O caderno principal do semanário Expresso divulga uma entrevista a uma estudante de medicina da universidade do Porto, que se tornou na primeira Portuguesa a atingir o nível de Grande Mestre feminina. O feito que merece parabéns mostra porém o nosso grande atraso, pois a vizinha Espanha teve a primeira GM feminina há mais de 30 anos, o mesmo também tendo sucedido com a Islândia, esse colosso geográfico, sobre o qual há poucos anos produzi um post cujo conteúdo continua a ser humilhante para o orgulho nacional. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/04/o-misterio-dos-306-evaporados-grandes.html
Na referida entrevista o Presidente da Federação Portuguesa de Xadrez queixa-se da falta de apoios, pois segundo ele esta modalidade, não é levada tão a sério pelo Governo, como outras modalidades. Nada de surpreendente, já que o xadrez, ao contrário da indigente modalidade do pontapé e da cabeçada num esférico (desprezada por um escritor famoso), para onde os Governos canalizam avultados recursos públicos, não se limita ao esforço físico nem à catarse coletiva. Exige, isso sim, disciplina mental e pensamento crítico, qualidades que, neste país, infelizmente são vistas com desconforto e até com bastante desconfiança.
PS - O facto de a pequena Islândia apresentar um rácio de investigadores no Top 0,5% do ranking de Stanford por milhão de habitantes que é 300% superior ao de Portugal, ter um PIB per capita quase 300% superior ao rácio português e conseguir pagar salários médios superiores a 5000 euros mostra bem e até com alguma brutalidade, o elevadíssimo preço de no nosso país se ter andado durante tantos anos a promover a indigência e a mediocridade e a descriminar a disciplina mental e o pensamento crítico.