terça-feira, 9 de abril de 2024

Cenário em estudo de investigadores da Universidade de Cambridge aponta para quase 6000 milhões de mortos

 

Um extenso artigo publicado no jornal Público de hoje (link acima)  aborda o interesse de fundos internacionais pela agricultura Portuguesa, nele se podendo ler que o “número de fundos que investem no sector agrícola se multiplicou 15 vezes nos últimos 15 anos, alcançando um volume superior a 700 milhões de euros na Península Ibérica....o retorno dos investimentos em terra agrícola rondou os 10,7% ao ano, contra, por exemplo, 5,4% no ouro" 

Sobre a noticia supra, começo por recordar que em 13 de Novembro de 2021, um artigo publicado no Expresso, deu conta, que a procura de terrenos agrícolas em Portugal por parte de fundos internacionais, levou a aumentos de preços de mais de 2000%, para valores entre 30.000 euros (valor mínimo) até 120.000 euros por hectare  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/expresso-procura-por-fundos.html

Tenho para mim porém, que não são os tais 10,7% de retorno que move esses fundos, porque há muitas áreas de negócio com retornos superiores a esse valor, mas antes os elevados lucros, que se obterão com a exportação de produtos agrícolas para países onde haverá um aumento da população em simultâneo com uma diminuição da área arável, e até dos lucros astronómicos, que se poderão vir a obter no cenário catastrófico, contido num artigo de investigadores da universidade de Cambridge, que foi publicado há um ano atrás, na revista científica Futures e onde se estima em quase 6000 milhões o número de mortes por fome em 2100. Não se pense porém que esse será únicamente um problema de países pobres, porque lá se refere que até mesmo o moderno e 10º mais rico país do mundo, que é a Austrália, terá quase 850.000 mortos.  https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0016328723000770

Sem surpresa, esse estudo cita um outro estudo, sobre o mesmo gravíssimo problema, com autoria de mais de uma dezena de cientistas de universidades dos EUA, Canadá e Reino Unido, que eu já tinha divulgado num post de 2021 https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/10/pessimo-futuro-para-os-140-milhoes-de.html

PS - Na mesma edição do jornal Público de hoje, tive o deprimente desprazer de ler um artigo de um catedrático jubilado Coimbrão, antigo Conselheiro de Estado, que achou boa ideia dedicar o seu tempo e a sua palavra, a um tema de quinta categoria. Que futuro pode ter este país, quando a sua elite intelectual, assim desperdiça o seu tempo e o seu prestigio, com assuntos menores, que um outro conhecido catedrático jubilado da Universidade de Lisboa, em tempos corajosamente classificou de forma certeira, como sendo alienantes e deseducativos. 

segunda-feira, 8 de abril de 2024

Uma grotesca e indigna definição de engenharia: Má educação ou difamação ?


O dicionário de lingua Portuguesa define a engenharia como sendo o "conjunto de técnicas e métodos para aplicar o conhecimento técnico e científico na planificação, criação e manutenção de estruturas, máquinas e sistemas",  eis porém que o jornal Público divulga hoje uma outra definição, que reputo de grotesca e indigna. https://www.publico.pt/2024/04/08/opiniao/opiniao/aeroporto-lisboa-melhor-repensar-2086186

Reza a mesma que a engenharia, utilizada pelos membros da CTI na escolha do novo aeroporto, foi o resultado de opiniões pessoais pré-definidas, de tal forma que a engenharia que foi utilizada nessa escolha (a tal aplicação do conhecimento técnico e científico) gerasse o resultado que melhor servisse as ditas opiniões  Pessoalmente, não quero acreditar que os Engenheiros que fazem parta dessa Comissão, e a quem essa critica indigna foi dirigida, deixem passar esse agravo, porque se o fizerem comprometem não só o seu nome e a sua honra como também a engenharia, cuja defesa é imprescindível fazer neste caso concreto. 

Devo dizer que achei particularmente esclarecedor que o autor do escrito se tenha mostrado tão sensibilizado com alegadas pressões sobre a ANA, a galinha dos ovos de ouro da Francesa VINCI.  Pois em apenas 9 anos a VINCI já ganhou tudo o que investiu e já teve um lucro de 309 milhões de euros. E a concessão da ANA ainda tem mais quarenta anos, durante os quais gerará um total superior a 20.000 milhões de euros de resultados líquidos. Não admira por isso que o Tribunal de Contas tenha afirmado que a privatização da ANA não protegeu os interesses de Portugal https://expresso.pt/economia/transportes/2024-01-05-Tribunal-de-Contas-diz-que-privatizacao-da-ANA-nao-salvaguardou-o-interesse-publico-6b8f48c8

É uma trágica ironia que há 200 anos atrás os Portugueses tenham combatido as invasões Francesas e as suas famosas pilhagens e em 2013 a Francesa VINCI tenha conseguido assinar um contrato com o Governo de Passos Coelho (leia-se um negócio da China) que lhe permitirá nos 50 anos seguintes receber 20.000 milhões de euros liquidos. 

Se o Governo dessa altura estava assim tão desesperado por dinheiro e tendo em conta que a VINCI "pagou" 3000 milhões de euros pela ANA (na verdade o valor pago pelos Franceses foi bastante inferior) e tendo também em conta que existem 3 milhões de famílias em Portugal que pagam impostos, aposto que nenhuma delas se importaria de ter emprestado 1000 euros ao Governo Português, para chegar aos tais 3000 milhões, pois ao fim de 9 anos já tinham recebido os 1000 euros do capital emprestado ao Estado e cada uma dessas famílias iria passar os próximos 40 anos a receber juros, a uma taxa muito superior à taxa dos depósitos bancários. 

Declaração de interesses - Declaro que em Março de 2021, comentei declarações infelizes do Presidente da ANA, o covilhanense Dr. José Luís Arnaut, sobre o  Ex-Bastonário da Ordem dos Engenheiros, que não só eram mal educadas como na minha opinião roçavam o crime de injúriashttps://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/03/resposta-do-ex-bastonario-da-ordem-dos.html

domingo, 7 de abril de 2024

The new study by the Swiss Federal Institute of Technology (EPFL) will empower edtech companies to attack universities worldwide



On January 12th, I delved into an insightful article from The Economist (linked above) that examined how companies are reaping billions by diverting customers from costly traditional education systems. Additionally, it also highlighted the potential of generative AI to make the Holy Grail of personalized tutoring more accessible for students. It's important to bear in mind that the enrollment figures for courses offered by these companies far exceed the combined student population attending higher education institutions in Europe and the USA. 

Adding to the generative AI advancements, a recent study from researchers at the Swiss Federal Institute of Technology Lausanne (EPFL) has revealed a remarkable milestone: GPT-4 has surpassed humans in persuasion by over 80%. https://arxiv.org/abs/2403.14380  

When I prompted GPT to delve into the positive repercussions of this study, it furnished 8 (eight) beneficial outcomes, delineated below. Particularly noteworthy is the first outcome, which underscores the potential for personalized education,  and the development of  "personalized educational materials tailored to individual learning styles". It's evident that the educational landscape has undergone significant evolution, rendering large classes—where a professor attempts to instruct over 100 students simultaneously—as relics of the 20th century that are now unequivocally seen as inadequate. Delving into the same topic, it's worth revisiting the insights of Senior Lecturer Kristin Smock, who recounted a poignant moment from her early days teaching a large in-person class. Reflecting on her experience, she shared, "After my first lecture to a crowd of 700+, a student waited patiently to introduce herself. She mentioned she wanted to meet me because I ‘looked like an ant’ from her seat in the back"

This implies that the generative AI revolution (as evidenced by EPFL's recent study) has the capacity to significantly augment the profitability of the educational companies, resulting in reduced financial support for universities worldwide. Such a scenario could pose grave ramifications for universities already contending with budgetary constraints, leading to financial insolvency for many, especially those ill-equipped to adapt to this new reality.

PS - It's worth noting that on January 25th, I also commented on another article in The Economist, which provided evidence of how generative AI is reshaping the core "business" of universities. The EPFL study offers valuable insights into this evolving paradigm shift.


1 - Education and Training
: GPT-4 can be used to develop personalized educational materials tailored to individual learning styles, preferences, and cognitive abilities. By delivering engaging and effective instructional content, GPT-4 can facilitate personalized learning experiences, enhance knowledge retention, and promote lifelong learning among students of all ages.

2 - Behavioral Change Campaigns: GPT-4 can be employed in behavior change campaigns aimed at promoting positive habits and attitudes, such as adopting healthy lifestyles, practicing environmental sustainability, or cultivating empathy and tolerance. By crafting persuasive messages tailored to specific target audiences, GPT-4 can motivate individuals to adopt behaviors that contribute to their well-being and the common good.

3 - Healthcare Communication: GPT-4 can assist healthcare providers in communicating complex medical information to patients in a clear, accessible manner. By generating personalized health recommendations, treatment plans, and wellness strategies, GPT-4 can empower individuals to make informed decisions about their health and encourage adherence to medical advice and treatment regimens.

4 - Crisis Intervention and Counseling: GPT-4 can be utilized in crisis intervention and counseling services to provide immediate support and guidance to individuals experiencing emotional distress, mental health challenges, or crisis situations. By offering empathetic listening, personalized coping strategies, and referral resources, GPT-4 can augment the availability and accessibility of mental health support services.

5 - Conflict Resolution and Mediation: GPT-4 can assist in facilitating constructive dialogue, negotiation, and conflict resolution processes in interpersonal, organizational, or societal contexts. By generating persuasive arguments, proposing creative solutions, and fostering mutual understanding, GPT-4 can help mitigate conflicts, reconcile differences, and promote peaceful resolution of disputes.

6 - Public Advocacy and Social Justice: GPT-4 can support advocacy efforts aimed at advancing social justice, human rights, and equality by amplifying marginalized voices, raising awareness of systemic injustices, and mobilizing support for policy reforms and social change initiatives. By crafting compelling narratives, mobilizing grassroots activism, and engaging diverse stakeholders, GPT-4 can contribute to building more inclusive and equitable societies.

7 - Cultural Preservation and Heritage Conservation: GPT-4 can aid in documenting, preserving, and promoting cultural heritage, traditions, and languages that are at risk of extinction or erasure. By generating persuasive content that highlights the value of cultural diversity, fosters intercultural dialogue, and promotes respect for indigenous knowledge and practices, GPT-4 can contribute to the preservation and revitalization of cultural heritage worldwide.

8 - Environmental Advocacy and Sustainability: GPT-4 can support environmental advocacy efforts by raising awareness of environmental issues, advocating for sustainable practices, and mobilizing support for conservation initiatives. By generating persuasive messages that emphasize the urgency of addressing climate change, protecting biodiversity, and adopting eco-friendly lifestyles, GPT-4 can inspire collective action to safeguard the planet for future generations.