sábado, 5 de outubro de 2024
Mais um prego no caixão da justiça e desta coisa a que chamam democracia mas que se deveria chamar corruptocracia
sexta-feira, 4 de outubro de 2024
Universidades que tem uma atracção por rankings da treta: O caso do ranking de investigadores AD, ou Asnice Delirante
Primeiro - Ser baseado na Scopus ou na Web of Science, para assim permitir a desambiguação de publicações (existem milhares de perfis "contaminados" no Scholar Google com publicações de outros autores) e evitar também o lixo "científico" de citações em publicações não revistas por pares, cujo número explodiu nos últimos anos, e que existem em abundância/excesso nessa plataforma, que é conhecida por aceitar tudo.
Segundo - Ser capaz de remover o efeito da terrível praga das auto-citações, em que muitos cientistas se tornaram verdadeiros especialistas https://www.nature.com/articles/d41586-019-02479-7
Terceiro - Ser capaz de anular a vantagem perniciosa das citações em publicações com centenas ou milhares de co-autores, utilizando para esse efeito a contagem fraccionada, sugerida pela primeira vez em 2008 pelo Alemão Schreiber e mais recentemente por Koltun e outros. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/evaluating-researchers-in-fast-and.html
Contudo o tal famigerado ranking AD (Asnice Delirante), consegue o espantoso milagre de não conseguir cumprir absolutamente nenhuma das referidas condições. É o que se pode designar por um ranking de tripla treta. E espantoso é que haja em Portugal quem (talvez por desespero) ache uma óptima estratégia associar-se a essa treta tripla.
Tenha-se presente que até mesmo o conhecido ranking da Clarivate Analytics, que é baseado na Web of Science, não cumpre a terceira condição (e nem sequer consegue passar no teste de um número minimo de número de prémios Nobel) e o único ranking de investigadores a nível mundial, que consegue cumprir as três condições e além disso ainda inclui quase uma centena de prémios Nobel, é aquele ranking que foi desenvolvido por investigadores da universidade de Stanford, com base na plataforma Scopus https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/09/portugal-os-100-investigadores-mais.html
PS - Há alguns meses atrás, investigadores da Universidade de Nova York, mostraram que é extremamente fácil inflacionar as citações do Google Académico https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/05/paper-how-to-exploit-chatgpt-for-large.html
quinta-feira, 3 de outubro de 2024
As "lacunas cognitivas" de um catedrático
A estranha contabilidade "mineral" acima reproduzida diz respeito a um artigo do conhecido catedrático de economia Ricardo Reis, que foi publicado no Expresso. Porém como lá faltam muitos metais nomeadamente e desde logo o aço e o alumínio, pode admitir-se que ele pretendia contabilizar somente aqueles de maior custo, mas mesmo nessa hipótese, ainda ficam a faltar na referida contabilidade vários minerais, seja no fabrico dos carros convencionais, seja também para os carros elétricos.
O objectivo do artigo desse artigo era mostrar que a China domina a nível mundial o mercado de minerais necessários à descarbonização, por conta de ter passado as ultimas décadas a abrir minas, naquele país e na África e nele lamenta-se o catedrático, que na Europa é quase impossível abrir uma mina e demora pelo menos dez a quinze anos a fazê-lo.
Mas também aqui o catedrático Ricardo Reis falha, pois parece que ignora a razão porque a Europa dificulta a abertura de minas. Talvez ele desconheça que a industria mineira deixa atrás de si um rasto de destruição e contaminação e em Portugal há provas bem evidentes disso mesmo, vide estudo sobre uma localidade Portuguesa localizada próxima de uma mina com níveis de contaminação 2000% superiores aos admissíveis https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/11/contaminacao-de-mina-excede-em-2000.html Acresce ainda que um estudo recente provou que a perigosidade dos resíduos de minas pode afectar não só localidades próximas mas também aquelas localizadas a dezenas de quilómetros de distância https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/07/cencia-confirma-elevada-perigosidade-de.html
Lamentável é também que sendo ele catedrático de economia não tenha escrito, certamente porque se esqueceu (ou talvez porque ignora) que a descarbonização por via da reabilitação energética de edificios é muitíssimo mais barata do que a descarbonização, por via da electrificação, do sector rodoviário. Vide artigo publicado na revista The Economist https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/03/the-economistwhats-cheapest-way-to-cut_8.html
Declaração de interesses - Declaro que sou o primeiro editor de um livro, conjuntamente com vários catedráticos estrangeiros, sobre materiais para a reabilitação energética de edificios, cuja segunda edição será publicada no inicio de 2025 https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/06/cambridge-university-how-to-achieve-net.html