quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

When Generative AI Meets Inequality and Kleptocracy on a Path Toward Global Terror

In a previous post from September 2023 (linked above), I discussed new findings from an Economist article describing how artificial intelligence could transform scientific research through tools such as literature-based discovery and so-called “robot scientists.” I also warned that these AI-driven advances could have unintended consequences. In particular, they may disproportionately benefit wealthy countries, widening existing global economic inequalities and undermining the UN Sustainable Development Goal of reducing inequality. Such growing disparities could, in turn, intensify migration pressures from poorer regions to richer ones.

More recently, a paper entitled “Who on Earth Is Using Generative AI?”, published in the Elsevier journal World Development, provides the first comprehensive global analysis of individual-level adoption of generative AI. The study finds that country-level generative AI usage intensity is strongly correlated with both the coverage and quality of digital infrastructure. It further shows a pronounced concentration of usage across income groups: in early 2024, middle-income economies accounted for roughly half of global ChatGPT traffic, while low-income countries together contributed less than one percent. https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0305750X25003468

Generative AI risks locking in global inequality rather than breaking it. Unlike earlier digital revolutions that lowered barriers and allowed poorer countries to leapfrog stages of development, AI rewards those who already possess advanced infrastructure, skilled labor, and strong institutions, effectively raising the threshold for participation and pushing many low-income economies to the margins. As AI-driven gains concentrate in wealthy and upper-middle-income countries, global income and opportunity gaps will widen, intensifying migration pressures and economic fragility in already vulnerable regions. The result is not merely economic divergence, but rising financial instability and geopolitical tension that inevitably spill across borders. This is precisely what the world does not need as Donald Trump’s return to power amplifies geopolitical turbulence, undermines international coordination, and ushers in an era of policy volatility and institutional strain—at a moment when global cooperation is already under severe stress.

Preventing AI from entrenching global inequality demands forceful and forward-looking policy choices. Rich countries and major technology firms must stop treating AI as a private advantage and instead recognize it as a shared global capability. This means investing seriously in digital infrastructure and education in poorer regions, enabling meaningful technology transfer, and keeping core AI tools open, affordable, and adaptable to local needs. If governed with ambition and solidarity, AI can become a catalyst for shared prosperity rather than a force that condemns billions to permanent exclusion from progress.

Declaration of competing interests — In January 2019, I proposed a deliberately abrasive idea: that rich countries should admit one African migrant for every €250,000 looted from Africa by its kleptocrats over the past fifty years. Even a conservative estimate lays bare the scale of the crime, well over ten million Africans displaced by the workings of kleptocracy. These are not charity cases, but people whose admission wealthy nations are morally indebted to. By this standard, Switzerland alone would owe asylum to more than one million.

PS — In this context, it is important to recall a previous post highlighting how income inequality and poor living conditions can fuel terrorism and radicalization. It draws on a 2019 study by Krieger and Meierrieks, based on data from 113 countries, which identifies a clear link between inequality and terrorism. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/09/2019-paper-by-german-researchersincome.html

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Teletrabalho, cronótipos e o caso Fundão: Um ensaio geral para o futuro de Portugal ?

 

Na sequência do estudo que divulguei no passado mês de dezembro, acessível no post supra, o qual concluiu que o teletrabalho contribui para a redução de problemas de saúde mental, com benefícios particularmente acentuados nas mulheres, aproveito para dar a conhecer um artigo interessante publicado no caderno de Economia da última edição do Expresso. O referido artigo aborda a crescente tendência de adequação dos horários de trabalho aos diferentes picos de produtividade dos trabalhadores.

Este modelo baseia-se na adaptação do horário laboral aos quatro cronótipos identificados pelo psicólogo clínico Michael Breus, sustentados por estudos desenvolvidos ao longo de várias décadas. De acordo com o artigo do Expresso, diversos especialistas em gestão de recursos humanos salientam que a adoção desta abordagem poderá traduzir-se em ganhos significativos de eficiência e produtividade, particularmente no contexto do teletrabalho. Curiosamente uma pesquisa expedita revela que há aproximadamente um ano atrás foi defendida uma dissertação numa universidade Portuguesa que sintetizou os estudos levados a cabo nesta área nos últimos 20 anos https://repositorio.upt.pt/entities/publication/5d6ff38b-913d-4a1c-9dc4-9d801f6a2c56

Não certamente por coincidência, também na última edição do caderno de economia do Expresso, havia um artigo sobre o aumento do número de profissionais (nacionais e estrangeiros) que aproveitando as vantagens do teletrabalho, estão a trocar as cidades Portuguesas pelos meios rurais, artigo esse no qual é mencionado o caso da pequena cidade do Fundão (que tem muito menos gente do que várias freguesias de Lisboa), na qual já há mais de 1000 (mil) programadores informáticos, por conta da estratégia de atracçáo daquela autarquia potenciada também pelo programa do Governo "Trabalhar no Interior". 

Aquilo que esse artigo não refere, porém, é que a corrida mundial à IA em curso, altamente competitiva, e que em Portugal passou recentemente a dispor de um enquadramento estratégico através da Agenda Nacional de Inteligência Artificial, aprovada na passada Quinta-feira, pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 2/2026, documento onde se pode ler que a rápida adoção da IA possa acrescentar entre 18 e 22 mil milhões de euros ao PIB nacional, pode fazer muito mais pela deslocação de pessoas para o Interior do que qualquer estratégia autárquica isolada ou o existente programa governamental de incentivo territorial. 

Ao libertar o talento das amarras geográficas dos grandes centros urbanos, a IA irá permitir abrir caminho a um novo paradigma de escolha: viver no Interior de Portugal poderá deixar de ser sinónimo de limitação, isolamento e irrelevância e poderá passar a afirmar-se como uma decisão ambiciosa e sustentável que junta qualidade de vida e inovação. A que se soma ainda a vantagem divulgada há um ano atrás por um conhecido catedrático de economia de uma famosa universidade, que afirmou que as evidências científicas indicam que o teletrabalho é uma das formas mais eficazes de inverter a quebra da natalidade, uma vez que esta aumenta significativamente entre os casais em regime de teletrabalho. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/01/alcancar-um-circulo-virtuoso-para.html

PS - Ainda sobre IA, é positivo saber que de acordo com o EUROSTAT, os Portugueses estão à frente da média europeia e inclusive à frente de países como a França e a Alemanha, em termos da percentagem de pessoas que mais usaram IA em 2025, sendo porém evidente que só nos conseguiremos aproximar das elevadas percentagens da Noruega e da Suíça, quando mais Portugueses conseguirem perceber as muitas vantagens da sua utilização. Ainda por cima num país, onde mais de um milhão e meio de Portugueses não tem (nem vai ter) médico de família, seria perfeitamente natural que esses recorressem ao ChatGPT, para esclarecimento de dúvidas de saúde. Aliás, eu próprio tenho médico de família e já recorri inúmeras vezes aquele modelo de IA generativa para esse efeito. 

domingo, 11 de janeiro de 2026

A ciência pelas ruas da amargura: Quando é que Portugal conseguirá alcançar a Grécia ?


Há poucos meses, várias universidades públicas portuguesas, como a Universidade do Porto, a Universidade de Coimbra e a Universidade NOVA de Lisboa, congratularam-se com o aumento do número de investigadores incluídos no conhecido ranking Elsevier-Stanford relativamente à edição do ano anterior. Contudo, aquilo que ficou por fazer, porque ninguém o fez, foi uma análise global que permitisse avaliar o desempenho de Portugal em comparação com outros países. E, nesse segmento específico, as notícias estão longe de ser animadoras; muito antes pelo contrário,  revelando fragilidades que suscitam sérias e legítimas preocupações.

Em 2022 já tinha feito esse exercício para uma amostra de 25 países, calculando não o desempenho para a amostra do Top 2%, mas somente o rácio muito mais selectivo associado ao subgrupo de investigadores do Top 0.5% por milhão de habitantes, que se traduziu numa lista cujo primeiro lugar aparecia ocupado pela notável potência científica que é a Suíça e onde Portugal aparecia em último lugar, abaixo da Grécia e do Chipre. Há um ano atrás voltei a fazê-lo, para constatar que infelizmente, o nosso país muito embora tenha crescido ligeiramente não conseguiu ultrapassar nenhum daqueles dois países que obviamente também cresceram  https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/09/nobel-para-ciencia-portuguesa-clarivate.html  

E quando agora, um ano depois, se repete o mesmo exercício verifica-se que Portugal, apesar de um novo e ligeiramente aumento do número de investigadores, ainda continua desgraçadamente abaixo dos referidos dois países, pois eles também aumentaram o seu número de investigadores altamente citados no Top 0.5%. Uma análise das taxas de crescimento médio entre 2022 e 2025, da Grécia (3%/ano) e de Portugal (1.7%/ano) mostra que a esse ritmo de tartaruga o nosso país nunca conseguirá ultrapassar a Grécia. 

E se, ano após ano, o impacto da ciência portuguesa continuar sistematicamente abaixo do da Grécia e do Chipre e muito longe do da Suíça, qual a probabilidade de uma ciência com tão fraco impacto produzir benefícios reais para o nosso país? Num século em que o crescimento económico depende cada vez mais de valor acrescentado, inovação e investigação, é minimamente credível que uma ciência com menos impacto do que a da Grécia e do Chipre nos permite convergir com o nível de riqueza da Suíça? E até quando vamos ignorar que uma ciência persistentemente pouco relevante internacionalmente está a alimentar a fuga permanente de talento e a condenar o país à estagnação económica?

Neste contexto, importa recordar um artigo publicado há um ano atrás na prestigiada revista The Economist, evidenciava que uma das formas mais eficazes de financiar a ciência, com vista à maximização do seu impacto, consiste muito menos no financiamento de projectos mas mais na atribuição de contratos de longa duração aos investigadores com a duração de pelo menos 7 (sete) anos. Não é, por isso surpreendente que o Conselho Europeu de Investigação (ERC) tenha agora decidido financiar contratos com essa duração. Ironicamente, em Portugal, alguém, cuja decisão dificilmente se pode atribuir a uma avaliação informada ou a uma reflexão estratégica sólida, ou sequer a um módico de inteligência, entendeu que reduzir para metade a duração dos contratos dos investigadores é aquilo que melhor serve os interesses da ciência Portuguesa e o futuro de Portugal !

PS - Em Portugal a U.Aveiro e a U.Minho lideram o grupo das universidades públicas em termos de densidade de investigadores no Top 0.5% do ranking Elsevier-Stanford por docente ETI, o que significa que são as duas universidades que mais tem contribuído para que Portugal não esteja ainda mais longe do desempenho da Grécia e do Chipre https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/09/uaveiro-uminho-e-uporto-no-podio-do-top.html