — da universidade ao politécnico —, revela, logo à partida, uma pobreza de visão estratégica que é, ela própria, sintomática do mal maior que aqui se denuncia. Embora o RJIES mencione inovação, internacionalização e sustentabilidade como eixos estruturantes, falha em traduzir esses princípios em medidas concretas e ambiciosas. Seria essencial que um diploma desta magnitude assumisse um papel verdadeiramente transformador: que estabelecesse mecanismos robustos capazes de garantir não apenas a menção dessas prioridades, mas a sua efetiva materialização no sistema. Em vez disso, oferece-nos enunciados programáticos sem vinculação operacional.

Mas há uma aberração que merece destaque próprio: a possibilidade de agências estrangeiras acreditarem cursos nacionais. Trata-se, provavelmente, da alteração mais polémica e mais perigosa de todo o diploma. A A3ES — Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior —, atualmente a única agência nacional de acreditação, poderá ver a sua autoridade minada por critérios divergentes ou até contraditórios. Num cenário de duplo padrão de avaliação, arrisca-se ainda a ver diminuída a sua relevância e o seu financiamento, num caos regulatório sem precedente. É imperioso clarificar que as acreditações externas deverão ser complementares e nunca substitutivas da acreditação nacional, salvo quando integradas no Registo Europeu de Garantia de Qualidade no Ensino Superior (EQAR) e asseguradas por acordos bilaterais formais. Imagine-se um curso de engenharia acreditado por uma agência estrangeira de critérios menos exigentes, mas rejeitado pela A3ES. Qual prevalece? Esta é uma pergunta sem resposta no diploma — e sem resposta não há Estado, há anarquia regulatória.

É neste contexto — o de uma universidade já fragilizada por décadas de colonização gerencialista — que o legislador opta por fragilizá-la ainda mais. O que se segue não é, pois, uma análise jurídica do RJIES, mas antes um diagnóstico mais fundo: o de uma instituição que perdeu o fio à própria identidade.

O paradoxo é desconcertante: nunca a democracia esteve tão ameaçada, e nunca as universidades estiveram tão silenciosas. Habermas já tinha identificado este fenómeno com precisão — estudantes e professores, historicamente portadores de inquietude intelectual, mantêm hoje uma passividade que não é meditação reflexiva, mas capitulação tácita perante uma ordem de coisas que, há três décadas, teria provocado indignação coletiva. Não assistimos a uma crise circunstancial; testemunhamos a metamorfose profunda da academia numa entidade que já não reconhece as próprias origens.

A universidade contemporânea sofre aquilo que Habermas designou como colonização do mundo-da-vida pelo sistema. Imperativos económicos e burocráticos invadiram esferas que operavam segundo lógicas comunicativas e éticas, transformando a instituição numa empresa prestadora de serviços educativos. A linguagem tornou-se reveladora: estudantes transformaram-se em "clientes"; programas de estudo, em "produtos"; investigação, em "transferência de conhecimento"; pensamento crítico, em "competências transversais". Bill Readings (Universidade em Ruínas,1996) dissecou esta reconfiguração: a cultura cede lugar ao discurso da "excelência", conceito cuja genialidade perversa reside na vacuidade semântica. Não possui referente externo nem conteúdo interno; todos concordam com a sua necessidade porque não significa rigorosamente nada. Serve apenas como denominador administrativo que permite quantificar o inquantificável, auditar o que não deveria ser auditável.

Pensamos através da linguagem. E quando o nosso próprio uso linguístico é corrompido pelo discurso dominante, a ideologia que tudo é um mercado torna-se reinscrita nas práticas quotidianas, operando ao nível mais fundamental da consciência. A universidade não foi conquistada de fora para dentro; foi colonizada de dentro para fora, pela adoção voluntária de uma gramática que lhe é estranha.

O projeto tem êxito notável: a universidade neoliberal não falha em educar. Produz exatamente a subjetividade de que o capitalismo financeirizado necessita. Se a lógica sistémica mina o terreno do mundo-da-vida, o resultado é um sistema que fabrica sujeitos neoliberais perfeitamente ajustados: indivíduos hipercompetitivos, perpetuamente endividados, obcecados com métricas quantificáveis, incapazes de valorizar o que não pode ser monetizado, desinteressados de solidariedades coletivas não instrumentais.

Consideremos a trajetória típica do estudante contemporâneo. Inicia endividado, encarando a educação como investimento em "capital humano"— redução do ser humano a ativo económico. Durante o percurso, é permanentemente avaliado, classificado, ordenado em rankings. É levado a aprender que importa ter bom desempenho em avaliações padronizadas, não é necessário compreender profundamente. Descobre que perguntas incómodas prejudicam classificações; reproduzir acriticamente garante sucesso. Observa docentes precários dedicando energias desproporcionadas a relatórios burocráticos, formulários de auditoria, candidaturas a financiamento, tarefas que nada têm com ensino substantivo. Ao concluir, não emerge como cidadão crítico, mas como unidade produtiva ansiosa, ajustada à precariedade que o mercado impõe. A universidade cumpriu a função reformulada — mas deixou de ser universidade.

O conformismo não atinge apenas estudantes. O corpo docente, que historicamente constituiu reserva de pensamento crítico — desde o affaire Dreyfus até Maio de 1968 —, viu esse papel dissolver-se progressivamente. O académico contemporâneo encontra-se capturado numa rede de constrangimentos que lhe reduz o espaço de intervenção pública a quase nada.

A precarização representa o primeiro vetor (e a proposta de Lei Laboral não é o exemplo): proporção crescente do ensino é assegurada por docentes em situação precária: contratos a termo, bolseiros, assistentes convidados. Estes compreendem que expressar posições controversas pode significar não renovação de contrato. Mas mesmo os académicos com vínculos estáveis enfrentam pressões sistemáticas. Os regimes obsessivos (por vezes autocráticos) de avaliação tornaram-se mecanismos de disciplinamento subtil mas eficaz. A carreira depende exclusivamente de métricas quantificáveis: artigos publicados, citações recebidas, financiamento captado. Estas métricas não medem qualidade intelectual genuína, simulam essa medição através de indicadores que se tornaram fins em si mesmos.

O resultado é um corpo docente exausto, administrando obsessivamente a "marca académica", envolvido em jogos estratégicos de publicação — o menor artigo publicável, os tópicos com maior potencial de citação —, com cada vez menos tempo para a reflexão demorada, inovadora e arriscada que caracteriza o pensamento crítico transformador.

A própria natureza do trabalho intelectual foi reconfigurada. O conhecimento universitário é concebido como "inovação" ao serviço da "economia do conhecimento". As ciências sociais e humanas, que cumpriam função crítica sobre a sociedade, são progressivamente marginalizadas, subfinanciadas, consideradas "improdutivas" porque não geram patentes comercializáveis. Esta marginalização não é acidental. Uma universidade orientada para força de trabalho qualificada e conhecimento “comercializável” não necessita de historiadores que questionem narrativas, sociólogos que analisem dominação, filósofos que interroguem os fundamentos éticos do sistema. Necessita de engenheiros, gestores e técnicos; certamente que serão profissionais competentes, mas, maioritariamente, desprovidos de ferramentas para pensar o sistema como totalidade

A esfera pública universitária, que Habermas identificou como espaço privilegiado de debate racional-crítico, foi sistematicamente corroída. A autonomia tornou-se fictícia quando o financiamento provém de fontes com agendas específicas ou é atribuído segundo lógicas competitivas que privilegiam o "impacto económico". O tempo livre desapareceu sob avalanche administrativa. A comunidade fragmentou-se numa hierarquia rígida de contratos e precariedade. O ethos argumentativo cedeu a lógicas gestionárias onde as decisões são tomadas por “gestores” segundo critérios de eficiência económica.

Desapareceram também os espaços informais — cafés universitários, corredores, bibliotecas como locais de encontro — onde o pensamento crítico coletivo se formava. Estudantes correm entre aulas e empregos precários, sem tempo para o ócio produtivo. Professores trabalham isolados, interagindo por correio eletrónico e plataformas digitais. As reuniões tornaram-se sessões de gestão burocrática.

A caracterização da geração estudantil como conformista merece nuances. Quem ingressou no ensino superior depois de 2008 conheceu apenas austeridade permanente, precariedade normalizada e futuro incerto. Observaram pais com formação superior enfrentarem desemprego, endividamento e erosão de direitos. Aprenderam, pragmaticamente, que a educação superior já não garante mobilidade social; funciona, quando muito, como requisito mínimo para evitar a exclusão total.

A comparação histórica é reveladora. Os estudantes de 1968 eram beneficiários do maior período de expansão económica do século XX — os chamados "trinta anos gloriosos". Viviam num tempo de pleno emprego, de expansão do Estado social, de futuro aparentemente aberto. Essa segurança material criava espaço para a experimentação política e para a transformação cultural. Contrariamente, os estudantes contemporâneos habitam uma insegurança económica estrutural. O estudante endividado, que trabalha para pagar propinas e sobreviver, não dispõe de tempo para o ativismo sustentado. A ansiedade constante não promove contestação, promove conformismo estratégico, adaptação calculista. Assistimos a uma geração sem horizonte de utopia.

Acresce que a linguagem da contestação se tornou problemática. As grandes narrativas emancipatórias perderam credibilidade com a erosão das democracias e a integração da social-democracia no consenso neoliberal. Não existem projetos políticos radicais capazes de mobilizar massivamente. O vazio de horizonte utópico não é preguiça intelectual — é consequência de um empobrecimento histórico real.

A questão transcende largamente o âmbito académico: conseguirá a sociedade democrática sobreviver quando as instituições responsáveis pela formação de cidadãos críticos se transformaram em fábricas de sujeitos neoliberais? A universidade silenciosa não representa apenas um problema educativo, constitui sintoma de uma patologia democrática profunda. E quando o legislador, em vez de curar, agrava, permitindo, por exemplo, que agências estrangeiras de acreditação de qualidade duvidosa avaliem cursos nacionais, desautorizando implicitamente a A3ES, o diagnóstico torna-se ainda mais sombrio.

Não se trata de saudosismo. A universidade do passado tinha os seus próprios vícios, as suas hierarquias fechadas, os seus dogmatismos. O que se reclama não é a restauração de um tempo que não existiu plenamente, mas a recuperação de uma função: a de espaço onde o pensamento pode ser livre, onde a crítica não tem preço, onde o futuro não é apenas gerido, mas imaginado.

Enquanto a universidade não se reconhecer a si própria, enquanto não perceber que a sua crise não é orçamental, mas ontológica, o prognóstico, na ausência de intervenção radical, permanece profundamente inquietante para o futuro das nossas democracias.

sábado, 23 de maio de 2026

The Harvard’s Study and the Portuguese Unicorn That Devoured a German Rival

A study published in Science by researchers from Harvard Medical School has established a milestone in the evolution of AI-assisted medicine that is difficult to ignore: an OpenAI reasoning model outperformed experienced physicians in diagnosing and managing patients in a Boston emergency department using only electronic health records.  https://www.science.org/doi/10.1126/science.adz4433

But the deepest consequence of this breakthrough may not be felt first in Boston, London, or Berlin. It may be felt in rural villages, underserved regions, and low-income communities where hospitals are distant, doctors are scarce, and medical consultations remain out of reach. According to the 2025 WHO and World Bank UHC report, 4.6 billion people still lack full access to essential health services. For them, an AI diagnostic system available through a smartphone would not be a luxury. It could be the first real gateway to clinical guidance, early detection, and lifesaving care.

In this context, Sword Health deserves particular attention. The Portuguese unicorn is already applying AI to healthcare at global scale and, as of February 2026, says it has treated more than 700,000 patients across its AI care platform while delivering over 10 million AI care sessions. Its recent $285 million acquisition of German rival Kaia Health, expanding its reach in the United States while opening a major foothold in Germany’s reimbursed digital-health market, shows that AI medicine is no longer a distant promise but an emerging international infrastructure for prevention, treatment, rehabilitation, and follow-up care. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/11/the-deepening-roots-of-portuguese.html 

PS - This revolution also challenges medical education. Students now entering medical schools may need far more than technical excellence. They will need deeper formation in ethical judgment, responsibility, trust, compassion, and empathy — the human values that should guide the use of increasingly powerful machines.Yet even this frontier is becoming more complex. A recent study by Swiss researchers suggests that AI can be perceived as more empathetic than humans. https://www.nature.com/articles/s44271-025-00258-x

Update after 1 day - Blogger analytics indicate that the majority of views for this post come from Germany (17%), the USA (14%), and Brazil (5%). 

quarta-feira, 20 de maio de 2026

A improvável nova febre Portuguesa que vai dar uma ajuda ao Governo de Montenegro

 

A revista Sábado dedicou um extenso artigo de nada menos do que 11 páginas sobre a “febre das caminhadas e corridas”, um fenómeno verdadeiramente extraordinário num país que, durante demasiado tempo, se habituou a figurar como campeão do sedentarismo entre dezenas de países, como recordava um artigo da revista Visão, em Maio de 2024

Recordo também que há apenas cinco anos, divulguei um artigo da conhecida revista The Economist sobre o saudável passatempo nacional da Coreia do Sul. Na altura, lamentei que o passatempo nacional português continuasse a ser a visualização de jogos de futebol, seguida de intermináveis horas de comentários alienantes sobre esses mesmos jogos.  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/01/os-passatempos-dos-diferentes-paises.html

Pelos vistos, algo de verdadeiramente invulgar aconteceu, entretanto, neste país. De repente, há milhares de portugueses a romper com a velha tradição do sedentarismo e a aproximarem-se, de forma surpreendente, do modelo coreano. Quem deve estar a esfregar as mãos de contente é o Primeiro-Ministro Luís Montenegro, que talvez já esteja a fazer contas aos 3.000 milhões de euros que o Estado poderá poupar anualmente, segundo o estudo que divulguei aqui https://pachecotorgal.com/2024/05/30/uma-ajuda-ao-pouco-informado-governo-portugues-para-conseguir-poupar-anualmente-milhares-de-milhoes-de-euros/

PS - É claro que uma população fisicamente ativa também tem as suas "desvantagens", pelo menos para quem governa. Quanto maior o nível de atividade física de um povo, maior tende a ser a sua energia cívica, a sua participação comunitária e, inevitavelmente, a sua exigência política. Portugueses que caminham mais, pensam mais. E portugueses que pensam mais, conformam-se muito menos. Talvez o primeiro-ministro deva por isso "fazer bem as contas" antes de se congratular com a referida poupança bilionária. 

sábado, 16 de maio de 2026

Quais as universidades e politécnicos que mais contribuíram para que Portugal esteja agora ao nível da produção da Suécia na área das publicações científicas sobre IA ?



Relativamente ao ranking que divulguei no post acessível no link supra, onde Portugal aparece exactamente com o mesmo rácio da Suécia, reproduzo abaixo a lista com a produção científica actualizada das universidades e politécnicos públicos. A análise das universidades e politécnicos que mais produziram relativamente ao ranking de Maio de 2025 é apresentada abaixo dessa lista. 

Relativamente aos 12 investigadores com mais publicações em IA, os dez primeiro lugares estão ocupados por membros de um grupo de investigadores de medicina da universidade do Porto. O 11º lugar pertence à professora Coordenadora Principal Zita Vale do Politécnico do Porto e o 12º lugar pertence ao catedrático Paulo Novais da universidade do Minho. 

U.Porto..........................317 publicações indexadas na Scopus 
U.Lisboa........................254 
U.Minho........................188 
U.Aveiro........................170 
U.Coimbra.....................151 
U.Nova..........................150 
Polit. do Porto...............120 
ISCTE...........................117 
UTAD............................110 
UBI.................................80 
Polit. de Bragança..........49 
Polit. de Coimbra............43 
Polit. do Cávado e Ave....38 
Polit. de Leiria.................35 
U.Algarve........................33 
Polit. de Viseu.................21 
U.Évora...........................21 
Polit. de Portalegre.........20 
Polit. de Setúbal..............19 
Polit. de Lisboa...............19 
Polit. Viana do Castelo...18 
U.Aberta.........................17 
U.Madeira.......................13 
Polit. da Guarda..............12 
Polit. de Santarém...........11
Polit. de Tomar.................8
Polit. de Castelo Branco...6 
U.Açores..........................2
Polit. de Beja....................2 

Universidade do Porto mantém a liderança nacional e é também quem mais cresce em número absoluto. Entre os politécnicos, o destaque maior vai para o Politécnico do Porto, que quase triplica a sua produção anterior. Uma evolução igualmente impressionante é a da Universidade de Aveiro que cresce 161,5% subindo dois lugares no ranking nacional. Em termos relativos, sobressaem também o Politécnico da Guarda, o Politécnico de Viseu, a Universidade de Évora, a Universidade Aberta e o Politécnico de Coimbra, vide Tabela 3. 

Tabela 1 - Principais subidas no ranking nacional

InstituiçãoRanking 2025 Ranking 2026 Variação
Politécnico de Viseu24.º16.º+8 lugares
Universidade de Évora22.º17.º+5 lugares
Politécnico da Guarda29.º24.º+5 lugares
Politécnico de Coimbra16.º12.º+4 lugares
Universidade de Aveiro6.º4.º+2 lugares
Instituto Politécnico do Porto9.º7.º+2 lugares


Tabela 2 - Maiores subidas em termos absolutos

Instituição2025 2026 Aumento  Crescimento
Universidade do Porto169317+148+87,6%
Universidade de Lisboa126254+128+101,6%
Universidade do Minho82188+106+129,3%
Universidade de Aveiro65170+105+161,5%
Universidade Nova de Lisboa69150+81+117,4%
Instituto Politécnico do Porto41120+79+192,7%
Universidade de Coimbra82151+69+84,1%
ISCTE54117+63+116,7%
UTAD47110+63+134,0%
Universidade da Beira Interior3680+44+122,2%


Tabela 3 - Maiores crescimentos em termos percentuais

Instituição2025 2026 Aumento Crescimento
Politécnico da Guarda212+10+500,0%
Politécnico de Viseu521+16+320,0%
Universidade de Évora621+15+250,0%
Universidade Aberta517+12+240,0%
Politécnico de Coimbra1343+30+230,8%
Instituto Politécnico do Porto41120+79+192,7%
Politécnico do Cávado e do Ave1338+25+192,3%
Universidade de Aveiro65170+105+161,5%
Universidade do Algarve1333+20+153,8%
Politécnico de Portalegre820+12+150,0%

quinta-feira, 14 de maio de 2026

What Is Happening with Germany? AI Research Output Tells a Troubling Story

 


Around six months ago, in the post linked above, Germany’s Continued Underperformance and Portugal’s Escalating AI Obsession, I examined the roots of Portugal’s unusually high academic productivity in artificial intelligence. One result stood out in particular: according to a Scopus-based comparison, Portugal was already producing about 65% more AI-related publications per million inhabitants than Germany.

A similar search carried out today suggests that Germany’s relative position has become even more concerning. Several much smaller countries now show far stronger AI publication intensity than Germany. The gap is particularly striking in the cases of Cyprus and the United Arab Emirates. Compared with Germany’s AI publications per million inhabitants, Cyprus has an advantage of around 237%, and the UAE around 165%, over Germany.

These differences are too large to ignore. They raise an uncomfortable question about Germany’s ability to keep pace in one of the most strategically important scientific fields of this century. The institutional comparison is also revealing. Harvard Medical School alone reports 1,151 Scopus-indexed AI publications, while Germany’s leading university in this search, Technische Universität München, reports 707. The citation gap is also worrying: Germany has only 5 AI-related publications with more than 500 citations, compared with 10 in India, 11 in Canada, 15 in Australia, 18 in the United Kingdom and 33 in the United States.

For a country long associated with engineering excellence, scientific strength, industrial leadership, and technological sophistication, these numbers are difficult to dismiss. So the question must be asked: What is happening with Germany? Is Germany underinvesting in AI research? Is its academic system too slow, too fragmented, or too bureaucratic? Is talent moving elsewhere? Or are smaller and more agile countries simply adapting faster to the AI revolution?

Scopus AI-related publications per million inhabitants
1Singapore388 
2Cyprus 381
3United Arab Emirates299
4Ireland271
5Switzerland268
6Qatar262
7Finland259
8Norway248
9Bahrain244
10Australia209
11Greece208
12Denmark208
13Sweden192
14Portugal192
15Kuwait186
16Austria173
17Netherlands172
18Saudi Arabia169
19United Kingdom168
20Oman167
21Jordan155
22Canada140
23Italy140
24New Zealand126
25Croatia124
26Belgium116
27Germany113

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quarta-feira, 13 de maio de 2026

The Case of a Disease That Never Existed: How Fake Research Entered AI Systems

 

Almira Thunström, a physician at the University of Gothenburg, designed an experiment as elegant as it was unsettling. She invented an entirely fictitious medical conditionbixonimania, supposedly a skin disorder affecting the eyelids and linked to blue-light exposure—and uploaded two fabricated preprints to an academic repository. Within weeks, major large language models were presenting the condition to users as established medical fact. 

The experiment was deliberately constructed to be transparently fraudulent. The fictional lead author, Lazljiv Izgubljenovic, was listed as affiliated with the non-existent Asteria Horizon University in the equally imaginary Nova City, California. The acknowledgements thanked “Professor Maria Bohm at The Starfleet Academy” and cited funding from “the University of Fellowship of the Ring.” One paper explicitly stated that it had been entirely fabricated; another described its study population as “fifty made-up individuals.” Yet none of these obvious warning signs prevented the fabricated research from being absorbed into AI-generated medical knowledge. https://www.nature.com/articles/d41586-026-01100-y

Less than three weeks after the fabricated preprints appeared, major AI systems were already presenting bixonimania as a legitimate medical condition. Microsoft’s Copilot described it as “an intriguing and relatively rare condition.” Google’s Gemini advised users to consult an ophthalmologist. Perplexity AI even estimated its prevalence at one case per 90,000 people, while OpenAI’s ChatGPT offered symptom comparisons. The experiment suggests that the very architecture of academic publishing can become a vehicle for misinformation when AI systems are trained to treat these signals as proxies for credibility. More troubling still, the false research did not remain confined to AI-generated outputs. One of the fabricated preprints was later cited in a peer-reviewed article published in Cureus, part of the Springer Nature group, which described bixonimania as “an emerging form of periorbital melanosis linked to blue light exposure.” After inquiries from Nature, the journal retracted the paper on 30 March 2026—demonstrating how quickly fabricated research can move from preprint repositories to AI systems and, ultimately, into the scientific record itself.

PS - Yet the most obvious failure in this case was not the language models. It was the near-total absence of upstream verification. These papers were not sophisticated forgeries. They cited funding from “the University of Fellowship of the Ring,” listed an author affiliated with a university that did not exist, and located that institution in an imaginary city. And still, they passed through the submission process. Preprint repositories such as bioRxiv and medRxiv continue to accept submissions tied to institutions that may not exist, often with less scrutiny than a commercial web form. A basic automated check against established research registries such as the Global Research Identifier Database would have flagged “Asteria Horizon University” and “Nova City, California” in seconds. This is not a technical limitation, nor a question of cost. It is a question of institutional priorities. If platforms feeding the scientific record cannot detect references to fictional universities, imaginary cities, or funding bodies borrowed from fantasy literature, they should not be surprised when fabricated research flows downstream into AI systems, citation networks, and eventually the scientific literature itself.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Putativas elites mediáticas e a humilhação sistemática da ciência portuguesa

https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/12/a-maquina-de-estupidificar-os.html

Depois da indigência intelectual perpetrada pela revista Visão em 2019, que nas suas célebres "100 figuras da década" conseguiu o prodígio de incluir 29 Portugueses "notáveis", entre os quais apenas um único cientista, vide post acessível no link supra. Depois da deplorável lista do semanário Expresso de 2023, que elegeu os 100 Portugueses que "marcaram e vão marcar o país e o mundo", onde apareciam apenas 14 Académicos, quase o mesmo número de desportistas, como se o contributo de quem produz conhecimento, inovação e progresso civilizacional pudesse ser colocado no mesmo plano do de quem se limita a proporcionar espectáculo e distracção das massas. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/08/a-deploravel-lista-do-expresso-que.html Eis que agora a revista Sábado, decidiu assinalar os seus 22 anos de existência com a publicação de uma nova lista, “22 figuras que estão a mudar Portugal”. 

A inclusão de três cientistas, Rui Costa, Fábio Rosa e Gonçalo Castelo-Branco, representa um avanço claro face às vergonhosas listas anteriores. Igualmente positiva é a presença dos fundadores da Tekever, da Sword Health e da Feedzai, três tecnológicas portuguesas com projeção internacional genuína e bastante meritória, cujos líderes, em particular o CEO da Sword Health, elogiei em diversos posts, incluindo num com elevado potencial para envergonhar alemães  https://pachecotorgal.com/2025/11/30/germanys-underperformance-and-the-rising-ai-obsession-among-portuguese-researchers/

Na lista há ainda dois políticos, uma reitora, um médico, dois cantores, um artista visual, um escritor, uma humorista, uma chefe de cozinha, um empresário de restauração e cinco desportistas. O que significa que uma vez mais, a equação do país revela-se a mesma, a ciência que move o mundo continua a valer menos do que o entretenimento que distrai o povo. O único registo positivo é o facto de desta vez haver apenas um único representante modalidade do pontapé e da cabeçada no esférico. Ou melhor dizendo, uma. 

PS - A ironia mais devastadora talvez nem esteja na lista em si, mas no facto de que, dos três cientistas distinguidos, nenhum deles trabalha em Portugal. Um encontra-se nos Estados Unidos e os outros dois na Suécia. Em suma, o nosso país continua a fazer aquilo em que se tornou especialista: financiar talento, formar talento e depois exportá-lo para que outros países colham os dividendos científicos, tecnológicos e económicos desse investimento. Vide post anterior onde abordei essa tragicomédia de título, Uma "brilhante" estratégia Portuguesa - Empobrecer orgulhosamente ao mesmo tempo que ajuda ricos a ficarem mais ricos  https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/04/uma-brilhante-estrategia-portuguesa.html

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Problems with a well-intentioned but naive manifesto about sustainable scientific research in the era of big science and AI

 

In a manifesto published this week in Nature Communications, 21 scientists from universities across the United States, United Kingdom, Ireland, Italy, Germany, and Switzerland argue that science is losing valuable knowledge through unpublished negative results, inadequate documentation, and fragmented preservation practices. The concern is plausible—and in many ways overdue. Yet the paper’s central weakness appears immediately: it treats the scale of the problem as self-evident rather than demonstrated. How often are failed experiments unknowingly repeated? What proportion of irreproducibility is actually caused by missing documentation, rather than underpowered studies, unstable reagents, or flawed experimental design? What are the financial, scientific, or human costs of such losses? The paper offers no empirical answers. Instead, it relies largely on other perspective pieces to justify major cultural and infrastructural reforms. Without quantification, it is difficult to judge whether the proposed solutions are proportionate to the problem being described. https://www.nature.com/articles/s41467-026-72667-3?utm_source 

The paper is equally reluctant to confront the political economy of scientific publishing—or its own place within it. Commercial publishers benefit from scarcity of access, novelty bias, and the prestige economy of high-impact journals. The authors acknowledge that publishers have “a role to play,” but avoid naming the structural conflict: many of the reforms they advocate run directly against the financial incentives of the institutions through which scientific prestige is currently distributed. This creates an uncomfortable tension. The paper is written by active researchers whose careers depend on the existing system, published in one of the journals that helps sustain that system, while calling for reforms that would require parts of it to be fundamentally restructured. Yet there is no acknowledgment of this positionality, and no reflection on what it means for the credibility—or political feasibility—of the recommendations. The most honest version of this manifesto would have confronted a harder question: are we, as authors, actually willing to do what we are asking others to do?

The paper is also surprisingly optimistic about AI. Large language models are trained on the published scientific literature—the same positivity-biased and methodologically incomplete record the authors criticize. They cannot recover failed experiments that were never documented, nor reconstruct tacit laboratory knowledge that was never written down. What they can do is reorganize an already distorted archive and return it with extraordinary fluency. But there is an additional danger the paper never addresses: as AI-generated content increasingly enters the scientific and online knowledge ecosystem, future models may be trained not only on incomplete human records, but on synthetic outputs generated by previous models. As recent research on “model collapse” has shown, systems trained recursively on AI-generated data can progressively lose diversity, accuracy, and fidelity to the original human knowledge base. In that scenario, AI would not merely reproduce the biases of the scientific record—it could amplify and recursively entrench them. Trustworthy AI in science therefore depends not only on better data curation, but on preserving human authorship, human judgment, and human-generated knowledge as the foundation of scientific communication.

PS - Unfortunately, the paper never acknowledges that American science — still one of the institutional pillars of the global research enterprise it claims to protect — is facing an existential threat. The Trump administration has cancelled thousands of grants, gutted federal science agencies, subjected peer-reviewed journals to Department of Justice scrutiny, and defunded research areas on ideological grounds. These are not background conditions; they are direct attacks on the very infrastructure of knowledge production this paper is trying to reform and, in many cases, defend. A manifesto about the fragility of scientific knowledge that finds no space for that reality is not apolitical — it is politically evasive. It reads like a document preoccupied with ventilation standards while the building is already on fire.

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