segunda-feira, 25 de novembro de 2024

O incompreensível inconseguimento do departamento de engenharia civil da U.Porto



Tendo em conta que existe, a nível mundial, um excesso de publicações científicas, avulsas, que acrescentam muito pouco ao estado da arte, excesso esse que é prejudicial à ciência, vide artigo acessível no link supra, o que também tem que ver com o facto dos investigadores serem cada vez mais incapazes de sintetizar todo o conhecimento daquilo que é referido estado da arte, vide artigo "The memory of science", tendo ainda em conta o grave défice académico de Portugal, no respeitante à produção de livros indexados, bem patente no facto da pequena universidade de Oxford, produzir anualmente mais livros indexados, do que todas universidades e politécnicos Portugueses juntos, reproduzo abaixo os títulos dos 10 livros mais citados, de sempre, da área da engenharia civil, indexados na plataforma Scopus, onde existe um domínio evidente da universidade do Minho, mas onde estranhamente não existe um único que tenha sido produzido por investigadores da universidade do Porto.

1 - Handbook of Alkali-Activated Cements, Mortars and Concretes (UMinho)

2 - Handbook of Recycled Concrete and Demolition Waste (UMinho)

3 - Design of Steel Structures (UCoimbra)

4 - Eco-efficient concrete  (UMinho)

5 - Mechanics and strength of materials  (UCoimbra)

6 - Fibrous and Composite Materials for Civil Engineering Applications (UMinho)

7 - Toxicity of building materials  (UMinho)

8 - Seismic Design of Concrete Buildings to Eurocode 8 (LNEC)

9 - Sustainable Construction Materials: Copper Slag (ULisboa)

10 - Nano and biotech based materials for energy building efficiency (UMinho)

PS - 50% dos livros da referida lista são da responsabilidade do dono deste blogue, incluindo o primeiro livro dessa lista que se tornou o mais citado, entre todos aqueles, quase 1500, de todas as áreas científicas produzidas em todas as universidades Portuguesas nos últimos dez anos. Já o segundo da lista tornou-se o mais citado da sua área a nível mundial. 

Catedrático de matemática revela gráfico que identifica os investigadores que não dormem porque trabalham 24 horas por dia


https://pachecotorgal.com/2022/11/18/abriu-a-caca-aos-investigadores-que-nao-tem-tempo-para-fazer-sexo/

Há dois anos atrás escrevi sobre os investigadores que trabalham tanto tanto tanto, praticamente 24 horas por dia, não se importando de prejudicar gravemente a sua vida conjugal, só para conseguirem publicar vários artigos por semana, todas as semanas do ano. Vide post acessível no link supra.

Outros investigadores, preocupados com a vida conjugal desses Colegas, sugeriram formas de descriminar negativamente o excesso de publicações. Eu próprio, em 2021, sugeri um métrica, cujo valor seria cada vez menor quanto maior fosse o número de publicações de um investigador. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/05/ranking-de-investigadores.html

No mesmo sentido, há poucos meses atrás, um outro investigador, catedrático da área da matemática (foto no inicio deste post), sugeriu uma métrica, baseada no h-index, que também é cada vez menor, quanto maior for o número de publicações. No artigo desse matemático, acho especialmente interessante os dois gráficos que ele utiliza para mostrar, o perfil de publicações e citações de um cientista com uma vida conjugal normal (Fig 1) e de um cientista que não tem tempo para fazer sexo (Fig. 2). Ambos reproduzidos abaixo.

"The solution can be introducing a quantitative indicator, which would implement von Kármán’s idea by lowering the motivation for increasing the number of publications by penalizing the unnecessary increase of the number of publications. As such indicator, I suggest the ratio of the h-index and the total number of publications. This can be considered as a kind of a signal-to-noise ratio and can be called the integrity index..."  https://arxiv.org/html/2405.19872v2

Figure 1:Typical performance of a conscientious mathematician.

Figure 2:Typical visual signs of possible papermilling in mathematics

domingo, 24 de novembro de 2024

A universidade com o pior desempenho no ranking do narcisismo académico

 

Há três anos atrás analisei o desempenho comparado das seis melhores universidades Portuguesas, para aferir quais aquelas que tinham mais investigadores influentes, que gostavam muito, de se citarem a si próprios, tendo nessa altura concluído que a Universidade de Lisboa era aquela onde havia a maior densidade de investigadores com percentagens de auto-citações superiores a 25%, e no pólo oposto, que a universidade do Minho era a que apresentava o menor número desses investigadores. Vide post acessível no link supra.

Uma atualização dessa análise, baseada no ficheiro carreira, do ranking Stanford que foi divulgado há poucos meses atrás, somente para os investigadores com percentagens de auto-citação superiores a 30%, mostra que a Universidade de Lisboa continua a liderar, esse lamentável ranking, sendo que essa liderança se deve na sua esmagadora maioria aos investigadores do Instituto Superior Técnico. Dessa análise também novamente se constata que os investigadores da Universidade do Minho, continuam a mostrar, uma peculiar mas saudável "aversão", a citarem-se a si próprios.

ULisboa.........25 investigadores com percentagens de auto-citação superiores a 30%

UPorto............10

UAveiro............8

UNova...............6

UCoimbra.........5

UMinho.............1

PS - Há uma década atrás analisei a produção científica, de Professores Associados e Catedráticos de Departamentos de Engenharia Civil, nas mesmas seis Universidades Portuguesas, https://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/30767 tendo utilizado para esse efeito as seguintes métricas: número de artigos em revista internacional indexada na Scopus, rácio artigos/ano, número de citações, rácio citações/artigo, índice-h, rácio índice-h/ano, percentagem de auto-citações e percentagem de artigos não citados. Na lista de referências, que então citei, há um artigo interessante, com afiliação daquele país que lidera o rácio mundial prémios Nobel/milhão de habitantes, que concluiu após analisar quase 800 artigos, que se há um factor que contribui bastante para um artigo científico se poder tornar bastante citado é o de ter autores de universidades de topo. Porém, se não há em Portugal uma única universidade de topo, nem do grupo das 20 melhores, nem do grupo das 50 melhores, ou do grupo das 100 melhores, nem sequer do grupo das 150 melhores, isso significa que quem na ULisboa ou em qualquer outra universidade Portuguesa, acha "boa" ideia auto citar-se em excesso, mais não faz que desvalorizar e limitar o impacto potencial desse artigo, com citações de alguém que não pertence a nenhuma universidade de topo. Não é narcisismo é apenas burrice.