sábado, 28 de setembro de 2024

O intrigante mistério dos 600% e a hipótese da mexicanização do ensino superior



Ainda na sequência do post anterior onde foi analisado o desempenho das seis melhores universidades públicas Portuguesas, e onde se constatou que ironicamente, aquela de pior desempenho, foi precisamente aquela que foi mais beneficiada no programa FCT tenure, faz todo o sentido analisar o desempenho das referidas seis universidades, no que respeita a ajudar Portugal a não fazer má figura no ranking dos países com maior número de investigadores altamente citados, que foi divulgado no final do post acessível no link https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/09/nobel-para-ciencia-portuguesa-clarivate.html

A lista infra diz respeito ao rácio de investigadores altamente citados (Top 0.5%) por milhar de docentes ETI, sendo que o número de ETIs de cada instituição foi recolhido no ficheiro de 2023 da DGEEC sobre endogamia académica.

Univ. de Aveiro...........16 investigadores altamente citados por milhar de docentes ETI
Univ. do Porto.............13
Univ. de Lisboa...........13
Univ. do Minho ...........10
Univ. de Coimbra..........8
Univ. Nova....................4

Os resultados mostram, uma vez mais, que a universidade Nova é aquela com o pior desempenho, muito longe da universidade líder, pelo que faz sentido questionar, porque é que a universidade Nova recebeu 600% mais bolsas no programa FCT tenure do que a mencionada universidade de Aveiro ?

PS - Em 2022 um conhecido catedrático da universidade do Minho, acusou o Governo do PS de asfixiar as universidades mais dinâmicas, classificou esse fenómeno espúrio de mexicanização do ensino superior, que é aquilo que parece poder explicar os resultados divulgados neste post e no outro anterior, sobre as quedas no ranking Shanghai por áreas.   

quinta-feira, 26 de setembro de 2024

The Dark Side of ERC: How Stratification is Undermining European Science


Continuing from my previous post regarding the Draghi report (linked above), I believe it is essential to critically examine the report’s overly enthusiastic praise of the European Research Grants program. While the program is undoubtedly impactful, I would argue that its current structure, which heavily concentrates resources on a limited number of recipients, has some notable shortcomings. This perspective is supported by an insightful study published in the Elsevier journal Research Policy, which highlights significant challenges associated with highly stratified programs (see the extracted section below). Why not reduce the value of individual ERC grants by half, allowing the program to support twice as many grantees?

"stratification creates higher levels of inequality which eventually induce disadvantaged participants to exit the market. Relatively high exit rates are common in highly competitive fields. Science, for example, has been described as a “a primitive village with maximum fecundity and horrible mortality” (Desolla Price, 1965). Back in the 1960s, the scientific population grew by 7% each year, with a 17% “birth rate” and a 10% “death rate.” However, now up to 84% of new PhD recipients in biology are expected to exit academia due to the lack of tenure track positions (Larson et al., 2014). Furthermore, “quitting” among those who succeed to stay in academia can come in the form of reduced willingness to compete for funding opportunities (Bol et al., 2018), fueling rich-get-richer dynamics. Given this high exit rate, we should take opportunities to explore new mechanisms to reduce—but by no means eliminate—competitive pressure: the objective is rebalancing the current high levels of reward stratification towards a more sustainable equilibrium" https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0048733321000160?via%3Dihub#sec0022

PS - The aforementioned paper is co-authored by Christoph Riedl, who is affiliated with both Northeastern University and Harvard University. I previously mentioned Riedl in a post discussing creativity in research https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/09/aarhus-university-creativity-in-research.html

Uma análise fina e contextualizada sobre um intrigante desempenho universitário


Ao contrário do que parecia sugerir o post acessível no link supra, onde mencionei (sem contexto) uma queda de 44%, da universidade do Minho, no ranking Shanghai por áreas, convém porém proceder a uma análise desse desempenho num período temporal maior e comparar o mesmo com o desempenho de ouras universidades Portuguesas. Entre essas merece destaque, pela negativa, a Universidade Nova de Lisboa, que caiu mais de 60% e a Universidade de Coimbra que caiu quase 60%, vide imagem infra. 

O comportamento decrescente da UMinho, pode ser parcialmente explicado, por aquela ser uma das universidades a quem os Governos PS todos os anos mais subfinanciaram, pois esse é um facto incontraditável, essa condição não explica porém o comportamento da universidade Nova de Lisboa, que é uma universidade que recebe do Orçamento de Estado muito mais dinheiro que recebe a Universidade do Minho. A universidade Nova é tão rica ou tão pouco, que o seu Reitor até recebe dois salários e uma das suas unidades orgânicas até planeia contratar professores estrangeiros, com salários de quase 30.000 euros/mês https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/04/a-universidade-portuguesa-que-pretende.html


PS - Porque será que a (rica) Universidade Nova, a campeã das descidas no ranking Shanghai por áreas, foi a universidade que mais lugares arrecadou no programa FCT tenure, mais até (!!!) do que receberam no conjunto as universidades de Coimbra, Minho e Aveiro ?  https://www.publico.pt/2024/08/29/ciencia/noticia/cinco-universidades-90-vagas-docentes-novo-fcttenure-2101918