domingo, 28 de dezembro de 2025

"Felizmente nenhum dos nossos alunos quer ir trabalhar para a função pública"



No passado dia 24 de Dezembro, divulguei o caso singular do professor catedrático que arrasou, de alto a baixo, o sistema de educação Português, vide post acessível no link supra. O referido catedrático foi entretanto entrevistado pelo jornal Público e, dessa longa e provocadora entrevista — hoje publicada na edição impressa do jornal — destaco abaixo algumas declarações na esperança de que despertem a curiosidade para a leitura integral da entrevista referida: 

"Felizmente nenhum dos nossos alunos quer ir trabalhar para a função pública"

"Os dois primeiros alunos que acabaram o programa eram um engenheiro electrotécnico...e um estofador da Autoeuropa que tinha o 12.º ano"

"Esta escola tem, literalmente, o padeiro sentado ao lado do médico."

"Temos universidades e politécnicos que têm taxas de desemprego à saída de 30% ou de 50%"

"É claro que os senhores reitores queriam que nós desaparecêssemos porque isto para eles é um irritante" https://www.publico.pt/2025/12/27/sociedade/entrevista/educacao-sistema-sovietico-planeamento-central-experimentado-urss-produzir-pao-nao-funcionou-2159088

É importante salientar — algo que infelizmente o catedrático Pedro Santa Clara não fez — que a proposta educativa em questão apresenta várias vantagens enquanto modelo complementar de educação, mas não constitui uma solução universal ou milagrosa. Porém este modelo não permite formar profissionais cuja atuação exige uma sólida formação científica, como cientistas, engenheiros ou médicos, nem aqueles cujas profissões requerem formação prática intensiva e certificada, como mecânicos, eletricistas, carpinteiros, serralheiros, canalizadores ou técnicos de manutenção. De qualquer forma, a academia não tem a menor razão para se mostrar complacente, e muito menos para subestimar os enormes desafios actuais, pois num post anterior do passado dia 27 de Maio, escrevi: "hoje mesmo o catedrático jubilado Robert Reich, ter defendido no seu blogue, que muitos dos empregos do futuro não necessitarão de uma formação de ensino superior"A isso soma-se ainda o facto do último número da revista The Economist revelar que a geração Z demonstra um interesse crescente por profissões técnicas e muito menos por formações académicas. https://www.economist.com/international/2025/12/18/ditch-textbooks-and-learn-how-to-use-a-wrench-to-ai-proof-your-job

PS - A mim, pessoalmente, enquanto primeiro signatário de uma petição contra a endogamia que protagonizei há 10 anos atrás, fico satisfeito pelo facto dele não se ter esquecido de mencionar aquele que é o "calcanhar de Aquiles" da academia Portuguesa (Catedrático Orlando Lourenço dixit).

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

My latest publication on the ideological and philosophical foundations of bibliometrics by Gorraiz, J. (University of Vienna)


Highlights:

  • Critically challenges Gorraiz’s metaphorical framing of bibliometrics for neglecting empirical validation and operational applicability.
  • Demonstrates that citation metrics, when properly calibrated, have strong predictive validity—e.g., Clarivate’s Citation Laureates correctly anticipating 89 Nobel Prize winners.
  • Highlights economic and logistical advantages of bibliometrics over costly peer review systems such as the UK REF, which exceeds £250 million per cycle.
  • Uses the Portuguese case to reveal persistent reliance on quantitative heuristics even in formally metric-free assessments, exposing a gap between policy and practice.

https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1751157725001269?dgcid=author

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

FMI envia missão a Portugal para analisar caso muito raro de produtividade extrema


A TVI noticiou recentemente a descoberta de mais dois médicos milionários, desta vez no Hospital de Castelo Branco (notícia no link supra). O mais curioso é que esses médicos, pai e filho, conseguiram a proeza de produzir mais durante as horas extraordinárias do que no horário normal — algo realmente surpreendente, considerando que o horário habitual ocupa a maior parte da jornada de trabalho. Trata-se de um fenómeno de produtividade tão raro que, quando chegar ao conhecimento do FMI, é certo e seguro que logo enviarão uma missão especial para estudá-lo, na esperança de extrair lições capazes de revolucionar a produtividade mundial, o que levará o nosso país à capa da revista The Economist. 

Seja como for, a descoberta de médicos milionários num hospital do Interior constitui uma excelente notícia para a classe médica, pois, a partir de agora, os membros dessa classe já não precisam de continuar a pagar autênticas fortunas em habitação em Lisboa, onde se pensava ser o único sítio onde os médicos se podiam tornar milionários. Afinal, agora que se sabe que também é possível alcançar essa condição extravagante em hospitais do Interior, onde esses profissionais — que, se trabalhassem em Lisboa, teriam de desembolsar quantias astronômicas apenas para comprar um modesto apartamento de tamanho médio — podem construir uma moradia verdadeiramente colossal, â altura da sua milionária condição.

PS - Aquilo que TVI não divulgou na sua noticia, é que um dos referidos médicos, agora director naquele hospital, num lugar que já tinha sido ocupado pelo seu pai, fez no ano passado uma queixa à ERC, porque consta terá ficado muito indignado com uma notícia de título "Utente diz-se destratado por médico”, relacionada com um doente com cancro que terá recusado o tratamento que lhe terá sido proposto. Após a análise dos factos a ERC deliberou não dar razão ao médico milionário  https://www.erc.pt/document.php?id=NDVhZDZiOTctYmFmNC00ODRjLWE5NzktYzc1Njk1MjFhZTg2