terça-feira, 29 de outubro de 2024

O misterioso vírus da irrelevância científica que atacou forte nas instituições de ensino superior localizadas abaixo do rio Mondego


No conhecido ranking de investigadores altamente citados Elsevier/Stanford de 2024, há 633 investigadores no ficheiro carreira, que trabalham em instituições Portuguesas. Nos primeiros 78 lugares, não há um único investigador de um instituto politécnico, porque aquele que lá aparece nomeado já faleceu https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/09/portugal-os-100-investigadores-mais.html

Entre esses 633 investigadores, há apenas duas dezenas pertencentes a institutos politécnicos, o que representa apenas 3 (três)% do total, mas o mais estranho é que 90% dos investigadores dos politécnicos que aparecem nesse ranking, pertencem a instituições localizadas acima do Rio Mondego, o que diz bastante sobre a baixa relevância, das investigações, produzidas nos institutos Politécnicos localizados abaixo do Rio Mondego.  

E agora que os Politécnicos passaram a estar habilitados a atribuir o grau de Doutor (Lei nº 16/2023 do Governo de António Costa), deveria pelo menos limitar-se essa possibilidade somente aos professores desse subsistema, com uma obra científica minimamente relevante, para evitar que aqueles possuidores de uma obra irrelevante, leia-se de esterilidade científica comprovada, prejudiquem de forma irreversível a carreira dos futuros doutorados, como foi demonstrado num estudo de 2019 de investigadores da UCLondon https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/09/junior-researchers-who-coauthor-work.html e foi novamente demonstrado num outro estudo publicado este ano, que foi mencionado na prestigiada revista Science https://www.science.org/content/article/budding-scientists-inherit-career-success-or-lack-it-their-mentors 

PS - Sobre os politécnicos onde a irrelevância científica parece ser "tradição", sendo incapazes de produzir um único artigo que receba mais de 300 citações Scopus revisite-se o post https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/01/ranking-da-irrelevancia-cientifica.html

Pode a genética explicar que Portugal seja campeão do consumo de ansiolíticos ?

 

Na sequência do post de 25 de Dezembro de 2019 (acessível no link supra) onde se fez referência ao facto de haver um gene que só é encontrado em Portugal, e no contexto do nosso país, ser o campeão do consumo de ansiolíticos entre os 34 países da OCDE, faz sentido divulgar o vídeo, onde participa um médico especialista e investigador da universidade de Lisboa, que uma pesquisa Scopus revela que o seu artigo mais citado se foca na ansiedade, sob o título "Reliability and validity of the Portuguese version of the Generalized Anxiety Disorder (GAD-7) scale", vídeo esse no qual se sugere uma causa de natureza genética para a referida ansiedade. https://www.youtube.com/watch?v=50-Gc320CNo 

segunda-feira, 28 de outubro de 2024

O novo artigo do catedrático (das lacunas cognitivas) e os conselhos de dois investigadores da U.Cambridge sobre o GPT



O tal catedrático que critiquei no post supra, por conta de um artigo pouco feliz, mas que apesar desse lapso merece consideração, pelo menos sobre temas da sua área científica, pois uma pesquisa na plataforma Scopus revela que ele possui seis artigos que receberam mais de 150 citações, o que o coloca muito à frente de muitas dezenas de catedráticos Portugueses, vide lista no link https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/05/ranking-de-investigadores.html escreve esta semana sobre a hipótese formulada pelo Luis Garicano (que foi catedrático de economia na U.Chicago e agora é catedrático na London School of Economics) da inteligência artificial poder ter um impacto na prosperidade "tão grande quanto o das máquinas na revolução industrial", e que ele designa por tecno-optimismo. 

Curiosamente, nesse artigo ele não faz qualquer referência aos benefícios potenciais da utilização da inteligência artificial para detectar esquemas fraudulentos associados às criptomoedas, como foi o recente escândalo FTX, que se estima que até hoje já tenham provocado prejuizos de aproximadamente 100.000 milhões de euros. A este respeito vale a pena ler o artigo que foi publicado na semana passada, precisamente sobre a referida utilização, com o esclarecedor título "ChatGPT: a Canary in the Coal Mine or a Parrot in the Echo Chamber? Detecting Fraud with LLM: the Case of FTX" https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1544612324013783#sec0006

PS - Ainda sobre o ChatGPT, faz sentido revisitar a conversa entre Vaughan Connolly e Steve Watson,  dois investigadores da Faculdade de Educação da prestigiada Universidade de Cambridge, que oferece uma visão detalhada sobre as oportunidades, desafios e possibilidades do ChatGPT. https://news.educ.cam.ac.uk/230403-chat-gpt-education  Nela se defende que o valor real do ChatGPT não está tanto na "criação" de conteúdos, mas na possibilidade do GPT ser utilizado como uma ferramenta que pode ajudar os alunos a apurar ideias e organizar argumentos, permitindo que o foco seja dirigido a questões mais profundas. Nela também se sugere que os professores devem incentivar os alunos a examinar criticamente os vieses que podem estar presentes nos conteúdos gerados por esse modelo de IA generativa, o que por sua vez pode promover uma compreensão mais rigorosa do GPT como uma ferramenta valiosa, mas imperfeita, necessitando de validação.