A imprensa revelou que, nas instituições de ensino superior de Coimbra, há estudantes que não se coíbem de fazer apologia do nazismo, algo que é particularmente grave por ocorrer num espaço que se pretende associado à tolerância, ao debate e ao pensamento crítico.
A parte irónica é o que esse episódio revela em termos de ignorância histórica pois o nazismo assenta na ideia de supremacia da raça Alemã e na hierarquização dos povos, relegando a maioria incluindo os do sul da Europa, como os portugueses para posições de inferioridade. Ou seja, alguns estudantes portugueses acabam assim, paradoxalmente, por defender uma ideologia que os coloca num estatuto inferior face a outros povos.
Perante isto, faz sentido questionar, será que o acesso e a permanência no ensino superior público não deveria pressupor um patamar mínimo de conhecimentos históricos? Ou, em alternativa, deveriam as universidades ser obrigadas a colmatar essa lacuna, integrando desde o primeiro ano, em todos os cursos, unidades curriculares obrigatórias sobre história ?
No mínimo dos mínimos, alguém deveria fazer a caridade de explicar a esses estudantes de Coimbra com pretensões de superioridade que, nos EUA, ao longo do século passado, os emigrantes latinos, portugueses incluídos, eram oficialmente classificados como sendo inferiores. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/12/science-and-supremacy-of-white-race.html
Ainda assim e sendo óbvio que não existem povos inferiores a outros, a dura e inegável realidade é que há países como Portugal cujas instituições e leis são manifestamente inferiores às de outros países. Se Portugal necessita de 50 anos para julgar o caso BES, como garantiu um reputado advogado especialista em Direito Penal; se já passaram 12 anos e o julgamento do caso Marquês apenas agora teve início, com José Sócrates a acumular tantos advogados que, a esse ritmo, é mais provável que todos os crimes de que está acusado prescrevam antes de o julgamento chegar ao fim; se Portugal não consegue meter na cadeia os políticos que distribuem empregos a familiares e amigos, como faz a justiça francesa; se Portugal não conseguiu identificar os envolvidos na corrupção do caso dos submarinos, quando a justiça alemã foi capaz de descobrir os corruptores, se em Portugal há quem tenha sido acusado de mais de centena de crimes de corrupção e depois todos eles acabaram por prescrever, e se a justiça portuguesa praticamente necessita de pedir autorização aos próprios criminosos para poder confiscar os produtos dos seus crimes então é evidente que, nesta área, Portugal é, lamentavelmente, inferior a muitos outros países.