sábado, 22 de fevereiro de 2025

A infame cláusula pidesca que vai ajudar o Almirante Gouveia e Melo

Uma corajosa professora universitária que costuma irritar muita gente neste país e que mencionei em posts anteriores, como por exemplo naquele acessível no link supra, veio ontem irritar o PSD com o seu novo artigo no jornal Público. No mesmo lembra aquilo que acontece em países como o Reino Unido, Espanha e França, no respeitante à consulta do património dos políticos:
“O site do Parlamento britânico permite, em poucos clics, chegar à declaração de interesses de cada deputado, incluindo donativos para eventos políticos, ou da esfera individual (por exemplo, bilhetes para competições desportivas), bem como a lista do património, com os respetivos valores. O registo é atualizado de duas em duas semanas”.
“Em Espanha, onde a declaração de bens e rendimentos e a de interesses económicos de todos os deputados e senadores também estão disponíveis no site do Congresso, encontramos detalhes sobre rendimentos de diferentes fontes, património imobiliário (com data de compra), carros, (com o modelo respetivo), montantes detidos em depósitos bancários”
“Em França, no site da Alta Autoridade para a Transparência da Vida Pública podemos procurar qualquer responsável político usando algumas letras do seu nome. Procurei Elizabeth Borne e fiquei a saber que a declaração de interesse e atividades e a de património já foram entregues, mas aguardam verificação pela Alta Autoridade para serem publicadas”
Ela só se esqueceu de referir aquilo que eu lembrei num post anterior, que os políticos Franceses que se esquecerem de entregar as declarações sobre o seu património ou omitirem informações podem arriscar 3 anos de cadeia, o pagamento de 45.000 euros de multa, e ainda ficarem 10 anos sem poderem exercer funções públicas.
Nesse artigo a professora da Universidade Nova, comparou depois os deveres de transparência patrimonial a que estão obrigados os políticos nesses países, com a pouca vergonha que ocorre no nosso país. Em Portugal, o registo de interesses dos políticos estava depositado numa sala do Tribunal Constitucional onde só se podia entrar com um caderninho e um lápis — nem telefone, nem computador — e havia um limite diário para o número de declarações que podiam ser consultadas. Mencionando inclusive o favor que a revista Sábado fez aos Portugueses, quando enviou vários jornalistas ao Tribunal Constitucional para consultar o património de milhares de políticos Portugueses e que eu na altura comentei neste post aqui https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/01/as-cabras-e-os-cabroes.html
A referida professora escreve ainda que desde que foi criada a Entidade para a Transparência, a problema agravou-se e as coisas tornaram-se menos transparentes. Não só continua a ser impossível a qualquer cidadão deste país, conseguir saber a partir da sua casa, como sucede com os cidadãos do Reino Unido, da Espanha ou da França, qual o património dos políticos Portugueses, como os jornalistas tem eles próprios dificuldade em ter acesso a essa informação, pois a tal “Entidade para a Transparência” recusou fornecer ao Observador as declarações de rendimento e património dos ministros do Governo AD.
O artigo em causa termina dando conta da afrontosa vontade do PSD, em fazer aprovar (em conjunto com o PS que também gosta pouco de transparência) uma alteração à lei actual, alteração essa que ela designa como pidesca, destinada a inibir a consulta do património dos políticos. 
PS - Como é evidente o Almirante Gouveia e Melo deve estar muito agradecido, pelo contributo da referida cláusula para aumentar de forma significativa o número daqueles Portugueses e Portuguesas, que com o seu voto no dia 25 de Janeiro de 2026, irão garantir que logo na primeira volta, ele se torne o próximo Presidente da República Portuguesa. 

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Addressig publication inflation: Nobel Laureates vs. Hyper-Prolific Researchers


Expanding on the previous discussion about the mathematician who debunked the myth of fraudulent "super-publication powers" and identified indicators of "papermilling," (linked above) it is essential to shed light on a recent study that further reinforces these concerns. This study has brought to attention that approximately 10% of the most influential researchers worldwide, are producing papers at rates that defy credibility and reason. The study also examined 462 Nobel laureates, showing that legitimate publication rates typically plateau at around 20 papers per year.  https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/08989621.2024.2445280#abstract

In light of the ongoing concerns surrounding the prevalence of "super-publication powers," I have just a few minor comments. A previous study I referenced, which analyzed 90 million papers across 241 subjects, revealed that an excess of publications does not facilitate the turnover of central ideas within a field. Instead, it leads to the ossification of the established knowledge base. Moreover, in this context, it is worth revisiting Vladlen Koltun's perspective, as he has been a vocal critic of the current publishing culture. Koltun has explicitly argued that researchers should prioritize producing fewer but more impactful papers, emphasizing the need to reduce the focus on volume in favor of meaningful contributions to science  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/evaluating-researchers-in-fast-and.html

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Investigadores desenvolvem exoesqueleto solar inovador para reabilitação energética e arquitetónica de edifícios multifamiliares

 



Na sequência de um post anterior, vide link supra, onde se deu conta da recente e desgraçada noticia, que mostra que Portugal é o novo campeão europeu de pobreza energética, e onde se mencionou um estudo que concluiu que há uma maioria de pessoas em muitos países, que acha que a comunidade cientifica de priorizar os temas da saúde e da energia, aproveito para divulgar o facto de alguns investigadores terem desenvolvido um exoesqueleto inovador, para reabilitação energética e arquitetónica de edifícios, que foi tornado público no dia de hoje. 

O sistema referido consiste numa estrutura de aço auto-portante, que combina controle passivo de ganhos solares (sombreamento e vegetação) com sistemas solares ativos de alta eficiência, como painéis fotovoltaicos integrados às fachadas dos edifícios. O estudo que utilizou várias simulações dinâmicas mostra que foi possível obter reduções no consumo de energia de 33,4% e 25%, respectivamente para aquecimento e arrefecimento, podendo inclusive chegar até 84% quando combinado com outras estratégias de reabilitação  https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S037877882500146X#s0015

Declaração de interesses - Declaro que o estudo em questão cita um livro que editei em 2017, em conjunto com vários catedráticos de universidades estrangeiras https://shop.elsevier.com/books/cost-effective-energy-efficient-building-retrofitting/pacheco-torgal/978-0-08-101128-7

PS - No contexto supra é pertinente recordar que Braga é o único distrito de Portugal que entre 2014 e 2024 construiu uma maioria de casas "verdes", leia-se com certificados energéticos nas várias categorias entre (A+, A, B e B-). https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/12/braga-e-o-unico-distrito-de-portugal.html