sábado, 24 de junho de 2023

Quem são os catedráticos Portugueses que mais beneficiaram com os 310 milhões que foram pagos a universidades Americanas ?


O semanário Expresso divulgou ontem que "Os Reitores contestam acordo de 310 milhões com escolas dos EUA". Nele se pode ler que o Governo de António Costa paga a três universidades Americanas, praticamente o mesmo que gasta com quase 10 mil investigadores que trabalham em Portugal. O que parece significar que se esse acordo não for renovado a FCT fica com dinheiro para poder contratar quase 10.000 investigadores !

Tendo há vários anos atrás criticado, repetidamente, o referido acordo, veja-se a este respeito, por exemplo a frase num post de 2020 "como o famoso programa MIT-Portugal (que um Colega apelidou de turismo científico atento o valor gasto em viagens de avião e estadias)", https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/11/a-professora-mais-corajosa-da-unova.html registo agora que os supracitados Reitores tenham necessitado de tantos anos, 17 (dezassete) anos para chegarem a essa conclusão. 

Sobre esse acordo, interessante seria saber quem são afinal os catedráticos Portugueses, que mais beneficiaram com o facto dos contribuintes Portugueses terem pago 310 milhões de euros a universidades Americanas ?

Um deles, é o catedrático do IST, Paulo Ferrão que eu critiquei em Janeiro deste ano aqui, que foi Presidente da FCT, entre 2016 e 2019, e que tem quase 30% das suas publicações, que são resultado de investigações financiadas pelo referido acordo com "escolas dos EUA". 

Declaração de interesses - Declaro que quando o catedrático Paulo Ferrão foi Presidente da FCT, não deixei de o criticar pelas suas opções, vide por exemplo, email de 19/04/2017, que abaixo se reproduz: 


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From: F. Pacheco Torgal 
Sent: quarta-feira, 19 de Abril de 2017 19:34
Subject: Avaliação dos laboratórios associados__Declarações do Presidente da FCT no parlamento
 

Um assessor de um grupo parlamentar enviou-me hoje ao fim da tarde um email com o seguinte esclarecimento:

 

"O presidente da FCT, professor doutor Paulo Ferrão, esteve em audição na Comissão de Educação e Ciência ontem, dia 18 de abril, e perguntado sobre essa situação respondeu, por duas vezes e sem deixar margens para dúvidas, que os Laboratórios Associados seriam avaliados como centros de investigação que são e que, posteriormente, seriam ainda avaliados para receberem “o selo” de laboratórios associados ou laboratórios de excelência pelo que não se confirma o que se poderia deduzir do que está publicado no site da FCT. A audição foi gravada pelo que poderá ser vista aqui: http://www.canal.parlamento.pt/?cid=1876&title=audicao-de-paulo-ferrao-presidente-do-conselho-diretivo-da-fundacao-p

 

Na parte da manhã já um deputado da actual maioria me tinha enviado um email, que abaixo integralmente se reproduz, onde o nome do mesmo entendi pertinente apagar, dizendo também que ao contrário do que está plasmado no PRAFU o Presidente da FCT foi ontem garantir ao Parlamento que haverá avaliação conjunta dos laboratórios associados e das restantes unidades do SCTN. Aquele deputado não se pronuncia porém sobre algo que designa como o papel dos mesmos em relação às necessidades públicas. Linguagem cifrada ou no mínimo pouco clara que parece esquecer que não se pode simultaneamente avaliar e não tirar consequências dessa avaliação. Se os LA forem avaliados conjuntamente com as outras unidades e alguns deles tiverem uma classificação inferior à de outras unidades não faz qualquer sentido dizer que irão manter o seu estatuto e ganhar por portas travessas o financiamento que perderam devido a essa baixa classificação. O MCTES via FCT até pode decidir beneficiar de forma razoável unidades que tenham um desempenho extraordinário, pois ao contrário do que muitos pensam o esforço merece ser devidamente recompensado, aquilo que não pode é dizer à partida que quem já foi muito beneficiado no passado irá continuar a sê-lo independentemente do resultado da avaliação. O actual MCTES fez em mal em recusar a anterior avaliação quando mais não fosse porque assim criou um perigoso precedente que irá permitir a um eventual futuro Governo utilizá-lo estratégicamente para também poder rejeitar a presente avaliação ou outra de forma discricionária. Um país que dificilmente consegue atrair reputados investigadores dificilmente se pode dar ao luxo de perder os poucos que ainda têm devido a um quadro de permanente instabilidade. Assim sendo convém que a avaliação que agora se vai iniciar seja cristalina e absolutamente inatacável. Como é por demais evidente a comunidade científica precisa e merece regras estáveis e não pode por isso estar sujeita aos humores de nenhum Governo, este ou qualquer outro. Não que a comunidade científica se arrogue um estatuto acima daquele legitimado pela vontade popular mas porque é a última depositária de importantes valores que sustentam a República e que (alguma) classe política que está no Parlamento menos para servir e mais para se servir a si própria, há muito esqueceu e ou até renegou. 

 

quarta-feira, 21 de junho de 2023

Definitivamente não subscrevo esta recente opinião do Reitor da Universidade do Minho

Não subscrevo a opinião do Reitor da Universidade do Minho, hoje publicada pelo Expresso (vide artigo acessível no link acima), segundo a qual o ChatGPT veio “pôr tudo de pantanas”, porque essa expressão além de possuir uma conotação marcadamente negativa, revela-se desajustada e redutora quando aplicada a uma tecnologia revolucionária, dotada de inúmeras virtualidades disruptivas e de elevado potencial transformador em múltiplos domínios do conhecimento e da atividade humana.

Importa, desde logo, recordar que um artigo recente publicado na prestigiada revista The Economist refutou de forma contundente os cenários quase dantescos associados à alegada eliminação massiva de empregos pela inteligência artificial, desmontando assim argumentos alarmistas e simplistas: https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/05/the-economist-inteligencia-artificial.html

E isto sem sequer mencionar as projeções de elevados lucros, que foram discutidas num outro artigo da mesma The Economist, pelo menos para aqueles que souberem explorar estrategicamente as potencialidades da IA generativa https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/06/the-top-10-countries-with-more-scopus.html

Convém ainda sublinhar que existem numerosas áreas nas quais o ChatGPT está longe de ter provocado qualquer disrupção caótica. Basta observar, por exemplo, o caso da engenharia civil, onde já se demonstrou que a IA generativa ainda tem muito a aprender antes de poder aspirar a “pôr de pantanas” essa área científica https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/06/chatgpt-ensina-como-projectar-um-betao.html

No limite, pode é dizer-se que o Reitor da Universidade do Minho, tem razão, naquela parte em que o ChatGPT irá conduzir a uma "revolução" na educação https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/05/yuval-noah-harari-responde-pergunta-nao.html mas mesmo essa "revolução" deveria antes ser bastante saudada e não lamentada. Quanto mais não fosse porque, dificilmente se pode considerar como minimamente aceitável uma putativa "educação" onde 40% das notas das escolas privadas são de 19 e 20 valores, (as tais escolas que lideram os rankings e onde estão os muito pouco excelentes filhinhos e filhinhas das classes abastadas deste país) e quando ainda por cima essas elevadas classificações são incapazes sequer de traduzir um mínimo de espirito critico https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/09/ter-media-de-20-valores-nao-e-sinonimo.html 

E nem é bom pensar e muito menos tentar indagar que miseráveis (des)valores terá essa perversa “educação” incutido em alunos, que sabem e aceitam (passiva ou até muito alegremente) “roubar” um lugar num curso de medicina a outros alunos, que não tiveram dinheiro para pagar a frequência de estabelecimentos ditos de "ensino", onde se distribuem notas de 19 e 20 valores a granel. Para desgraça já basta ter de reconhecer que até mesmo aqueles países, regidos pelo tal indecente "capitalismo selvagem" punem criminalmente tais desvergonhas ao passo que o Código Penal Português é totalmente omisso nessa matéria. 

PS - A imagem supra, diz respeito a uma escultura do já falecido escultor José Rodrigues (1936-2016) (localizada no campus da Universidade do Minho em Braga) que representa o titã Prometeu acorrentado e a sua conhecida e muito valiosa oferenda à espécie humana, pela qual se sabe que foi condenado à pena "eterna" de ter o seu fígado devorado todos os dias por uma águia. Coincidentemente, tal como o titã Prometeu se eternizou nessa dádiva fundamental também o "titã" ChatGPT representa afinal uma importante dádiva (da engenharia) que permite à espécie humana o usufruto instantâneo de um conhecimento imensoMuito irónicamente, a engenharia em particular (e a ciência em geral) pode não ter o seu fígado devorado todos os dias, mas tem recebido em troca, como Prometeu, uma notória ingratidão https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/11/a-desvalorizacao-da-ciencia-e-da.html

terça-feira, 20 de junho de 2023

A estrepitosa líder dos advogados descamisados e famintos

 


Ainda na sequência do post acessível no link acima, onde se comentou o descontentamento de alguns/muitos advogados, pelo facto de um conhecido Catedrático de Direito de Coimbra, ter equiparado aquela classe profissional aos taxistas (post esse que terminou lembrando um estudo de um catedrático de economia, que mostrou que  o excesso de advogados contribui para o empobrecimento de qualquer país) aproveito para divulgar (leia-se elogiar) o último post do mesmo catedrático de Direito de Coimbra, que logo a abrir afirma que os advogados se devem sentir envergonhados com a "pindérica manifestação", de alguns advogados (descamisados e famintos), liderados pela sua vocal (leia-se peixeira) Bastonária/sindicalista https://causa-nossa.blogspot.com/2023/06/corporativismo-46-e-isso-mesmo.html

Declaração de interesses - Declaro que em Outubro de 2019, critiquei a Ordem dos Advogados, por apostar todas as suas energias a tentar obter a condenação de um pobre desgraçado, que se limitou a ajudar gente pouco instruída e sem dinheiro para pagar os anormalmente elevados honorários dos advogados. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/10/a-estranha-luta-da-ordem-dos-advogados.html