quinta-feira, 30 de novembro de 2023

A falta de visão da revista Visão e os economistas perturbados que se comportam quase como a famosa galinha sem cabeça



No dia 14 Março de 2023, tive de criticar a falta de rigor da revista Visão acerca das putativas "20 profissões mais suscetíveis de serem substituídas pelo ChatGPT", vide post acessível no link acima. Passados poucos meses, em 31 de Agosto, tive novamente que criticar a referida revista, por conta de um artigo pouco rigoroso e até alarmista, onde se afirmava que a inteligência artificial iria eliminar 75 milhões de postos de trabalho https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/08/os-engenheiros-que-cobram-quase-200.html

Pois bem, num recente artigo publicado na prestigiada revista The Economist, na edição "The Word Ahead 2024", (a mesma edição, que não por acaso, já tinha mencionado, num post sobre a supina tacanhice do Reitor da Universidade de Lisboa), pode ler-se nas páginas 71-72, no artigo de título "What does AI mean for your pay?", que os cenários dantescos sobre eliminação de elevadas percentagens de empregos eram afinal baseados em pressupostos pouco realistas. Curiosamente, num outro artigo da mesma revista, nas páginas 83-84, está escrito que os economistas andam de cabeça perdida, (leia-se, agem quase como se fossem a tal famosa galinha que contra todas as probabilidades, conseguiu viver 18 meses sem cabeça) porque afinal muitas empresas ao invés de despedir, tiveram ainda de contratar mais pessoal, porque conseguiram ganhar mais quota de mercado. 

Declaração de interesses - Declaro que nada de pessoal me move contra a revista Visão. Porque se é verdade que em 8 de Dezembro de 2019 escrevi sobre ela um post nada simpático de título "A máquina de estupidificar os Portugueses ataca novamente", também não é menos verdade que em 30 de Janeiro de 2020, escrevi um outro post, esse elogioso, de título "A máquina de estupidificar Portugueses no caminho da redenção ?", https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/01/a-maquina-de-estupidificar-portugueses.html e em 15 de Abril de 2020, também um outro post, igualmente elogioso, com o título "A máquina de estupidificar Portugueses redimiu-se ?"

quarta-feira, 29 de novembro de 2023

Porque serão os engenheiros tão avarentos e os economistas tão generosos ?

 


O doutorado Nuno Eduardo da Silva Ivo Gonçalves, conhecido docente do ensino superior, foi há poucos dias atrás autor de um "curioso" artigo, acessível no link supra, onde fala de um "processo de atribuição dos títulos profissionais de Economista Sénior e de Economista Conselheiro" e onde a certa altura se pode ler a surpreendente frase "Ou seja, António Mendonça não nos pedia que nos candidatássemos, enviava-nos um convite directo para membro conselheiro e pedia-nos uma nota curricular. Tratava-se portanto de uma passagem administrativa". 

Para quem não saiba, o supracitado Bastonário da Ordem dos Economistas, António Mendonça, é professor catedrático no ISEG e uma pesquisa na base Scopus, revela que possui 5 (cinco) publicações científicas indexadas, que foram produzidas ao longo dos últimos 16 (dezasseis) anos e que receberam até ao momento 17 (dezassete) citações (h-index=3). https://www.scopus.com/authid/detail.uri?authorId=36883916100

Intrigante é que, comparando o número total de membros da Ordem dos Economistas e das largas centenas de Economistas Conselheiros, com os valores equivalentes existentes na Ordem dos Engenheiros, chega-se à conclusão que o rácio de Engenheiros Conselheiros é aproximadamente 20 (vinte) vezes inferior ao de Economistas Conselheiros. Pelo que faz todo o sentido questionar, porque será que a Engenharia Portuguesa é assim tão avara ?

E será que afinal a famosa piada, segundo a qual, os economistas foram criados para dar credibilidade às previsões dos meteorologistas, irá ser substituída por uma nova versão, que dita que, os economistas foram criados para mostrar a avareza dos engenheiros ?

Ironias à parte, não posso em boa consciência, deixar de lamentar bastante que o catedrático, Francisco Louçã, cuja obra científica é muitíssimo mais citada do que a do Bastonário António Mendonça e que eu próprio admito que já citei em 2016 (leia-se o artigo "The elusive concept of innovation for Schumpeter, Marschak and the early econometricians") no capítulo introdutório deste livro https://shop.elsevier.com/books/start-up-creation/torgal/978-0-08-100546-0 não possua currículo mínimo, suficiente, para fazer parte da tal lista de largas centenas de ilustríssimos de Economistas Conselheiros, autores de análises e estudos económicos, verdadeiramente extraordinários, que muito ajudaram a alcançar o sobejamente conhecido milagre económico Português, que é o de exportar jovens Portugueses para os países do Norte da Europa. E o mais intrigante é que nem sequer lá aparece o nome daquele catedrático de economia, da universidade do Minho, Luís Aguiar-Conraria, cuja obra científica até já foi citada por vencedores do Nobel da Economia

No contexto supracitado e tendo em conta, que como escrevi no passado dia 24 de Novembro, reconheço "elevada sapiência e invulgar sensatez", https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/11/vital-moreira-versus-pacheco-torgal.html às opiniões do catedrático jubilado Vital Moreira, não resisto a reproduzir um excerto de um post que ele colocou no seu blogue, no dia 22 de Junho de 2022: "A mais ridícula ordem profissional é, a meu ver, a Ordem dos Economistas...visto ser evidente que não há nenhuma "falha de mercado" nesse setor de serviços...É um escandaloso caso de "desvio do poder" legislativo..."

Declaração de interesses - Declaro que esta foi a primeira vez que escrevi sobre a (inócua mas muitíssimo generosa) Ordem dos Economistas, pois como fazem prova, dezenas de posts anteriores, prefiro muitíssimo mais, dedicar o meu tempo, a denunciar aquilo que de de absolutamente inacreditável, se passa na Ordem dos Advogados e na Ordem dos Médicos https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/05/ordem-dos-engenheiros-novamente-na.html

PS - Ainda sobre engenharia e engenheiros, hoje na capa do jornal Público pode ler-se "O IPDJ contratou para prestar serviços de engenharia o filho de um antigo deputado do PS, que não era engenheiro"Porém em nome do rigor que deve pautar o comportamento de qualquer profissional, é bom que se diga toda a verdade, isto é que na página 12 do mesmo jornal se pode ler que, "mais de quatro anos passados, L. Junqueiro aparece inscrito na Ordem dos Engenheiros como engenheiro civil estagiário", o que faz prova bastante que o jornalista do Público foi maldoso e devia antes ter escrito "O IPDJ contratou para prestar serviços de engenharia o filho de um antigo deputado do PS, que não era engenheiro, mas que sabia, que estava escrito nas estrelas, que um dia iria ser engenheiro"

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

A santa universidade que acaba de conhecer a dura verdade que agora a liberta de um céu imerecido para o inferno da realidade


Em 12 de Setembro de 2019, assim que tomei conhecimento, do conteúdo de um artigo assinado pelo jornalista Samuel Silva, no jornal Público, que dava conta de um ranking (Times Higher Education) que colocava a Universidade Católica, como a melhor universidade Portuguesa, por conta de um gigantesco nível de citações, tratei de imediato de explicar aos crédulos que engoliram essa pseudonotícia, que se tratava apenas de uma patranha e nada mais do que uma patranha. Esse email, que na altura enviei a vários milhares de Colegas, e onde o referido jornalista, foi muito merecidamente tratado, de forma bastante critica, foi posteriormente reproduzido no post acessível no link https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/03/o-expresso-ao-servico-de-um-ranking-fake.html

Eis porém que agora, o mesmo jornal Público, acaba de publicar (certamente muito a contragosto) um patético artigo onde informa, que os responsáveis do referido ranking vieram agora, admitir publicamente que estavam profundamente errados, sobre os tais famigerados critérios, que tinham levado a Universidade Católica aos píncaros das citações e da fama em Portugal, e agora após a correcção da anomalia, aquela universidade, de uma assentada, acaba de dar um trambolhão gigantesco de algumas centenas de lugares,  mais de 600 https://www.publico.pt/2023/11/19/sociedade/noticia/alteracao-criterios-fez-catolica-deixar-melhor-universidade-2070506

Nesse artigo agora publicado, o mesmo jornalista Samuel Silva, admite (tardiamente) que "Houve quem estranhasse, por isso, o resultado final, que colocava a Católica como a “melhor universidade” do país. Foi o caso do então presidente da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior". Esqueceu-se porém de dizer que o Presidente da A3ES, Alberto Amaral, só se pronunciou sobre a estapafúrdia classificação da universidade Católica no dia 23 de Setembro de 2019, mais de 10 (dez) dias depois de eu ter denunciado essa patranha e esqueceu-se também, de forma cobarde, de pedir evidentes e necessárias desculpas, pelo facto do jornal Público, ter continuado desde 2019, a fazer publicidade (enganosa) a um ranking baseado em critérios, que sabia estarem profundamente errados. 

Diz a noticia, que agora que esses critérios foram corrigidos, a Universidade de Coimbra é a (nova) melhor universidade Portuguesa. Trata-se porém de outra patranha, porque o referido ranking pode até ter corrigido os critérios das citações, mas o facto é que ainda continua a usar outros critérios que valem nada e que não por acaso já denunciei anteriormente. Desde logo, um ranking que não utiliza como um dos critérios de seriação o número de prémios Nobel, permitindo assim que uma universidade que nunca teve um cientista que algum dia tenha ganho um prémio Nobel, possa aparecer à frente de uma universidade que ganhou vários desses prestigiados prémios é apenas e tão somente um ranking da treta, que serve apenas para ajudar universidades muito pouco competitivas. Veja-se a este respeito, o conteúdo do post de Junho de 2020, sobre as universidades do país do Sr. Putin "A sua universidade não consegue subir em rankings internacionais decentes? Fale connosco temos a solução" https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/06/a-sua-universidade-nao-consegue-subir.html

O jornalista Samuel Silva, parece que não sabe que há apenas um único ranking a nível mundial, cujos critérios não contabilizam inquéritos (que são apenas lixo) mas valorizam os prémios Nobel, (o único ranking que a Comissão Europeia associa à excelência científica) que é o ranking Shanghai. Nesse ranking, cuja lista geral, foi este ano tornada pública no dia 15 de Agosto, a universidade de Coimbra, aparece abaixo das universidades de Lisboa e do Porto e com a mesma classificação das universidades do Minho e de Aveiro https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/08/onde-param-as-desaparecidas-explicacoes.html

Mas aquilo que realmente interessa aos futuros alunos do ensino superior, não é tanto saber qual a melhor universidade Portuguesa, mas saber qual é aquela, que relativamente ao curso que desejam frequentar, possui aquele com mais prestigio internacional. De pouco vale a qualquer aluno, dizer que vai estudar na universidade do Porto (ou na universidade de Lisboa), se o curso que for frequentar nessa universidade, for um curso cientificamente muito pouco competitivo. E convém ter presente que a universidade do Porto (e também a universidade de Lisboa), ao contrário do que possa parecer, tem infelizmente vários cursos nessas lamentáveis condições. Porque é que continuam abertos é que é um mistério !

Para se saber quais são os cursos cientificamente mais competitivos nas várias instituições de ensino superior em Portugal, basta consultar as mais de 50 áreas que aparecem listadas no ranking Shanghai por áreas, que foi divulgado no passado dia 27 de Outubro, onde se fica desde logo a saber que, há uma dezena de cursos em Portugal que estão entre os 100 melhores do mundo, o que significa que pelo menos relativamente a esses cursos, a sua frequência permite poupar uma elevada quantidade de dinheiro, recebendo em troca uma formação com uma qualidade científica similar á de algumas das melhores universidades europeias https://pacheco-torgal.blogspot.com/2023/10/as-areas-cientificas-que-mais.html 

PS - É evidente que eu ficava bastante satisfeito, se a universidade de Coimbra, fosse de facto a melhor universidade de Portugal, até porque foi nessa universidade onde estive matriculado durante 5 anos (1987-1992) para concluir a minha licenciatura em Engenharia Civil, numa altura, em que a duração média desse curso era de quase (15) quinze anos https://www.docdroid.net/wogtBF8/eng-civil-univ-coimbra-1990-pdf O rigor dos factos é porém muitíssimo mais importante do que as satisfações pessoais, de quem quer que seja.