quarta-feira, 16 de março de 2022

Um corajoso catedrático Coimbrão que pode ter um fim trágico

 

Quando no dia 1 de Março, sugeri no email abaixo, apelar ao congelamento da revisão e edição de artigos de autores Russos (algo que já fiz quando fui chamado a pronunciar-me sobre um desses artigos, enquanto membro do corpo editorial de uma revista indexada que tem um IF=3.6, mas somente a  título individual) estava longe de imaginar que haveria alguém com coragem para fazer o que fez o Português Rui Fausto (foto acima), catedrático no departamento de Química na Universidade de Coimbra e Editor-Chefe da revista Journal of Molecular Structure, propriedade da Elsevier, que devido ao genocidio Ucraniano e ás ameaças nucleares de Putin, não aceita artigos de cientistas ligados a instituições Russas. Esperemos que ele consiga manter a decisão e não seja vitima do longo (vingativo e criminoso) braço do Kremlin. 





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De: F. Pacheco-Torgal 
Enviado: 1 de março de 2022 16:13
Assunto: Fwd: Elsevier - Should Editors and reviewers refuse to handle papers having Russian co-authors ?
 

The email below that i just received from Elsevier does not support the aforementioned hypothesis still i ask:


1 - Can the science community keep with the publishing business as usual forgetting that Russia is responsible for having "destroyed the longest peacetime period in more than two thousand years of Europe's history" ?  

2 - Should we really be concerned that the papers of Russian scientists are frozen for 1 or 2 weeks or even for 1 month at the same time the army of their country is killing Ukrainian scientists and their relatives?

3 - What is more important to science, to try to avoid more deaths or to publish papers ?



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De: Elsevier 
Enviado: 1 de março de 2022 12:39
Para: F. Pacheco Torgal
Assunto: Handling submissions that include Russian researchers
 
 
 
Elsevier

If you are unable to view this message correctly, click here

Dear Dr. Pacheco-Torgal,

In view of the current conflict in Ukraine, we understand you may have questions about whether you as editors are expected to take any action.

At Elsevier, our role is to help researchers advance science and improve outcomes for the benefit of society, and for that we need the free flow of ideas and quality, peer reviewed research from researchers globally. Given the international and collaborative nature of research, any restrictions on scientific publishing not only harm individual researchers – who may themselves have different political views from their governments – but also authors from other countries entirely.

As of the time of writing, no government sanctions are in place which impact the handling of papers that include Russian authors, and we ask editors to follow usual practice on “Fair Play”: “The editor should evaluate manuscripts for their intellectual content without regard to race, gender, sexual orientation, religious belief, ethnic origin, citizenship, or political philosophy of the authors.”

This is an evolving crisis and we will keep you updated on any developments that may impact your work. We stand by our belief that restrictions on publishing are inappropriate, and any exceptions should be narrowly crafted. We will work with the STM publishing industry associations, other companies, and research communities, to analyze any future changes in trade sanction policies with respect to Russia.

Elsevier wishes to express its support for all civilians caught up in conflict worldwide, and our thoughts are with the people of Ukraine at this difficult time.

All the best,
Laura Hassink
Managing Director, STM Journals

This is a Service message, sent to you by Elsevier STM Journals.

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segunda-feira, 14 de março de 2022

Aqueles que estão em festa e as mortes provocadas por ingénuos e cobardes

 

https://www.dailymail.co.uk/news/article-10593271/ISIS-praises-Ukraine-war-crusaders-against-crusaders-destroy-enemies-Islam.html

O auto-designado "Estado Islâmico" só pode estar incondicionalmente agradecido aos Russos, pelo facto deles fazerem de borla aquilo que os terroristas do Estado Islâmico nunca conseguiram fazer até hoje, isto é, matar milhares de cristãos em plena Europa. Ou talvez tenhamos sobrestimado o tal "Estado Islâmico" e só agora começamos finalmente a perceber a verdadeira ameaça que representa o exército Russo, um autêntico exército de Orcs, que destrói tudo por onde passa (como o fez em Aleppo e Grozny) e que pretende, se o deixarem, espalhar as trevas por toda a Europa.

Aqueles muitos ingénuos que acham que a Rússia, logo a nação mais extensa do Planeta Terra (que é quase 190 vezes maior do que Portugal, embora só tenha uma população 13 vezes maior) e que possui tantas "bombas atómicas" (ogivas nucleares) com as que existem em todos os outros países do mundo somadas, qual inocente e indefesa coitadinha, está apenas preocupada com a sua "segurança" e com as terríveis intenções da Ucrânia se juntar à NATO, que se deixem de lirismos idiotas e dementes (que o Sr. Putin muito agradece, da mesma maneira como o Embaixador da Rússia em Portugal agradeceu em 11 de Março aos deploráveis generais Portugueses que andam na televisão a defender o Sr. Putin) pois da mesmíssima maneira que Aleppo e Grozny serviram de tubo de ensaio para aquilo que Putin anda agora a fazer na Ucrânia, também a Ucrânia irá no futuro servir de exemplo para aquilo que Putin quer fazer a seguir, se para grande azar nosso ninguém o conseguir travar na Ucrânia. 

A pretexto de defender os direitos das comunidades Russófonas (exactamente a mesmíssima razão que Hitler utilizou para invadir a Checoslováquia, fingindo estar muito preocupado com os Alemães que viviam nos Sudetas) o Sr. Putin (que mente com a mesma facilidade com que respira, como o afirmou a Primeira-Ministra da Lituânia) irá a seguir ameaçar os outros países onde elas vivem (Letónia, Lituânia e Estónia, onde existe no total quase 1 milhão de Russos), que ou fazem o que ele quer (a aprovação de um estatuto especial para essas comunidades ou até mesmo direito de veto sobre todas as medidas que ele ache que não servem os interesses dessas comunidades) ou então volta a repetir a receita Ucraniana.  E nessa altura não faltarão cobardes a defender que é preferível de longe aceitar a "pequena" exigência do Sr. Putin do que ter o país totalmente arrasado ou arriscar uma guerra nuclear. 

PS - Já para nem falar dos 150.000 Russos que vivem na Moldávia, Roménia, Bulgária e Polónia. 

O caso das publicações científicas roubadas

  

https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/10/french-early-career-researchers-are.html

A França que era há poucos anos o país recordista no acesso ao famoso site pirata Sci-hub (vide post acima), que é famoso por alojar publicações científicas sem ter permissão legal para esse efeito, foi ultrapassado pelos EUA e pela China, país asiático este que só no mês passado descarregou mais de 25 milhões de artigos da referida plataforma https://www.nature.com/articles/d41586-022-00556-y 

Sucede porém que dificilmente se pode considerar um roubo, aquilo que o SCI-HUB faz às editoras, pois também se pode considerar uma forma (refinada e cínica) de roubo, obrigar os cientistas a entregar de borla o produto do seu trabalho, que é depois vendido com  com elevado lucro do qual recebem literalmente zero, valendo assim o provérbio que dita que ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão. 

PS -  Quem sabe se mais Colegas mudam o seu "mindset" e começam a encarar as coisas nessa perspectiva, talvez daqui a uns tempos começem a sentir uma elevada indignação por conta desse roubo e nessa altura em vez de lermos trabalhos com o título "O que é conhecimento científico e como ele é criado, acumulado, transformado e usado?"  pudessemos ler antes algo muito mais realista, do género"O que é conhecimento científico e como ele é criado, acumulado, transformado e roubado?"