sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Um elogio que obviamente não mereço !


Obviamente não mereço o generoso elogio feito ontem pelo catedrático Óscar Afonso, Diretor da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, a meio de um longo e interessante artigo acessível no link infra, onde aquele responde à importante questão: 

"que tipo de inspiração é hoje verdadeiramente relevante para o país e a economia, que contribua para elevar as condições de vida dos portugueses?"   

PS - Excepto, talvez, pelo privilégio inestimável de ter tido a oportunidade singular de poder servir como fonte de "inspiração" para muitos investigadores estrangeiros. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/10/1-lugar-na-universidade-do-minho-pelo.html

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

O ingénuo prof. catedrático, o arguto prof. associado e o estudo que mostra que as empresas não querem contratar doutorados



Recentemente um catedrático da Universidade de Coimbra criticou num artigo no jornal Público, a politica científica deste Governo, por preferir apostar na ciência aplicada em detrimento da ciência fundamental. Vide link supra. Infelizmente logo no inicio do seu artigo, talvez por ingenuidade, aquele deu crédito à ilusão de que as empresas e bancos Portugueses andam viciados em actividades de investigação, na qual alegadamente gastam milhares de milhões de euros, quando na realidade o que acontece, é que esses milhares de milhões foram canalizados para fundos de capital de risco, em troca de benefícios fiscais. 

Aliás para se perceber que "a bota não batia com a perdigota", bastava atentar no facto de se ter ficado a saber que as mesmas empresas que alegadamente gastavam milhares de milhões em actividades de investigação, recusavam contratar doutorados, nem sequer mesmo que o Estado chegasse ao ponto de lhes conceder um subsidio fiscal no valor de 120% do valor do seu salário, vide estudo, que me foi enviado por um Colega da universidade de Aveiro e que dei a conhecer a um elevado número de colegas, através de um email que reproduzo no final do presente post. 

No respeitante a críticas à política científica deste Governo, esteve porém muito melhor um arguto professor associado do ISCTE, que há poucos dias, escreveu que:  "A ideia de orientar a investigação para as empresas assenta numa visão linear da inovação...Mas há décadas que os estudos de inovação mostram como esta imagem é errada. Mesmo quando há transferências, elas raramente são automáticas: exigem competências internas para compreender, interpretar e combinar conhecimento com activos específicos...Ainda mais importante, o maior contributo da ciência para a economia não está, na maioria dos casos, nos resultados imediatos da investigação, mas nas competências que ela forma e difunde"

Mas, pior do que privilegiar a investigação aplicada em detrimento da investigação fundamental, pior do que permitir que milhares de milhões de euros sejam canalizados directamente para fundos de capital de risco e pior do que confundir as fragilidades do tecido económico com um putativo desalinhamento entre ciência e economia, que justificou a fusão entre a FCT e a ANI, é aquilo que há alguns meses se podia ler no semanário Expresso: "a despesa pública em I&D caiu a pique no período da troika e nunca recuperou desde então, estando agora em níveis inferiores aos registados no ínicio dos anos 1990". Mas se a desculpa é uma alegada falta de dinheiro, que não pode ser, porque na década de 90 não havia mais dinheiro do que agora, então trate o Governo de copiar o que fazem na Suécia e na Alemanha, no que respeita a dar caça aos grandes evasores fiscais, que em Portugal são responsáveis por um buraco de astronómico de mais de 40.000 milhões de euros https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/02/o-que-falta-portugal-para-ser-como.html

PS - Mas, se de facto as empresas Portuguesas não querem contratar doutorados, nem mesmo recebendo subsídios, mais não resta aqueles do que irem trabalhar para empresas em países estrangeiros, que mereçam o seu esforço e o seu talento, ou em alternativa tentarem criar as suas próprias empresas, seguindo o caminho do insigne doutorado da universidade de Aveiro, que fundou uma startup extremamente valiosa e também daqueles cujas startups já recolheram financiamento de vários milhares de milhões de euros https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/11/univ-de-lisboa-uma-noticia-sobre-um-1.html 




De: F. Pacheco Torgal 
Enviado: 4 de julho de 2025 14:19
Assunto: Estudo mostra que as empresas Portuguesas não querem doutorados nem mesmo que lhes paguem muito para os contratar
 
Aproveito para reenviar abaixo link de artigo e também texto de email que há pouco recebi de um colega da U.Aveiro. Sobre o SIFIDE lá referido, declaro que critiquei essa aberração mais de uma dezena de vezes. A última vez que o fiz foi no passado mês de Maio https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/05/que-licoes-se-podem-extrair-do-livro.html

PS - Talvez isso ajude a explicar porque há milhares de doutorados desempregados https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/04/sera-que-aumentar-actual-inflaccao-de.html


Anexo link para paper interessante sobre o SIFIDE. Em resumo: 
Nem com 120% de bonificação as empresas "pegam" nos PhD holders.
Cumprimentos
Daniel

domingo, 28 de dezembro de 2025

"Felizmente nenhum dos nossos alunos quer ir trabalhar para a função pública"



No passado dia 24 de Dezembro, divulguei o caso singular do professor catedrático que arrasou, de alto a baixo, o sistema de educação Português, vide post acessível no link supra. O referido catedrático foi entretanto entrevistado pelo jornal Público e, dessa longa e provocadora entrevista — hoje publicada na edição impressa do jornal — destaco abaixo algumas declarações na esperança de que despertem a curiosidade para a leitura integral da entrevista referida: 

"Felizmente nenhum dos nossos alunos quer ir trabalhar para a função pública"

"Os dois primeiros alunos que acabaram o programa eram um engenheiro electrotécnico...e um estofador da Autoeuropa que tinha o 12.º ano"

"Esta escola tem, literalmente, o padeiro sentado ao lado do médico."

"Temos universidades e politécnicos que têm taxas de desemprego à saída de 30% ou de 50%"

"É claro que os senhores reitores queriam que nós desaparecêssemos porque isto para eles é um irritante" https://www.publico.pt/2025/12/27/sociedade/entrevista/educacao-sistema-sovietico-planeamento-central-experimentado-urss-produzir-pao-nao-funcionou-2159088

É importante salientar — algo que infelizmente o catedrático Pedro Santa Clara não fez — que a proposta educativa em questão apresenta várias vantagens enquanto modelo complementar de educação, mas não constitui uma solução universal ou milagrosa. Porém este modelo não permite formar profissionais cuja atuação exige uma sólida formação científica, como cientistas, engenheiros ou médicos, nem aqueles cujas profissões requerem formação prática intensiva e certificada, como mecânicos, eletricistas, carpinteiros, serralheiros, canalizadores ou técnicos de manutenção. De qualquer forma, a academia não tem a menor razão para se mostrar complacente, e muito menos para subestimar os enormes desafios actuais, pois num post anterior do passado dia 27 de Maio, escrevi: "hoje mesmo o catedrático jubilado Robert Reich, ter defendido no seu blogue, que muitos dos empregos do futuro não necessitarão de uma formação de ensino superior"A isso soma-se ainda o facto do último número da revista The Economist revelar que a geração Z demonstra um interesse crescente por profissões técnicas e muito menos por formações académicas. https://www.economist.com/international/2025/12/18/ditch-textbooks-and-learn-how-to-use-a-wrench-to-ai-proof-your-job

PS - A mim, pessoalmente, enquanto primeiro signatário de uma petição contra a endogamia que protagonizei há 10 anos atrás, fico satisfeito pelo facto dele não se ter esquecido de mencionar aquele que é o "calcanhar de Aquiles" da academia Portuguesa (Catedrático Orlando Lourenço dixit).