domingo, 17 de setembro de 2023

Engenharia Civil - Evolução de colocações ao longo dos últimos 18 anos


Na sequência do post supra de 27 de Agosto, sobre os resultados das colocações no curso de Engenharia Civil, durante a 1ª fase de acesso ao ensino superior, ficou-se hoje a saber que, exatamente como sucedeu na 2ª fase do ano passado, este curso recolheu sete dezenas de candidatos, o que na soma das duas fases, mostra um valor idêntico ao do ano passado, significando isso que a palavra de ordem para este curso é agora de estabilização da procura e essa estabilização é bastante mais evidente se olharmos para a imagem abaixo, sobre as colocações neste curso, na 1ª fase (a fase mais importante onde em regra entram mais de 80% dos candidatos) durante os últimos 18 anos, onde é evidente que a seguir à queda acentuada que se iniciou em 2008, e que atingiu um mínimo em 2014, seguiu-se uma recuperação, que entrou em fase de estabilização de há 7 anos a esta parte. 

Entendo que há duas maneiras de olhar para a referida estabilização, a do copo meio cheio, que olha basicamente para o facto de há vários anos que este curso tem vindo a receber anualmente quase seis centenas de alunos. E a do copo meio vazio, que é a minha, que muito lamenta que a procura deste curso tenha estabilizado muito abaixo de uma procura anual que por regra era superior a 1000 candidatos. Situação essa que é de difícil entendimento, pois não há perspectivas da indústria da construção, no espaço europeu e fora dele, se encaminhar para uma redução da sua produção, antes pelo contrário, como dão conta por exemplo os 940 biliões que foram mencionados aqui https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/07/as-previsoes-de-um-catedratico-sobre-as.html  Mas o mais difícil de entender é que a procura do curso de Engenharia Civil ainda não esteja a beneficiar da inevitável fuga de candidatos dos cursos (que na verdade são apenas perda de tempo e de dinheiro) destinados a empregos que IA irá substituir.  


sexta-feira, 15 de setembro de 2023

Qual a ética de um catedrático que aceita integrar um júri de concurso onde é oponente o seu orientando ?

 

Será que aqueles catedráticos, que aceitam ser jurados de concursos, onde vão pronunciar-se sobre o currículo de candidatos de que foram orientadores e com quem publicaram conjuntamente, vivem alheados numa realidade alternativa, onde se ignora que os tribunais deste país já estão atulhados de processos a que não conseguem responder em tempo útil (40% das condenações de Portugal no TEDH foram por demora excessiva da justiça), para ainda terem de perder tempo (leia-se consumir dinheiro dos contribuintes) a sentenciar o óbvio, que essa situação viola a lei. Vide extracto abaixo, de um recente Acórdão do Tribunal Central Administrativo Sul, que anulou um concurso para um lugar de professor Associado na universidade de Coimbra, em que uma candidata tinha 77% das suas publicações em conjunto com uma catedrática membro do júri e sua antiga orientadora:

"...Ficou igualmente provado que a Professora M......., membro do júri, foi orientadora das provas de aptidão pedagógica e também de doutoramento da candidata...a partilha de 51 dos 66 artigos mencionados no curriculum da candidata ...com a Professora M...revela uma relação profissional estreita e de grande intimidade...tal fragiliza a necessária imagem de independência dos jurados....Em face da suspeição verificada quanto à constituição do júri...não opera o princípio do aproveitamento dos atos administrativos - utile per inutile non vitiatur.http://www.dgsi.pt/jtca.nsf/170589492546a7fb802575c3004c6d7d/12ff3ad2ccbfe19f802589ad002bef28?OpenDocument

PS - E mesmo que no limite, a lei desta desgraçada terra, fosse tão corrupta que permitisse um tal absurdo, ainda assim sempre seria impossível esquecer a falta de ética de um acto, que nunca seria tolerado em universidades de países do primeiro mundo. É claro que este e muitos outros Acórdãos sobre concursos académicos, como por exemplo aquele Acórdão sobre um concurso em que um catedrático de Engenharia Civil, se achou competente para escolher um futuro catedrático de Botânicasó existem porque houve candidatos corajosos, o suficiente para contestarem as "avaliações" concursais de catedráticos que se julgam omnipotentes. Essa coragem porém paga-se muito cara na Academia Portuguesa https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/10/a-vinganca-cobarde-dos-catedraticos.html

quinta-feira, 14 de setembro de 2023

O metal tóxico que mata mais pessoas do que o tabaco ou o colesterol e que os Governantes Portugueses negligenciam

 

Um recente estudo do Banco Mundial, concluiu que a exposição ao metal tóxico chumbo, foi responsável por 5 milhões de mortes num único ano, superando o número de mortes associadas ao tabaco e ao colesterol. O referido estudo estimou em 7% do PIB mundial (6 triliões de dólares) o custo global do envenenamento por chumbo, incluindo o número de mortes e ainda  o custo associado à redução do QI de crianças  com menos de 5 anos de idade https://www.thelancet.com/journals/lanplh/article/PIIS2542-5196(23)00166-3/fulltext

Sobre o tema do envenenamento por chumbo, entendo pertinente recordar um post de 2020 de título "Os Portugueses que se preocupam muito com o amianto mas não sabem que andam a ser lentamente envenenados com chumbo" https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/12/pode-um-pais-do-primeiro-mundo-deixar.html

E também um outro post, de 2021,  em cuja parte final critiquei o facto de Portugal, o mesmo desgraçado país que conseguiu arranjar 20.000 milhões de euros para dar à banca, não conseguir arranjar 1500 milhões de euros para substituir as canalizações em chumbo. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/04/nao-gastar-no-que-e-imprescindivel-e.html

Recordo ainda, que há mais de uma década atrás, fui primeiro autor de um livro, que já foi descarregado mais de 14.000 vezes (mais de 8.000 no Brasil, que representam 61% dos descarregamentos totais e 84% das quase 20.000 consultas). https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/engenharia-civil-20212022-universidade.html 

Na Tabela 2.6 do referido livro, que inicia a página 59, é indisfarçável o cinismo politico, vertido na regulamentação sobre o limite máximo de teor de chumbo na água, que levou várias décadas a baixar de 300µg para 10µg, a que não foi certamente alheio, o custo de substituição de milhões de metros de tubagem de chumbo em toda a Europa (1 milhão de metros em Portugal), que em 2009 se estimava em 200.000 milhões de euros. De valor astronómico é certo, mas ainda assim bastante inferior ao valor, da evasão fiscal na Europa, que naquela altura, o Presidente da Comissão Europeia disse publicamente que custava 1 trilião de euros a cada ano. 

PS - Ainda sobre a toxicidade do chumbo, em 2022 critiquei de forma pouco ortodoxa, aqueles Portugueses que são viciados na actividade, não agrícola, de semear chumbo pelos campos deste país https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/02/que-se-fodam.html

Aditamento - Pelas 12h:27min recebi um email do investigador Ricardo Lagoa, membro da conhecida unidade de investigação UCIBIO, que me informou que no mapa mundo, que informa sobre o teor de chumbo no sangue, Portugal (BLL de 2,0 micro-g/dL) aparece em pior situação do que a Turquia (BLL de 1,5), e com um valor similar ao da Libia (2,1).