domingo, 24 de novembro de 2024

A universidade com o pior desempenho no ranking do narcisismo académico

 

Há três anos atrás analisei o desempenho comparado das seis melhores universidades Portuguesas, para aferir quais aquelas que tinham mais investigadores influentes, que gostavam muito, de se citarem a si próprios, tendo nessa altura concluído que a Universidade de Lisboa era aquela onde havia a maior densidade de investigadores com percentagens de auto-citações superiores a 25%, e no pólo oposto, que a universidade do Minho era a que apresentava o menor número desses investigadores. Vide post acessível no link supra.

Uma atualização dessa análise, baseada no ficheiro carreira, do ranking Stanford que foi divulgado há poucos meses atrás, somente para os investigadores com percentagens de auto-citação superiores a 30%, mostra que a Universidade de Lisboa continua a liderar, esse lamentável ranking, sendo que essa liderança se deve na sua esmagadora maioria aos investigadores do Instituto Superior Técnico. Dessa análise também novamente se constata que os investigadores da Universidade do Minho, continuam a mostrar, uma peculiar mas saudável "aversão", a citarem-se a si próprios.

ULisboa.........25 investigadores com percentagens de auto-citação superiores a 30%

UPorto............10

UAveiro............8

UNova...............6

UCoimbra.........5

UMinho.............1

PS - Há uma década atrás analisei a produção científica, de Professores Associados e Catedráticos de Departamentos de Engenharia Civil, nas mesmas seis Universidades Portuguesas, https://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/30767 tendo utilizado para esse efeito as seguintes métricas: número de artigos em revista internacional indexada na Scopus, rácio artigos/ano, número de citações, rácio citações/artigo, índice-h, rácio índice-h/ano, percentagem de auto-citações e percentagem de artigos não citados. Na lista de referências, que então citei, há um artigo interessante, com afiliação daquele país que lidera o rácio mundial prémios Nobel/milhão de habitantes, que concluiu após analisar quase 800 artigos, que se há um factor que contribui bastante para um artigo científico se poder tornar bastante citado é o de ter autores de universidades de topo. Porém, se não há em Portugal uma única universidade de topo, nem do grupo das 20 melhores, nem do grupo das 50 melhores, ou do grupo das 100 melhores, nem sequer do grupo das 150 melhores, isso significa que quem na ULisboa ou em qualquer outra universidade Portuguesa, acha "boa" ideia auto citar-se em excesso, mais não faz que desvalorizar e limitar o impacto potencial desse artigo, com citações de alguém que não pertence a nenhuma universidade de topo. Não é narcisismo é apenas burrice.

sábado, 23 de novembro de 2024

Catedrático acusa Primeiro-Ministro de ter iniciativas similares ás mais idiotas paridas durante o Governo de Sócrates


 "...20 anos depois, Luís Montenegro segue as pisadas de Sócrates e anuncia a criação de um ChatGPT Português, no qual o Estado vai investir vários milhões...o ChatGPTreta..."

O extracto supra foi retirado de um artigo incluído no caderno principal do semanário Expresso, sendo seu autor um nada diplomático catedrático da Universidade do Minho, que não certamente por acaso já mencionei múltiplas vezes, como quando recentemente apelidou de tolos muitos professores

No artigo referido, o catedrático Aguiar-Conraria acusa ainda este Governo de deitar para o lixo o principio da igualdade e o dever de imparcialidade, quando pretende entregar entre 10 a 20 milhões de euros a uma empresa e a duas universidades de Lisboa, sem que haja previamente um concurso público ou através de um alegado "concurso" com um vencedor pré anunciado e ainda por cima, quando a Secretária de Estado da Ciência é interessada no mesmo, já que trabalha numa das referidas universidades e logo na área em questão.

Ou seja, o Governo de Luís Montenegro, que ainda não conseguiu resolver um único problema grave, e que é suportado por um partido cuja grande prioridade é aumentar os vencimentos da classe politica (esquecendo que os investigadores e professores do ensino superior perderam 25% do seu vencimento) é o mesmo Governo, que de forma muito pouco inteligente, mandou cortar quase 70 milhões de euros ao orçamento da FCT (para ajudar a pagar os aumentos dos salários dos políticos), prepara-se agora para deitar para o lixo uma parte significativa dessa verba, numa iniciativa que servirá somente para desviar dinheiro para universidades onde ele nunca faltou, prosseguindo uma estratégia de descriminação, que ironicamente, há poucos anos até foi denunciada pelo Reitor de uma dessas  universidades, que publicamente se mostrou surpreso por haver universidades que aceitavam passivamente ser assim tão maltratadas https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/08/o-reitor-da-ulisboa-e-as-universidades.html

Declaração de interesses - Declaro que há uma semana atrás acusei o Primeiro-Ministro Luís Montenegro de pretender continuar a mexicanizar o ensino superior https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/11/primeiro-ministro-de-portugal-pretende.html

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

Deitar o rigor científico para o lixo para não arriscar perder várias centenas de milhões

 

O post anterior, acessível no link supra, continha uma pergunta importante: Qual é o país que tem mais a perder, se a Clarivate Analytics corrigir os critérios pouco rigorosos, sobre as quais é construída a sua lista de cientistas-HCR ?

Nessa sequência, merece destaque a tabela com a lista dos 7 países, que possuem o maior número de HCRs, em todo o Planeta, utilizando para o efeito dados fornecidos pela própria Clarivate Analytics e comparando essa informação com a percentagem de investigadores que esses países possuem nas listas correspondentes ao Top 0.5% do ranking Stanford, utilizando o ficheiro anual e o ficheiro carreira daquele ranking. 

Como bem se percebe, é evidente que se o ranking da Clarivate Analytics passar a utilizar os mesmos critérios que são utilizados pelo ranking Stanford, isso levará a que a China sofra uma queda bastante expressiva na sua percentagem de investigadores altamente citados, o que por sua vez se irá reflectir muito negativamente na posição das suas universidades no conhecido ranking Shanghai, que é baseada também no número daqueles investigadores.

Tendo em conta que a Clarivate factura anualmente quase 500 milhões de dólares na China, isso ajuda a explicar porque é que a mesma não está interessada em fazer nada que possa prejudicar a reputação daquele país, até porque a China é conhecida por se vingar de todos aqueles que lhe desagradam, como sucedeu à Lituânia, alvo de um violento bloqueio comercialquando decidiu reconhecer Taiwan. É evidente que a Clarivate Analytics não pretende ser alvo de um bloqueio comercial similar, pois isso representaria uma queda muito significativa das suas receitas, o que ajuda a explicar a sua teimosia em manter uma lista de cientistas construída com critérios errados que produz resultados que fazem pouco sentido.