No post acessível no link supra, reproduzi as palavras indignadas de um feroz magistrado aposentado que criticou os políticos que gastam verbas públicas em refeições de luxo, assim traduzindo aquilo que é o sentimento de muitos Portugueses. Volto agora a citá-lo a propósito de um artigo publicado na última edição da revista Sábado, no qual se divulga o facto da Presidente da Câmara de Matosinhos obrigar a contabilidade dessa Câmara a pagar almoços com "consumo massivo de marisco", que nalguns casos chegam a 2 mil euros. Num dos muitos almoços descritos em pormenor pela revista, apenas quatro pessoas gastaram mais de 400 euros em mariscos vários, abundantemente regados com três garrafas de Quinta do Crasto, o que adquire uma ironia particular numa altura em que o Governo fala da necessidade de agravar as coimas pela condução sob o efeito do álcool.
domingo, 12 de abril de 2026
Um feroz magistrado aposentado e uns cabrões e filhos da puta esfomeados
“Não se admite que um cabrão de um secretário de Estado, ministro ou um filho da puta qualquer que seja governante e receba do erário público, gaste uma média de 295 euros por refeição paga por todos nós, através do Orçamento de Estado. Não se admite, ponto final.” https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/01/as-cabras-e-os-cabroes.html
Revela ainda a mesma revista que a referida autarca "tem colocado inúmeros obstáculos à revista Sábado para mostrar as suas despesas", recusando inclusive divulgar a identidade dos participantes nos tais "almoços de trabalho" realizados nas marisqueiras de Matosinhos. Fica assim estabelecido um princípio absolutamente perverso: os contribuintes têm a obrigação de pagar a conta das generosas mariscadas, mas não têm o direito de saber quem são as ilustres figuras que comeram à conta dos seus impostos. É só fazer as contas, se cada uma das 308 câmaras municipais fizer uma "reunião de trabalho" de 400 euros por semana, são mais de 5 milhões de euros por ano em mariscadas regadas, o que na verdade até é uma estimativa muito por baixo porque não há apenas uma "reunião de trabalho" por semana, pois a regra é que haja várias, até no mesmo dia. Basta recordar por exemplo as 545 "reuniões de trabalho" do senhor vice-presidente da Câmara de Cascais, também em boa hora divulgadas pela mesma revista Sábado. E isto acontece no mesmo país onde, há quem sobreviva com pensões inferiores a 400 euros por mês e onde ainda hoje, há milhares de portugueses que vivem com as casas completamente destruídas pelo famoso comboio de tempestades que há poucos meses assolou o território nacional. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/02/engenharia-civil-em-portugal-azar-dos.html
Há 50 anos que este país é parasitado por uma classe política manhosa e ignóbil, mas é garantido que, a bem ou a mal, com ou sem revisão da Constituição, irão aprender que, como escreveu um juiz, os luxos pagos com o dinheiro dos contribuintes são coisa muito pouco ética e até imoral. Acresce que, se em Portugal a lei já concede aos senhores presidentes de câmara um subsídio mensal de mais de mil euros, a título de despesas de representação, então é precisamente através dessa verba que podem pagar algumas das referidas extravagâncias. Aqueles que, como a senhora presidente da Câmara de Matosinhos, de forma desavergonhada, cínica e velhaca optaram por transferir esse ónus para os contribuintes, devem ser acusados e demandados judicialmente até que paguem, do seu próprio bolso, até ao último cêntimo, todo o dinheiro que gastaram em mariscadas bem regadas.
PS - Irónica ou tragicamente, a revista Sábado conseguiu pelo menos saber que um dos festins devidamente regado com Alvarinho, Bons Aires e Quinta do Crasto, foi uma "reunião de trabalho" com párocos do concelho de Matosinhos, que custou quase 500 euros. E uma semana depois desse voltou a haver uma nova e bem regada "reunião de trabalho" com os párocos do mesmo concelho, cuja factura de marisco ultrapassou 600 euros. Pelos vistos naquele concelho a Srª Presidente da Câmara gosta de ter a padralhada bem alimentada.