domingo, 19 de maio de 2024

Um país miserável que tarda em conseguir deixar de o ser


Ontem foi noticia e capa no jornal Público que a Fundação da Ciência e Tecnologia não tem dinheiro para pagar bolsas de investigação nem salários de investigadores, por conta de um "buraco" de 100 milhões de euros. Este é o miserável resultado do desgoverno socialista, que preferiu meter mais de 3000 milhões de euros na TAP (a tal empresa onde havia uns felizardos, como a mulher do Medina, a receber prémios de dezenas de milhares euros) e preferiu também nada fazer no combate à corrupção, que há muito empobrece este país (o conhecido Procurador Euclides Dâmaso, disse até que o Governo de António Costa ainda tornou mais difícil o combate contra a corrupção).  

Sobre esse absolutamente miserável estado de coisas, vale a pena revisitar o post anterior do passado mês de Fevereiro "O que é que falta a Portugal para conseguir ser como a rica Suécia ?" seja na parte das muitas energias que aquele país coloca a tratar da saúde a vigaristas e corruptos, seja no elevado respeito e consideração que os Suecos tem pela Ciência, área onde (por habitante) gastam 500% a mais do que Portugal https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/02/o-que-falta-portugal-para-ser-como.html

Nem de propósito, hoje no jornal Público, é apresentada uma extensa entrevista, ao longo de duas páginas, ao antigo primeiro-ministro, Enrico Letta, que dirige o Instituto Jacques Delors, e a quem a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, solicitou um diagnóstico sobre o estado do mercado único europeu, e ainda um conjunto de recomendações e propostas para recuperar a competitividade da economia europeia. Reproduzo abaixo a muito esclarecedora resposta do Enrico Letta à última pergunta que lhe foi feita pela jornalista do Público. Até um atrasado mental a consegue compreender:  

"Sabe, no geral, o meu relatório procura lançar um alarme vermelho. Em todo o relatório há um sentido de urgência relativamente ao fosso que está a aumentar entre nós e os EUA em termos de competitividade. E uma das razões pelas quais este fosso está a aumentar é a inovação. A inovação, os investimentos em inteligência artificial, o papel dos dados, as competências, o conhecimento. Estamos a ficar para trás neste domínio. Coloquei este ponto no topo da minha atenção, porque as quatro liberdades do mercado único — a circulação de bens, serviços, capitais e pessoas — são típicas da economia do século XX....Por isso lancei a ideia da quinta liberdade, para ser possível lançar um espaço único na União Europeia em termos de inovação, de conhecimento, de dados, de inteligência artificial, etc. Talvez tenhamos chegado demasiado tarde a tudo isto, e por isso precisamos de arrepiar caminho, com mais investimento, mais investigação"

Sem surpresa, quando em 29 de Março solicitei ao ChatGPT conselho sobre a forma como a Europa seria capaz de enfrentar o grave choque triplo, que até fez capa numa edição da revista The Economist, a resposta daquela IA generativa, com 8 alíneas, também incluía uma forte aposta na inovação: https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/03/como-conseguir-lidar-com-uma-catastrofe.html

PS - Num debate recente, Cotrim de Figueiredo, candidato ao Parlamento Europeu, como cabeça de lista daquele partido que elegeu vários deputados com base em falsidades e mistificações, acusou os candidatos de outros partidos de ignorância económica, sucede porém que se trata do mesmíssimo Cotrim de Figueiredo, que disse à revista Sábado, que os deputados em Portugal são mal pagos, o que mostra que os conhecimentos económicos dele são muito rasteiros e estão afinal ao mesmo nível dos fracos conhecimentos do Pedro Abrunhosa https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/01/os-politicos-deveriam-ter-uma.html

sábado, 18 de maio de 2024

Top 10 dos livros mais citados publicados na última década indexados na Scopus

 


Na sequência do post anterior, acessível no link supra, sobre um gravíssimo erro de previsão, listo abaixo os 10 livros mais citados, entre quase 1500 (mil e quinhentos) que foram produzidos em Portugal ao longo da última década e indexados na plataforma Scopus. Os livros estão ordenados pelo número de citações, após remoçao das auto-citações:

1 -  Handbook of Alkali-Activated Cements, Mortars and Concretes

2 - An Introduction to Graphene Plasmonics

3 - Visible light communications: Theory and applications

4 -  Handbook of Road Ecology

5 -  Fundamentals of 5G Mobile Networks

6 -  Quantum effects in biology

7 - mmWave Massive MIMO: A Paradigm for 5G

8 - Design of steel structures

9 -  Goods and services of marine bivalves  

10 -   Transdisciplinary perspectives on complex systems

PS - Porque será que na lista supra há vários livros de engenharia e não há um único livro de medicina, muito embora quando se analisa a produção científica da última década, a medicina, seja precisamente a área com mais publicações indexadas ? 

sexta-feira, 17 de maio de 2024

Instituto Superior Técnico - Uma instituição fértil em fenómenos científicos bizarros

 

Já não bastava que no Técnico tivessem tido a péssima iniciativa de fazer publicidade a um ranking de cientistas da treta, vide post no link supra, já não bastava que aquela instituição acolhesse o catedrático campeão de artigos despublicados e agora também se fica a saber que parece que as há conferências naquela casa, cuja comissão científica até inclui académicos cuja obra científica, ao longo de 25 anos depois de se terem doutorado, se resume a 2 publicações no Scopus (h-index=2), tendo a última dessas publicações ocorrido no longínquo ano de 2012. A que se soma a agravante da plataforma onde se podem confirmar as revisões de artigos efectuadas pelos cientistas mostrar que ele tem zero revisões. 

Se uma instituição que era suposto servir de exemplo ao país, pautando o seu comportamento pelos mais exigentes padrões científicos, se comporta desta forma deplorável, o que é que se poderá esperar então de outras instituições que tem muito menos obrigações e das quais nada de extraordinário se espera? Mais importante do que isso, será que o Engenheiro Alfredo Bensaúde, o primeiro responsável do Instituto Superior Técnico, não teria vergonha destes fenómenos científicos bizarros ? 

Declaração de interesses - Há quase uma década atrás, uma aluna de doutoramento, em cuja orientação participei, concorreu a um procedimento concursal que tinha várias bolsas de doutoramento para atribuir, o resultado do concurso ditou porém que ela só teria direito a bolsa se algum dos candidatos colocados à sua frente desistisse, e foi isso mesmo que acabou por suceder, o júri do concurso, porém não lhe atribuiu essa bolsa, nem mesmo depois de ela ter feito uma queixa à Provedora de Justiça, que sem surpresa lhe deu razão. O presidente do júri desse infeliz concurso, foi nem mais nem menos, que o tal catedrático do Técnico, que agora, de forma nada honrosa, é obrigado a suportar a ignominiosa faixa de campeão nacional absoluto de artigos despublicados. Por ironia do destino, essa aluna, mesmo sem bolsa, acabou por terminar o doutoramento, e até já possui dezenas de publicações indexadas na Scopus e um h-index=28, e uma dessas publicações, já conta com quase 900 citações, o que é admirável, já que em Portugal (e ao contrário do que acontece nas melhores universidades europeias), há largas dezenas de catedráticos, que não possuem ao fim de dezenas de anos de carreira, uma única publicação que tenha recebido sequer a miséria de 150 citações, inclusive no Instituto Superior Técnico https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/08/o-desprezo-da-comunidade-cientifica.html