quinta-feira, 15 de junho de 2023

ChatGPT: Diabo ou anjo da guarda ?

 


Na sequência do post supra de 10 de Junho, sobre os países que já produziram mais publicações sobre o ChatGPT, indexadas na Scopus, área onde Portugal apresenta um desempenho decepcionante, abaixo do Camboja, do Paquistão e da Nigéria, sou a divulgar uma das últimas dessas publicações, com o curioso título "What if the devil is my guardian angel: ChatGPT as a case study of using chatbots in education", de investigadores de vários países e que foi publicado na revista Smart Learning Environments. https://slejournal.springeropen.com/articles/10.1186/s40561-023-00237-x#Sec32  Artigo esse do qual entendo pertinente reproduzir abaixo a figura 7, do mesmo, que mostra a resposta do ChatGPT, quando solicitado para criar um teste de física, com 10 questões, para um aluno do 8º ano: 



terça-feira, 13 de junho de 2023

Será que o omnisciente ChatGPT consegue projectar um betão contendo agregados reciclados capaz de durar 1000 anos ?



A segunda edição do livro mencionado no link acima, foi concluída hoje. Agora que os capítulos estão entregues, resta esperar que a Elsevier trate dos passos que faltam para que daqui a poucos meses esta nova edição seja publicada. 

Embora haja muitas pessoas que não fazem a mínima ideia que o betão, é o material mais utilizado no Planeta Terra, o facto é que há muitas infra-estruturas executadas com aquele material que se degradam prematuramente (por razões várias que extravasam o âmbito deste post) necessitando por isso de obras de reparação (e ou reabilitação) que constituem o âmbito do referido livro. Quando essas obras não acontecem o resultado é infelizmente aquele que se viu na Itália com o colapso da ponte Morandi, que matou 43 pessoas https://www.publico.pt/2022/07/07/mundo/noticia/evitavel-pergunta-colapso-ponte-morandi-comeca-resposta-2012625

Porém a parte mais interessante deste post prende-se com a pergunta que fiz ao ChatGPT e que reproduzo: "Pretendo saber saber qual a composição de um betão, à base de agregados reciclados, com uma resistência à compressão de 100 MPa, ao fim de  28 dias de cura, que estará sujeito durante esses 28 dias a uma temperatura de 2 graus celsius negativos e que exposto a condições quimicamente agressivas, terá uma vida útil de 1000 anos"

Reproduzo abaixo a resposta do ChatGPT, merecendo destaque naquela, a parte que sublinhei a cor amarela, que mostra que a engenharia civil (ainda) continua a salvo da força bruta do referido modelo de inteligência artificial, o mesmo que já anda a fazer (muitos) estragos em muitas outras áreas.

Resta do ChatGPT: Para obter um betão com uma resistência à compressão de 100 MPa, utilizando agregados reciclados e com durabilidade de 1000 anos, é necessário considerar cuidadosamente a seleção dos materiais e a formulação da mistura. Aqui está uma sugestão de composição:
  1. Cimento: Utilize um cimento de alta resistência, como o cimento Portland de classe 52,5 ou um cimento com adições pozolânicas, como a cinza volante ou sílica ativa. Esses tipos de cimento são conhecidos por proporcionar resistência superior.

  2. Agregados: Utilize agregados reciclados de alta qualidade e durabilidade, que sejam resistentes às condições químicas agressivas. Certifique-se de que os agregados reciclados sejam bem processados, limpos e estejam livres de impurezas que possam prejudicar a durabilidade do betão.

  3. Relação água-cimento: Para alcançar uma alta resistência à compressão, é recomendável utilizar uma relação água-cimento baixa, normalmente entre 0,25 e 0,35. Essa proporção reduzirá a porosidade e melhorará a resistência do betão.

  4. Aditivos: Adicione aditivos que melhorem a resistência química e a durabilidade do betão. Por exemplo, aditivos plastificantes de alta resistência, aditivos redutores de permeabilidade e aditivos impermeabilizantes podem ser utilizados para aumentar a durabilidade e a resistência às condições químicas agressivas.

  5. Cura: É fundamental realizar uma cura adequada para maximizar a resistência e a durabilidade do betão. Certifique-se de seguir um regime de cura apropriado, considerando a temperatura de -2 graus Celsius. Isso pode incluir o uso de isolamento térmico e coberturas para proteger o betão do congelamento durante o período de cura.

É importante ressaltar que a obtenção de uma resistência à compressão de 100 MPa e uma vida útil de 1000 anos é um desafio significativo. Portanto, é recomendável consultar especialistas em betão, engenheiros civis e realizar testes de laboratório para otimizar a composição e garantir a durabilidade desejada.

ChatGPT teaches how to design a concrete capable of lasting 1000 years

 


The second edition of the book mentioned in the link above was completed today. Now that the chapters have been delivered to Elsevier, it only remains for that publisher to take care of the remaining steps for this new edition to be published within a few months.

Although there are many people who have no idea that concrete is the most used material on Planet Earth, the fact is that there are many infrastructures built with that material that degrade prematurely (for various reasons that go beyond the scope of this post ) necessitating repair (and/or rehabilitation) works that constitute the scope of the referred book. When these works do not happen, the result is the one seen in Italy with the collapse of the Morandi bridge, which killed 43 people https://www.theguardian.com/cities/2019/feb/26/what-caused-the-genoa-morandi-bridge-collapse-and-the-end-of-an-italian-national-myth

However, the most interesting part of this post concerns the question I asked ChatGPT: "I want to know the composition of a concrete, based on recycled aggregates, with a compressive strength of 100 MPa, after 28 curing days, which will be subject during these 28 days to a temperature of minus 2 degrees celsius and exposed to chemically aggressive conditions, will have a useful life of 1000 years"

 I reproduce the ChatGPT answer below, highlighting the part in yellow color, which shows that the area of civil engineering is (still) safe from the brute force of the aforementioned model of artificial intelligence, which is already wreaking havoc in many other areas.

Answer of ChatGPT: To obtain a concrete with a compressive strength of 100 MPa, using recycled aggregates and with a durability of 1000 years, it is necessary to carefully consider the selection of materials and the formulation of the mix. Here is a composition suggestion:
  1. Cement: Use a high-strength cement such as grade 52.5 Portland cement or a cement with pozzolanic additions such as fly ash or silica fume. These types of cement are known to provide superior strength.

  2. Aggregates: Use high quality, durable recycled aggregates that are resistant to aggressive chemical conditions. Make sure that recycled aggregates are well processed, clean and free of impurities that could impair the durability of the concrete.

  3. Water-cement ratio: To achieve high compressive strength, it is recommended to use a low water-cement ratio, normally between 0.25 and 0.35. This proportion will reduce the porosity and improve the strength of the concrete.

  4. Additives: Add additives that improve the chemical resistance and durability of the concrete. For example, high strength plasticizer additives, permeability reducing additives and waterproofing additives can be used to increase durability and resistance to aggressive chemical conditions.

  5. Curing: Proper curing is essential to maximize the strength and durability of the concrete. Be sure to follow an appropriate curing regimen considering the -2 degrees Celsius temperature. This may include the use of thermal insulation and coatings to protect the concrete from freezing during the curing period.
Importantly, achieving a compressive strength of 100 MPa and a service life of 1000 years is a significant challenge. Therefore, it is recommended to consult concrete specialists, civil engineers and carry out laboratory tests to optimize the composition and guarantee the desired durability.