quarta-feira, 20 de março de 2024

Should Europe feel "grateful" for Putin's flagrant criminal actions?

 

Allow me to begin this post with a disclosure of my interests, articulated almost a month before Putin's order for the invasion of Ukraine. I asserted that warmongering stands as the gravest offense within the realm of academic conduct https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/01/a-mais-grave-infraccao-academica-que.htm 

With this caveat in mind and reflecting on numerous prior posts where my profound disdain for Putin was unmistakable—posts which have, for instance, contributed to a decline in Russian visitors to this platform as discussed in a post of December 25—it is now imperative, given recent developments, to reassess Putin's egregiously criminal deeds from an alternate standpoint. 

Recently, Bettina Stark-Watzinger, the German Minister of Education, asserted the necessity for German schools to ready children for the prospect of war. The backdrop to this assertion is the looming specter of war with Russia. Indeed, yesterday, the President of the European Council articulated that peace in Europe hinges on the populace's preparedness for war. https://www.consilium.europa.eu/en/press/press-releases/2024/03/19/if-we-want-peace-we-must-prepare-for-war/ 

While I maintain skepticism regarding the likelihood of a war between Germany and Russia, I acknowledge the significance of psychological preparedness for the eventuality of war. The inevitability of such a scenario underscores the urgency of priming the next generations accordingly. 

When a senior official of the European Commission, Frans Timmermans, publicly states that his grandson, reaching 31 in 2050, may be forced to engage in conflict over fundamental resources, we must confront the sobering reality of imminent war—a war between this Planet and humanity.

If projections hold true and half of our planet becomes uninhabitable, as asserted by a prominent Oxford professor, we face the displacement of hundreds of millions of individuals. Indeed, the Zurich Insurance Group estimates this figure to reach a staggering 1.2 billion by 2050.

Drawing upon analyses of a climate refugee settlement model presented in the International Journal of Climate Change Strategies and Management, which delineates the moral obligations of the 20 most polluting nations regarding climate refugees, it becomes evident that a single European nation, Germany, could be tasked with accommodating around 72 million climate refugees (US is obligated to accommodate 120 million climate refugees). The climate refugee settlement model prioritizes per capita CO2 emissions with a 60% weight, followed by ecological footprint at 20%. The remaining 20% is equally divided between per capita GNI and HDI, each contributing 10%.

While there exists no mechanism to compel polluting nations to accept these climate refugees, certain academics posit that the repercussions of climate change are tantamount to acts of war by rich countries against poor countries. Consequently, the latter may, in an act of self-defense, resort to terrorist actions against the polluting industries of the former. Thus, rich nations are left with a stark choice: either recognizing their moral culpability and embracing accountability for their actions, or bracing themselves for the consequences of warranted retaliatory attacks. 

PS - The preceding context aids in gaining a deeper comprehension of the subject discussed last month https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/02/moral-obligations-of-university.html

terça-feira, 19 de março de 2024

Deve a Europa sentir-se "grata" pelas acções altamente criminosas de Putin ?


Inicio este post com uma declaração de interesses, a qual publiquei quase um mês antes de Putin ter ordenado a invasão da Ucrânia, segundo a qual, fazer a apologia da guerra constitui de longe a pior infracção que um académico pode cometer https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/01/a-mais-grave-infraccao-academica-que.html

Feita que está essa ressalva e depois de todos os muitos posts anteriores onde ficou bem patente o meu profundo desprezo pelo dito Putin, posts esses que permitem por exemplo explicar a diminuição dos visitantes Russos deste blogue que comentei em 25 de Dezembro aqui, é chegada a altura (em face de noticias muito recentes) de olhar para as acções altamente criminosas de Putin a partir de um outro prisma. 

Há poucos dias, Bettina Stark-Watzinger, Ministra Alemã da Educação, disse que as escolas daquele país devem preparar as crianças para a guerra. O contexto é a possibilidade de uma guerra com a Rússia, e de facto hoje mesmo, o Presidente do Conselho Europeu, explicou que só haverá paz na Europa se e só se os europeus estiverem preparados para a guerra  https://www.consilium.europa.eu/en/press/press-releases/2024/03/19/if-we-want-peace-we-must-prepare-for-war/

Pessoalmente, não acredito que haja guerra entre a Alemanha e a Rússia, mas ainda assim, entendo como importante a preparação psicológica para uma guerra, porque na verdade haverá uma guerra, pelo que quanto mais cedo as novas gerações forem preparadas para ela tanto "melhor". E quando um alto responsável da Comissão Europeia, Frans Timmermans, admite publicamente, como sendo provável que o seu neto, que fará 31 anos em 2050, poderá ter de lutar por recursos básicos, é de facto de uma guerra que estamos a falar. Uma guerra entre este Planeta e toda a espécie humana.

Se metade deste Planeta vai acabar por se tornar inabitável (palavras de um conhecido catedrático de Oxford) então estamos a falar de largas centenas de milhões de humanos que terão de ser deslocados. Na verdade, o conservador Zurich Insurance Group apontou recentemente para o valor de 1200 milhões em 2050

Tendo em conta os cálculos feitos num artigo publicado no International Journal of Climate Change Strategies and Management, que analisou para os 20 países mais poluidores, quantos refugiados climáticos terão aqueles a obrigação moral de receber, facilmente se conclui que um único país europeu, a Alemanha, terá em tese a obrigação de receber qualquer coisa como 72 milhões (os EUA tem a obrigação de receber 120 milhões refugiados climáticos). 

É verdade, que ninguém irá obrigar os países poluidores a receberem esses refugiados climáticos, porém não é menos verdade que alguns académicos afirmam que as consequências das alterações climáticas são equivalentes a actos guerra dos países ricos contra os países pobres, pelo que estes últimos, podem em legitima defesa, levar a cabo ataques terroristas contra as indústrias poluentes dos primeiros. Pelo que resta assim aos primeiros uma única opção, ou terem a dignidade de assumir as responsabilidades morais por acções próprias ou suportarem as consequências de ataques terroristas legítimos. 

PS - O contexto supra, ajuda a perceber melhor aquilo que no mês passado foi mencionado aqui https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/02/obrigacoes-morais-de-professores.html

segunda-feira, 18 de março de 2024

A urgente reorientação da equivocada estratégia da Academia Portuguesa


Em Janeiro de 2021, analisei as publicações indexadas na base Scopus, ao longo de 20 anos, produzidas por Portugal, pela Itália, pela França e pela Alemanha, tendo mostrado que o nosso país ultrapassou a Itália em 2009, ultrapassou França em 2010, e ultrapassou a Alemanha em 2012 https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/01/publicacoes-cientificasem-2009-portugal.html

Uma nova pesquisa hoje efectuada na referida base Scopus mostra que em 2021 a produção científica de Portugal foi 82% superior à produção da Coreia do Sul, em 2022 foi 83% superior à daquele país e em 2023 a vantagem do nosso país subiu para 87%. Acontece que a Coreia do Sul, é nada mais nada menos o país que acaba de saber-se, através de um relatório da Clarivate Analytics, irá tornar-se em 2025, 2026, 2027 e 2028, aquele com mais empresas inovadoras deste Planeta, ao contrário de Portugal, que nunca teve, não tem e provavelmente nunca terá uma única empresa nesse ranking. 

Será que os factos acima referidos não são prova suficiente que a Academia Portuguesa deve com urgência reorientar a sua estratégia, reduzindo as elevadas energias que deposita a produzir um elevado número de publicações avulsas, para tentar produzir menos publicações mas com elevado impacto científico ?

Mas como será possível levar a efeito essa reorientação se os regulamentos de avaliação de desempenho dão muito mais valor ao facto de um investigador se produzir um elevado número de publicações avulsas do que a produzir um pequeno número de publicações com elevado impacto, leia-se altamente citados ? 

Mas como será possível levar a efeito essa reorientação, se a avaliação das unidades de investigação actuamente em curso, nem sequer cumpre um requisito essencial (vide denúncia do catedrático jubilado Ferreira Gomespois não é baseada num estudo bibliométrico robusto, realizado por uma entidade independente, que mostre de forma inequívoca qual é o verdadeiro impacto de todas as unidades de investigação, o que significa que os avaliadores irão basear-se no número de publicações e no IF ((como sucedeu profusamente na última avaliação, tendo eu detectado nos relatórios a sua menção mais de 500 vezes), que são inequivocamente as piores métricas que existem (Vladlen Koltun dixit) ?

PS - Tenha-se presente que a Clarivate Analytics, utilizando uma métrica baseada em artigos altamente citados,  já conseguiu acertar no nome de mais de 70 cientistas vencedores do prémio Nobel.