terça-feira, 27 de maio de 2025

Péssimas noticias para recém-diplomados: Relatório mostra que dezenas de milhões de empresas preferem apostar na I.Artificial



Um recente relatório sobre contratações na área tecnológica, tendo por base mais de 80 milhões de empresas, traz péssimas noticias para os recém-diplomados em Portugal, que pensam em emigrar, pois o mesmo revela que a contratação de recém-diplomados caiu mais de 50%. As "culpas" podem ser assacadas à incerteza económica e à inteligência artificial o que está a levar os empregadores a só admitirem contratar diplomados com um mínimo de dois anos de experiência, havendo quase 40% que dizem que preferem antes apostar na inteligência artificial do que contratarem diplomados sem experiência. Em termos de contratações, a preferência principal do mercado de trabalho vai para quadros com elevada experiência: "Right now, the only type of employee anybody’s interested in hiring is a relatively heavyweight senior person who is very technical,” https://sfstandard.com/2025/05/20/silicon-valley-white-collar-recession-entry-level/

Sobre as mudanças nas intenções de contratação nas áreas tecnológicas, também vale a pena revisitar o estudo que divulguei anteriormente, o qual analisou 11 milhões de anúncios de emprego e que confirmou que os empregadores estão agora muito mais interessados em profissionais com efectivas competências reais e bastante menos em diplomas  https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/02/examining-11-million-job-postings.html uma situação que se percebe melhor, pelo facto de hoje mesmo o catedrático jubilado Robert Reich, ter defendido no seu blogue, que muitos dos empregos do futuro não necessitarão de uma formação de ensino superior "A four-year college degree isn’t necessary for many of tomorrow’s good jobs"

É claro que o péssimo panorama acima descrito não é idêntico para os jovens diplomados de todas as áreas, desde logo pelo facto da inteligência artificial não afectar de forma negativa todas as áreas por igual e por outro porque na secção de economia da última edição do semanário Expresso, o Bastonário da Ordem dos Engenheiros revelou que na área da engenharia civil, há um défice de profissionais, pois o número de engenheiros que se aposenta a cada ano é superior ao número daqueles que as instituições de ensino superior estão a formar. Tenha-se presente que se trata de um curso que até 2012 aceitava mais de um milhar de candidatos e depois passou a receber apenas poucas centenas https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/09/engenharia-civil-evolucao-de-colocacoes.html

PS - Sobre o importante e predominante tema da inteligência artificial aproveito para actualizar a produção científica (indexada) das instituições de ensino superior de Portugal, ao longo dos últimos dois anos e meio. Vide lista infra, onde se fica a saber que há três universidades (U.Minho, UTAD e UBI) que evidenciaram um elevado crescimento acima de 60%, relativamente à produção científica que tinha sido registada há seis meses atrás  https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/11/instituicoes-de-ensino-superior-que.html Já a nível mundial a universidade que mais produziu nos últimos dois anos e meio foi a conhecida e prestigiada Harvard Medical School com 630 publicações indexadas.

Univ. do Porto...............169  publicações indexadas
Univ. de Lisboa.............126
Univ. do Minho...............82
Univ. de Coimbra...........82
Univ. Nova.....................69
Univ. de Aveiro..............65
ISCTE............................54       
UTAD.............................47      
Inst. Pol. do Porto..........41   
Univ.  Beira Interior........36
Inst.Pol. de Bragança....24       
Inst. Pol. de Leiria..........22   
Inst. Pol. de Lisboa........16
IPCA..............................13
UALG………………....…13
Inst. Pol. de Coimbra.....13
Inst. Pol. de Setúbal.......11
Inst. Pol. Santarém........10 
Inst. Pol. de V.Castelo.....8
Inst. Pol. de Portalegre....8          
Univ. da Madeira.............8 
U.de Évora......................6
Univ. Aberta....................5
Inst. Pol. de Viseu...........5        
Inst. Pol. de Tomar..........5
Univ. dos Açores.............4
Inst. Pol. de C.Branco….3   
Inst. Pol. de Beja.............2         
Inst. Pol. da Guarda........2  

domingo, 25 de maio de 2025

Science - The Persistent Disruption Metric, Nobel Minds and China’s Long Game


In a previous post (linked above), I challenged the metrics of a massive study—spanning 45 million articles and 3.9 million patents—that concluded science is becoming markedly less disruptive. A newer analysis paints a far more optimistic picture: truly groundbreaking studies that persistently disrupt scientific paradigms are on the rise.  By introducing a “persistent disruption” metric—one that rewards enduring influence instead of transient citation spikes—its authors show these rare, transformative papers have climbed 500% since 2000. High persistent disruption scores also correlated with other hallmarks of originality, including recognition by Nobel Prizes, the authors found. https://www.science.org/content/article/research-may-be-increasingly-incremental-studies-making-lasting-paradigm-shifts-are 

Still on the topic of science, it's worth highlighting a recent article published in the latest edition of The Economist about how Chinese universities are attracting Western researchers.  Moreover, just last year, a Chinese University attracted a Nobel Prize–winning French physicist—and now, Ardem Patapoutian, the 2021 Nobel laureate in Medicine and current researcher at the Scripps Research Institute in California, visited my country at the invitation of the Champalimaud Foundation and the Calouste Gulbenkian Foundation. In an interview published yesterday in the Portuguese newspaper Publico, he revealed that China has offered him a 20-year research endowment.  https://www.publico.pt/2025/05/24/ciencia/entrevista/ardem-patapoutian-eua-ha-movimento-inexplicavel-ciencia-2133956?ref=hp&cx=manchete_2_destaques_0

PS - A few days ago, the Bruegel think tank dropped a bombshell report exposing Europe’s pathetic failure in the global tech war. If, on top of this, Europe continues to lose its top scientists to China, it risks sliding into complete irrelevance.

sexta-feira, 23 de maio de 2025

Quais são as magnas responsabilidades da Academia quanto a tentar evitar um ataque eminente das forças do obscurantismo ?


Um artigo na última edição da conhecida revista The Economist informa que o ataque de Trump à ciência, que vê como inimiga, está a tornar-se cada vez mais feroz e indiscriminado. Vide link supra.  

Contudo nós por cá ainda só demos conta da parte "positiva" desse ataque, o da fuga de cientistas para a Europa, esquecemos porém, como é que esse ataque está a inspirar a extrema-direita noutros países, a copiar as acções do mesmo Trump, exactamente como já acontece na Holanda, o país onde a extrema-direita está a tentar concretizar um ataque sem precedentes à academia  através de cortes orçamentais substanciais,  encerramento de cursos, despedimentos, e ameaças à autonomia académica, vide link para um recente artigo publicado na prestigiada revista Science, https://www.science.org/content/article/new-dutch-right-wing-coalition-cut-research-innovation-and-environmental-protections 

Em Portugal, a extrema-direita ainda nem sequer chegou ao poder, mas os cortes de financiamento, esses já chegaram em força ao ensino superior, como foi denunciado pelos Reitores da UMinho e da ULisboa num artigo no jornal Público no passado dia 17 (artigo esse que divulguei nesse mesmo dia), onde até se escreveu que as unidades de investigação foram vítimas de uma armadilha   https://www.publico.pt/2025/05/17/ciencia/opiniao/sistema-cientifico-risco-rutura-2133334?ref=ciencia 

Assim sendo, é legitimo perguntar o que é que a Academia deverá fazer, para evitar que a extrema-Direita Portuguesa se possa tornar Governo em Portugal ?

A resposta a essa pergunta, que dá título a este post, e que alguns parecem não conhecer ou sequer querer conhecer, até a inteligência artificial a sabe de cor: 
"O dever de um académico diante do crescimento de um partido de extrema-direita é, fundamentalmente, ético, cívico e intelectual. Diante desse cenário, o académico deve exercer com coragem a sua responsabilidade social, atuando como uma referência crítica — um farol orientador — no debate público. Isso implica mobilizar o seu conhecimento para esclarecer a sociedade sobre os riscos que tais movimentos representam para a ciência, a liberdade de pensamento e as instituições democráticas. Tal posicionamento envolve não apenas uma manifestação pública fundamentada, mas também o fortalecimento de redes institucionais e de solidariedade entre pares, além do compromisso com uma educação que promova o pensamento crítico, a cidadania e a defesa dos valores democráticos"

Mas quando falo em Academia, falo concretamente das instituições de ensino superior do Norte de Portugal - a única zona deste país que foi capaz de resistir à maré obscurantista iniciada no Algarve e que já conseguiu contaminar o Sul de Portugal - os quais tem especiais responsabilidades no sentido de garantir que o Norte seja capaz no futuro de continuar a resistir a essa "invasão", pois infelizmente os académicos das instituições do Sul, fizeram pouco ou pelo menos não fizeram o suficiente para impedir o crescimento da extrema-direita, naquela zona do país.