domingo, 9 de fevereiro de 2025

Shinrin-Yoku - Limitações científicas do GPT

 

Na sequência de posts anteriores sobre um tema recorrente deste blog, como por exemplo aquele post de 25 de Abril de 2002, acessível no link supra, sobre um livro, que já foi citado milhares de vezes, acerca do transtorno do défice de ligação à natureza, solicitei informações ao ChatGPT, sobre a prática Japonesa, Shinrin-yoku. As respostas que abaixo se reproduzem, são interessantes até ao momento em que solicitei que me informasse sobre as publicações científicas que comprovem os beneficios do Shinrin-yoku. Infelizmente o ChatGPT mencionou apenas três artigos. E mesmo quando insisti novamente que a IA me desse uma resposta mais robusta sobre os estudos acerca do Shinrin-yoku, a mesma limitou-se a refazer a última resposta, não mencionando novos estudos. Essa nova resposta, pela sua redundância, não foi assim incluida no texto colocado abaixo. E também não inclui o texto de uma outra tentativa, que apenas serviu para confirmar, que o ChatGPT não tem acesso ao Scopus, sendo assim de pouco valor, relativamente a quem precisa de respostas que requeiram pesquisas sobre as quase 80 milhões de publicações indexadas naquela. 

Quando se faz uma pesquisa na base Scopus, a mesma revela que até ao momento foram produzidas 40 publicações que contém Shinrin-yoku no título, 135 publicações em que o mesmo termo pode ser encontrado no título, resumo ou nas palavras-chave e 2097 publicações que contém o termo Shinrin-yoku em qualquer parte do corpo do texto. A Scopus permite ainda saber muitas coisas (sobre as quais o ChatGPT nada disse) como por exemplo, quais são os artigos mais citados sobre  Shinrin-yoku, quem é o académico com mais artigos nessa área, qual o país europeu, onde há mais estudos sobre essa área e como é que está a evoluir a nível mundial o número de publicações sobre este tema. Por outro lado, através da Scopus fica-se também a saber, que até hoje a Academia Portuguesa produziu apenas uma única publicação indexada contendo o termo Shinrin-yoku no título, resumo ou nas palavras-chave. Porém se o critério de pesquisa for o das publicações indexadas contendo esse termo em qualquer parte do corpo do texto, encontram-se 21 publicaçóes com afiliação Portuguesa (entre 2097 a nível mundial), sendo que as três instituições nacionais mais prolificas são, as Universidades de Lisboa, do Porto e do Minho. 


1ª pergunta ao ChatGPT: O que é o Shinrin-yoku ?
Dito pelo ChatGPT:

Shinrin-yoku (森林浴), que significa "banho de floresta" em japonês, é uma prática de imersão na natureza para promover bem-estar e saúde. Surgiu no Japão na década de 1980 como uma resposta ao estresse da vida urbana e rapidamente ganhou popularidade global.

A ideia é simples: passar tempo em uma floresta, sem distrações tecnológicas, absorvendo a atmosfera com todos os sentidos—ouvindo os sons da natureza, sentindo a textura das árvores, inalando o aroma das plantas e observando a luz filtrando entre as folhas. Estudos científicos mostram que o Shinrin-yoku pode reduzir o estresse, baixar a pressão arterial e fortalecer o sistema imunológico.

2ª pergunta ao ChatGPT: Necessito de uma resposta mais aprofundada

O Shinrin-yoku (森林浴), ou "banho de floresta", vai muito além de simplesmente caminhar em um ambiente natural. Essa prática, que ganhou destaque no Japão a partir da década de 1980, representa uma filosofia profunda de reconexão entre o ser humano e a natureza. Ela convida a uma experiência holística que engloba dimensões física, mental, emocional e até espiritual, demonstrando que o ambiente natural possui um poder terapêutico e transformador.

Uma Experiência Sensorial e Emocional

Ao se dedicar ao Shinrin-yoku, a intenção é absorver a atmosfera da floresta de maneira consciente e plena. Isso significa deixar de lado as pressões do dia a dia, as distrações tecnológicas e o ritmo acelerado da vida moderna para mergulhar em um estado de presença e atenção plena. Cada som, cheiro e textura — desde o sussurro das folhas ao vento até o aroma terroso do solo úmido — contribui para um relaxamento profundo e para a restauração do equilíbrio interior. Essa imersão sensorial pode ser comparada a um retorno a um estado primitivo de conexão com o ambiente, algo que a sociedade moderna, muitas vezes, esquece.

Evidências Científicas e Mecanismos de Ação

Estudos recentes têm revelado que o simples ato de estar em um ambiente florestal pode ter efeitos mensuráveis sobre a saúde. Alguns dos benefícios científicos comprovados incluem:

  • Redução dos Níveis de Cortisol: O estresse, medido pelo hormônio cortisol, diminui significativamente após a prática do Shinrin-yoku, aliviando a tensão acumulada.
  • Melhora no Funcionamento do Sistema Imunológico: A exposição aos phytoncides — compostos orgânicos voláteis emitidos pelas árvores — tem sido associada ao aumento da atividade das células NK (natural killer), que desempenham um papel importante na defesa do organismo contra infecções e no controle do câncer.
  • Equilíbrio do Sistema Nervoso: Ao promover a ativação do sistema nervoso parassimpático, o Shinrin-yoku induz um estado de relaxamento e bem-estar, contrastando com a resposta de "luta ou fuga" predominante em ambientes urbanos.

Esses mecanismos demonstram que a prática não apenas acalma a mente, mas também induz respostas fisiológicas que favorecem a saúde de forma integral.

Uma Abordagem Holística e Cultural

No cerne do Shinrin-yoku está a ideia de que a natureza não é apenas um cenário para atividades recreativas, mas uma fonte vital de cura e inspiração. Essa perspectiva está profundamente enraizada na cultura japonesa e em outras tradições orientais, onde a natureza é vista como algo sagrado, imbuído de energia e sabedoria. Em um mundo marcado por um ritmo de vida cada vez mais acelerado e desconectado dos ciclos naturais, o retorno à floresta simboliza um convite à reflexão, à meditação e a uma nova forma de se relacionar com o ambiente.

Além disso, essa prática nos remete à importância de cultivar uma consciência ecológica. Ao experienciar de forma direta os benefícios e a beleza da natureza, desenvolvemos um senso de responsabilidade e cuidado pelo meio ambiente, o que pode inspirar atitudes mais sustentáveis e respeitosas com o planeta.

3ª pergunta ao ChatGPT: Que estudos cientificos é que validam os beneficios do Shinrin-yoku?

Diversos estudos científicos, em especial conduzidos no Japão, vêm investigando os efeitos do Shinrin-yoku (banho de floresta) e apontando benefícios para a saúde física e mental. A seguir, listo alguns dos principais estudos e revisões que embasam essa prática:


1. Estudos sobre a Atividade do Sistema Imunológico

  • Li et al. (2007)
    Referência: Li, Q., Morimoto, K., et al.

    Achados: Este estudo demonstrou que participar de uma sessão de Shinrin-yoku aumentou significativamente a atividade e o número de células natural killer (NK) – um componente essencial do sistema imunológico, envolvido na defesa contra vírus e no combate a células cancerígenas. Os pesquisadores mediram os níveis de atividade das células NK antes e depois dos passeios em ambientes florestais, observando melhorias que persistiram por vários dias após a experiência.

  • Li et al. (2010)

    Referência: Li, Q. (2010). "Effect of forest bathing trips on human immune function". Environmental Health and Preventive Medicine.
    Achados: Nesta pesquisa, os resultados indicaram que as caminhadas em florestas promovem alterações positivas em marcadores imunológicos, sugerindo que a exposição aos ambientes naturais pode modular a resposta imune de forma benéfica.


2. Estudos Fisiológicos e de Estresse

  • Park et al. (2010)
    Referência: Park, B.J., Tsunetsugu, Y., Kasetani, T., Kagawa, T., & Miyazaki, Y. (2010). "The physiological effects of Shinrin-yoku (taking in the forest atmosphere or forest bathing): evidence from field experiments in 24 forests across Japan". Journal of Physiological Anthropology.
    Achados: Este estudo envolveu experimentos de campo em diversas florestas e constatou que a imersão na natureza promove uma redução significativa nos níveis de cortisol (hormônio do estresse), diminuição da pressão arterial e melhora na variabilidade da frequência cardíaca – indicadores de uma maior ativação do sistema nervoso parassimpático (associado ao relaxamento).

3. Revisões Sistemáticas e Meta-Análises

  • Revisões na Literatura

    Diversas revisões sistemáticas têm compilado estudos sobre o tema e confirmado que o Shinrin-yoku contribui para:

    • Redução do estresse: Medida pela diminuição dos níveis de cortisol e da ansiedade.
    • Melhoria do humor e bem-estar psicológico: Com relatos de aumento da sensação de relaxamento e redução de sintomas depressivos.
    • Benefícios cardiovasculares: Observados através da redução da pressão arterial e melhora na variabilidade da frequência cardíaca.

Essas revisões reúnem evidências de múltiplos estudos experimentais e mostram que os efeitos positivos do banho de floresta não são apenas anedóticos, mas estão associados a respostas fisiológicas mensuráveis.

sábado, 8 de fevereiro de 2025

A solução de um conhecido Catedrático da U.Minho para avaliar os alunos cujas teses de mestrado foram escritas pelo ChatGPT



O mesmo Catedrático da Universidade do Minho, que há alguns meses atrás, publicamente, não teve qualquer pejo em rotular de tolos, todos professores que tem medo que os alunos façam trabalhos usando o ChatGPT, vide post acessível no link supra, vem novamente pronunciar-se sobre o impacto da referida ferramenta de inteligência artificial generativa, desta vez na avaliação das teses de mestrado, num artigo no primeiro caderno do semanário Expresso:
"...como avaliar uma tese de mestrado? Tipicamente, o júri lia a tese, dava-lhe uma nota e, consoante corresse a defesa, subia ou baixava-lhe um valor. Mas que sentido faz isso quando o ChatGPT já escreve teses de mestrado melhores do que a maioria ? A solução não será o contrário ? Fazer uma boa discussão e dar a nota com base na defesa oral, dando pouco peso ao trabalho escrito ?"

A tese (embora peque por favorecer os alunos com um "ADN" de picareta-falante) faz efectivamente algum sentido, especialmente para as teses de mestrado dos cursos de caneta e papel (relativamente aos quais até pode ser estendida inclusive aos doutoramentos), já faz pouco para as teses que envolvam uma parte experimental em contexto laboratorial. Seja como for a solução proposta pelo supracitado catedrático assenta numa premissa interessante, que pode suscitar outras importantes interrogações. 

Se como ele escreveu "o ChatGPT já escreve teses de mestrado melhores do que a maioria", então porque é que um dos elementos do júri de mestrado, não é o próprio ChatGPT, na versão integral paga, que é mais inteligente do que a versão gratuita, desde logo, porque há muitos professores que sabem menos do que essa ferramenta de inteligência artificial generativa, situação essa que é agravada em Portugal onde ao contrário de outros países, não existem mínimos de desempenho científico, para se fazer parte de um júri académico, mas principalmente porque ao contrário dos jurados humanos, a IA não padece da limitação de que padecem muitos deles, de fazerem arguições de favor a certos candidatos ? 

Faço notar que a minha dúvida supra, deve ser lida no contexto, da primeira questão que formulei no final de um post de 2020: "será que um Professor que participa activamente na viciação de um procedimento concursal, ou que seja o beneficiário directo dessa viciação, reúne suficientes condições de ética, isenção e imparcialidade, para poder avaliar os seus alunos de forma rigorosa, sem que se corra o risco de favorecer alguns ou algumas, com ou sem troca de contrapartidas ?" https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/06/endogamia-academica-e-viciacao-concursal.html

PS - Uma questão diferente, e seguramente não menos importante, mas que o catedrático Aguiar-Conraria não mencionou no seu artigo, tem que ver com o facto das universidades andarem a formar diplomados, que até podem ter feito excelentes teses, mesmo sem a ajuda do ChatGPT, mas que mesmo assim não possuem as capacidades básicas fundamentais, que há cinco anos atrás, um professor de educação de uma universidade Norueguesa, definiu como aquelas que podem contribuir para forjar um mundo mais justo e mais humano https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/12/pisa-best-students-in-world.html

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

Deepseek’s Earthquake vs. Clarivate’s Narrative: A Conveniently Timed Report


A recent report from the Institute for Scientific Information (ISI) at Clarivate analyzes citations from patents issued between 2018 and 2022—encompassing over 61 million inventions that reference academic research. This analysis highlights the 50 universities whose academic papers have received the highest number of citations from patents granted to companies and organizations featured on the Clarivate 2024 Top 100 Global Innovators list. Notably, the distribution of these leading institutions is predominantly from the USA (30 universities), followed by the EU (12 universities), with China contributing just 1 university. https://clarivate.com/academia-government/lp/the-top-50-universities-powering-global-innovation/

The glaring disparity in results between the United States and China—China being the powerhouse behind Deepseek, which reportedly erased over $1 trillion in market value for U.S. tech giants—strongly suggests that the study’s metrics are skewed toward institutions with entrenched industry affiliations overwhelmingly benefiting U.S.-based universities. 

But let´s talk about the timing. The Clarivate report was published just three days after Deepseek blindsided Wall Street, triggering one of the worst market bloodbaths in tech history. It reads less like an objective assessment and more like a hastily assembled PR stunt crafted to soothe the bruised egos of the Buffoon Emperor Trump - the same Trump, whose vile Republican minions are now offering a $1,000 bounty to any American who reports an undocumented immigrant - and his greedy Silicon Valley Tech-Bros, scrambling to recover from a seismic shift they never saw coming.


PS - If you think this is just a rough week for U.S. tech, think again. In a recent paper, American Emeritus Professor David Krause took it a step further, predicting that Deepseek could ignite a sharp decline in the intrinsic valuations of the so-called "Magnificent 7"—Apple, Microsoft, Alphabet, Amazon, Meta, Nvidia, and Tesla.