domingo, 15 de março de 2026

Um ano depois, a minha hipótese não se confirma e o mistério russo adensa-se

 

No início de 2025 apresentei uma hipótese, de natureza genética, para tentar explicar o facto de o meu primeiro blogue, que recordo, deixei de alimentar há já vários anos, continuar a receber visitas de forma regular, na ordem de dezenas de milhares e com tendência crescente. Essa hipótese partia da premissa de que a esmagadora maioria dos visitantes seria portuguesa, motivada por um certo sentimento de nostalgia pelo passado. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/02/ressuscitacao-por-via-fadogenetica.html

Contudo, uma análise da distribuição geográfica das visitas ao longo dos últimos doze meses revela um quadro diferente: os visitantes portugueses representaram apenas cerca de 11% do total. A imagem acima apresenta os países com maior peso nas visitas regulares ao referido blogue. O facto de Singapura e dos Estados Unidos surgirem no topo da lista não me surpreende particularmente, já que como tive oportunidade de constatar, são países de onde também provêm muitos leitores dos meus blogues actuais. Muito mais difícil de explicar é a presença cimeira do Vietname e, ainda mais intrigante, o inusitado interesse demonstrado por visitantes russos por textos publicados há vários anos nesse "falecido" blogue. 

PS -Na sequência do falecimento do famoso filósofo alemão Jürgen Habermas, aproveito para recordar aqui a altura em que ele foi mencionado num post colocado no tal "falecido" blogue https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/02/university-mission-in-jobless-future.html

sábado, 14 de março de 2026

Uma professora feroz, catedráticos inférteis e catedráticos da tipologia Cheats (vigaristas, charlatães e trapaceiros)

O jornal Público congratulou-se pelo facto de um recente Acórdão do Tribunal da Relação não ter dado razão à conhecida Professora Raquel Varela, que exige 45.000 euros por dados morais, devido a uma noticia daquele jornal sobre o número de publicações do seu currículo académico. https://www.publico.pt/2026/03/13/sociedade/noticia/raquel-varela-volta-perder-accao-publico-erros-curriculo-academico-2167847

Mas ainda que o jornal Público tenha agora obtido uma nova vitória judicial (leia-se uma vitória de Pirro) isso não significa necessariamente que tenha conseguido vencer pelo mérito da sua actuação jornalística. É acredito muito mais provável que essa sentença resulte antes das muitas dificuldades, infelizmente bastante recorrentes, que os tribunais revelam em compreender minimamente bem ou sequer razoavelmente como realmente funcionam os mecanismos, muito sui generis, de avaliação da produção científica na academia portuguesa.

Seja como for e antes de comentar a "noticia", tenho de confessar, novamente, que já por inúmeras vezes critiquei as opiniões da professora Raquel Varela. Exactamente como o fiz quando o jornal Público publicou pela primeira vez a referida noticia. E que eu na altura lamentei, alegando que era irrelevante que o currículo da referida professora tivesse publicações académicas duplicadas por conta de conhecidos problemas de sincronismo entre as plataforma Ciência Vitae e ORCID, porque as únicas publicações que interessam são aquelas que constam nas plataformas indexadas, Web of Science e Scopus, onde a referida professora até tinha mais publicações do que vários professores catedráticos da sua área.  Fi-lo no mesmo post,  onde então critiquei o jornal Público, por estar tão preocupado com um tema secundário ao mesmo tempo que hipocritamente preferia não noticiar casos de professores que ganharam concursos apesar de terem sido acusados de terem mentiras no seu currículo  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/09/o-curriculo-da-investigadora-raquel.html

Aliás já que o jornal Público acha que o tema é noticia que interesse aos Portugueses então eu repito a sugestão que na altura verti num post com o título "Ainda a polémica à volta do currículo da investigadora Raquel Varela e os Cheats (vigaristas, charlatães, trapaceiros)", quando aconselhei o jornal Público a fazer um artigo sobre catedráticos que possuem muitos milhares de publicações académicas quase como se possuissem super-poderes de publicação, ou que dedicam 24 horas por dia e 7 dias por semana à produção de artigos https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/09/ainda-grossa-polemica-volta-curriculo.html

No presente contexto, recordo que, há dois anos atrás, publiquei um post no qual divulguei um estudo de um matemático que analisou o perfil de publicações (e também de citações) de cientistas com uma vida conjugal considerada normal (Fig. 1) e também o perfil daqueles outros cientistas, coitados, que não tem tempo algum para poderem fazer sexo (Fig. 2). https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/11/um-padrao-grafico-que-permite.html

PS - Ainda sobre a evidente e profundamente preguiçosa idiotice que é tentar avaliar o currículo de um académico contando o seu número de publicações sugiro a leitura de uma carta que enviei ao Editor-Chefe de uma conhecida revista científica, a qual se inicia com um ataque a uma proposta falaciosa de dois pouco inspirados investigadores Alemães https://zenodo.org/records/19001905

quarta-feira, 11 de março de 2026

Governo de Montenegro empenha-se em garantir que a ciência deste país permaneça mais 76 anos sem ganhar um prémio Nobel

 

https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/02/mais-uma-prova-do-evidente-desprezo-do.html

Tendo em conta as críticas vertidas num post anterior, acessível no link supra, sobre a péssima decisão do Governo português de reduzir a duração dos contratos de investigadores CEEC, decisão que vai em sentido radicalmente oposto ao que tem sido recomendado por diversas análises internacionais, segundo as quais a forma mais eficaz de financiar a ciência, com vista à maximização do seu impacto, consiste muito menos no financiamento fragmentado de projetos e muito mais na atribuição de contratos de longa duração aos investigadores, idealmente com uma duração mínima de sete anos.

Aproveito assim, por isso, para divulgar uma carta que enviei ao Editor-Chefe de uma conhecida revista científica, sobre a importância da serendipidade na ciência. As evidências mostram que muitos dos avanços científicos mais importantes não resultam de planos rígidos ou de objetivos previamente definidos, mas de descobertas inesperadas que emergem de investigação exploratória conduzida por investigadores que dispõem de tempo, autonomia intelectual e estabilidade institucional. Quando os sistemas científicos impõem horizontes temporais curtos e promovem a precariedade estrutural, acabam precisamente por reduzir as condições que tornam possível a ocorrência de descobertas disruptivas. As consequências essas ultrapassam o domínio da ciência: não é apenas a produção de conhecimento que sai fragilizada, mas também a capacidade do nosso país construir o seu futuro. É, em última análise, uma receita segura para estrangular a criação de riqueza e para agravar de forma dramática a perda de talento que, todos os dias, continua a abandonar Portugal. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/02/universidades-portuguesas-um-modelo-que.html

Assim, ao reduzir a duração dos contratos dos investigadores, precisamente no único concurso verdadeiramente competitivo do sistema científico nacional, onde os investigadores Portugueses concorrem de igual para igual contra investigadores estrangeiros, que na última edição ganharam 30% dos contratos, este pobre Governo não está apenas a agravar a precariedade da carreira científica, está também a enfraquecer as condições estruturais que permitem a emergência de descobertas inesperadas e potencialmente transformadoras. Em vez de criar um ambiente propício à criatividade científica e ao progresso do conhecimento, essa decisão empurra o sistema para uma lógica perversa de curto prazo, burocrática e avessa ao risco, que a própria literatura internacional identifica como altamente prejudicial à inovação científica. É assim garantido que desta forma a ciência Portuguesa irá passar mais 76 anos sem conseguir ganhar um prémio Nobel.