quarta-feira, 31 de agosto de 2022

As patentes que são apenas lixo intelectual, as patentes que valem biliões e o improvável campeão mundial das patentes

 

Um artigo sobre patentes publicado na conhecida revista The Economist começava da seguinte forma:
"É uma prova da inventividade humana que 50 milhões de patentes tenham sido concedidas a nível mundial. Mas, em conjunto, a maior parte assemelha-se a lixo intelectual. Nele se podem encontrar  ideias plausíveis pelas quais no entanto nenhuma empresa jamais quis pagar um cêntimo que fosse, ideias plausíveis falhadas e até ideias absurdas...Reduza a lista somente aquelas com um módico de racionalidade e legalmente em vigor, através do pagamento da taxa necessária para as manter vivas e sobram somente 16 milhões..." https://www.economist.com/business/2021/12/04/a-new-way-of-understanding-the-high-but-elusive-worth-of-intellectual-property

O referido artigo analisou as tentativas falhadas para estimar o valor de uma patente até que chega ao caso da startup PatentVector, que utiliza um método (já patenteado e comprado por diversas empresas e instituições) baseado em citações de patentes. De acordo com a PatentVector, a empresa fabricante de dispositivos médicos Ethicon (que é uma subsidiária da Johnson & Johnson) detém 95 das 200 patentes mais valiosas do mundo, sendo que aquelas que levam o nome do excêntrico Frederick Shelton (na foto acima e que tem um fetiche por camisas havaianas) se estima valerem 15 biliões de dólares. O inventor mais valioso do Planeta. O artigo refere ainda que a PatentVector encontrou mais 65 inventores, que pertencem ao clube das patentes avaliadas num valor superior a 1 bilião de dólares. 

PS - E porque será que o referido Frederick Shelton é muito menos conhecido do que o Ronaldo (e até menos conhecido do que jogadores de segunda e terceira linha) se aquilo que ele faz é muito mais importante ? Será que é porque na nossa civilização se faz a apologia da ignorânciahttps://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/attenborough-versus-ronaldo-or.html

terça-feira, 30 de agosto de 2022

O acesso ao ensino superior e uma imperdível e crucial vantagem competitiva


Se não é fácil saber quais as universidades onde abundam os catedráticos com uma obra científica muito pouco citada, vide lista incompleta onde aparecem quase 60, então em alternativa, os estudantes que agora se candidatam ao ensino superior, podem optar por dar preferência às universidades onde haja mais investigadores altamente citados, para assim poderem vir a beneficiar de uma eventual e futura associação com os mesmos, que a ciência já demonstrou ser crucial para o sucesso de uma carreira científica, vide artigo publicado na revista Nature https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/09/junior-researchers-who-coauthor-work.html

Sabendo-se que o único ranking internacional decente de investigadores (o único que cumpre três condições fundamentais, a da desambiguação, a da remoção de auto-citações e da utilização da contagem fraccionada) é aquele de que se dá conta na noticia aqui  https://tecnico.ulisboa.pt/pt/noticias/mais-de-uma-centena-de-investigadores-do-tecnico-no-top-mundial/ assim reproduzem-se abaixo os links para os dois ficheiros mencionados na noticia supra, o ficheiro sobre o impacto ao longo da carreira e o ficheiro sobre o impacto no último ano: 


Nos mesmos é notório que há várias universidades que possuem largas dezenas de investigadores altamente citados, mas é também evidente que há muitas instituições de ensino superior que não possuem sequer um único.  As primeiras localizam-se, sem surpresa, na sua esmagadora maioria no Litoral do nosso país, razão pela qual há 2 anos atrás fiz duas propostas para tentar reduzir essa grave assimetria científica. 

PS - Também sem surpresa se fica a saber que aquele Politécnico, que recentemente e de forma totalmente injustificada (mas bastante descarada) se auto-intitulou como sendo um dos melhores Politécnicos de Portugal tem afinal zero professores e ou investigadores altamente citados. O que basicamente significa que não consegue estar à altura de vários Politécnicos, como o do Porto, o de Bragança, o de Coimbra, o de Viseu, o de Setúbal, o de Viana de Castelo ou o de Portalegre. 

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Porcos, prepotentes e canalhas

 

Ainda na sequência do post acima, sobre alguns porcos deste país, e tendo em conta que como na Finlândia, os ricos daquele país Nórdico, são obrigados a pagar multas de trânsito muitíssimo mais altas do que aqueles que auferem menores salários, faz sentido perguntar se o facto de em Portugal isso não acontecer e as multas por excesso de velocidade, terem sido concebidas de forma absolutamente prepotente por deputados canalhas, para não causarem grave incómodo aqueles que mais ganham (ao contrário do que acontece na Finlândia em que um individuo de nome Anssi Vanjoki, que auferiu 19 milhões teve de pagar uma multa de trânsito de 116.000 euros, o que corresponde a 0.6% do rendimento anual e também na Suiça onde condutores ricos pagaram multas de dezenas de milhares de euros), se isso não é uma forma de descriminar e até utilizar a lei para perseguir os Portugueses que auferem menores salários ?  

Tenha-se presente que em Portugal a coima máxima, para quem for apanhado a circular 40 km/h acima do limite dentro de localidades, corresponde a quase dois salários mínimos, o equivalente a 6% do rendimento anual, de quem ganhe o ordenado mínimo (que é o que recebem nada menos do que 1 milhão de Portugueses). Porém se estivermos a falar de qualquer um dos banqueiros Portugueses (ou aqueles outros milionários que existem em Portugal), a referida coima máxima representa apenas 0.06% do seu rendimento anual, uma percentagem que é 100 vezes inferior à percentagem paga por quem recebe o salário minimo. Por outras palavras isso representa uma espécie de perdão automático, de largas dezenas de milhares de euros, sempre que um banqueiro ou qualquer outro milionário Português (mesmo daqueles que pagam menos impostos do que professores universitários e investigadores) é apanhado a infringir o Código da Estrada, que o mesmo é dizer que existe no nosso país uma inadmissível e afrontosa consagração da desigualdade de tratamento perante a lei.

PS - A referência que foi feita no texto acima aos senhores banqueiros não aconteceu por mero acaso e serve para agora poder chamar à colação um interessante artigo que na última Sexta-Feita foi publicado na revista do Expresso, e no qual se analisou o histórico das malfeitorias dos banqueiros Portugueses e onde por exemplo se ficou a saber que a famosa fraude do Alves dos Reis, representaria aos dias de hoje um valor a rondar 100 milhões de euros, o que é bem vistas as coisas e muito irónicamente um valor muito inferior aos quase 22000 milhões de euros que os senhores banqueiros fizeram desaparecer entre 2008 e 2020. É quase como se nesse período tivesse havido duas centenas de Alves dos Reis à solta em Portugal.