segunda-feira, 22 de agosto de 2022

Quais são as universidades e Politécnicos públicos com mais culpas pela irrelevância científica de Portugal


Na sequência do post anterior, do dia 7 de Agosto, onde apareceu o nome de quase 60 catedráticos, que ao longo de toda a sua carreira foram incapazes de produzir um único artigo que recebesse pelo menos 150 citações na base Scopus e na sequência também do post da semana passada sobre o fraco desempenho de Portugal, no período 2012-2020, em termos de publicações que tenham recebido pelo menos 300 citações, apresenta-se abaixo o desempenho das instituições de ensino superior públicas, relativamente a essa métrica. 

1 - ULisboa...............222 pub. que receberam mais de 300 citações na Scopus (2012-2020)
2 - UPorto.................220
3 - UCoimbra..............87   
4 - UMinho..................68   
5 - UAveiro.................59
6 - UNova...................57  
7 - UÉvora..................17    
8 - UBI........................16       
9 - UAberta.................13     
10 - UALG...................11  
11 - IPol.Porto.............10   
12 - UTAD...................10           
13 - IPol.Bragança........8     
14 - UMadeira...............8
15 - UAçores.................4 
16 - ISCTE....................4  
17 - IPol.Beja................2.
18 - IPol.Viana C..........2 
19 - IPol.Setubal...........2
20 - IPol.Leiria............. 2 
21 - IPol.Coimbra.........2 
22 - IPol.Lisboa............2   
23 - IPol.Guarda..........1       
24 - IPol.Santarém.......1  
25 - IPCA.....................1
26 - IPol.Viseu.............1
27 - IPol.Tomar.............0
28 - IPolPortalegre.......0  
29 - IPol.C.Branco........0

A primeira conclusão que se pode extrair da lista supra é a relativa à existência de três instituições de ensino superior, que no seu conjunto representam centenas de docentes, que entre 2012 e 2020 não foram capaz de produzir uma única publicação relevante, que tivesse recebido 300 citações. Relativamente às outras instituições, que contribuíram para evitar que a irrelevância científica de Portugal fosse pior do que já é, muito mais importante do que calcular o rácio de publicações por docente ETI, seria calcular o rácio de publicações pelos milhões de euros que cada uma delas recebeu do orçamento de estado. 

Desde logo porque é manifestamente evidente que houve algumas, no topo da lista, que produziram bastante menos do que seria expectável, tendo em conta que receberam bastante mais dinheiro da FCT do que outras universidades, como é por exemplo o caso da universidade a que pertence a Ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, que tem 16 unidades de investigação que recebem cada uma mais de 1,5 milhões de euros, um número que representa o dobro das unidades da Universidade de Coimbra nas mesmas condições, quase o triplo das existentes na Universidade do Minho e mais do triplo das que existem na Universidade de Aveiro.

PS - É importante ter presente, para efeitos comparativos, que por exemplo a Universidade de Atenas, que possui uma dimensão similar à universidade de Lisboa, e pertence a um país indiscutivelmente mais pobre do que Portugal, que entre 2012 e 2020, foi capaz de produzir 270 publicações, que receberam pelo menos 300 citações na base Scopus, o que desde logo significa, que se a comparação fosse feita relativamente a uma universidade de um país mais rico do que o nosso o resultado seria ainda mais desfavorável para Portugal. Como bem se percebe, por exemplo, pelas 462 publicações da universidade de Barcelona, as 727 do ETH Zurich ou as 1824 publicações (altamente citadas) da universidade de Stanford. É evidente porém que naquelas universidades, ao contrário do que abundantemente sucede em Portugal, não há catedráticos que ao longo da sua carreira, tenham sido incapazes sequer de produzir um único artigo que tivesse recebido 150 citações na base Scopus. 

sábado, 20 de agosto de 2022

A grande prioridade do socialismo Português é enriquecer socialistas, especialmente aqueles que têm diplomas académicos anulados


Aquele que é sem dúvida o jornalista mais odiado pelos socialistas deste país (José António Cerejo, um jornalista que não faz fretes, como o fazem muitos jornalistas cujo sonho é serem convidados para assessores do Governo) acaba de fazer mais um artigo, que sem dúvida irá aumentar ainda mais o ódio de que já é alvo, artigo esse onde revela que o felizardo Português que acaba de ser nomeado para um lugar de Administrador num Hospital, é alguém cuja licenciatura foi anulada, porque a mesma tinha sido obtida, com aproveitamento automático a nada menos do que 32 disciplinas, sem necessitar de fazer prova dos seus conhecimentos relativamente aos conteúdos dessas disciplinas https://www.publico.pt/2022/08/19/politica/noticia/excomandante-proteccao-civil-licenciatura-polemica-nomeado-administracao-hospital-castelo-branco-2017575

E se o critério de nomeação não foram as habilitações académicas, porque nesse caso a escolha teria recaído num candidato doutorado ou no mínimo habilitado com o grau de mestre, até porque há bastantes inscritos nos centros de emprego, então deve ter sido um outro, que mais nenhum outro candidato neste país possui. E pela leitura do conteúdo do artigo do jornal Público, só me ocorre um critério, aquele relativo ao facto do nomeado ter sido secretário pessoal do famoso dinossauro socialista, Joaquim Morão (foto acima), quando aquele esteve à frente da Câmara de Idanha-a-Nova, trata-se do mesmo Morão que há 30 anos está à frente da Misericórdia de Idanha-a-Nova, que em Abril deste ano teve direito a um interessante artigo pelo mesmo jornalista José António Cerejo  https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/04/a-mulher-de-um-famoso-ex-presidente-de.html

Por uma estranha coincidência, durante o anterior Governo socialista também acharam boa ideia escolher para um lugar de assessor, com direito a um vencimento de quase 4000 euros/mêsum socialista cujo doutoramento foi anulado por plágio  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/01/3700-eurosmes-para-o-assessor-que.html

E porque é que será que na França, criar um emprego fictício para um familiar, dá direito a uma pena de cadeia efectiva, como aconteceu recentemente com o ex-Primeiro-Ministro daquele país, François Fillon, que arranjou um emprego para a mulher e em Portugal nomear alguém com uma licenciatura ou um doutoramento anulado é perfeitamente legal ? Será que a explicação para a diferença de tratamento se prende com o facto da França ser uma democracia, onde metem políticos na cadeia, mesmo aqueles que ocuparam o cargo de Primeiro-Ministro, e Portugal ser uma cleptocracia (segundo o catedrático Nuno Garoupa) ou mesmo uma corruptocracia ?

quarta-feira, 17 de agosto de 2022

Jornalismo incompetente que trata os maus resultados de algumas universidades como se fossem boas notícias

Ainda sobre um post anterior, de Agosto do ano passado, onde se escreveu sobre a influência do Nobel Egas Moniz na classificação da universidade de Lisboa no conhecido ranking Shanghai, o único ranking a nível mundial, que convém realçar, contabiliza prémios Nobel (e também o único que um documento da União Europeia associa à excelência científica), apresenta-se na imagem abaixo, a evolução desde 2018, dos critérios do referido ranking para a universidade de Lisboa. O 1º critério (Alumni) não é apresentado porque o valor é nulo em todos os anos para aquela universidade.

A mencionada imagem síntese, mostra que a universidade de Lisboa têm melhorado ligeiramente a produção de artigos científicos, porém isso não tem sido suficiente para compensar a descida noutros critérios e é isso que explica que em 2021 a referida universidade tenha acabado por cair do grupo 151/200 para o grupo 201/300. Uma despromoção evidente a que a imprensa curiosamente evitou dar destaque, como era aliás seu dever, muito provavelmente porque este Governo não gosta de ler más noticias. Não só não gosta de ler sobre más noticias como por vezes até chega ao extremo vergonhoso de negar estatísticas oficiais.

Ainda sobre o referido ranking Shanghai, é impressionante a forma omissa e até mesmo bastante incompetente, como há dois dias atrás a imprensa noticiou a classificação das universidades Portuguesas naquele ranking. Em boa verdade porém a realidade é bastante diferente do lindo cenário cor de rosa que foi "noticiado" aqui  https://www.publico.pt/2022/08/15/sociedade/noticia/seis-universidades-portuguesas-mil-melhores-mundo-2017234

Interessa por isso muito pouco saber que há 6 universidades Portuguesas no top 1000 do ranking Shanghai deste ano, como deu conta a imprensa, pela simples razão que há países como o a Nigéria, o Paquistão ou a Etiópia, que também tem universidades no grupo das mil melhores e Portugal, que eu saiba, não ambiciona ter o mesmo nível de desenvolvimento (científico ou outro) daqueles pobres países. 

A única realidade que interessa é por isso somente aquela que faz uma avaliação temporal do desempenho das universidades Portuguesas no referido ranking, para se perceber se há aumento ou há diminuição da competitividade científica das nossas universidades, e assim se conseguir saber se estamos mais próximos ou mais longe do desempenho de universidades de países mais ricosrealidade essa através da qual se consegue perceber aquilo que imprensa não revelou:

- Que a universidade do Porto conseguiu ter melhor resultado de sempre, entrando no grupo 201-300
- Que a universidade do Minho conseguiu manter-se no Top 500. 
- Que a universidade de Aveiro conseguiu voltar a entrar no Top 500, onde tinha saído em 2019 
- Que a universidade de Lisboa não conseguiu voltar ao lugar que teve naquele ranking até 2020.  
- Que a universidade de Coimbra e a Universidade Nova (a Universidade da Ministra Elvira Fortunato) mais uma vez, não conseguiram, o objectivo de voltarem a entrar no Top 500
- Que a Alemanha tem três dezenas de universidades no Top 500 (já para nem falar das 4 no Top 100) e a própria Espanha (e também a Coreia do Sul) têm lá 11 universidades e Portugal têm apenas 4

Será que os Portugueses não merecem um jornalismo que não os trate como se fossem semi-analfabetos ? E porque é que os senhores jornalistas não foram perguntar aos Reitores das Universidades de Coimbra e da Nova, qual o motivo porque essas universidades não foram capazes de voltar a fazer parte do grupo das 500 melhores do mundo ? E porque é que a Coreia do Sul, que em 1974 era um país muito mais pobre do que Portugal, consegue ter uma universidade entre as 100 melhores do mundo e a melhor universidade Portuguesa nunca conseguiu entrar sequer no grupo das 150 melhores ? Será que é porque em Portugal, ao contrário da Coreia do Sul, e como afirmou um dos melhores cientistas Portugueses, existe uma "burocracia cuidadosamente arquitetada para defender os interesses da mediocridade instalada" ?