E é precisamente neste quadro de devastação que se torna impossível ignorar as consequências de um importante estudo de investigadores alemães, segundo o qual estes fenómenos não são raros nem exceções meteorológicas, são, muito pelo contrário, um ensaio geral daquilo que ameaça tornar-se nas próximas décadas uma rotina trágica. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/09/artigo-de-investigadores-alemaes-ajuda.html
O que aí vem nos próximos anos provocará uma enorme destruição à escala de uma guerra, mas esta não será provocada pela Rússia. Virá de fenómenos atmosféricos extremos, associados a um colapso climático. E perante isto o Governo Português optou, erradamente, por se preparar para uma invasão russa que não chegará nunca, até porque aquele país está economicamente à beira do colapso, enquanto ignora a única guerra que Portugal terá de enfrentar, cuja probabilidade de ocorrência é de 100%, contra a crise climática. Uma guerra que não se combate com misseis, com drones ou tanques blindados, mas com Ciência, investimento público e políticas de adaptação e resiliência climática de longo prazo.
Desde logo, este Governo já há muito que deveria ter criminalizado qualquer licenciamento autárquico de novas edificações em zonas de risco, nomeadamente em zonas propicias a deslizamentos de terras, em zonas inundáveis, em zonas costeiras ou áreas diretamente expostas à subida do nível do mar, relativamente às quais faz sentido revisitar a frase: "os contribuintes deste país serão obrigados a pagar milhões para evitar que o mar engula "apartamentos a preços milionários, construídos quase em cima do mar." https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/04/the-economist-gorda-factura-das.html
PS - A gravidade dos supracitados fenómenos climáticos extremos tem, paradoxalmente, uma enorme virtude: expõe de forma inequívoca a vacuidade e a indigência do programa político do partido liderado por André Ventura, um programa negligente e incompetente, em que a emergência climática é totalmente ignorada e no qual não se encontra uma única linha, proposta ou visão, por mínima que seja, num vazio programático absoluto, sobre o que o nosso país deve fazer de imediato para prevenir ou mitigar consequências que agora já são bastante devastadoras, mas que ameaçam tornar-se muito mais destrutivas no futuro.