quarta-feira, 20 de maio de 2026

A improvável nova febre Portuguesa que vai dar uma ajuda ao Governo de Montenegro

 

A revista Sábado dedicou um extenso artigo de nada menos do que 11 páginas sobre a “febre das caminhadas e corridas”, um fenómeno verdadeiramente extraordinário num país que, durante demasiado tempo, se habituou a figurar como campeão do sedentarismo entre dezenas de países, como recordava um artigo da revista Visão, em Maio de 2024

Recordo também que há apenas cinco anos, divulguei um artigo da conhecida revista The Economist sobre o saudável passatempo nacional da Coreia do Sul. Na altura, lamentei que o passatempo nacional português continuasse a ser a visualização de jogos de futebol, seguida de intermináveis horas de comentários alienantes sobre esses mesmos jogos.  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/01/os-passatempos-dos-diferentes-paises.html

Pelos vistos, algo de verdadeiramente invulgar aconteceu, entretanto, neste país. De repente, há milhares de portugueses a romper com a velha tradição do sedentarismo e a aproximarem-se, de forma surpreendente, do modelo coreano. Quem deve estar a esfregar as mãos de contente é o Primeiro-Ministro Luís Montenegro, que talvez já esteja a fazer contas aos 3.000 milhões de euros que o Estado poderá poupar anualmente, segundo o estudo que divulguei aqui https://pachecotorgal.com/2024/05/30/uma-ajuda-ao-pouco-informado-governo-portugues-para-conseguir-poupar-anualmente-milhares-de-milhoes-de-euros/

PS - É claro que uma população fisicamente ativa também tem as suas "desvantagens", pelo menos para quem governa. Quanto maior o nível de atividade física de um povo, maior tende a ser a sua energia cívica, a sua participação comunitária e, inevitavelmente, a sua exigência política. Portugueses que caminham mais, pensam mais. E portugueses que pensam mais, conformam-se muito menos. Talvez o primeiro-ministro deva por isso "fazer bem as contas" antes de se congratular com a referida poupança bilionária.